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2 de ago de 2009

contato pós-moderno

Na pós-modernidade (ou... na cidade pós-moderna) as pessoas evitam o contato. Tava pensando nisso enquanto me decidia por fazer ou não um facebook (amigos enchendo o saco “Liana, faz um facebook também”, “tá todo mundo no facebook”...). Ainda não decidi se faço ou não, mas continuando de onde comecei...

As pessoas evitam o contato. Nunca tivemos tantos meios à disposição – internet e seus infindáveis recursos, orkuts, facebooks, twitters, msns, etc... telefone celular.... – e nunca nos desencontramos tanto.

Entre meus 15 e 18 anos (época que realmente comecei a sair), quase ninguém tinha celular, e os que tinham eram aquele tijolões que funcionavam mal, perdiam sinal por qualquer coisa e acabava a bateria em 2 horas. Não havia essas facilidades internéticas. E era super-hiper fácil nos encontrarmos. Ah, também não tínhamos carro, com exceção de um ou outro amigo mais velho.

E sempre nos encontrávamos. Quando eu era caloura na faculdade também. Era fácil encontrar os amigos e não existiam grandes dificuldades para isso.

Agora em pleno século XXI, globalização e o escambau, torna-se cada vez mais difícil o encontro. Óbvio que quando a gente cresce surgem as responsabilidades da vida adulta e, consequentemente, temos menos tempo para encontrar os amigos. Mas me emputece quando me dizem a seguinte frase: “estou sem tempo”.

Vejamos... passa horas por dia na internet (ou na tv a cabo), e não dá pra tirar 1 horinha disso pra encontrar alguém? Ah sim, antes que eu esqueça: estou falando da maioria dos meus amigos, pessoas ‘não-casadas’, sem filhos e que trabalham. Não têm tempo?

Talvez essa dificuldade de ‘encontro’ possa ser estendida ao amor no mundo contemporâneo, pois parece a cada dia mais difícil ver ‘encontros verdadeiros’ entre as pessoas. O desenvolvimento urbano criou o fenômeno da ‘multidão solitária’: pessoas lado a lado, relações de contigüidade que dificilmente se aprofundam, tornando raro o encontro verdadeiro.

Acho que as relações entre pessoas no geral se acham empobrecidas, com afrouxamento de laços (amorosos, amizade, familiares). A sociedade capitalista contemporânea estimula a competição e o individualismo... e, às vezes, a gente acaba esquecendo o mais importante: o contato.



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*o conceito de 'multidão solitária' é tratado por alguns dos autores que eu li nos tempos da Comunicação. Um deles é o Edgar Morin.