Páginas

31 de ago de 2009

desapercebido

Acho que passou desapercebido pra maioria das pessoas o acordo entre o Brasil e o Vaticano (em minha opinião ABSURDO) aprovado pela Câmara dos Deputados na semana passada.

Lula e o Papa Nazista (oops, foi mal, Bento XVI) apóiam o acordo, que abre as portas pra instituir o ensino religioso opcional nas escolas e vinha sendo negociado desde 2006. Ah, sim, o acordo também ratifica a isenção fiscal e de leis trabalhistas para a igreja e prevê a manutenção do patrimônio cultural católico com recursos do Estado.

Sem discussões sobre direito internacional e os trâmites necessários pra que um acordo dessa natureza seja incorporado ao nosso direito interno e outros blábláblás de gente chata que estuda estas coisas (tipo eu)... mas que palhaçada é essa?!?!!

Tudo bem que no preâmbulo da nossa constituição está escrito que "promulgamos, sob a proteção de Deus...", mas em nenhum lugar está escrito que temos religião oficial de Estado (por sinal, somos um Estado Laico). E ali no artigo 5º da nossa querida constituição diz que todos são iguais perante as leis e esse blábláblá que sabemos que só funciona no papel.

O que me incomoda é o seguinte:

1- cada um escolhe sua religião (deve ser bem legal pra um espírita ter aula na escola sobre catolicismo, por exemplo).
2- manutenção do patrimônio cultural católico com recursos do Estado?!? Ok, mas então mantenham também os terreiros de candomblé, as mesquitas, os centros espíritas, os templos budistas e de todas as demais religiões. Não são todos iguais perante as leis?!? Por que a religião católica deve ser privilegiada em detrimento das outras?!?
3- para terminar, já que vivemos num país onde tudo funciona perfeitamente bem, e todos estão bem de vida, com educação de qualidade, rede pública de saúde perfeita, pouca violência, etc, faz mesmo muito sentido gastar dinheiro do Estado para manter patrimônio de qualquer igreja, seja ela qual for.

Olha, foi mal se algum católico se sentir ofendido com este post, mas tudo neste mundo tem limite. Para mim um acordo dessa natureza ultrapassa qualquer limite de bom senso (coisa que obviamente nosso presidente não tem, e pelo jeito o pessoal do Itamaraty também não).

________________________________________________

*agora que o amiguinho me lembrou nos coments, fui procurar o texto dele sobre isso. Um mês e pouco depois do que ele escreveu, taí a cagada feita. Leiam AQUI

26 de ago de 2009

um pouco de Quintana

Um outro que eu gosto bastante é o Mário Quintana. Algumas coisinhas dele...


DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... oras!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

Mário Quintana

_______________________________


Nunca diga te amo se não te interessa.
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.

Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti.

A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo.

Mário Quintana


______________________________________________________________


*lembrança de última hora/dia AQUI

19 de ago de 2009

um pouco de Vinícius

Vinícius é um dentre os poetas brasileiros que eu gosto muito. Ontem folheando um livro, abri na página deste aí. Muito bom.


TODAS AS NAMORADAS QUE EU JÁ TIVE

Todas as namoradas que eu já tive
Estão noivas
Uma só dentre todas não está noiva
Casou-se.
Nenhuma se lembra mais de mim
As que tiveram meus beijos evitam meus olhos
As que tiveram minha afeição riem mal de mim
E beijam furtivamente os noivos nos cinemas e nas praias
Todas têm meus sonetos de amor
Com promessas ardentes de constâncias e fidelidade
Todas têm meu retrato
O retrato do menino risonho que eu já fui
Com todas eu gastei algumas horas do dia
E algumas horas da noite
Todas estão noivíssimas
E são apenas meninas sem juízo fazendo o que querem
Dando aos namorados anteriores a satisfação social do noivado
E exibindo o noivo bonito aos olhos das moças sem namorado.

Algumas eu amei sinceramente
Sem grandes palavras mas com olhares francos
Olhares que eu estudava nos bondes com outras
Para fazê-los ainda mais verdadeiros
Com outras me diverti
Passeando horas e horas braço com braço
Com palavras grandes e pequenos olhares
A todas eu feri inconscientemente
As que eu beijei e as que eu não beijei
As que eu beijei porque um dia não quis beijar
As que eu não beijei porque um dia quis beijar.

Vi-as fugirem todas de mim
E me vi fugindo de todas elas
Vejo-as agora aqui e ali ontem e hoje
A casada, com um filho
As noivas, com brilhos maternais nos olhos
Futuros infelizes para o mundo
Vejo-me por momentos pai de família comprando brinquedos
E a satisfação de estar só é tão grande
Que no fundo eu estimo sinceramente todas essas meninas
Que estão noivas e serão muito felizes
E a que está casada e não é feliz mas faz que é

E me estimo mais, ainda, a mim próprio

Que estou só, feliz e só, com os meus amigos e com a minha boemia discreta.


Vinícius de Moraes

_________________________________________________________

*pra quem gosta de literatura em geral, uma boa dica é o Projeto Releituras.

17 de ago de 2009

microfísica do poder

O sexo está presente em tudo e sua onipresença vai além da exposição midiática: ele faz parte do discurso, das instituições e das práticas sociais.

Foulcault fala em "miséria da sexualidade". Essa idéia é pelo fato de que o sexo encontra-se sempre no centro de tudo, tanto do lado "anti-sexo", quanto do lado "pró-sexo". Coação, incitação e vigilância sobre o sexo são dispositivos de controle social. O que são a educação e o adestramento, senão formas de controle? Ah,sim, incitar também é uma forma de exercer controle.

Discursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas... o sexo está em tudo isso. E o que é dito, tanto quanto o que não é dito, influi na manipulação das relações de força.

Formulada E proibida, dita E interdita, a sexualidade é um comutador que nenhum sistema de poder pode dispensar.

Por que mesmo que eu tô escrevendo sobre algo tão, digamos, acadêmico, se eu nem pesquiso gênero??? Sei lá... mas se apenas uma única pessoa ler esse texto e parar para pensar nas condições masculina e, principalmente, feminina, pelo mundo, eu já fico feliz e satisfeita. É uma pessoa a mais tentando entender porque as coisas são como são, e como as mudanças podem ser feitas.

_______________________________

*lembrete muito importante AQUI

15 de ago de 2009

platão e a pós-modernidade

Resolvi folhear um dos livros da minha época de Comunicação... Título: ‘Sexo, afeto e era tecnológica: um estudo de chats na internet’. Por sinal, para quem se interessa pelo tema, é bem interessante. E complementa bem o que eu falava sobre contato pós-moderno.

Em alguma das páginas, um trecho de uma entrevista do José Saramago, que copio abaixo. Invocando o conhecido mito da caverna platônico, ele diz:

“(...) Porque me parece que desde Platão nunca vivemos tanto na caverna de Platão como agora. Aqueles que se recordam do mito sabem que, no interior da caverna, as pessoas estavam acorrentadas, olhando a parede, o fundo da caverna, na qual passavam sombras daquilo que ia com o vento de um lado para o outro fora da caverna. Creio que nós estamos em uma situação em que de fato vemos mais sombras da realidade do que a própria realidade. E inventamos algo que Platão não poderia ter inventado, a realidade virtual, que vai nos isolando cada vez mais da realidade real.”

Não custa lembrar que o uso da tecnologia deve submeter-se a atender às necessidades dos indivíduos, e não o contrário. Né?!?!

A proposta da tecnologia se refere à ampliação da comunicação, não tendo a força de substituição de formas de contato, e sim de possível complementação e aumento dessas formas.

9 de ago de 2009

dia dos pais

Acho muito fácil falar daqueles pais que realmente merecem ser chamados de PAIS e realmente merecem ter um dia só deles. Pra estes digo apenas: FELIZ DIA DOS PAIS! Ao serem quem vocês são, ajudam a criar um futuro melhor para todos, criando pessoas melhores.

Aos outros:

Costuma demonstrar afeto, abraçar seu filho?
Ajudou seu filho aprender a andar de bicicleta?
Ajudou a trocar fraldas? Dar banho? Alimentar? Essas coisas todas, quando seu filho era bebê?
Ficou ao lado da mãe do seu filho, dando a ele uma base familiar-emocional mais estável?
Se divorciados ou situação em que não ficaram juntos, você continuou participando da vida do seu filho?
Deu à sua filha o mesmo tratamento e liberdade que deu ao seu filho, sem discriminação de gênero?
Quando seu filho assumiu-se homossexual, o apoiou em sua escolha?
Você entende que dar liberdade aos filhos também requer limites à esta liberdade?
Tentou ser compreensivo quando sua filhinha apareceu grávida (ou seu filhinho engravidou alguém)?
Brincava com seu filho quando ele era criança?
Conversou sobre sexo com seu filho em algum momento (aqui também sem distinção de gênero)?
Foi em alguma reunião de 'pais e mestres' na escola?
Ajudava com dever de casa?

É... ser pai não é só dar uma gozada e doar o espermatozóide.

5 de ago de 2009

sutilmente

Eu até tentei, mas não tinha dado muito certo a minha experiência de postar um vídeo do youtube direto aqui (murphy deve ter decidido que só porque eu nunca posto vídeos e hoje resolvi postar, ele ia me sacanear).

Mas a Mari deu um help e salvou geral.


Aí tem tudo que eu tenho a dizer, agora, a todas as pessoas que gostam de mim e a todas as pessoas que eu gosto. Espero que entendam.

2 de ago de 2009

contato pós-moderno

Na pós-modernidade (ou... na cidade pós-moderna) as pessoas evitam o contato. Tava pensando nisso enquanto me decidia por fazer ou não um facebook (amigos enchendo o saco “Liana, faz um facebook também”, “tá todo mundo no facebook”...). Ainda não decidi se faço ou não, mas continuando de onde comecei...

As pessoas evitam o contato. Nunca tivemos tantos meios à disposição – internet e seus infindáveis recursos, orkuts, facebooks, twitters, msns, etc... telefone celular.... – e nunca nos desencontramos tanto.

Entre meus 15 e 18 anos (época que realmente comecei a sair), quase ninguém tinha celular, e os que tinham eram aquele tijolões que funcionavam mal, perdiam sinal por qualquer coisa e acabava a bateria em 2 horas. Não havia essas facilidades internéticas. E era super-hiper fácil nos encontrarmos. Ah, também não tínhamos carro, com exceção de um ou outro amigo mais velho.

E sempre nos encontrávamos. Quando eu era caloura na faculdade também. Era fácil encontrar os amigos e não existiam grandes dificuldades para isso.

Agora em pleno século XXI, globalização e o escambau, torna-se cada vez mais difícil o encontro. Óbvio que quando a gente cresce surgem as responsabilidades da vida adulta e, consequentemente, temos menos tempo para encontrar os amigos. Mas me emputece quando me dizem a seguinte frase: “estou sem tempo”.

Vejamos... passa horas por dia na internet (ou na tv a cabo), e não dá pra tirar 1 horinha disso pra encontrar alguém? Ah sim, antes que eu esqueça: estou falando da maioria dos meus amigos, pessoas ‘não-casadas’, sem filhos e que trabalham. Não têm tempo?

Talvez essa dificuldade de ‘encontro’ possa ser estendida ao amor no mundo contemporâneo, pois parece a cada dia mais difícil ver ‘encontros verdadeiros’ entre as pessoas. O desenvolvimento urbano criou o fenômeno da ‘multidão solitária’: pessoas lado a lado, relações de contigüidade que dificilmente se aprofundam, tornando raro o encontro verdadeiro.

Acho que as relações entre pessoas no geral se acham empobrecidas, com afrouxamento de laços (amorosos, amizade, familiares). A sociedade capitalista contemporânea estimula a competição e o individualismo... e, às vezes, a gente acaba esquecendo o mais importante: o contato.



---------



*o conceito de 'multidão solitária' é tratado por alguns dos autores que eu li nos tempos da Comunicação. Um deles é o Edgar Morin.