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14 de dez de 2009

power and prosperity

(nota: fiz só uma resuminho, mas aconselho a leitura deste e de outros livros pra quem gosta de política e economia... ajuda inclusive a entender bastante a situação deprimente desse nosso país/circo que tem no centro do picadeiro um governo talvez mais corrupto do que o governo Collor, atuando junto com vários grupos de interesse que o apóiam porque ganham com isso e um bando de palhaços ignorantes votando e elegendo os atores principais... pão e circo dos tempos romanos é pouco pra descrever nossa democracia perfeita!).


POWER AND PROSPERITY – Outgrowing Communist and Capitalist Dictatorships
autor: Mancur Olson


Por que algumas economias se saem melhor do que outras? Como a sociedade encoraja o tipo de economia de mercado que continuamente gera aumento de renda? Como tipos de governo afetam a performance econômica? Mancur Olson busca responder a estas e outras perguntas no decorrer de sua obra.

No livro “Power and Prosperity”, Mancur Olson explica que existem algumas condições básicas necessárias para a prosperidade. Entre estas condições estão o cumprimento dos direitos de propriedade, que inclui o cumprimento de contratos voluntários e a ausência de ações predatórias. Quando o próprio governo se torna o maior predador e quando este passa a violar, ao invés de fazer com que sejam cumpridos os direitos à propriedade e os contratos, as condições necessárias para a prosperidade diminuem significativamente.

O autor divide os tipos de governos em “hunther-gatheres” (algo como badidos, assaltantes que estão de passagem por determinado local), anarquias, autocracias e democracias e, assim como as últimas seriam as melhores formas de governo, as anarquias seriam as piores. Nas anarquias, os indivíduos de uma sociedade deparam-se com muitos males, incluindo ataques de bandidos passageiros. A atividade econômica em uma anarquia é muito arriscada e, por este motivo, a quantidade de bens produzidos diminui.

Um bandido passageiro pode descobrir que é de seu interesse tornar-se um bandido estacionário, um autocrata. Na metáfora utilizada por Olson, ele então usaria o tipo de proteção que a máfia utiliza em sua área de influência, suprimindo outros bandidos e, desta forma, aumentando a performance econômica e, ao mesmo tempo, extorquindo riqueza dos cidadãos para servir à sua própria visão de poder e glória. O autor analisa o que ele classifica como o maior bandido estacionário, Joseph Stalin. Ao contrário do que pregava o marxismo real, “de cada um, segundo sua capacidade, a cada um, segundo suas necessidades”, o stalinismo teria sido, segundo o autor, “de cada um, segundo sua capacidade, ao homem no comando”.

Contrariando o senso comum a respeito dos incentivos ao trabalho numa sociedade comunista, Stalin criou incentivos bizantinos ao trabalho. Trabalhar normalmente merecia salários de fome e o trabalho excedente pagava a preços de mercado. Se receber a mais pelas horas que excediam a jornada de 40 horas de trabalho semanais não servisse de incentivo, havia a ameaça de expurgo, tornando a ansiedade, segundo o autor, uma aliada do autoritarismo. Olson diz que Stalin teria sido mais eficiente em atingir suas metas se simplesmente tivesse introduzido uma economia de mercado, cobrado impostos e exigido que todos trabalhassem 15 horas por dia, 7 dias por semana.

Para o autor, quando o comunismo funciona bem, ele é somente semi-eficiente e, mesmo assim, essa semi-eficiência não dura muito tempo e o comunismo afunda na burocracia: corrupção, incompetência e a dinâmica dos grupos de interesse criam uma condição que gradualmente piora algo que já é ruim. Mesmo que os cidadãos trabalhem muito, o planejamento e a administração são ruins e pioram porque os responsáveis pela administração conseguem aumentar os subsídios para níveis de produção cada vez piores. Olson diz que o colapso da União Soviética foi em parte gerado pela falta de renda. Existiam múltiplos interesses pedindo subsídios e pouca renda de impostos. A URSS elegeu subsidiar imprimindo mais moeda, o que levou a um desastre econômico.

O autor avisa que não se deve ter muitas esperanças em nenhuma ditadura, pois mesmo quando são benevolentes, continuam uma opção ruim. Ditadores morrem e o ditador seguinte geralmente é pior do que o anterior. Autocracias podem prosperar por algum tempo, mas eventualmente lideranças desastrosas emergem. Extorção, clientelismo, caprichos e a crueldade dos autocratas conflitam com o que realmente importa em uma sociedade.

Uma das conclusões do autor é a de que direitos são essenciais. Direitos de propriedade seguros e transparentes, o poder imparcial de fazer cumprir as leis e a falta de bandidos são necessários para o crescimento econômico no longo prazo. Países menos desenvolvidos que são displicentes com os direitos cometem um grande erro. Outras coisas que arruínam uma economia são: acúmulo de dívidas, impressão exagerada de moeda, lobby de grupos de interesse e negligenciar o pagamento de empréstimos. Do mesmo modo, o crime organizado, os subsídios, a ganância dos líderes e a corrupção oficial também arruínam uma economia, ainda que exista muito investimento, tecnologias e cidadãos que trabalhem bastante.

As economias deveriam ter um alto índice de investimentos de longo prazo, algo que está se tornando mais raro nas democracias e é quase impossível nas autocracias. Olson afirma que mesmo autocratas que buscam a estabilidade têm forte incentivo a fazer empréstimos, imprimir muita moeda e confiscar arbitrariamente propriedades – os investidores sabem disso e, consequentemente, preferem ignorar investimentos que apresentam baixo risco em países autocráticos, pois também sabem que a situação pode modificar-se no futuro próximo.

De acordo com o autor, os mercados não são tão importantes como muitos afirmam, eles são onipresentes, já que existem muitos vendedores até nas nações mais pobres. Direitos de propriedade estáveis, cumprimento obrigatório dos contratos (entre os contratos, Olson diz que os relativos a hipotecas são especialmente importantes), mercados de capital líquidos e corporações com pouca deficiência são mais importantes, segundo o autor.

Apesar de afirmar que o melhor sistema é a democracia, o autor também faz críticas aos países mais prósperos e às democracias. Para ele, os países mais prósperos têm muitos desafios econômicos: um destes desafios é o subsídio a indústrias que perdem dinheiro, pois subsidiá-las é um empecilho maior ao crescimento econômico do que os próprios custos do subsídio, não importando se estas indústrias são perdedoras apenas por azar. Para o autor, as proteções dadas pelo governo deveriam ser em nível do indivíduo, não das indústrias. A transferência de renda para as indústrias, visando ajudar aos indivíduos, cria desastres econômicos, e um subsídio é pior do que o seguro-desemprego, em termos sociais e econômicos.

As democracias também têm falhas, incluindo o que Olson chama de “demoesclerose” dos grupos de interesse e a ignorância dos eleitores. Estas falhas, para o autor, podem ser resolvidas com conhecimento e educação – e isso demonstra porque algumas democracias são mais prósperas e estáveis do que outras.

O autor sugere alguns fatores que atuaram no surgimento das primeiras democracias estáveis: algum tipo de proteção, geográfica ou não, contra a conquista de autocracias; poder balanceado e disperso dentro da democracia, dificultando a emergência de autocratas; um executivo forte, mas não forte o bastante para atuar sozinho, e poderes independentes para que exista sucessão no governo.

Olson usa o Dilema do Prisioneiro para dissertar sobre os incentivos que os indivíduos têm em situações coletivas, concluindo que o exemplo dos prisioneiros tem limitada aplicação em ciência social pelo fato de que dois prisioneiros em salas separadas de interrogatório não podem se comunicar, nem assinar contratos que os vincule. Ao mesmo tempo, ele também diz que a habilidade de acumular riqueza é determinada pelo sucesso que os indivíduos podem ter na arena de competição política. Ganhar benefícios do Estado, ou ter o poder coercitivo do governo ao seu dispor, é mais importante do que ser um membro produtivo da economia. Indivíduos, seguindo seus instintos competitivos e seus interesses racionais, aprendem a operar num contexto econômico com conivência política.

A partir da leitura da obra de Mancur Olson, pode-se concluir que ditaduras e atividades ruins para o bem comum dentro de uma democracia devem ser enfrentadas com conhecimento econômico. Nas palavras do autor: “No historical process that is understood is inevitable” (nenhum processo histórico que é entendido é inevitável). O Estado, entendido como governo e cidadãos, tem papel fundamental no destino de uma nação e deveriam cooperar para o bem comum, pois todos ganham com a cooperação.

2 de dez de 2009

ignorância nacional

THE “RATIONAL IGNORANCE” OF THE TYPICAL CITIZEN*


The typical voter is, accordingly, “rationally ignorant” about what choices would best serve the interest of the electorate or any majority in it. This point is most dramatically evident in national elections. The gain to a voter from studying issues and candidates until it is clear what vote is truly in his or her interests is given by the difference between the value to the individual only (rather than the society) of the “right” and the “wrong” election outcomes, multiplied by the probability that a change in the individual’s vote will alter the outcome of the election. Since the probability that a typical voter will change the outcome of the election is vanishingly small, the typical citizen, whether he or she is a physician or a táxi driver, is usually rationally ignorant about public affairs.

Sometimes information about public affairs is so interesting or entertaining that acquiring it for these reasons alone pays; this situation appears to be the single most important source of exceptions to the generalization that typical citizens are rationally ignorant about public affairs. Similarly, individuals in a few special vocations can receive considerable rewards in private goods if they acquire exceptional knowledge of public goods. Politicians, lobbyists, journalists, and social scientists, for example, may earn more money, power, or prestige from knowledge of public affairs. Occasionally, exceptional knowledge of public policy can generate exceptional profits in stock exchanges or other markets.

The fact that the benefits of individual enlightenment about public goods are usually dispersed throughout a group or nation, rather than concentrated upon the individual who bears the cost of becoming enlightened, explains many phenomena. It explains, for example, the “man bites dog” criterion of what is newsworthy. If the television newscasts were watched or newspapers were read solely to obtain the most important information about public affairs, aberrant events of little public importance would be ignored and the complexities of economic policy and quantitative analyses of public problems would be emphasized. When the news is, by contrast, largely an alternative to other forms of diversion or entertainment for most people, intriguing oddities and human-interest items are in demand. Similarly, events that unfold in a suspenseful way or sex scandals among public figures are fully covered by the media. Public officials, often able to thrive without giving the citizens good value for their taxes, may fall over an exceptional mistake that is simple and striking enough to be newsworthy. Protests and demonstrations that may offend a significant portion of the public make diverting news and therefore call attention to arguments that might otherwise be ignored.

The rational ignorance of electorates – and thus of majorities – means that majorities will often fail to see their true interests. They can be victims of predations that they do not notice. They can be persuaded by superficially plausible arguments that a given policy is in the interest of the majority or of the society as a whole, when it really only serves some special interest. When we consider the incentives facing special-interest groups, we see that this problem is very serious.


*trecho do livro "Power and Prosperity", de Mancur Olson

1 de dez de 2009

1º de dezembro

Estou um tanto ausente da internet... tempo escasso é assim mesmo e a internet tem sido usada basicamente pra pesquisa e coisas ligadas a isso. Em breve devo cometer orkuticídio, penso em cometer twittercídio e provavelmente o único sobrevivente dos ‘cídios’ será o blog (eu me divirto escrevendo, fazer o quê?...rs...).





Hoje, na correria, faço apenas alguns comentários:

- Se for trair sua esposa, namorada, noiva, tenha a decência de ao menos usar camisinha. Traição já é detestável, colocar a parceira em risco é mais detestável ainda. Tenho uma amiga que há pouco tempo descobriu que está com Aids... pegou de quem? É... do parceiro em quem ela confiava.

- Se for agir como Papa, citar a Bíblia e condenar o uso de anticoncepcionais, CALE-SE! É religioso e quer ajudar ao próximo? Vá trabalhar em campanhas de conscientização, distribuir camisinhas ou ser voluntário na África (além da fome e das guerras civis, eles ainda têm que enfrentar epidemia de Aids).

- Tem vida sexual ativa? Faça o teste de HIV. Não tem dinheiro e nem plano de saúde? É possível fazer o teste de graça na rede pública de saúde (ou faça a boa ação de doar sangue e receba de presente teste de HIV, sífilis, hepatite). Nada é desculpa pra este tipo de desinformação e você pode estar colocando outras pessoas em risco sem saber.

- É uma pessoa muito desinformada? Entre AQUI.

14 de nov de 2009

impostos

Devo admitir que tenho relido muito contos e crônicas do meu escritor preferido nos últimos tempos... Tenho a coleção completa dele em papel, pra quem não se importa de ler numa tela de computador, um bom site é este AQUI.

Mais uma crônica pra dizer que este país mudou muito pouco em mais de 100 anos:

IMPOSTOS

Machado de Assis - 16 de maio de 1885


Ontem, ao voltar uma esquina, dei com os impostos inconstitucionais de Pernambuco. Conheceram-me logo; eu é que, ou por falta de vista, ou porque realmente eles estejam mais gordos, não os conheci imediatamente. Conheci-os pela voz, vox clamantis in deserto. Disseram-me que tinham chegado no último paquete. O mais velho acrescentou até que, já agora, hão de repetir com regularidade estas viagens à Corte.
— A gente, por mais inconstitucional que seja, concluiu ele, não há de morrer de aborrecimento na cela das probabilidades. Uma chegadinha à Corte, de quando em quando, não faz mal a ninguém, exceto...
— Exceto... ?
— Isso agora é querer perscrutar os nossos pensamentos íntimos. Exceto o diabo que o carregue, está satisfeito? Não há coisa nenhuma que não possa fazer mal a alguém, seja quem for. Falei de um modo geral e abstrato. Você costuma dizer tudo o que pensa?
— Tudo, tudo, não; nem eu, nem o meu vizinho boticário, e mais é um falador das dúzias.
— Pois então!
— Em todo caso, demoram-se?
— Temos essa intenção. O pior é o calor, mas felizmente começa a chover, e se a chuva pega, junho aí vem com o inverno, e ficamos perfeitamente. Está admirado? É para ver que já conhecemos o Rio de Janeiro. Contamos estar aqui uns três meses, não pode ser que vamos a quatro ou cinco. Já fomos à Câmara dos Deputados.
— Assistiram à recepção do Saraiva, naturalmente?
— Não, fomos depois, no dia 13, uma sessão dos diabos. Ainda assim, o pior para nós não foi propriamente a sessão, mas o demônio do José Mariano, que, apenas nos viu na tribuna dos diplomatas, logo nos denunciou à Câmara e ao Governo. Não pode calcular o medo com que ficamos. Eu, felizmente, estava ao pé de duas senhoras que falavam de chapéus, voltei-me para elas, como quem dizia alguma coisa, e dissimulei sem afetação; mas os meus pobres irmãos é que não sabiam onde pôr a cara. Hoje de manhã, queriam voltar para Pernambuco; mas eu disse-lhes que era tolice.
— São todos inconstitucionais?
— Todos.
— Vamos aqui para a calçada. E agora, que tencionam fazer?
— Agora temos de ir ao Imperador, mas confesso-lhe, meu amigo receamos perder o tempo. Você conhece a velha máxima que diz que a história não se repete?
— Creio que sim.
— Ora bem, é o nosso caso. Receamos que o Imperador, ao dar conosco, fique aborrecido de ver as mesmas caras, e, por outro lado, como a história não se repete... Você, se fosse Imperador, o que é que faria?
— Eu, se fosse Imperador? Isso agora é mais complicado. Eu, se fosse Imperador, a primeira coisa que faria era ser o primeiro cético do meu tempo. Quanto ao caso de que se trata, faria uma coisa singular, mas útil: suprimiria os adjetivos.
— Os adjetivos?
— Vocês não calculam como os adjetivos corrompem tudo, ou quase tudo; e quando não corrompem, aborrecem a gente, pela repetição que fazemos da mais ínfima galanteria. Adjetivo que nos agrada está na boca do mundo.
— Mas que temos nós outros com isso?
— Tudo. Vocês como simples impostos são excelentes, gorduchos e corados, cheios de vida e futuro. O que os corrompe e faz definhar é o epíteto de inconstitucionais. Eu, abolindo por um decreto todos os adjetivos do Estado, resolvia de golpe essa velha questão, e cumpria esta máxima, que é tudo o que tenho colhido da história e da política, e que aí dou por dois vinténs a todos os que governam este mundo: Os adjetivos passam, e os substantivos ficam.

11 de nov de 2009

ah, os blogs...

Há uma idéia, talvez mais generalizada do que deveria, de que a história se resume a um conjunto de grandes feitos. Bela falácia! A história é feita fundamentalmente pelo cotidiano. Não nos damos conta deste fato porque cada acontecimento do dia-a-dia é apenas uma peça muito pequena do todo e porque, além disso, os acontecimentos sublimam-se tão rapidamente que, após pouco tempo, não nos lembramos mais deles.

Nesse universo, os blogs aparecem como exceção e nos oferecem relatos de acontecimentos que, se não fossem por eles registrados estariam perdidos. Não sei mensurar ao certo qual o impacto deste meio de comunicação (ou seria expressão?) na vida contemporânea, muito menos no futuro. No mínimo, servem para o divertimento (por que não até desabafo?) de quem escreve, distraem quem lê e são um meio bem democrático de expressar o que quer que seja.

À primeira vista, as memórias podem parecer restritas, por se concentrarem nas vivências e opiniões de cada pessoa que escreve um blog. Ao contrário, neles encontramos a mais variada amostragem do espécime humano possível. Acho que o desafio de cada pessoa que escreve é selecionar quais acontecimentos e personagens são significativos ou pitorescos o bastante para integrar um texto.

Não sei quanto aos outros blogueiros do mundo, pois cada um tem uma visão diferente a respeito da observação e das atitudes dos nossos semelhantes... Mas eu não escolho nada do que vou escrever e, todas as palavras não são senão o fruto do sentimento que, em determinado momento, apareceu (ainda que no minuto seguinte tal sentimento não exista mais).

Agora mesmo, eu estava lendo sobre política internacional e simplesmente comecei a viajar nisso que virou este post, sem motivo algum. Assim como quando falo de pessoas que conheço simplesmente porque deu vontade naquela hora. Não identifico ninguém, mas se alguém por acaso se identificar como personagem ao ler algum texto, deveria sentir-se lisonjeado (ok, faço piada e falo mal, sacaneio, dou risadas... mas a presença de alguém como personagem deveria ser interpretada como uma demonstração de que a pessoa merece lembrança... ou não?...rs...).

Ironia... nem escrevendo sério me livro dela né...rs... Whatever. Se alguém sentir-se ofendido ou ficar ‘putinho’, tenho duas sugestões: basta clicar naquele ‘X’ vermelho no canto direito (aquele mesmo, que fecha a tela), ou... me processe! Bem simples. Fazer o quê? Life is a Bitch!

6 de nov de 2009

analfabetismo

Esta semana passei uma de minhas noites no hospital... só um susto mesmo. Mil exames depois e nada, nenhuma infecção, só uma virose que foi rapidamente resolvida com medicação direto na veia (já falei que ODEIO agulhas?!!!?).

Levei um livro de crônicas do meu escritor favorito pra ler. Entre elas, uma em particular, datada de 1876, me chamou a atenção pelo fato de ser de uma atualidade política impressionante. A perplexidade é ler algo escrito há mais de 100 anos e constatar que nosso país moveu-se muito pouco, principalmente no que diz respeito à educação.

Divirtam-se. E reflitam.



ANALFABETISMO

Machado de Assis - 15 de Agosto de 1876


Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram-se para frases: o algarismo não tem frases, nem retórica.

Assim, por exemplo, um homem, o leitor ou eu, querendo falar do nosso país dirá:

- Quando uma constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu destino, força é que este povo caminhe para o futuro com as bandeiras do progresso desfraldadas. A soberania nacional reside nas Câmaras; as Câmaras são a representação nacional. A opinião pública deste país é o magistrado último, o supremo tribunal dos homens e das coisas. Peço à nação que decida entre mim e o Sr. Fidélis Teles de Meireles Queles; ela possui nas mãos o direito a todos superior a todos os direitos.

A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade:

- A nação não sabe ler. Há 30% dos indivíduos residentes neste país que podem ler; desses uns 9% não lêem letra de mão. 70% jazem em profunda ignorância. Não saber ler é ignorar o Sr. Meireles Queles: é não saber o que ele vale, o que ele pensa, o que ele quer; nem se realmente pode querer ou pensar. 70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê. Votam como vão à festa da Penha, - por divertimento. A constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado.

Replico eu:

- Mas, Sr. Algarismo, creio que as instituições ...

- As instituições existem, mas por e para 30% dos cidadãos. Proponho uma reforma no estilo político. Não se deve dizer: “consultar a nação, representantes da nação, os poderes da nação”; mas – “consultar os 30%, representantes dos 30%, poderes dos 30%”. A opinião pública é uma metáfora sem base: há só a opinião dos 30%. Um deputado que disser na Câmara: “Sr. Presidente, falo deste modo porque os 30% nos ouvem...” dirá uma coisa extremamente sensata.

E eu não sei que se possa dizer ao algarismo, se ele falar desse modo, porque nós não temos base segura para os nossos discursos, e ele tem o recenseamento.

4 de nov de 2009

frase da semana

"Em cada época deve-se fazer a tentativa de arrancar a tradição do campo do conformismo que está sempre prestes a subjugá-la".

Walter Benjamin

31 de out de 2009

o caso da Uniban

Vivemos em um país conservador do Oriente Médio e eu não sabia. Só pode ser esta a explicação. Não há nenhuma outra explicação plausível ou racional para um fato destes ocorrer em pleno século XXI.

Ontem na Folha de São Paulo saiu uma matéria com o sugestivo título de “Taleban na Faculdade”, sobre o caso da aluna da Uniban em SP, que foi agredida, perseguida e ameaçada até de estupro (o.O.) por uma multidão de alunos, e teve que deixar a faculdade escoltada por 5 PMs. O crime da moça? Ir à aula usando um microvestido rosa.

O pior de tudo? As agressões começaram com 20 mulheres, que entraram no banheiro atrás da estudante e queriam obrigar a garota a vestir uma calça, xingavam-na de puta e diziam que ela estava provocando.

Acho que todos concordam que um microvestido, salto 15 e maquiagem de balada não é a vestimenta mais adequada para ir a uma aula na faculdade. Mas e daí? Se a garota gosta de se vestir de piriguete, problema dela. Eu não me visto assim porque acho de extremo mau gosto, mas quem quiser que se vista.

Ou eu sou muito liberal e acredito demais na liberdade e nos direitos individuais das pessoas, ou voltamos à Idade Média. Hipocrisia e machismo são o mínimo para descrever este caso. Não chamo nem de homens aqueles que agrediram a garota, pois são moleques, animais no cio soltos na selva. E as mulheres agressoras... um bando de recalcadas, no mínimo.

Mais lamentável ainda é ler que os estudantes da tal faculdadezinha estão divididos sobre o caso. Peraí! Divididos? É normal agredir alguém só por causa de uma roupa? Vamos ter que agora andar de burca por aí para evitar fatos lamentáveis como esse?!!? O ser humano cada vez me surpreende mais (negativamente falando).




Pra quem quiser saber mais sobre o incidente ridículo e lastimável: folha, nassif e webmais.


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*meu post de halloween AQUI.

26 de out de 2009

murphologia

Pra descontrair nesse começo de semana:

- É impossível fazer alguma coisa à prova de idiotas, porque os idiotas tendem a se superar.
- Em qualquer crise que forçar as pessoas a tomarem decisões sobre qual o rumo a seguir, certamente a maioria das pessoas irá se decidir pelo rumo errado.
- Só porque você está chateado, não significa que saiba a cagada que está fazendo.
- Se não pode convencê-los, confunda-os.
- O direito de ser ouvido não inclui automaticamente o direito de ser levado a sério.
- Paranóia é saudável; cinismo é fundamental.
- Dois monólogos não formam um diálogo.
- Arranjar um bode expiatório é quase tão bom quanto arranjar uma solução para os problemas.
- Qualquer coisa é possível se você não sabe do que está falando.
- Se ninguém mais conseguir destruir a reputação de um homem, é provável que ele próprio o consiga.
- A melhor política é sempre falar a verdade. A não ser, é claro, que você seja um ótimo mentiroso.
- É mais fácil se conseguir um perdão para uma atitude do que obter permissão para ela.
- Faça exatamente o que o seu chefe faria se ele soubesse do que está falando.
- O trabalho em equipe é essencial para que você possa jogar a culpa em outra pessoa.
- O fato de alguém ter razão não significa que obterá um resultado favorável ou ganhará a causa.
- Toda vez que existe um testamento, existe discórdia.
- Primeiro diga não, depois parta para a negociação.
- Uma mentira bem explicada é melhor do que uma verdade incompreensível.
- Primeiro se inteire dos fatos, depois pode distorcê-los a vontade.
- O segredo do sucesso é a sinceridade. Se você conseguir fingir que está sendo sincero, ganhou a parada.
- Não importa quantas vezes se conseguir desmascarar uma mentira, sempre restará uma porcentagem de pessoas que vai acreditar que ela é verdade.
- O seguro sempre cobre tudo, exceto o que acontece.
- Não há nada pior que uma lei burra.
- A melhor característica da democracia é que dá a cada eleitor a chance de fazer uma besteira.
- Homens e nações agirão racionalmente quando todas as outras possibilidades tiverem sido esgotadas.
- Não existe coisa mais sincera do que um político contando uma mentira.
- Se quer criar um monte de inimigos, tente mudar alguma coisa.
- Não se preocupe com seus inimigos, seus aliados é que vão lhe trazer problemas.
- Canalhice tem limites. Burrice não.
- Se os fatos não se ajustam à sua posição, devem ser descartados.
- Se você pode distinguir entre um bom conselho e um mau conselho, então não precisa de conselhos.
- Um burocrata competente pode infernizar a vida de todo mundo. Um incompetente, mais ainda.
- Se as pessoas dessem ouvidos a si próprias, elas falariam menos.
- Problemas inesperados sempre andam em grupos.
- Todo mundo mente, mas isso não faz muita diferença, pois a maioria das pessoas não escuta mesmo.
- A sabedoria consiste em saber quando se deve evitar a perfeição.
- A soma da inteligência do planeta continua uma constante; a população, entretanto, continua a crescer.
- Amigos vêm e vão, mas inimigos permanecem.
- Uma pessoa é tolerante apenas com relação àquilo que não lhe diz respeito.
- A Lei de Murphy é superior a qualquer lei municipal, estadual ou federal.


*Retirados do livro “A Lei de Murphy e os Advogados”, de Arthur Bloch

24 de out de 2009

liberdade

De vez em quando me deparo com algo que chama a atenção por aí na internet... Não sei quem é o autor do texto abaixo, mas achei interessante e resolvi postar aqui:


Contam as lendas que um dia um espião foi preso e condenado à morte pelo general do exército persa.

Sua sentença era o fuzilamento, mas o general tinha um hábito diferente e sempre oferecia ao condenado outra opção. E essa outra opção era escolher entre enfrentar o pelotão de fuzilamento ou entrar por uma porta preta.

Com a aproximação da hora da execução o general ordenou que trouxessem o espião à sua presença para uma breve entrevista.

Diante do condenado, fez a seguinte pergunta: o que você quer - a porta preta ou o fuzilamento?

A escolha não era fácil, por isso o prisioneiro ficou pensativo e, só depois de alguns minutos, deu a resposta: prefiro o fuzilamento.

Depois que a sentença foi executada o general virou-se para o seu ajudante e disse: "assim é com a maioria dos homens. Preferem o caminho conhecido ao desconhecido".

E o que existe atrás da porta preta? Perguntou o ajudante.

A liberdade, respondeu o general. E poucos foram os homens corajosos que a escolheram.

Essa é uma das mais fortes características do ser humano: optar sempre pelo caminho conhecido, por medo de enfrentar o desconhecido.

Geralmente as pessoas não abrem mão da acomodação que uma situação previsível lhes oferece. É mais fácil ficar com a segurança do que já se sabe do que aventurar-se a investigar novos caminhos.

É por essa razão que muitos não abrem mão de conceitos e preconceitos para não se expor às novas idéias e raciocínios que exigem uma certa dose de ousadia.

Em vez da liberdade de pensar e agir, preferem o bombardeio de idéias já elaboradas pelos outros, nem sempre bem intencionados.

Acomodam-se facilmente a copiar modos e costumes em vez de usar a razão e o discernimento para construir seu próprio modo de viver, sua personalidade.

Podemos chamar esse fenômeno de "clonagem das idéias".

6 de out de 2009

pão e circo para todos

Acho que sou meio do contra e devo ser uma das únicas pessoas que achou uma palhaçada escolherem o Rio de Janeiro pras Olimpíadas. Adoro o Rio, é uma cidade que se eu não for no mínimo uma vez por ano fico doente de saudades... mas PQP!!! Olimpíadas no Brasil???!!! E no Rio???!!!

Vão pagar quanto pros ‘chefões’ da bandidagem deixarem tudo tranqüilo durante o evento? Vão gastar quantos ‘fardados’ do exército pra manter a segurança? Vão usar quanta maquiagem pra tornar a cidade inteira (não só aquelas ilhas da fantasia que eu adoro passear) apresentável?

Pra variar, lendo jornais e relatórios da ONU, me indignei mais ainda. Oh yeah, vamos gastar uma grana enorme em Copa e depois em Olimpíadas e, enquanto isso, afora as vergonhas nacionais vindas ali do Congresso (que fica há uns 10 minutos de distância da minha casa), o último relatório da ONU sobre o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mantêm o nosso país tupiniquim ainda na 75ª posição.

O Brasil melhorou seu IDH, mas manteve a mesma 75ª posição no ranking. O índice variou de 0,808 pra 0,813. (valor acima de 0,800 é considerado de alto desenvolvimento humano – fico com pena dos páises de baixo desenvolvimento humano então... porque basta viajar pelo nosso imenso território pra ver que alto desenvolvimento humano é coisa de novela).

O avanço se deu principalmente pelo crescimento do PIB per capita. Educação e saúde também progrediram, mas em ritmo menor. Mesmo com a desigualdade em queda desde o início da década, o país ainda aparece no grupo das dez nações mais desiguais. Pra ter uma idéia, na Noruega, país que lidera o ranking, os 10% mais ricos concentram 23% da riqueza, enquanto os 10% mais pobres respondem por 4%. No Brasil a proporção é: 10% mais ricos detêm 43% da riqueza, enquanto os 10% mais pobres ficam com 1%.

Brasilzão também destoa dos líderes na parte de investimento público em educação e saúde (Noruega, Austrália e Islândia investem, respectivamente 35%, 31% e 36% de seu gasto público nestas áreas; Brasil apenas 22% - sendo que só 7% na saúde).

Pois é, lendo sobre estas e outras coisas, as Olimpíadas por aqui me lembram uma coisa muito comum no Império Romano: PÃO E CIRCO pro povão!!! E fica todo mundo feliz e esquece das mazelas nacionais.



***IDH varia de 0 a 1 e tenta medir o desenvolvimento humano de 182 países a partir de 3 dimensões: saúde, educação e PIB per capita. Mais AQUI.

27 de set de 2009

beber

"Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede. Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas."

Charles Bukowski

24 de set de 2009

saramago

“...se antes de cada acto nosso, nos puséssemos a prever todas as conseqüências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar.”

José Saramago, ‘Ensaio sobre a cegueira’

20 de set de 2009

desconstrução

Quando o tempo, ou mesmo as palavras, foram usados imprudentemente, é necessário que esta imprudência seja desconstruída.

Aprender, Amar, Valorizar, Respeitar, Admitir, Viver, Sonhar, Arriscar, Entender, Compreender, Acreditar, Confiar, Cultivar, Iluminar, Fascinar, Encantar, Integrar, Harmonizar, Equilibrar, Transcender, Elevar, Transformar, Abrandar, Sensibilizar, Experimentar, Sentir, Resplandecer, Colorir, Escutar, Refletir, Confessar, Cooperar, Apaziguar, Superar, Perceber, Perdoar, Pacificar...

A desconstrução passa por estes verbos. E para que o edifício mal-construído possa de fato ser demolido, os verbos devem ser proferidos por todos aqueles que ajudaram em sua construção.

31 de ago de 2009

desapercebido

Acho que passou desapercebido pra maioria das pessoas o acordo entre o Brasil e o Vaticano (em minha opinião ABSURDO) aprovado pela Câmara dos Deputados na semana passada.

Lula e o Papa Nazista (oops, foi mal, Bento XVI) apóiam o acordo, que abre as portas pra instituir o ensino religioso opcional nas escolas e vinha sendo negociado desde 2006. Ah, sim, o acordo também ratifica a isenção fiscal e de leis trabalhistas para a igreja e prevê a manutenção do patrimônio cultural católico com recursos do Estado.

Sem discussões sobre direito internacional e os trâmites necessários pra que um acordo dessa natureza seja incorporado ao nosso direito interno e outros blábláblás de gente chata que estuda estas coisas (tipo eu)... mas que palhaçada é essa?!?!!

Tudo bem que no preâmbulo da nossa constituição está escrito que "promulgamos, sob a proteção de Deus...", mas em nenhum lugar está escrito que temos religião oficial de Estado (por sinal, somos um Estado Laico). E ali no artigo 5º da nossa querida constituição diz que todos são iguais perante as leis e esse blábláblá que sabemos que só funciona no papel.

O que me incomoda é o seguinte:

1- cada um escolhe sua religião (deve ser bem legal pra um espírita ter aula na escola sobre catolicismo, por exemplo).
2- manutenção do patrimônio cultural católico com recursos do Estado?!? Ok, mas então mantenham também os terreiros de candomblé, as mesquitas, os centros espíritas, os templos budistas e de todas as demais religiões. Não são todos iguais perante as leis?!? Por que a religião católica deve ser privilegiada em detrimento das outras?!?
3- para terminar, já que vivemos num país onde tudo funciona perfeitamente bem, e todos estão bem de vida, com educação de qualidade, rede pública de saúde perfeita, pouca violência, etc, faz mesmo muito sentido gastar dinheiro do Estado para manter patrimônio de qualquer igreja, seja ela qual for.

Olha, foi mal se algum católico se sentir ofendido com este post, mas tudo neste mundo tem limite. Para mim um acordo dessa natureza ultrapassa qualquer limite de bom senso (coisa que obviamente nosso presidente não tem, e pelo jeito o pessoal do Itamaraty também não).

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*agora que o amiguinho me lembrou nos coments, fui procurar o texto dele sobre isso. Um mês e pouco depois do que ele escreveu, taí a cagada feita. Leiam AQUI

26 de ago de 2009

um pouco de Quintana

Um outro que eu gosto bastante é o Mário Quintana. Algumas coisinhas dele...


DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... oras!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

Mário Quintana

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Nunca diga te amo se não te interessa.
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.

Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti.

A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo.

Mário Quintana


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*lembrança de última hora/dia AQUI

19 de ago de 2009

um pouco de Vinícius

Vinícius é um dentre os poetas brasileiros que eu gosto muito. Ontem folheando um livro, abri na página deste aí. Muito bom.


TODAS AS NAMORADAS QUE EU JÁ TIVE

Todas as namoradas que eu já tive
Estão noivas
Uma só dentre todas não está noiva
Casou-se.
Nenhuma se lembra mais de mim
As que tiveram meus beijos evitam meus olhos
As que tiveram minha afeição riem mal de mim
E beijam furtivamente os noivos nos cinemas e nas praias
Todas têm meus sonetos de amor
Com promessas ardentes de constâncias e fidelidade
Todas têm meu retrato
O retrato do menino risonho que eu já fui
Com todas eu gastei algumas horas do dia
E algumas horas da noite
Todas estão noivíssimas
E são apenas meninas sem juízo fazendo o que querem
Dando aos namorados anteriores a satisfação social do noivado
E exibindo o noivo bonito aos olhos das moças sem namorado.

Algumas eu amei sinceramente
Sem grandes palavras mas com olhares francos
Olhares que eu estudava nos bondes com outras
Para fazê-los ainda mais verdadeiros
Com outras me diverti
Passeando horas e horas braço com braço
Com palavras grandes e pequenos olhares
A todas eu feri inconscientemente
As que eu beijei e as que eu não beijei
As que eu beijei porque um dia não quis beijar
As que eu não beijei porque um dia quis beijar.

Vi-as fugirem todas de mim
E me vi fugindo de todas elas
Vejo-as agora aqui e ali ontem e hoje
A casada, com um filho
As noivas, com brilhos maternais nos olhos
Futuros infelizes para o mundo
Vejo-me por momentos pai de família comprando brinquedos
E a satisfação de estar só é tão grande
Que no fundo eu estimo sinceramente todas essas meninas
Que estão noivas e serão muito felizes
E a que está casada e não é feliz mas faz que é

E me estimo mais, ainda, a mim próprio

Que estou só, feliz e só, com os meus amigos e com a minha boemia discreta.


Vinícius de Moraes

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*pra quem gosta de literatura em geral, uma boa dica é o Projeto Releituras.

17 de ago de 2009

microfísica do poder

O sexo está presente em tudo e sua onipresença vai além da exposição midiática: ele faz parte do discurso, das instituições e das práticas sociais.

Foulcault fala em "miséria da sexualidade". Essa idéia é pelo fato de que o sexo encontra-se sempre no centro de tudo, tanto do lado "anti-sexo", quanto do lado "pró-sexo". Coação, incitação e vigilância sobre o sexo são dispositivos de controle social. O que são a educação e o adestramento, senão formas de controle? Ah,sim, incitar também é uma forma de exercer controle.

Discursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas... o sexo está em tudo isso. E o que é dito, tanto quanto o que não é dito, influi na manipulação das relações de força.

Formulada E proibida, dita E interdita, a sexualidade é um comutador que nenhum sistema de poder pode dispensar.

Por que mesmo que eu tô escrevendo sobre algo tão, digamos, acadêmico, se eu nem pesquiso gênero??? Sei lá... mas se apenas uma única pessoa ler esse texto e parar para pensar nas condições masculina e, principalmente, feminina, pelo mundo, eu já fico feliz e satisfeita. É uma pessoa a mais tentando entender porque as coisas são como são, e como as mudanças podem ser feitas.

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*lembrete muito importante AQUI

15 de ago de 2009

platão e a pós-modernidade

Resolvi folhear um dos livros da minha época de Comunicação... Título: ‘Sexo, afeto e era tecnológica: um estudo de chats na internet’. Por sinal, para quem se interessa pelo tema, é bem interessante. E complementa bem o que eu falava sobre contato pós-moderno.

Em alguma das páginas, um trecho de uma entrevista do José Saramago, que copio abaixo. Invocando o conhecido mito da caverna platônico, ele diz:

“(...) Porque me parece que desde Platão nunca vivemos tanto na caverna de Platão como agora. Aqueles que se recordam do mito sabem que, no interior da caverna, as pessoas estavam acorrentadas, olhando a parede, o fundo da caverna, na qual passavam sombras daquilo que ia com o vento de um lado para o outro fora da caverna. Creio que nós estamos em uma situação em que de fato vemos mais sombras da realidade do que a própria realidade. E inventamos algo que Platão não poderia ter inventado, a realidade virtual, que vai nos isolando cada vez mais da realidade real.”

Não custa lembrar que o uso da tecnologia deve submeter-se a atender às necessidades dos indivíduos, e não o contrário. Né?!?!

A proposta da tecnologia se refere à ampliação da comunicação, não tendo a força de substituição de formas de contato, e sim de possível complementação e aumento dessas formas.

9 de ago de 2009

dia dos pais

Acho muito fácil falar daqueles pais que realmente merecem ser chamados de PAIS e realmente merecem ter um dia só deles. Pra estes digo apenas: FELIZ DIA DOS PAIS! Ao serem quem vocês são, ajudam a criar um futuro melhor para todos, criando pessoas melhores.

Aos outros:

Costuma demonstrar afeto, abraçar seu filho?
Ajudou seu filho aprender a andar de bicicleta?
Ajudou a trocar fraldas? Dar banho? Alimentar? Essas coisas todas, quando seu filho era bebê?
Ficou ao lado da mãe do seu filho, dando a ele uma base familiar-emocional mais estável?
Se divorciados ou situação em que não ficaram juntos, você continuou participando da vida do seu filho?
Deu à sua filha o mesmo tratamento e liberdade que deu ao seu filho, sem discriminação de gênero?
Quando seu filho assumiu-se homossexual, o apoiou em sua escolha?
Você entende que dar liberdade aos filhos também requer limites à esta liberdade?
Tentou ser compreensivo quando sua filhinha apareceu grávida (ou seu filhinho engravidou alguém)?
Brincava com seu filho quando ele era criança?
Conversou sobre sexo com seu filho em algum momento (aqui também sem distinção de gênero)?
Foi em alguma reunião de 'pais e mestres' na escola?
Ajudava com dever de casa?

É... ser pai não é só dar uma gozada e doar o espermatozóide.

2 de ago de 2009

contato pós-moderno

Na pós-modernidade (ou... na cidade pós-moderna) as pessoas evitam o contato. Tava pensando nisso enquanto me decidia por fazer ou não um facebook (amigos enchendo o saco “Liana, faz um facebook também”, “tá todo mundo no facebook”...). Ainda não decidi se faço ou não, mas continuando de onde comecei...

As pessoas evitam o contato. Nunca tivemos tantos meios à disposição – internet e seus infindáveis recursos, orkuts, facebooks, twitters, msns, etc... telefone celular.... – e nunca nos desencontramos tanto.

Entre meus 15 e 18 anos (época que realmente comecei a sair), quase ninguém tinha celular, e os que tinham eram aquele tijolões que funcionavam mal, perdiam sinal por qualquer coisa e acabava a bateria em 2 horas. Não havia essas facilidades internéticas. E era super-hiper fácil nos encontrarmos. Ah, também não tínhamos carro, com exceção de um ou outro amigo mais velho.

E sempre nos encontrávamos. Quando eu era caloura na faculdade também. Era fácil encontrar os amigos e não existiam grandes dificuldades para isso.

Agora em pleno século XXI, globalização e o escambau, torna-se cada vez mais difícil o encontro. Óbvio que quando a gente cresce surgem as responsabilidades da vida adulta e, consequentemente, temos menos tempo para encontrar os amigos. Mas me emputece quando me dizem a seguinte frase: “estou sem tempo”.

Vejamos... passa horas por dia na internet (ou na tv a cabo), e não dá pra tirar 1 horinha disso pra encontrar alguém? Ah sim, antes que eu esqueça: estou falando da maioria dos meus amigos, pessoas ‘não-casadas’, sem filhos e que trabalham. Não têm tempo?

Talvez essa dificuldade de ‘encontro’ possa ser estendida ao amor no mundo contemporâneo, pois parece a cada dia mais difícil ver ‘encontros verdadeiros’ entre as pessoas. O desenvolvimento urbano criou o fenômeno da ‘multidão solitária’: pessoas lado a lado, relações de contigüidade que dificilmente se aprofundam, tornando raro o encontro verdadeiro.

Acho que as relações entre pessoas no geral se acham empobrecidas, com afrouxamento de laços (amorosos, amizade, familiares). A sociedade capitalista contemporânea estimula a competição e o individualismo... e, às vezes, a gente acaba esquecendo o mais importante: o contato.



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*o conceito de 'multidão solitária' é tratado por alguns dos autores que eu li nos tempos da Comunicação. Um deles é o Edgar Morin.

30 de jul de 2009

são sempre ridículas?




Ainda não tive coragem de me auto-sacanear postando alguma carta que eu tenha escrito (e não entregue)... mas falando em cartas de amor...

Uma tarde qualquer de agosto em um dia normal de uma semana normal. Uma das inumeráveis tardes de 2001 que passei no Rio. Aliás, acho que eu passava mais tempo no Rio do que em Brasília nessa época. Quando teve a greve na UnB então... comemorei, pedi demissão do estágio e fui pro Rio. Voltaria quando a greve acabasse.

Enfim... antes que eu divague mais e saia mais ainda do assunto... Uma tarde qualquer de agosto, acho que era férias na UnB ainda. Aquele píer, acho que era na Barra. A areia, o barulho do mar. O pôr-do-sol. Ele de repente olhou pros meus olhos e começou a descrevê-los, cada detalhe, cada mudança de cor de acordo com a luz, cada tonalidade na mesma cor. E tirando fotos de mim (nem era máquina digital!...rs...).

Lembro-me até hoje de como os olhos dele brilhavam enquanto ele descrevia os meus... E eu sorria, sem graça, falando que ele estava inventando aquele tanto de cores.

Avião. Voltei pra capital. Tristinha de saudade, meio incompleta. Dois dias depois, chega um envelope pelo correio. Dentro, uma foto ampliada do meu olho. Atrás estava escrito: “Lembra-se daquele dia em que descrevi seus olhos? Eu não estava mentindo... Saiba que todos os dias eu me apaixono novamente pelo seu olhar".

Melhor carta de amor, apesar de não ser bem uma carta, que já recebi. E não era ridícula. Uma imagem diz mais que mil palavras. Não. É a imagem certa com as palavras certas. Não. É a combinação disso tudo com aquele momento único, naquele final de tarde de agosto... e isso sim, isso tudo junto é ridículo.


No post anterior eu disse que só guardei uma das que recebi. A história dela é essa aí - tentei tirar foto da foto que está na parede, mas não ficou muito bom... postei as imagens assim mesmo só pra ter uma idéia.

Não sei qual a opinião dos outros... mas pra mim, um gesto simples e verdadeiro como o dessa foto vale muito mais do que um presente caro. Fica a dica. Simplicidade.


29 de jul de 2009

cartas de amor

Estava pensando sobre as cartas de amor que eu já escrevi e entreguei e, principalmente, sobre as que eu escrevi e nunca foram lidas por ninguém (a não ser por mim mesma).

Isso levou a ir mexer em coisas que estavam no fundo do armário... Descobri que só guardei uma única carta de amor das que recebi, e nem no fundo do armário estava. Está há tempos pregada na minha parede, com a foto que a acompanha. Passaram-se 8 anos e continua sendo a coisa mais linda que já ganhei de alguém.

Mas o assunto nem era esse... Também fui bisbilhotar meus próprios escritos (os que nunca foram entregues, obviamente). Uma conclusão: cartas de amor são bregas, ridículas, patéticas. Mas são lindas né.

Como gosto muito do Fernando Pessoa, vou colocar abaixo um texto dele (escrito sob pseudônimo) sobre cartas de amor. E como eu tenho que me auto-sacanear, vou bisbilhotar mais um pouco as minhas coisas pra achar alguma carta de amor que eu tenha escrito pra postar aqui depois.



"Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.) "

Álvaro de Campos, 21-10-1935

18 de jul de 2009

um pouco de drummond

Não sei porque, mas me deu vontade de ler Drummond... Fui diretamente ao poema que queria ('Os ombros suportam o mundo'). Mas brincando de ler outras coisas, me deparei com o texto abaixo.

Um pouco batido, um pouco clichê... mas que faz todo o sentido neste momento da minha vida.



"Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram. Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer; apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor (e não conhecemos), por todos os filhos que gostaríamos de ter tido juntos (e não tivemos), por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir o cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias, se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!! A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."


Carlos Drummond de Andrade

13 de jul de 2009

leitura diária

Não costumo postar 'assuntos sérios', e nem fiz um blog pra isso. Diariamente eu já tenho que ler e escrever 'coisas sérias' por causa de trabalho e mestrado... blog fica pra relaxar, escrever qualquer coisa sem seguir nenhuma regra e sem prestar atenção em itens como gramática, bibliografia, blábláblá.

Mas... pra quem se interessa pelo mundo, alguns sites valem o clique.

Minha leitura diária obrigatória:

The New York Times
The Economist
Financial Times
Foreign Affairs
Le Monde
El Pais
L'Internazionale

1 de jul de 2009

Eros

Não sei se ficou claro no post anterior... mas no fim das contas, aquilo tudo é pra dizer que a pessoa deve mudar se ela quiser, por vontade própria, por amor... não por obrigação.

E hoje por acaso estava relendo um antigo livro de filosofia do 2º grau... até hoje ainda releio este livro, ou partes dele, de vez em quando. Hoje estava lendo pela milionésima vez o capítulo relativo a Eros. Transcrevo abaixo, exatamente como estão no livro, as partes que resumem o que eu queria dizer com ‘não-castração’, dito de outra forma:


O exercício do amor supõe a descoberta do outro. Por isso o amor envolve o respeito: a capacidade de ver uma pessoa como tal, reconhecendo sua individualidade singular. Isso supõe a preocupação de que a outra pessoa cresça e se desenvolva como ela é, e não como queiramos que ela seja. O amor maduro é livre e generoso, fundando-se na reciprocidade.

O paradoxo da relação amorosa, colocada ao mesmo tempo como desejo de união e preservação da alteridade, dimensiona a ambigüidade em que o homem é lançado. Os sentimentos gerados também são ambíguos: são sentimentos de amor e ódio para com aquele que escolhemos conscientemente, mas de cuja escolha resultou o abandono de outras possibilidades... O não saber viver nessa ambigüidade leva certas pessoas ou a procurar a “fusão” com o outro, do que decorre a perda da individualidade, ou a recusar o envolvimento por temer essa perda.

O risco do amor é a separação. Mergulhar numa relação amorosa supõe a possibilidade da perda. A separação é a vivência da morte numa situação vital.

27 de mai de 2009

Anjos e Demônios

Já que acontecimentos inesperados me fizeram alterar bastante a minha rotina no dia de hoje, fui assistir à ‘continuação’ do Código da Vinci. Melhorzinho do que o anterior, mas não gostei muito não... Valeu pelo passatempo e por ver imagens da minha amada Roma... fora isso, não vale o ingresso.

Não me orgulho, mas já fui o demônio de algumas pessoas. Algumas vezes, com uma crueldade e uma frieza tão ‘iceberguianas-incendiárias’ que me dá medo.

E acho que foi exatamente o medo que me fez (e faz!) agir cada vez mais para que o demônio que há em mim fique em silêncio... e muitas vezes, a ‘não-ação’ tem sido uma poderosa arma para mantê-lo quieto.

Raiva? Ódio? Vontade de explodir tudo? Desejo de vingança? Sim, ainda sinto todas estas (e outras) coisas. Cada vez menos, mas ainda sinto. Mas sabe aquela coisa de dizer ‘cala a boca’ ou simplesmente ignorar? Funciona. E só funciona não porque eu tenha medo de ferir a mim mesma, e sim porque eu tenho medo de machucar alguma das pessoas que eu amo...

Ademais, é bom saber que podemos ser o anjo de alguém em algum momento... Sentir-se bem assim. E hoje, ao me pedir ajuda, uma amiga me fez pensar sobre isso. Sobre como é mais gratificante ajudar com coisas simples, como ir a um restaurante japonês ou ao cinema pra distrair, do que fazer a coisa mais mirabolante possível para prejudicar alguém.

Eu costumava dizer que eu podia tanto ser um anjo, quanto um demônio, para as pessoas, dependendo de como elas agiam comigo. As coisas não são mais assim há bastante tempo... Certamente não sou anjo para a maioria das pessoas, mas definitivamente não quero ser o demônio de ninguém. E é melhor não ser nada e não afetar a vida de alguém, do que afetar negativamente.

A vida passa muito rápido para gastar tempo e energia tentando prejudicar os outros ou se preocupando mais com a vida alheia do que com a própria.

25 de mai de 2009

Biblioteca Digital Funag

Pra quem se interessa por assuntos internacionais e política externa, a Biblioteca Digital da FUNAG é bem interessante. Óbvio que tem livros que nada mais são do que livrinhos políticos, mas também tem títulos muito bons que valem a pena e os clássicos de História das Relações Internacionais que são leitura obrigatória pra qualquer internacionalista ou interessado no assunto.

Link da Biblioteca AQUI.

24 de mai de 2009

Do amor, da amizade e da guerra

Guerras são iniciadas sem nenhum motivo, quando todos os problemas poderiam ser resolvidos com boa vontade, diplomacia e uma pitada de sinceridade... e quando se percebe, perdeu-se o controle.

Pessoas morrem por causa disso. Pessoas perdem seus bens. Pessoas perdem seus entes queridos.

Inimizades são criadas. Amizades são perdidas. Amores são destruídos.

Cidades bombardeadas assemelham-se a corações partidos, destruídos sem motivo e sem razão. Tudo poderia ser resolvido de forma a não causar grande prejuízo a nenhuma das partes, mas estas insistem em agir como atores na arena política internacional: medem forças, competem, querem ter a maior fatia de poder.

Demonstrar fragilidade e pedir perdão pelos erros e pelo mal causado é coisa para fracos. Os fortes têm orgulho e nunca erram, ou teimam em não reconhecer seus erros. Quem é o fraco, na realidade? E quem é o forte?

Depois de ter sua cidade destruída e bombardeada por todos os lados, inclusive pelo seu próprio Estado, um cidadão começa a não ter mais preocupação com certas coisas...

O que dizem e o que pensam não tem mais a menor importância. Quem está ou não ocupando uma cadeira na mesa do bar não importa. Ah, aquela é a Angelina Jolie??? Grande merda! Brad Pitt??? Foda-se! Acabou a grana??? E daí?!?! E por aí vai...

Eu nunca entendi algo que meus avós, que sobreviveram ao bombardeio de Dresdren, na 2ª Guerra, diziam: “Depois que a gente vê a morte na nossa frente, nada além da vida tem importância”.

Pois é... NADA ALÉM DA VIDA TEM IMPORTÂNCIA. Assino embaixo. E reconheço firma em cartório.

21 meses hoje.

21 de mai de 2009

um brinde à cachaça!

Você sabia que em 21 de maio comemora-se o Dia Nacional da Cachaça? A bebida, terceiro destilado mais consumido no mundo (superado apenas pela vodca e pelo soju coreano), faz parte da história do Brasil desde o século XVI. Naquela época, a produção era realizada de forma clandestina pelos escravos.

Após a fermentação do melaço e a destilação do produto em alambiques improvisados, seguindo a técnica usada pelos portugueses para a produção da bagaceira, foi criada a primeira aguardente brasileira. A menção mais antiga à palavra cachaça é de 1640.

Contemporaneamente, nossa amiga cachaça é utilizada indiscriminadamente em diversas situações diferentes, causando efeitos às vezes indesejados. Algumas dicas de ‘cachaçólogos’ (sim, existe degustador especializado em cachaça) para cachaceiros (os bebunzinhos) devem ser observadas durante o ato de degustação:

- Uma boa cachaça apaga os problemas e traz felicidade, mas não leva ninguém a chamar urubu de meu louro;
- O aroma deve ser agradável e dar vontade de continuar cheirando, além de despertar a vontade de saborear. Contudo, a vontade de saborear não pode ser excessiva, sob risco de causar amnésia, ressaca, vômito, etc;
- A boa cachaça deixa no copo uma oleosidade que escorre lentamente. É por isso que o cálice deve liso, transparente e de boca larga. A bebida queima agradavelmente na boca, descendo de modo suave pela garganta. Porém, não se deve abusar da bebidinha por causa de sua suavidade, sob pena de acordar no dia seguinte ao lado de um estranho (ou pessoa indesejada, ou ex...) e não saber como aquilo aconteceu;
- No processo de degustação de várias cachaças de gradação alcoólica diferentes é importante tomar água mineral gasosa e comer pedaços de pão puro. Na realidade, o que não deve ser esquecido é que é importante beber qualquer coisa sem álcool e comer qualquer coisa, para evitar os efeitos desagradáveis citados anteriormente;
- Para degustar uma dose, o 'cachaçólogo' demora de 15 a 20 minutos. Um coquetel e uma batida requerem de 20 a 30 minutos. Nada de sair bebendo várias doses em pouco tempo: além de ser contra o ato de degustação, beber muito em pouco tempo potencializa todos os efeitos adversos citados anteriormente;
- Alguns degustadores costumam agitar a garrafa para verificar a quantidade de bolhas que se formam. Quanto maior o número de bolhas, melhor a qualidade da bebida. Pedir ao garçom a garrafa, quando estiver bebum, para ficar observando as bolhas?...
- A cachaça de qualidade precisa ficar armazenada por, no mínimo, dois anos numa boa madeira. Se ficar acima de oito anos, vira produto nobre e ganha status. No entanto, todos sabemos que cachaceiros não guardam sua cachaças por muito tempo...



*O Museu da Cachaça existe! Apresenta a história da bebida, fotos, reportagens e mais de 2 mil garrafas, além de peças de engenho usadas antigamente na produção.
Museu da Cachaça
Rua Nhambiquaras, 385 - Vila Aviação - Tupã - SP
Telefones: (14) 3441-2321 / 3441-4337

6 de mai de 2009

simplicidade

De vez em quando, a gente vê alguma coisa que chama atenção na internet. Esse texto chamou minha atenção. Pode ser lido e interpretado segundo uma lógica mais machista e, também, por uma lógica mais feminista... Ah, sei lá. Tô filosofando demais. Melhor o simples: apenas gostei do texto.




SIMPLICIDADE DE UMA MULHER MADURA

Por Martha Medeiros


Quando tinha 15 anos,esperava um dia ter um namorado… seria bom se fosse alegre e amigo… Quando tinha 18 anos, encontrei esse garoto e namoramos; ele era meu amigo, mas não tinha paixão por mim. Então percebi que precisava de um homem apaixonado, com vontade de viver, que se emocionasse… Na faculdade saía com um cara apaixonado, mas era emocional demais. Tudo era terrível, era o ‘rei dos problemas’, chorava o tempo todo e ameaçava suicidar-se. Descobri então, que precisava de um rapaz estável. Quando tinha 25 anos encontrei um homem bem estável, sabia o que queria da vida; mas era muito chato: queria sempre as mesmas coisas dormir no mesmo lado da cama, feira no sábado e cinema no domingo. Era totalmente previsível e nunca nada o excitava. A vida tornou-se tão monótona que decidi que precisava de um homem mais excitante. Aos 30, encontrei um tudo de bom, brilhante, bonito, falante e excitante, mas não consegui acompanhá-lo. Ele ia de um lado para o outro, sem se deter em lugar nenhum. Fazia coisas impetuosas, paquerava qualquer uma e me fez sentir tão miserável, quanto feliz. No começo foi divertido e eletrizante, mas sem futuro. Decidi buscar um homem com alguma ambição para com ele construir uma vida segura. Procurei bastante, incansavelmente… Quando cheguei aos 35, encontrei um homem inteligente, ambicioso e com os pés no chão. Apartamento próprio, casa na praia, carro importado… Solteiro e sem rolos! Pensei logo em casar com ele. Mas era tão ambicioso que me trocou por uma herdeira rica… Hoje, depois de tudo isso, gosto de homens com pinto duro… E só! Nada como a simplicidade…

4 de mai de 2009

Amor Omnia Vincit

Um post meio (totalmente!!!) emo. Por motivo de força maior, devido a acontecimentos recentíssimos que mostraram-me, mais uma vez, a veracidade desta frase... Lembrei-me do motivo pelo qual gravei-a em minha pele hoje ao ver, mais uma vez, que pessoas que se gostam de verdade sempre se entendem.

Fato: o amor vence tudo. Fato: não se trata daquele amor idealizado de filmes hollywoodianos, romântico. Sim aquele amor que está o tempo todo próximo, mesmo à distância. Aquele amor que nunca morre, mesmo que às vezes fique sem receber água.

Amizade. O mais puro amor quando é verdadeiro. O essencial. Aquele que dá sentido à vida em sociedade.

Fruto do livre-arbítrio? Talvez... ou, quem sabe, fruto do acaso. Não importa. Não nos prendemos a este amor, quando verdadeiro, por posse, por comodismo, por obrigação. Prendemo-nos pura, e simplesmente, por amor. Amor àquela pessoa imperfeita e, em algumas oportunidades, irritante... Mas tão perfeita para nós em sua imperfeição, que torna-se parte de quem somos. Passamos a não existir por completo sem a existência, em separado, daquela pessoa.

O referencial. A parte de nós, sem, no entanto, sê-lo. Ama-se um filho por ser parte de nós, por ser nosso filho. Ama-se uma mãe porque, afinal de contas, ela é sua mãe e te ama incondicionalmente. Um amigo verdadeiro a gente ama porque aquela pessoa, apesar de sermos o que somos e apesar de ela não ter nenhum laço pré-determinado conosco, existe. Sem esperar que nos ame na mesma intensidade, mas desejando, apenas, que ela esteja feliz, e que nos ame, em toda e qualquer intensidade.




"Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!" Fernando Pessoa