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14 de dez de 2009

power and prosperity

(nota: fiz só uma resuminho, mas aconselho a leitura deste e de outros livros pra quem gosta de política e economia... ajuda inclusive a entender bastante a situação deprimente desse nosso país/circo que tem no centro do picadeiro um governo talvez mais corrupto do que o governo Collor, atuando junto com vários grupos de interesse que o apóiam porque ganham com isso e um bando de palhaços ignorantes votando e elegendo os atores principais... pão e circo dos tempos romanos é pouco pra descrever nossa democracia perfeita!).


POWER AND PROSPERITY – Outgrowing Communist and Capitalist Dictatorships
autor: Mancur Olson


Por que algumas economias se saem melhor do que outras? Como a sociedade encoraja o tipo de economia de mercado que continuamente gera aumento de renda? Como tipos de governo afetam a performance econômica? Mancur Olson busca responder a estas e outras perguntas no decorrer de sua obra.

No livro “Power and Prosperity”, Mancur Olson explica que existem algumas condições básicas necessárias para a prosperidade. Entre estas condições estão o cumprimento dos direitos de propriedade, que inclui o cumprimento de contratos voluntários e a ausência de ações predatórias. Quando o próprio governo se torna o maior predador e quando este passa a violar, ao invés de fazer com que sejam cumpridos os direitos à propriedade e os contratos, as condições necessárias para a prosperidade diminuem significativamente.

O autor divide os tipos de governos em “hunther-gatheres” (algo como badidos, assaltantes que estão de passagem por determinado local), anarquias, autocracias e democracias e, assim como as últimas seriam as melhores formas de governo, as anarquias seriam as piores. Nas anarquias, os indivíduos de uma sociedade deparam-se com muitos males, incluindo ataques de bandidos passageiros. A atividade econômica em uma anarquia é muito arriscada e, por este motivo, a quantidade de bens produzidos diminui.

Um bandido passageiro pode descobrir que é de seu interesse tornar-se um bandido estacionário, um autocrata. Na metáfora utilizada por Olson, ele então usaria o tipo de proteção que a máfia utiliza em sua área de influência, suprimindo outros bandidos e, desta forma, aumentando a performance econômica e, ao mesmo tempo, extorquindo riqueza dos cidadãos para servir à sua própria visão de poder e glória. O autor analisa o que ele classifica como o maior bandido estacionário, Joseph Stalin. Ao contrário do que pregava o marxismo real, “de cada um, segundo sua capacidade, a cada um, segundo suas necessidades”, o stalinismo teria sido, segundo o autor, “de cada um, segundo sua capacidade, ao homem no comando”.

Contrariando o senso comum a respeito dos incentivos ao trabalho numa sociedade comunista, Stalin criou incentivos bizantinos ao trabalho. Trabalhar normalmente merecia salários de fome e o trabalho excedente pagava a preços de mercado. Se receber a mais pelas horas que excediam a jornada de 40 horas de trabalho semanais não servisse de incentivo, havia a ameaça de expurgo, tornando a ansiedade, segundo o autor, uma aliada do autoritarismo. Olson diz que Stalin teria sido mais eficiente em atingir suas metas se simplesmente tivesse introduzido uma economia de mercado, cobrado impostos e exigido que todos trabalhassem 15 horas por dia, 7 dias por semana.

Para o autor, quando o comunismo funciona bem, ele é somente semi-eficiente e, mesmo assim, essa semi-eficiência não dura muito tempo e o comunismo afunda na burocracia: corrupção, incompetência e a dinâmica dos grupos de interesse criam uma condição que gradualmente piora algo que já é ruim. Mesmo que os cidadãos trabalhem muito, o planejamento e a administração são ruins e pioram porque os responsáveis pela administração conseguem aumentar os subsídios para níveis de produção cada vez piores. Olson diz que o colapso da União Soviética foi em parte gerado pela falta de renda. Existiam múltiplos interesses pedindo subsídios e pouca renda de impostos. A URSS elegeu subsidiar imprimindo mais moeda, o que levou a um desastre econômico.

O autor avisa que não se deve ter muitas esperanças em nenhuma ditadura, pois mesmo quando são benevolentes, continuam uma opção ruim. Ditadores morrem e o ditador seguinte geralmente é pior do que o anterior. Autocracias podem prosperar por algum tempo, mas eventualmente lideranças desastrosas emergem. Extorção, clientelismo, caprichos e a crueldade dos autocratas conflitam com o que realmente importa em uma sociedade.

Uma das conclusões do autor é a de que direitos são essenciais. Direitos de propriedade seguros e transparentes, o poder imparcial de fazer cumprir as leis e a falta de bandidos são necessários para o crescimento econômico no longo prazo. Países menos desenvolvidos que são displicentes com os direitos cometem um grande erro. Outras coisas que arruínam uma economia são: acúmulo de dívidas, impressão exagerada de moeda, lobby de grupos de interesse e negligenciar o pagamento de empréstimos. Do mesmo modo, o crime organizado, os subsídios, a ganância dos líderes e a corrupção oficial também arruínam uma economia, ainda que exista muito investimento, tecnologias e cidadãos que trabalhem bastante.

As economias deveriam ter um alto índice de investimentos de longo prazo, algo que está se tornando mais raro nas democracias e é quase impossível nas autocracias. Olson afirma que mesmo autocratas que buscam a estabilidade têm forte incentivo a fazer empréstimos, imprimir muita moeda e confiscar arbitrariamente propriedades – os investidores sabem disso e, consequentemente, preferem ignorar investimentos que apresentam baixo risco em países autocráticos, pois também sabem que a situação pode modificar-se no futuro próximo.

De acordo com o autor, os mercados não são tão importantes como muitos afirmam, eles são onipresentes, já que existem muitos vendedores até nas nações mais pobres. Direitos de propriedade estáveis, cumprimento obrigatório dos contratos (entre os contratos, Olson diz que os relativos a hipotecas são especialmente importantes), mercados de capital líquidos e corporações com pouca deficiência são mais importantes, segundo o autor.

Apesar de afirmar que o melhor sistema é a democracia, o autor também faz críticas aos países mais prósperos e às democracias. Para ele, os países mais prósperos têm muitos desafios econômicos: um destes desafios é o subsídio a indústrias que perdem dinheiro, pois subsidiá-las é um empecilho maior ao crescimento econômico do que os próprios custos do subsídio, não importando se estas indústrias são perdedoras apenas por azar. Para o autor, as proteções dadas pelo governo deveriam ser em nível do indivíduo, não das indústrias. A transferência de renda para as indústrias, visando ajudar aos indivíduos, cria desastres econômicos, e um subsídio é pior do que o seguro-desemprego, em termos sociais e econômicos.

As democracias também têm falhas, incluindo o que Olson chama de “demoesclerose” dos grupos de interesse e a ignorância dos eleitores. Estas falhas, para o autor, podem ser resolvidas com conhecimento e educação – e isso demonstra porque algumas democracias são mais prósperas e estáveis do que outras.

O autor sugere alguns fatores que atuaram no surgimento das primeiras democracias estáveis: algum tipo de proteção, geográfica ou não, contra a conquista de autocracias; poder balanceado e disperso dentro da democracia, dificultando a emergência de autocratas; um executivo forte, mas não forte o bastante para atuar sozinho, e poderes independentes para que exista sucessão no governo.

Olson usa o Dilema do Prisioneiro para dissertar sobre os incentivos que os indivíduos têm em situações coletivas, concluindo que o exemplo dos prisioneiros tem limitada aplicação em ciência social pelo fato de que dois prisioneiros em salas separadas de interrogatório não podem se comunicar, nem assinar contratos que os vincule. Ao mesmo tempo, ele também diz que a habilidade de acumular riqueza é determinada pelo sucesso que os indivíduos podem ter na arena de competição política. Ganhar benefícios do Estado, ou ter o poder coercitivo do governo ao seu dispor, é mais importante do que ser um membro produtivo da economia. Indivíduos, seguindo seus instintos competitivos e seus interesses racionais, aprendem a operar num contexto econômico com conivência política.

A partir da leitura da obra de Mancur Olson, pode-se concluir que ditaduras e atividades ruins para o bem comum dentro de uma democracia devem ser enfrentadas com conhecimento econômico. Nas palavras do autor: “No historical process that is understood is inevitable” (nenhum processo histórico que é entendido é inevitável). O Estado, entendido como governo e cidadãos, tem papel fundamental no destino de uma nação e deveriam cooperar para o bem comum, pois todos ganham com a cooperação.

2 de dez de 2009

ignorância nacional

THE “RATIONAL IGNORANCE” OF THE TYPICAL CITIZEN*


The typical voter is, accordingly, “rationally ignorant” about what choices would best serve the interest of the electorate or any majority in it. This point is most dramatically evident in national elections. The gain to a voter from studying issues and candidates until it is clear what vote is truly in his or her interests is given by the difference between the value to the individual only (rather than the society) of the “right” and the “wrong” election outcomes, multiplied by the probability that a change in the individual’s vote will alter the outcome of the election. Since the probability that a typical voter will change the outcome of the election is vanishingly small, the typical citizen, whether he or she is a physician or a táxi driver, is usually rationally ignorant about public affairs.

Sometimes information about public affairs is so interesting or entertaining that acquiring it for these reasons alone pays; this situation appears to be the single most important source of exceptions to the generalization that typical citizens are rationally ignorant about public affairs. Similarly, individuals in a few special vocations can receive considerable rewards in private goods if they acquire exceptional knowledge of public goods. Politicians, lobbyists, journalists, and social scientists, for example, may earn more money, power, or prestige from knowledge of public affairs. Occasionally, exceptional knowledge of public policy can generate exceptional profits in stock exchanges or other markets.

The fact that the benefits of individual enlightenment about public goods are usually dispersed throughout a group or nation, rather than concentrated upon the individual who bears the cost of becoming enlightened, explains many phenomena. It explains, for example, the “man bites dog” criterion of what is newsworthy. If the television newscasts were watched or newspapers were read solely to obtain the most important information about public affairs, aberrant events of little public importance would be ignored and the complexities of economic policy and quantitative analyses of public problems would be emphasized. When the news is, by contrast, largely an alternative to other forms of diversion or entertainment for most people, intriguing oddities and human-interest items are in demand. Similarly, events that unfold in a suspenseful way or sex scandals among public figures are fully covered by the media. Public officials, often able to thrive without giving the citizens good value for their taxes, may fall over an exceptional mistake that is simple and striking enough to be newsworthy. Protests and demonstrations that may offend a significant portion of the public make diverting news and therefore call attention to arguments that might otherwise be ignored.

The rational ignorance of electorates – and thus of majorities – means that majorities will often fail to see their true interests. They can be victims of predations that they do not notice. They can be persuaded by superficially plausible arguments that a given policy is in the interest of the majority or of the society as a whole, when it really only serves some special interest. When we consider the incentives facing special-interest groups, we see that this problem is very serious.


*trecho do livro "Power and Prosperity", de Mancur Olson

1 de dez de 2009

1º de dezembro

Estou um tanto ausente da internet... tempo escasso é assim mesmo e a internet tem sido usada basicamente pra pesquisa e coisas ligadas a isso. Em breve devo cometer orkuticídio, penso em cometer twittercídio e provavelmente o único sobrevivente dos ‘cídios’ será o blog (eu me divirto escrevendo, fazer o quê?...rs...).





Hoje, na correria, faço apenas alguns comentários:

- Se for trair sua esposa, namorada, noiva, tenha a decência de ao menos usar camisinha. Traição já é detestável, colocar a parceira em risco é mais detestável ainda. Tenho uma amiga que há pouco tempo descobriu que está com Aids... pegou de quem? É... do parceiro em quem ela confiava.

- Se for agir como Papa, citar a Bíblia e condenar o uso de anticoncepcionais, CALE-SE! É religioso e quer ajudar ao próximo? Vá trabalhar em campanhas de conscientização, distribuir camisinhas ou ser voluntário na África (além da fome e das guerras civis, eles ainda têm que enfrentar epidemia de Aids).

- Tem vida sexual ativa? Faça o teste de HIV. Não tem dinheiro e nem plano de saúde? É possível fazer o teste de graça na rede pública de saúde (ou faça a boa ação de doar sangue e receba de presente teste de HIV, sífilis, hepatite). Nada é desculpa pra este tipo de desinformação e você pode estar colocando outras pessoas em risco sem saber.

- É uma pessoa muito desinformada? Entre AQUI.