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12 de jun de 2009

dia dos namorados

Você já se sentiu um leproso? Não? Parabéns! Pois a impressão que tenho sempre que se aproxima o Dia dos Namorados é que as minhas amigas solteiras passam a se ver como leprosas... Não todas, obviamente, mas a grande maioria delas. Como se estar solteira fosse o fim do mundo, o sinal maior do apocalipse, do juízo final.

Já me senti assim? Lógico que já, mas acho que eu era adolescente ainda. Não consigo mais ver nenhum motivo para uma mulher bem-resolvida com mais de 25 anos sentir-se uma leprosa por estar solteira. Oops... o problema deve ser esse: mulher bem-resolvida, segura, com a auto-estima boa. A maioria se encaixa nisso? A julgar pelos espécimes do sexo feminino com os quais convivo, acho que não.

Muitas mulheres, infelizmente, ainda acham que precisam ter um macho ao lado para serem felizes. Minha opinião sobre isso: se alguém acha que precisa de um macho pra ser feliz, lamento, mas nem com o Brad Pitt ou o Jared Leto ao lado, fazendo tudo pela pessoa, ela estaria feliz. O motivo é simples: quem precisa de outra pessoa pra estar feliz não se ama o bastante para ser feliz consigo mesmo.

O que me leva à segunda observação: pessoas que não estão felizes consigo mesmas são mais propensas a aceitar qualquer tipo de relacionamento, apenas pra não estarem sozinhas. São aquele tipo de pessoa que, por mais que o relacionamento esteja ruim e obviamente não seja saudável, continuam mantendo aquilo, porque não conseguem ser felizes sozinhas.

Não sou hipócrita de dizer que nunca fiz isso. Já fiz. E nunca mais pretendo fazer. O maior amor que devemos ter, antes de qualquer outro, é por nós mesmas. Falo isso para todas as minhas amigas... e é impressionante como o sexo feminino parece estar programado socialmente para esquecer o amor próprio em prol de um amor ilusório qualquer.

O pior é perceber que isso não é exclusividade das fêmeas heteros. Convivo bastante no meio homo e, assim como as heteros, as lésbicas também vivem nessa ilusão de precisar de um príncipe encantado ao lado – com a diferença de que se trata de uma princesa. Menos sujeitas às pressões sociais do ideal ‘casar-e-ter-filhos’, mas ainda assim, sujeitas à pressão do ‘preciso ter alguém ao meu lado’.

Desisti de expor meu ponto de vista para as minhas amigas ou para as mulheres em geral. A maioria fica chateada, ao invés de entender que a mensagem não é ‘você é uma mal-amada, mal resolvida e insegura’, e sim ‘se ame, se ame muito’. Sim, acredito nisso: pra sermos felizes, independente de estarmos com outra pessoa, antes de qualquer coisa precisamos nos amar incondicionalmente.