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29 de jul de 2009

cartas de amor

Estava pensando sobre as cartas de amor que eu já escrevi e entreguei e, principalmente, sobre as que eu escrevi e nunca foram lidas por ninguém (a não ser por mim mesma).

Isso levou a ir mexer em coisas que estavam no fundo do armário... Descobri que só guardei uma única carta de amor das que recebi, e nem no fundo do armário estava. Está há tempos pregada na minha parede, com a foto que a acompanha. Passaram-se 8 anos e continua sendo a coisa mais linda que já ganhei de alguém.

Mas o assunto nem era esse... Também fui bisbilhotar meus próprios escritos (os que nunca foram entregues, obviamente). Uma conclusão: cartas de amor são bregas, ridículas, patéticas. Mas são lindas né.

Como gosto muito do Fernando Pessoa, vou colocar abaixo um texto dele (escrito sob pseudônimo) sobre cartas de amor. E como eu tenho que me auto-sacanear, vou bisbilhotar mais um pouco as minhas coisas pra achar alguma carta de amor que eu tenha escrito pra postar aqui depois.



"Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.) "

Álvaro de Campos, 21-10-1935