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19 de dez de 2010

a semana

Esta semana que passou, deputados e senadores aumentaram seus próprios salários e agora ganharão somente pouco mais de R$ 26 mil. Acho muito justo uma bolsa de doutorado CAPES ou CNPq ser R$ 1.800,00 e exigir dedicação exclusiva, enquanto uma pessoa com educação à la Tiririca ganhará somente pouco mais de R$ 26 mil (NOT!). Ao ver uma coisa dessas, sinto-me uma palhaça num imenso picadeiro. Esse Brasil é um circo mesmo! Eu que sou otária de ficar estudando e ser honesta.

Esta semana, fui renovar minha carteira de motorista. Sinto-me uma palhaça por ter que gastar tempo – e dinheiro – fazendo aquele exame médico que só serve pra alguém ganhar dinheiro, mas tudo bem. Enquanto esperava pra fazer o tal exame, li uma notícia do jornal Correio Braziliense que estava pregada na parede: “álcool causa 60% das mortes de motoristas”. O que me leva a questionar: e os outros 40%? Por que só quem bebe perde carteira e é multado? A pessoa deveria perder a carteira e ser multada apenas pelo simples fato de estar dirigindo se esta estatística for verdadeira, afinal tá quase no meio a meio. (que fique claro: não sou a favor de dirigir bêbado, mas convenhamos que perder carteira e pagar quase mil reais por ter tomado duas taças de vinho é ridículo).

Outro fato semanal que me levou a ter a sensação de estar usando um nariz de palhaço diz respeito ao par de cromossomos XY. Por que tenho a sensação de que basta ser sincera, mostrar-se como se é, se importar e ser legal pras pessoas com esse par de cromossomos agirem como idiotas? Basta ativar o botão FODA-SE e ser uma cretina pra serem legais e correrem atrás. Qual o problema com os seres humanos do sexo masculino? Mantra pra 2011: Quer? Ótimo. Não quer? Ótimo. Vai ficar de enrolação, mimimi, no esquema não caga nem desocupa a moita? Tomar no cú.

20 de nov de 2010

nota rápida

Depois de o Conselho Nacional de Educação (CNE) recomendar que o livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, não seja distribuído às escolas públicas por ser considerado racista, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) proibiu que a obra Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século continue sendo entregue a alunos da rede estadual. De acordo com a decisão, em caráter liminar, a obra contém "elevado conteúdo sexual, com descrições de atos obscenos, erotismo e referência a incesto". A obra faz parte de um programa da Secretaria de Educação de São Paulo que distribui livros para alunos da rede.

Ao ler uma notícia como a do parágrafo acima, me pergunto se estou "viajando" e tendo uma alucinação causada por LSD, cogumelos e afins... mas aí lembro que a única droga que estou usando no momento é Coca-Cola Zero. Do jeito que a coisa vai, daqui a pouco volta-se à Idade Média e à instauração de um Index de livros proibidos. Quem ousar ler qualquer dos grandes autores da literatura mundial vai pra fogueira. Se resolver ler filosofia então, é caso de tortura pesada até morrer.

Esse tipo de coisa parece piada, só que infelizmente é verdade. Enquanto isso, os alunos que já não têm o hábito de ler, passam a ler menos ainda... e a assistir ao "elevado conteúdo sexual" na televisão.

É pra rir ou pra chorar?

4 de nov de 2010

nota rápida

Comentário: não acho nem um pouco comemorável o Brasil ser uma das maiores economias do mundo e estar em 73º lugar no ranking de IDH da ONU. Sério: do que serve ser uma economia importante, se a maior parte da sua população tem saúde, educação e padrão de vida ridículos? Acho bem mais vantajoso ser um pequeno principado irrelevante mundialmente em termos econômicos, caso de Liechtenstein, e ter uma população levando uma vida digna.

Pra quem se interessar, notícia sobre o último índice de IDH AQUI

28 de out de 2010

aborto

*o texto abaixo foi retirado DAQUI.


A intervenção religiosa nas diretrizes do Estado fere (entre outros direitos) a autonomia sobre o corpo, característica fundamental em uma democracia. Essas instituições reclamam para si maior representatividade no Congresso assumindo os dogmas de sua prática como infalível conduta, execrando as demais religiões (em especial as de origem Afro-Brasileiras) do debate.

É de extrema importância o reconhecimento do Aborto como constituinte das políticas públicas na Área da Saúde, não legalizar-lo é encobrir a morte de mulheres negras, pardas e pobres em situação vulnerável que arriscam suas vidas em clínicas clandestinas e ignoradas sob o estigma de “Malditas”. Quem possui recursos para tal, mantém a integridade física e reputação preservada.

Descriminalizar esta prática não ocasionaria mutirões abortivos por não se tratar de um processo simples e prever acompanhamento interdisciplinar. Enquanto aguardamos, centenas de mulheres engravidam na fila do SUS a espera de uma laqueadura.

Se uma mulher próxima a você (companheira, mãe ou irmã) apresentasse grandes chances de morrer no parto e houvesse a chance de optar pela vida do bebê ou a dela, quem escolheria?

Respeito é resguardar a autonomia, do contrário, não há qualquer opção de livre-arbítrio restando à mulher subjugar – se aos mandamentos religiosos e estatais regidos por patriarcas. E como se sabe; patriarcas não engravidam.

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*complemento o texto acima com uma postagem antiga escrita por mim: AQUI.

23 de out de 2010

pra refletir

*o texto abaixo foi retirado DAQUI.


ECONOMIA E VALOR

Hoje fui até a mesa de um colega de trabalho para tomar um cafezinho. Café forte, expresso, feito na maquininha de um italiano que senta na mesma área. Conversa vai, conversa vem, e eu tenho sorte de ter amigos inteligentes, começamos a falar sobre bons livros lidos e fomos desaguar num assunto muito interessante: valores. Após alguns minutos de conversa voltei pra minha mesa pensando sobre o assunto. A pergunta que saiu da conversa e que, pra ser sincero, já rodeia minha cabeça há algum tempo é: qual a influência dos valores individuais para o sucesso de uma nação?

A situação econômica mundial e uma melhor prática monetária tem tirado muitos brasileiros da pobreza. Dinheiro externo flui com facilidade e existe um certo clima de euforia no ar, refletido nos votos da candidata oficial. E aí vemos de tudo: crimes sendo chamados de erro, gente que aceita tudo em nome da “justiça social”, tentativas de censurar vozes dissonantes e a lei cada vez mais jogada no lixo. O Brasil será a potência do amanhã quer a turma dos 4% queira ou não, decretam os “intelectuais” petistas. Quem ousa discordar é porque é do contra, é porque não quer ver o trabalhador melhorar de vida, é porque é direitista inimigo do povo. Mas deixo pra tirar sarro desses sub-pensadores de quinta categoria depois. Agora o assunto é mais sério.

Volto à provocação inicial: pode um país progredir economicamente enquanto regride sua moral? O brasileiro vem decaindo visivelmente. O Brasil de nossos pais era um pouco mais ético do que o nosso. Ou pelo menos almejava ser. Mesmo eu, olhando pra trás no curto período de minha vida, sinto que a coisa tem piorado bem. E nem falo dos políticos não. Falo do cidadão comum. Existe um clima de permissividade crescendo, um rebaixamento de valores em nome de vantagens imediatas. Um passeio por qualquer cidade revela gente que se odeia, que desconfia, que quer passar a perna um no outro. E mais ainda: a falsificação, a criação de dificuldades para a venda de facilidades, e o pior, uma caracterização da atividade intelectual como coisa de desocupado, de rico, de uma “elite branca”(argh!!). O trabalho acadêmico de muitos de nossos professores, justamente os das áreas sociais, é medíocre. É raso e pobre. É ruim mesmo. A excelência intelectual, encontrada ainda em algumas faculdades, virou coisa rara. Quem a tem sai do país pra não ter que conviver com energúmenos.

O descompasso é montado: uma estrutura economica que cresce na marra, empurrada por uma China que deseja a matéria prima do Brasil e uma “osteoporose” moral, que decompõe lentamente a teia social. O pensamento médio do brasileiro já não mais condiz com o pacto social estabelecido pela constituição de 88, e causa um descompasso entre o anseio popular e as leis. A polícia defende o cumprimento de uma lei que nem ela mesma acredita. As lideranças políticas que apontam a crise moral são ridicularizadas e o político padrão é, na melhor das hipóteses um administrador. O Brasil não possui hoje ninguém que possa simbolizar um padrão ético superior. Os que existiam foram sabotados.

Onde vai uma sociedade assim? Até quando pode o progresso financeiro sobreviver à sabotagem? Na história da humanidade progrediram apenas as sociedades que conseguiram estabelecer um código de princípios que reduziu a corrupção, forneceu segurança física e institucional e de alguma forma deu a senha para a identificação mútua dos indivíduos, raiz da percepção do bem público. Não é a toa que república vem de res publica – coisa pública. O Brasil tem andando na direção oposta. É por isso que quando petistas vem me apontar números que “provam” que um governo foi melhor que outro, fico triste. Não entendem nada do que faz uma nação. Triste país entregue à essa gente.

25 de set de 2010

editorial jornal "O Estado de São Paulo"

A acusação do presidente da República de que a Imprensa "se comporta como um partido político" é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre "se comportar como um partido político" e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do "nunca antes", agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o "cara". Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: "Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?" Este é o mal a evitar.



*texto retirado DAQUI.

20 de set de 2010

trilha sonora

Beeemmmm super hiper mega brega... mas lembrei demais dessa música estes últimos dias.

10 de set de 2010

pra reflexão

O que caracteriza os governos não democráticos é o poder ser investido numa pessoa, ou partido, que pretende exercê-lo como se dele fosse proprietário.

Identificado com determinada pessoa ou grupo, o poder personalizado é um poder ‘de fato’ e não ‘de direito’, pois depende do prestígio e da força dos que o possuem. Este poder precisa estar sempre vigiando e controlando o surgimento de divergências que poderão abalá-lo. Busca, então, a uniformização das crenças, das opiniões, dos costumes, evitando o pensamento divergente e destruindo a oposição.

Surge aí o risco do totalitarismo, quando o poder é incorporado ao partido, podendo ser representado por um homem todo-poderoso. O Egocrata é o ser todo-poderoso que faz apagar a distinção entre a esfera do Estado e a da sociedade civil: o partido, onipresente, se incumbe de difundir a ideologia dominante por todos os setores de atividades, a todos unificando, o que permite a reprodução das relações sociais conforme o modelo geral.

Características comuns aos totalitarismos: posicionamento contra o liberalismo, que aparece na crítica à liberdade de corrente do individualismo, geradora de conflitos que enfraquecem o Estado. Diante da inoperância da democracia liberal para resolver a crise, surgem as alternativas que visam, sobretudo, ao fortalecimento do Estado. As 1ªs adesões ao nazismo e ao fascismo sugerem uma tendência anticapitalista que aparenta, no início, ter um caráter revolucionário.

A aliança com os setores mais conservadores, ligados à grande indústria monopolista, aos bancos e às finanças em geral, é que pode explicar o fato de esses partidos terem chegado ao poder por via legal. É interessante notar que, apesar de o verdadeiro poder vir da oligarquia e de nesses movimentos se encontrarem adeptos de todas as camadas sociais, inclusive proletários, é da classe média que saem os elementos que formarão os principais quadros. A fúria da adesão pequeno-burquesa talvez se explique pela constante ameaça de proletarização em momento de crise.

Tanto Hitler, quanto Mussolini, queriam despertar convicções, não debater idéias. Os princípios não são tão importantes para eles quanto o envolvimento no sistema e a adesão a ele. A preponderância desse antiintelectualismo fará descambar a ação para o fanatismo e a violência. Deriva daí uma visão irracionalista do mundo, calcada na promessa de doação de uma sociedade melhor.

Ambos os movimentos se acham orientados por um nacionalismo exacerbado, nascido do desejo de tornar a nação forte e grande, auto-suficiente, com um exército poderoso. A concepção nacionalista tem um caráter idealista e critica a interpretação materialista da historia, típica do marxismo. A luta de classes deve ser substituída pela solidariedade nacional: só uma nação unida será forte o suficiente parar substituir ao caos.

Mussolini, em Opera Omnia, não ocultava estar se valendo do mito da pátria: “criamos o nosso mito. O mito é uma fé, é uma paixão. Não é preciso que seja uma realidade, O nosso mito é a nação, o nosso mito é a grandeza da nação”. O nacionalismo alemão adquire nuances diferentes, como o pangermanismo, que justificava a pregação do espaço vital, segundo a qual era preciso integrar à Alemanha regiões como a Áustria, Dantzig, Polônia e Ucrânia.

A crítica ao liberalismo e à sua concepção individualista de homem, a hostilidade aos princípios da democracia, a valorização das elites e do papel do mais forte, levam à exaltação do Estado. É a idéia de Estado, como suprema e mais perfeita realidade, a própria encarnação do espírito objetivo, representativa da totalidade dos interesses dos indivíduos. É bem verdade que esse estatismo é mais violento em Mussolini, que considera o Estado um fim em si, do que em Hitler, para o qual era apenas um instrumento, pois todo o prestígio deve ser reservado ao Volk (povo).

Não se trata do mero autoritarismo, pois o totalitarismo o ultrapassa: o Estado coincide com a totalidade da vida humana, ou seja, a vida familiar, econômica, intelectual, de lazer, nada restando de propriamente privado e autônomo. Em todos os setores, cuida-se de difundir a ideologia oficial.

Não há mais pluralismo partidário – a 1ª das molas que instauram o poder é o partido, que deve ser rigidamente organizado e burocratizado. É o partido que promove a identificação entre o poder e o povo, processando a homogeneização do campo social. O partido forma organismos de massas (sindicatos, associações culturais e de trabalhadores, organizações de jovens, de mulheres, círculos de escritores, de artistas, de cientistas). Em cada organismo, o partido refaz a imagem de uma identidade social comum e elimina as possibilidades de divergências e oposição; estimula a arregimentação dos indivíduos para o partido; exalta a disciplina e mistifica a figura do chefe.

Aos poucos deixa de existir a independência dos poderes legislativo e judiciário, que passam a ficar subordinados ao executivo, e a direção de toda a economia passa também a se encontrar centralizada. Concentram-se também os meios de propaganda, a fim de veicular a ideologia oficial dirigida ao homem-massa, forjando convicções inabaláveis. Isso garante uma forte base de apoio popular. Ao lado dessa exaltação, há também controle das informações, não só de notícias, mas também da produção artística e cultural. (STALIN também se encontra aqui!)

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Os países latino-americanos têm uma longa tradição de governos ditatoriais. Os regimes chamados autoritários não devem ser confundidos com os totalitários. Ambos cerceiam as liberdades individuais em nome da segurança nacional, usam formas de propaganda política, exercem a censura e têm um aparelho repressivo.

Nos regimes autoritários, contudo, não há uma ideologia de base que serve para a construção de uma nova sociedade e não há uma mobilização popular que lhes de suporte. Ao contrario, ao invés da doutrinação política e do incentivo ao engajamento ativista, há uma despolitização que leva à apatia política. O clima de repressão violenta gera o medo, que desestimula a ação política efetiva. Permanece, sempre que possível, uma aparência de democracia: pode haver vários partidos, e mesmo que a oposição efetiva desapareça, ela existe como oposição formal. E o partido do governo é um mero apêndice do poder executivo.

O governo autoritário pode também utilizar os militares na burocracia estatal, e a elite econômica tem, nos postos chaves, oficias das forças armadas. Os militares saem da caserna para se tornarem a instituição política mais importante da nação.



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O Ovo da Serpente
Totalitarismo no Brasil
Holocausto
Ignorância Nacional

8 de set de 2010

meus amigos

LOUCOS E SANTOS

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

30 de ago de 2010

O TEMPO PASSA? NÃO PASSA

"O tempo passa?
Não passa no abismo do coração
lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.
O meu tempo e o teu
transcedem qualquer medida.

Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.
Pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade."

Carlos Drummond de Andrade

23 de ago de 2010

sístoles e diástoles

Não sei bem o que é uma sístole ou uma diástole... o que sei é que trata-se de movimentos involuntários do músculo mais forte que há no corpo humano. Involuntariamente ele bate e bombeia sangue para o corpo inteiro, para todos os outros órgãos. Às vezes, involuntariamente ele perde o compasso e cria-se uma arritmia. Outras vezes, ele para... e a respiração tende a parar junto.

Difícil ter arritmia e parada cardíaca ao mesmo tempo? Talvez... só que, às vezes, é possível que esse músculo bata mais rápido e mais devagar ao mesmo tempo... mas só às vezes. Experimentar isso é experimentar o improvável... O que são números, probabilidades e porcentagens diante da realidade? Estatisticamente, a ocorrência de paradas cardio-respiratórias juntamente com batimentos irregulares incessantes é algo praticamente impossível, pra não dizer irreal.

O real, contradizendo a irrealidade possível das coisas, é a ocorrência daquele 0,5% de chance de resposta muscular involuntária. Na sala de musculação ali da academia a gente aprende que é necessário esforço para que nossos músculos reajam ao exercício. Só que nenhum instrutor jamais avisa que, em certos casos, o músculo age sozinho... O esforço necessário pra uma reação muscular resume-se a um sorriso.

Certas presenças, ainda que breves, são capazes de contrariar qualquer dado estatístico. Nunca se sabe qual será a reação muscular até que ela aconteça... Um sorriso, um abraço e cai-se nos 0,5%. A partir daí, não importa qual a duração da proximidade... minutos, horas, dias... se ela existe, o tempo perde importância. A ausência posterior não indica falta, mas sim, como bem o disse Marcel Proust, a mais certa, a mais eficaz, a mais intensa, a mais indestrutível, a mais fiel das presenças.



AUSÊNCIA

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

21 de ago de 2010

nota rápida

Nosso ilustríssimo bom moço Dado Dolabella está sendo processado por agressão novamente e quem deve estar rindo disso é a Luana Piovani (eu estaria dando gargalhadas se fosse ela). Não sei se lembram, mas na época em que Luana o denunciou teve gente a acusando de tudo, desde estar inventando até estar querendo se promover. E agora, vão dizer o quê? Viviane Sarahyba está inventando, querendo se promover?...

Viviane fez certo em denunciar... só errou em agüentar agressões durante algum tempo antes de fazer isso. Não cabe a mim especular o porque de a denúncia não ter sido feita antes, mas se ela, assim como tantas outras mulheres do mundo, achava que ele mudaria... Mulherada: acordem! Se o cara já agrediu outras mulheres, a probabilidade de te agredir é grande... Mesmo assim você vai ficar com ele e achar que com você será diferente? Essa é a burrice número 1. E se ele já te agrediu uma vez, a probabilidade de ocorrer a 2ª é enorme! Mesmo assim você vai insistir em ficar com ele achando que ele não vai mais fazer isso? Burrice número 2.

Dado não é o 1º, nem será o último, homem do mundo a agredir uma mulher. Na verdade, alguém que faz isso não merece nem ser chamado de homem. Verme talvez? Muita covardia agredir um ser humano fisicamente mais fraco, impulsionado pelo seu impulso de macho proprietário que pode fazer o que quiser com seu bem. Não, não pode. Não deve. É assim que esses machos demonstram poder, força? Sorry, mas agir dessa forma é uma demonstração gigantesca de fraqueza, insegurança, necessidade de auto-afirmação.

H-O-M-E-M com caps lock não precisa disso, não faz isso... e M-U-L-H-E-R com caps lock não agüenta esses projetos de macho alfa.

13 de ago de 2010

o FMI e o Brasil

Inspirada por mais uma mentira dos fanáticos lulistas que li por aí – e convenhamos, eles são ótimos em inventar e distorcer fatos – resolvi recorrer à minha vasta biblioteca de temas internacionais e abaixo transcrevo parte de um texto de autoria de Renato Baumann, professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB). O texto inteiro é sobre as relações do Brasil contemporâneo com Banco Mundial, BID e FMI – aqui vai só sobre o último.



O Brasil é um dos signatários do Acordo de Bretton Woods e, como tal, sua relação com o FMI remonta aos inícios das operações dessa instituição. O 1º registro de intervenção técnica por parte do Fundo está relacionado a um aval, em 1954, para obtenção de um empréstimo no Eximbank norte-americano. A 1ª operação direta de empréstimo do FMI ao Brasil ocorreu em 1958.

Em janeiro de 1983, o Brasil assinou com o FMI a 1ª do que viria a ser um conjunto de seis Cartas de Intenções de metas não cumpridas de política econômica. (...)

Duas das dificuldades básicas para o cumprimento dos compromissos embutidos nesses diversos documentos estavam associadas ao ajuste do conceito de necessidades de financiamento do setor público não financeiro, adotado pelo Fundo, às peculiaridades da economia brasileira, bem como às dificuldades técnicas para incluir as expectativas sedimentadas por anos de indexação generalizada nos diagnósticos de excesso de demanda.

Se na década de 1980 houve seguidos descumprimentos dos compromissos assumidos, nos anos 1990 também existiram desencontros entre o Brasil e o Fundo.

Em 1994, o FMI decidiu não apoiar o Plano Real, porque considerava que o ajuste fiscal proposto não seria capaz de assegurar inflação baixa de forma sustentável, gerando uma situação de atrito com o governo brasileiro. Outro motivo de desencontros nos anos que se seguiram à adoção do Plano Real foi a política cambial. O FMI insistia na aceleração da desvalorização via retomada do processo de minidesvalorizações, enquanto as autoridades brasileiras resistiam a intervenções mais expressivas no mercado de divisas, aspecto que tornou-se crescentemente sensível a partir da crise asiática em 1997.

O Fundo mostrou conformidade, entretanto, com as reformas que reduziram os riscos do sistema financeiro, por meio de fusões, liquidações de bancos e melhorias no arcabouço normativo e nos mecanismos de supervisão bancária.

Em novembro de 1998, o Brasil firmou acordo com o FMI, Banco Mundial, BID e alguns países, compondo pacote de ajuda financeira da ordem de US$ 41 bilhões, a serem utilizados nos 3 anos seguintes. (...) Incluída no conjunto de compromissos estava a aprovação pelo Congresso de reformas constitucionais relativas à administração pública, no 1º trimestre de 1998, e à previdência social, no final daquele ano.

A partir de 1999, com as modificações expressivas na política cambial, com a crescente transparência na divulgação de dados básicos da economia e com a melhoria das condições dos mercados internacionais de capitais, o diálogo entre as autoridades brasileiras e o Fundo tornou-se mais fluido.

O acordo com o FMI foi alterado em março de 1999 e revisto em junho. O governo adotou um critério de desempenho baseado no setor público consolidado, limitando de forma explícita as receitas e os gastos do setor público, e houve pressão para que o governo reduzisse a proporção da dívida interna denominada em dólares.

Desde 1998, as metas fiscais acordadas com o FMI têm sido sistematicamente atingidas. Em 1999, houve, contudo, algum desencontro no que se refere à política monetária. O programa de março de 1999 foi pioneiro, ao adotar metas de inflação como base de condicionalidade para o programa do Fundo. Acordou-se um mecanismo de consulta mútua no caso de a taxa de inflação observada superar a trajetória acordada. A adoção dessa condicionalidade, ainda que sujeita a consultas nos casos de desvios da meta, permitiu a transição para que o país passasse a adotar uma estratégia de metas inflacionárias como base de sua política macroeconômica.

A 4ª missão para revisão do acordo, em novembro de 1999, indicou, entre outras, as recomendações de reforma do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a adoção da Lei de Responsabilidade Fiscal e a retomada dos processos de privatização dos bancos ainda em poder do setor público de diversos estados, três medidas que tiveram efeitos relevantes para a economia e a sociedade brasileiras.

Em setembro de 2001, o FMI aprovou nova linha de US$ 15 bilhões. O governo sinalizava que esses recursos seriam tratados apenas como “precaução”, para evitar movimentos especulativos. A economia vinha sendo afetada por choques externos e por uma crise no setor energético, com efeitos sobre o ritmo de atividades e o Balanço de Pagamentos. Nessa oportunidade, o piso de reservas internacionais, fixado até então em US$ 25 bilhões, foi rebaixado para US$ 20 bilhões, liberando um volume expressivo de recursos à disposição das autoridades brasileiras.

O fato de uma parcela importante da dívida pública brasileira estar indexada ao câmbio, juntamente com a concentração de pagamentos externos em 2002 – momento propício a movimentos especulativos por ser ano de eleições majoritárias – fez que houvesse pressão forte sobre o mercado de divisas e, com isso, repercussão sobre as contas públicas.

Em agosto de 2002, o governo firmou novo acordo stand-by com o Fundo (US$ 30 bilhões), dessa vez com a concordância explícita de todos os candidatos à Presidência da República. Foi consolidada meta de superávit primário do setor público de 3,75% do PIB até 2005 e o piso mínimo de reservas de divisas foi reduzido parar US$ 5 bilhões. Isso contribuiu, inegavelmente, para a redução das expectativas negativas em relação à capacidade de gestão macroeconômica naquele ano e no seguinte.

Em dezembro de 2003, o governo brasileiro acertou novo acordo com o FMI, pelo qual ficou disponível uma linha de crédito de US$ 14,8 bilhões, manteve-se a meta de superávit primário do setor público em 3,75% do PIB para 2003 e 2004, foi adiado um pagamento que o país deveria fazer ao Fundo em 2005 (US$ 5 bilhões) e, entre outras medidas (como a retomada da privatização de bancos estaduais), o governo comprometeu-se a dar mais “autonomia operacional” ao Banco Central e sinalizou, desde o início, sua intenção (afinal concretizada) de não sacar esses recursos, usando-os apenas como um seguro contra uma eventual deterioração do cenário internacional.

Ao final de março de 2005, o governo brasileiro decidiu não renovar o acordo com o Fundo. A não-renovação do acordo com o FMI está baseada nos resultados favoráveis obtidos pela economia nos últimos anos e suas perspectivas para o médio prazo. Para alguns analistas, é, também, um reflexo do fato de o país não ter conseguido que o Fundo reativasse sua CCL, disponível até 2003, mas cancelada em decorrência das dificuldades de acesso. (CCL = Linha de Crédito de Contingência, criada em 1999, para financiar países vítimas de contágio).

Os recursos obtidos por um país por meio de um acordo stand-by estão limitados a um percentual da quota que o país tem depositado no Fundo. No caso do Brasil, em 4 oportunidades – 1992, 1998, 2001 e 2002 – o país conseguiu empréstimos que superaram em muito o valor total da quota. No período 1989-2004, nenhum outro país da América Latina conseguiu sacar um múltiplo tão elevado de sua quota no FMI como o Brasil o fez em 2002.

No início de 2002, o FMI anunciou o fim dos grandes pacotes financeiros para ajuda a países emergentes em dificuldades; também anunciou a criação das chamadas “cláusulas de ação coletiva” (CACs), em novos contratos de bônus, pelas quais os países devem negociar com 85% dos credores no caso de uma eventual reestruturação da dívida. O governo brasileiro resistiu a esse mecanismo, argumentando que ele impõe um componente adicional de custo do crédito e dificuldades no acesso aos recursos dos bancos privados. O Brasil considerava mais urgentes o aumento de quotas do Fundo, a revisão do sistema de cálculo de quotas, a melhoria dos controles sobre a transferência dos títulos de países entre investidores. No entanto, acabou emitindo títulos com CAC, seguindo o exemplo mexicano.

Outro ponto em relação ao qual o Brasil insistiu com o FMI, desde o final da década de 1990, é a necessidade de consideração diferenciada – no cálculo de superávit primário de setor público – dos gastos com infra-estrutura. Em 2005, o país conseguiu ser um dos casos-piloto em que essa nova fórmula de cálculo passaria a ser adotada.



P.S.: sei que o post ficou imenso, mas eu não consegui cortar quase nada do texto original. Motivo? Petistas cegos ofendem minha inteligência ao soltarem inverdades como “Lula pagou a dívida externa” (como se devêssemos só ao FMI) e ao apedrejarem FHC e fazerem aquele discurso de que o Brasil começou em 2003. Economicamente, o que temos hoje de bom começou com FHC sim (quando era ministro do Itamar) e o que temos de ruim começou antes; o governo Lula não enfrentou uma crise econômica pior que FHC (este último sequer teve apoio ao Real – lembrando que até o PT foi contra o Real) – a crise mundial de 2008 foi a pior desde 29 internacionalmente, em âmbito doméstico brasileiro não... já que a economia brasileira foi rearrumada pelos governos anteriores (oi? Lembram do Itamar?). E olha que aqui estou falando apenas de FMI e da parte econômica da coisa, porque se eu for enumerar tudo que eles dizem que ofende minha inteligência, seria um post deste tamanho por dia!

Ou estes petistas cegos são muito burros... ou são mal-intencionados mesmo. Afirmam coisas tão falsas como notas de 3 reais (ou ignorar a última pesquisa do IBGE que afirma que 35,5% dos brasileiros subsistem com alimentação insuficiente, enquanto afirmam que agora os brasileiros têm 3 refeições diárias, por exemplo, é um discurso verídico do presidente e de sua candidata?...).

Penso o seguinte: critique o que de fato deve ser criticado, aplauda o que de fato deve ser aplaudido – e isso independente de quem seja o governante ou partido no poder. Senso crítico não faz mal.

Ah sim, pra quem não sabe, acordos stand-by mencionados no texto são destinados a corrigir desequilíbrios no setor externo dos países, e seu desembolso em parcelas é condicionado ao desempenho econômico segundo metas predefinidas; geralmente estes acordos têm duração entre 12 e 24 meses.

Sugestão de leitura pra quem se interessa por política: esse texto eu gostaria de ter escrito.

11 de ago de 2010

rumo ao obscurantismo

Quem não está familiarizado com o que tem acontecido politicamente no país, procure no pai Google sobre a última denúncia envolvendo o PT (palavras como “Previ” e “ Gerardo Santiago” devem ajudar na busca).

Li a última edição da Veja, assim como leio Economist, Le Monde e outros tantos periódicos (inclusive os que acho péssimos, e a revista Veja é um destes). Acho que devemos ler de tudo, sob todos os pontos de vista, principalmente aqueles com os quais não concordamos. Não entrarei no mérito sobre a reportagem da Veja, nem sobre a veracidade ou não dos fatos ali relatados. Não me cabe julgar nada, muito menos apurar seja lá o que for.

O que me preocupa é que as instituições que deveriam apurar as denúncias, investigar, julgar, questionar... essas instituições simplesmente estão caladas, como se portassem mordaças. O pior? A imprensa... Vivemos numa realidade mediaticamente construída (no senso comum: se não deu na televisão, não aconteceu). Me dá medo o fato de que os meios de comunicação não estão dando a devida importância a esta última denúncia, como não deram a tantas outras envolvendo este governo.

Por quê? Porque a maior tirania que os meios de comunicação exercem sobre a sociedade é a omissão deliberada de qualquer discussão significativa sobre seus interesses, suas virtudes, suas mazelas. No Brasil, praticamente desconhecemos o sentido de um conceito bastante popular em cenários liberais mais desenvolvidos – o conceito de media criticism, ou crítica da mídia, dos meios de comunicação. Um dos únicos veículos que temos a acompanhar os meios de comunicação brasileiros e fazer a críticas dos mesmos, seja qual for o governo, é o Observatório da Imprensa, na Unicamp.

Hoje, ainda, como no século XIX, temos um limite claro para o avanço democrático: o limite da escravidão. Lá, o povo era privado da liberdade no sentido absoluto; aqui, a privação pode ser quase tão cruel, pois um homem privado da informação continua a ser escravo – já que escravo é todo aquele que não pode se apresentar diante de outro como verdadeiro cidadão. E cidadania não há sem acesso à informação. Inclusive, e principalmente, informação sobre os interesses e o funcionamento dos meios de comunicação. Pois eles, constituintes principais da esfera pública contemporânea, têm o dever de estar, juntamente com as organizações estatais, entre as mais públicas, as mais transparentes, de todas as instituições sociais.

Não creio que seja necessário um QI de gênio para perceber que, no Brasil atual, inexiste transparência nos meios de comunicação e que estes, por algum motivo obscuro qualquer, calam-se, cada vez mais, a respeito de atentados graves às nossas leis fundamentais. O que me preocupa mais é o fato de que o Estado demonstra menos transparência ainda. São instituições-chave que não cumprem seu dever... Seguidas por OAB, MPs e tantas outras, além da sociedade civil, que simplesmente têm se mantido, no geral, caladas sobre as tantas arbitrariedades que já foram denunciadas neste governo.

Não duvido, num futuro obscuro e não muito distante, que eu e outras vozes discordantes tenhamos que pedir asilo por aí... E isso não é uma declaração exagerada. É uma constatação de alguém que estudou demais origens e desenvolvimentos de totalitarismos e ditaduras (de direita e de esquerda – e antes de criticarem, pesquisem direito: totalitarismo não é sinônimo de ditadura, embora tenham milhões de características comuns).


* Esse texto AQUI sempre vale a leitura e a reflexão.


*post antigo, porém a cada dia que passa mais atual: Totalitarismo no Brasil?

9 de ago de 2010

pra pensar

Pra começar a semana bem, sem nenhum mau humor e nenhuma acidez, selecionei duas frases perfeitas para este ano eleitoral e para o que tem sido dito por aí nas campanhas políticas e na imprensa. Seria bom se as pessoas pensassem e analisassem um pouquinho mais as coisas antes de votar em qualquer um... Infelizmente, cérebro é um órgão dormente e acessório na maioria absoluta dos casos.

"AS GRANDES MASSAS DO POVO CAEM MAIS FACILMENTE NUMA GRANDE MENTIRA DO QUE NUMA PEQUENA." Hitler


"A ÂNSIA PARA SALVAR A HUMANIDADE É QUASE SEMPRE UM DISFARCE PARA A ÂNSIA DE GORVERNÁ-LA." H.L.Mencken

4 de ago de 2010

nota rápida

Notas rápidas de uma quarta-feira um pouco entediante e, ao mesmo tempo, cheia de coisas pra fazer... (nessas horas eu queria um clone meu pra fazer minhas tarefas enquanto eu fico em casa assistindo TV a cabo...).

Hoje nós, moradores do Distrito Federal, ganhamos um presentinho. Nosso digníssimo ex governador, ladrão, líder de gangue e bonito Joaquim Roriz teve sua candidatura ao governo do DF impugnada e está fora das eleições de 2010. O placar final do julgamento no TRE fechou em 4x2 pela cassação da candidatura. Pra quem mora por aqui há alguns anos e viu o que vários mandatos deste ser humano honestíssimo fizeram com o DF, é um fato a se comemorar. Aviso: antes de alguém começar a falar mal do Arruda pra defender o Roriz, lembre-se que quem montou todo este esquema de corrupção que explodiu agora foi Rorizete e sua gangue.

Pena que muitas outras candidaturas país afora que deveriam ser impugnadas seguirão firmes e fortes... Infelizmente a podridão nacional não se resume a um Roriz...

Ah sim, aproveitando pra comentar o que uma amiga feminista que vota na Dilma me disse para justificar o voto dela: “Precisamos de uma presidente mulher”. ERRADO. Precisamos de um presidente honesto e competente, seja homem, mulher, transexual ou de que gênero for.

3 de ago de 2010

aborto

Há alguns anos, eu diria que sou totalmente pró-aborto e que eu mesma optaria por isso se a circunstância assim o pedisse. Hoje? Não sou pró e nem contra... Mas certamente eu não optaria por isso. O que as pessoas em geral ignoram é que aborto não é a escolha mais fácil; é a mais difícil. Mais fácil seria fazer o que todos esperam, ser mãe, enquadrar-se no papel que esperam das mulheres (perdi, por exemplo, a conta de quantas vezes ouvi que “mulher sem filhos é incompleta”). É mais fácil vestir o papel social esperado.

Antes de me jogar pedras, você tem alguma mulher bem próxima, com a qual tem muita intimidade, que fez um aborto? Difícil não é o julgamento alheio, sim o próprio. Difícil é pegar uma criança pequena no colo e seus olhos encherem de lágrimas. Difícil é acompanhar a gravidez de uma amiga, sentir-se feliz por ela e, ao mesmo tempo, triste consigo mesma. Difícil é 27 anos depois, quando sua filha engravida, lembrar do aborto que você fez e sentir-se mal (fato real com a mãe de uma amiga minha).

Não defendo o aborto, nem o abomino. O que não aceito é que seja considerado crime... Não bastasse a mulher que o pratica ter que conviver com isso pelo resto da vida, ela ainda é considerada criminosa? O que defendo é o direito de todas as mulheres fazerem suas escolhas. São elas que conviverão, pelo resto da vida, com as conseqüências de ter ou não um filho. São elas que deveriam ter o direito de decidir se querem ou não levar a gravidez adiante.

Abomino posições pró ou contra aborto em que a argumentação cai em religião, moralidade... Em primeiro lugar, pra mim isso é uma questão de foro íntimo... cada mulher que decida. Em segundo lugar, religião não deveria influenciar leis... infelizmente, somos um Estado laico apenas na teoria. Em terceiro lugar, não acho que o Estado deva tutelar questões estritamente pessoais, de foro íntimo (e aborto pra mim é uma delas). Em quarto lugar, tentar impor a moral de determinado grupo sobre a moral individual é imoral.

Ademais, essas discussões sobre onde a vida começa e termina não levam a nada. E pensando juridicamente: nossa legislação define morte como a cessação da atividade encefálica. Não seria, portanto, uma decorrência, considerar vida juridicamente protegida somente após a formação da rede neural? Eliminar um amontoado de células, ainda que potencialmente poderia vir a ser uma vida humana, embora não seja capaz de interagir com o meio ou sentir dor, não é ilegal. Não há, portanto, motivos para que a proibição do aborto persista.

Pra mim o problema se resume ao fato de que as pessoas são incapazes de aceitar posições contrárias às suas crenças. Religiões são crenças assim como o ateísmo, o cientificismo, etc. Qual a dificuldade de aceitar que cada um tem uma posição sobre este assunto, que todas deveriam ser respeitadas e que cada um tem o direito de decidir sobre seu corpo e sua vida? Civilidade de verdade é aceitar as diferenças e conviver bem com elas.

22 de jul de 2010

machismo

“Se eu pudesse receber de volta a taxa de inscrição, eu pediria demissão da raça humana.” Fred Allen


Não sei os outros 192.924.526 brasileiros, mas euzinha não agüento mais ouvir falar neste caso do goleiro Bruno. Particularmente, não agüento mais ouvir justificativas para isso pautadas no caráter duvidoso da vítima. Mais particularmente ainda, tenho vontade de enfiar a mão na cara das mulheres que falam culpando a vítima (nenhuma dessas pensa que somos todas mulheres e, portanto, sujeitas a violências justificáveis por causa de algum traço duvidoso de caráter que tenhamos?).

Era uma maria-chuteira? Fez filme pornô? Fazia orgias? Estava atrás de dinheiro? Não prestava? Supondo que isso tudo seja verdade, já que algumas coisas são apenas suposição, nada disso justifica uma agressão física, quanto mais um assassinato. NADA justifica um assassinato. E tentar atenuar o fato achando defeitos na Eliza, colocando-a como vagabunda que pediu por isso, é simplesmente um machismo nojento. Mais nojento ainda quando praticado por outras mulheres.

Parece muito com o que tentam fazer em casos de estupro, justificando um ato injustificável porque a vítima, afinal, estava provocando, vestia roupas sexy, bebeu, estava num local mal freqüentado. Parece muito com aquele caso da Geisy, lembram? Culpa dela ter sido agredida, já que se exibia e provocava. Parece muito com os casos de agressão doméstica, nos quais a mulher é que se comportou mal e mereceu apanhar.

Vivemos numa sociedade machista, infelizmente. Ande de burca se não quiser ser agredida ou estuprada. Seja boa esposa e aceite tudo, submeta-se, se não quiser apanhar. Nunca traia, porque mulher que trai é vagabunda e, em alguns lugares do mundo, é condenada à morte por apedrejamento. Jamais fique com alguém por causa de dinheiro (oi? se o homem pode escolher a mulher só pela beleza, porque ela não pode só pelo dinheiro?).


"Se o homem tivesse criado o homem, teria vergonha de sua obra.” Mark Twain

20 de jul de 2010

20/07, dia do amigo

BONS AMIGOS


Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!



(achei esse texto na internet e não sei quem é o autor...)

18 de jul de 2010

dores

DOR FÍSICA X DOR EMOCIONAL
26 de outubro de 1998

O maior medo do ser humano, depois do medo da morte, é o medo da dor. Dor física: um corte, uma picada, uma ardência, uma distensão, uma fratura, uma cárie. Dor que só cessa com analgésico, no caso de ser uma dor comum, ou com morfina, quando é uma dor insuportável. Mas é a dor emocional a mais temível, porque essa não tem medicamento que dê jeito.

Uma vez, conversando com uma amiga, ficamos nessa discussão por horas: o que é mais dolorido, ter o braço quebrado ou o coração? Uma pessoa que foi rejeitada pelo seu amor sofre menos ou mais do que quem levou 20 pontos no supercílio? Dores absolutamente diferentes. Eu acho que dói mais a dor emocional, aquela que sangra por dentro. Qualquer mãe preferiria ter úlcera para o resto da vida do que conviver com o vazio causado pela morte de um filho.

As estatísticas não mentem: é mais fácil ser atingida por uma depressão do que por uma bala perdida. Existe médico para baixo astral? Psicanalistas. E remédio? Anti-depressivos. Funcionam? Funcionam, mas não com a rapidez de uma injeção, não com a eficiência de uma cirurgia. Certas feridas não ficam à mostra. Acabar com a dor da baixa-estima é bem mais demorado do que acabar com uma dor localizada.

Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz da fome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito? Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa.

Tenho um respeito tremendo por quem sofre em silêncio, principalmente pelos que sofrem por amor. Perder a companhia de quem se ama pode ser uma mutilação tão séria quanto a sofrida por Lars Grael, só que os outros não enxergam a parte que nos falta, e por isso tendem a menosprezar nosso martírio. O próprio iatista terá sua dor emocional prolongada por algum tempo, diante da nova realidade que enfrenta. Nenhuma fisgada se compara à dor de um destino alterado para sempre.

autora: Martha Medeiros

12 de jul de 2010

saudade

SAUDADE

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Pablo Neruda

1 de jul de 2010

trilha sonora

NEED YOU NOW
Lady Antebellum

Picture perfect memories,
Scattered all around the floor.
Reaching for the phone cause, I can’t fight it any more.
And I wonder if I ever cross your mind.
For me it happens all the time.

It’s a quarter after one, I’m all alone and I need you now.
Said I wouldn’t come but I lost all control and I need you now.
And I don’t know how I can do without, I just need you now.

Another shot of whiskey, can’t stop looking at the door.
Wishing you’d come sweeping in the way you did before.
And I wonder if I ever cross your mind.
For me it happens all the time.

It’s a quarter after one, I’m a little drunk,
And I need you now.
Said I wouldn’t call but I lost all control and I need you now.
And I don’t know how I can do without, I just need you now.

Yes I’d rather hurt than feel nothing at all.
It’s a quarter after one, I’m all alone and I need you now.
And I said I wouldn’t call but I’m a little drunk and I need you now.
And I don’t know how I can do without, I just need you now.
I just need you now.
Oh baby I need you now.

29 de jun de 2010

anônimos

O dicionário Houaiss traz as seguintes acepções para a palavra “anônimo”:

- adjetivo:
1- que não tem o nome ou a assinatura do criador; sem autoria
Exs.: pintura a.
missiva a.

- adjetivo e substantivo masculino:
2- que ou aquele que não revela o seu nome
Exs.: admirador a.
recebeu flores de um a.

2.1- Rubrica: bibliologia.
diz-se de ou autor que não assina sua obra com seu nome nem com outro substituinte
Obs.: cf. criptônimo
3- que ou o que é obscuro, desconhecido; que ou o que não tem nome ou renome
Exs.: compositor a.
é um a. qualquer


Já a acepção da blogosfera seria de que anônimo é aquela pessoa com a vidinha um tanto entediante, cuja maior emoção é gastar seu tempo deixando comentários em blogs por aí. São seres humanos com a auto-estima baixa, carentes, que precisam chamar a atenção de qualquer forma para sentirem-se melhores com suas vidinhas medíocres. Para completar, lhes falta coragem, pois apenas por meio do anonimato conseguem emitir suas opiniões. Devem também ser vítimas de impotência, mal que assola as pessoas que têm necessidade de demonstrar sua masculinidade expressando-a por meio de ofensas.

Agradeço aos anônimos que me lêem e deixam seus comentários calorosos e aconchegantes. Obrigada, vocês fazem meu dia sempre mais feliz ao me mostrarem que a minha vida e as minhas opiniões são mais importantes e incomodam mais do que os acontecimentos de suas próprias vidas (ou a falta deles né). Sugestões: comprem Viagra e leiam isso AQUI.

26 de jun de 2010

fragmentos rodrigueanos

"D. Helder já esqueceu tanto a letra do Hino Nacional quanto a da Ave-Maria. Prega a luta armada, a aliança do marxismo e do cristianismo. Se ele pegasse uma carabina e fosse para o mato, ou para o terreno baldio, dando tiros em todas as direções, como um Tom Mix, estaria arriscando a pele, assumindo uma responsabilidade trágica e eu não diria nada. Mas não faz isso e se protege com a batina. Sabe que um D. Helder sem batina, um D. Helder almofadinha, de paletó ou de terno da Ducal, não resistiria um segundo. Nem um cachorro vira-lata o seguiria."


"Estou imaginando se, um dia, Jesus baixasse à Terra. Vejo Cristo caminhando pela rua do Ouvidor. De passagem, põe uma moeda no pires de um ceguinho. Finalmente, na esquina a Avenida, Jesus vê D. Helder. Corre para ele; estende-lhe a mão. D. Helder responde: — "Não tenho trocado!". E passa adiante."


"Não há ninguém mais bobo do que um esquerdista sincero. Ele não sabe nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer."


"[Até o século XIX] o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar um cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os "melhores" pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas."


"Eu amo a juventude como tal. O que eu abomino é o jovem idiota, o jovem inepto, que escreve nas paredes "É proibido proibir" e carrega cartazes de Lenin, Mao, Guevara e Fidel, autores de proibições mais brutais."


"Com o tempo e o uso, todas as palavras se degradam. Por exemplo: — liberdade. Outrora nobilíssima, passou por todas as objeções. Os regimes mais canalhas nascem e prosperam em nome da liberdade."


"Ah, os nossos libertários! Bem os conheço, bem os conheço. Querem a própria liberdade! A dos outros, não. Que se dane a liberdade alheia. Berram contra todos os regimes de força, mas cada qual tem no bolso a sua ditadura."


"Hoje, o não-marxista sente-se marginalizado, uma espécie de leproso político, ideológico, cultural etc etc. Só um herói, ou um santo, ou um louco, ousaria confessar publicamente: — "Meus senhores e minhas senhoras, eu não sou marxista, nunca fui marxista. E mais: — considero os marxistas de minhas relações uns débeis mentais de babar na gravata"."


"As cartas de Marx mostram que ele era imperialista, colonialista, racista, genocida, que queria a destruição dos povos miseráveis e "sem história", os quais chama de "piolhentos", de "anões", de "suínos" e que não mereciam existir. Esse é o Marx de verdade, não o da nossa fantasia, não o do nosso delírio, mas o sem retoque, o Marx tragicamente autêntico."


"A Rússia, a China e Cuba são nações que assassinaram todas as liberdades, todos os direitos humanos, que desumanizaram o homem e o transformaram no anti-homem, na antipessoa. A história socialista é um gigantesco mural de sangue e excremento."


"Tão parecidos, Stalin e Hitler, tão gêmeos, tão construídos de ódio. Ninguém mais Stalin do que Hitler, ninguém mais Hitler do que Stalin."


"Vocês se lembram da fotografia de Stalin e Ribbentrop assinando o pacto nazi-comunista? Ninguém pode esquecer o riso recíproco e obsceno. Se faltou alguém em Nuremberg — foi Stalin."


"O povo é um débil mental. Digo isso sem nenhuma crueldade. Foi sempre assim e assim será, eternamente."


Nelson Rodrigues

23 de jun de 2010

fragmentos freudianos

"Existem infinitamente mais homens que aceitam a civilização como hipócritas do que homens verdadeiramente e realmente civilizados, e é lícito até perguntarmo-nos se um certo grau de hipocrisia não será necessário à manutenção e à conservação da civilização, dado o reduzido número de homens nos quais a tendência para a vida civilizada se tornou uma propriedade orgânica."


“... [a religião é] um sistema de doutrinas e promessas que, por um lado, lhe explicam os enigmas deste mundo com perfeição invejável e que, por outro lado, lhe garantem que uma Providência cuidadosa velará por sua vida e o compensará, numa existência futura, de quaisquer frustrações que tenha experimentado aqui. O homem comum só pode imaginar essa Providência sob a figura de um pai ilimitadamente engrandecido. Apenas um ser desse tipo pode compreender as necessidades dos filhos dos homens, enternecer-se com suas preces e aplacar-se com os sinais de seu remorso. Tudo é tão patentemente infantil, tão estranho à realidade, que, para qualquer pessoa que manifeste uma atitude amistosa em relação à humanidade, é penoso pensar que a grande maioria dos mortais nunca será capaz de superar essa visão da vida. Mais humilhante ainda é descobrir como é vasto o número de pessoas de hoje que não podem deixar de perceber que essa religião é insustentável e, não obstante isso, tentam defendê-la, item por item, numa série de lamentáveis atos retrógrados.”

Sigmund Freud

22 de jun de 2010

anatomia



imagem bonitinha que achei no google... se alguém souber quem é o autor da mesma, me avise.

14 de jun de 2010

sem ponto final

Um dia sem querer, acidentalmente, alguém cruza seu caminho. Um tempo depois, essa pessoa vai embora. Entre os dois acontecimentos, sua vida muda bastante, você muda bastante.

Da mesma forma que algumas pessoas têm a capacidade de fazer aflorar o que temos de pior, outras despertam o que temos de melhor. O que a gente faz quando encontra uma destas pessoas? Não sei o resto do mundo... eu me joguei. Sem medo algum. Sem arrependimentos. Sem máscaras.

Certo dia minha boca pronunciou estas palavras: “não importa de que forma, eu só quero que você continue fazendo parte da minha vida.” Não falei isso apenas por falar. É verdade. Saí despretensiosamente com um cara gatinho de olhos verdes sarado gostoso pensando apenas em uma diversão adulta (que por sinal, nem aconteceu naquele dia...). Não foi por ele que me apaixonei.

Ele não sabe disso, também não me importo que leia e fique sabendo... Me apaixonei no 1º dia. Pela pessoa que me faz rir, pela voz, pelo sorriso, pelo cheiro, pelo papo, pelo jeitinho, pela inteligência... pelo conjunto da obra. E com o tempo... pela pessoa que me transmite uma paz enorme quando está perto, que me inspirou a continuar na academia, que sempre foi sincero mesmo que a sinceridade me doesse, com quem eu posso simplesmente ser eu mesma, com quem eu adoro conversar e falar besteira...


Não me importa, nem nunca importou, que o sentimento fosse correspondido. Não me importa se no futuro terei mais tempo com ele. Não faço a menor ideia se o verei novamente. Nem mesmo sei se algo além de amizade acontecerá de novo algum dia. E nada disso consegue influenciar o que eu sinto.

Tenho motivos para estar triste? Prefiro pensar nos motivos para ficar feliz. Conheci alguém muito legal, tive momentos muito legais com esse alguém e senti algo que várias pessoas passam a vida inteira sem sentir. Ficam boas lembranças... e muita saudade.

5 de jun de 2010

dia mundial do meio ambiente

Para os desavisados, hoje é Dia Mundial do Meio Ambiente. Tendo em vista o que tem sido feito mundo afora, creio que não temos muitos motivos pra celebrar este dia.

Dito isso, abaixo transcrevo um pedacinho mínimo de um dos capítulos da minha dissertação... se uma única pessoa refletir sobre o assunto, já fico feliz. Retirei citações, nomes de autores e teorias, tentei sumir com linguagem acadêmica e talz... quem tiver paciência, leia:






Ao lado dos poucos avanços nos anos que separam a entrada em vigor de Quioto e a COP 15, houve o aprofundamento da crise financeira americana a partir do colapso do Banco Lehman Brothers em setembro de 2008 e sua rápida transformação na mais profunda crise financeira global da história terá provavelmente forte impacto sobre as perspectivas de mitigação da mudança climática no curto e médio prazos. Os impactos serão múltiplos, sendo difícil prever a resultante final. A publicação do relatório Stern em 2006, antes, portanto, da difusão global da crise financeira, ressaltou os potenciais reflexos negativos do aquecimento global para a economia mundial. O custo final de um descontrole climático pode ficar entre 5% e 20% do PIB mundial anual. As duas crises paralelas – econômica e climática – devem, portanto, ser enfrentadas em conjunto.

De acordo com o relatório Towards a Global Green Recovery, a promoção de estímulos à economia e a atuação na crise climática não representam ações contrárias, ao contrário, políticas relativas às mudanças climáticas podem criar oportunidades econômicas. Resolver a crise econômica com investimentos na crise climática custa menos e é mais racional. Deve-se enfrentar a crise econômica e reorientar o desenvolvimento para o crescimento sustentável e de baixo carbono. Garantir que os programas de recuperação sejam “verdes” faz sentido não apenas porque a mudança climática é uma ameaça mais séria para a economia global no longo prazo, mas porque, de outra forma, uma vez que a economia mundial se recupere, preços crescentes de energia provavelmente, em certo estágio, causarão diminuições da velocidade de crescimento subseqüentes. Sem a transição para um sistema energético global de baixo carbono, a próxima crise econômica está pré-programada. Programas “verdes” de recuperação não são apenas uma opção para o alívio da crise, eles são uma pré-condição. Trata-se de uma crise global gêmea: econômica e climática.

O mesmo relatório sugere algumas medidas para o curto prazo: aumentar a eficiência energética, aumentar a estrutura física da economia e torná-la baixo carbono, apoiar mercados de tecnologias limpas. No médio prazo: iniciar projetos que aumentem a pesquisa e o desenvolvimento internacionais, incentivar investimentos para o crescimento baixo carbono. As medidas de médio prazo devem prover ao setor privado incentivos para investir mais recursos no desenvolvimento de mercados que construam uma base para a produtividade sustentável no futuro. Medidas fiscais também são necessárias para uma recuperação econômica e a criação de empregos pode, e deve, ser feita compatível com o desenvolvimento de uma economia baixo carbono. Ao lado destas medidas, identifica-se também o estabelecimento de um mercado global de carbono, cooperação e transferência tecnológicas, redução do desmatamento e fundos para ajudar na adaptação à mudança climática nos países em desenvolvimento como elementos-chave necessários em um acordo global de mudanças climáticas. Fica claro, deste modo, que para a transição rumo a uma economia de baixo carbono seria necessário um grande acordo internacional apoiado por mudanças comportamentais e por desenvolvimentos tecnológicos e econômicos simultâneos e complementares.

3 de jun de 2010

me irrita

Coisinhas irritantes da série “gostamos de atrapalhar a vida alheia”:

Por que as pessoas que vão utilizar caixa eletrônico pra fazer pagamentos e transferências adoram usar os reservados para saques pra fazer isso? Não bastasse não fazerem o mais fácil – internet taí pra isso – ainda me fazem ficar mais tempo do que o necessário no banco... e eu querendo só tirar dinheiro... Ainda bem que sou civilizada, porque minha vontade é xingar e perguntar porque esses indivíduos não usam os caixas eletrônicos que não fazem saque.

Elevador é uma coisa fantástica. A falta de educação das pessoas idem. Chega o andar onde você tem que descer e algum indivíduo bem legal fica parado exatamente na frente da porta. Detalhe: o elevador não está cheio. Toda vez que acontece isso ouço uma voz me pedindo pra perguntar qual o problema de convivência em sociedade que a pessoa tem.

E escadas rolantes? Existem pra facilitar nossa vida e tornar o mundo um pouco mais sedentário. Só que algumas pessoas usam estas escadinhas pra perturbar a vida alheia (intuito de causar acidentes talvez?). Sabe aquelas pessoas que pegam a escada rolante, descem e ficam paradas na frente da escada decidindo pra que lado vão? Tenho vontade de bater nestas pessoas. É muito difícil sair da escada rolante, andar 1 metro e só então parar pra pensar que direção tomar?

Post desabafo de quem se irrita com estas coisas e passou por todas elas no mesmo dia.

26 de mai de 2010

convite à loucura

A loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa.
Todos os convidados foram.
Após o café, a loucura propôs:
- Vamos brincar de esconde-esconde?
- Esconde-esconde? O que é isso?, perguntou a curiosidade.
- Esconde-esconde é uma brincadeira. Eu conto até 100 e vocês se escondem. Ao terminar de contar, eu vou procurar e o primeiro a ser encontrado será o próximo a contar.
Todos aceitaram, menos o medo e a preguiça.
- 1,2,3..., a loucura começou a contar.
A pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer.
A timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore.
A alegria correu para o meio do jardim. Já a tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para se esconder.
A inveja acompanhou o triunfo e se escondeu perto dele debaixo de uma pedra.
A loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo.
O desespero ficou desesperado ao ver que a loucura já estava no 99.
- 100!, gritou a loucura. Vou começar a procurar...
A primeira a aparecer foi a curiosidade, já que não agüentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar.
Ao olhar para o lado, a loucura viu a dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados ficar.
E assim foram aparecendo a alegria, a tristeza, a timidez...
Quando estavam todos reunidos, a curiosidade perguntou:
- Onde está o amor?
Ninguém o tinha visto. A loucura começou a procurá-lo.
Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do amor aparecer.
Procurando por todos os lados, a loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito.
Era o amor, gritando por ter furado o olho com um espinho. A loucura não sabia o que fazer.
Pediu desculpas, implorou pelo perdão do amor e até prometeu segui-lo para sempre.

Moral da história:
O amor aceitou as desculpas e é por isso que hoje e em todo o sempre, o amor é cego e a loucura o acompanha sempre.


(autor desconhecido)

24 de mai de 2010

dia nacional do café

Pra quem não sabe, hoje é o Dia Nacional do Café. A data existe desde 2005 e é fruto de uma idéia da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), que queria divulgar e incentivar uma das bebidas mais finas do Brasil.

Não sei o resto das pessoas do mundo, mas eu AMO café. Puro, com chantilly, com sorvete, com raspas de chocolate, com Baileys, com Whisky, quente, gelado, no capuccino, no chocolate quente... Amo mesmo, amo muito. Não consigo nem imaginar minha vida sem café.

Ando um pouco viciada, perto de ter uma overdose de cafeína... mas poxa, sempre gostei de café de todos os tipos. Apenas o consumo desta bebidinha deliciosa aumenta exponencialmente na presença de muito estudo ou trabalho. Aí deixa de ser só um prazer e vira meio que uma droga... Como eu adoro essa droga!

Pois então que hoje é dia de bebemorar muito café, não só no trabalho, mas também indo sentar com alguém legal num dos muitos cafés aconchegantes que existem pela cidade (tá, é mais uma desculpa pra fazer uma coisa que já faço com certa freqüência... mas quem não gosta de sentar num café em boa companhia?).


*Pra quem não conhece, faça um visitinha ali no site do Museu do Café.

*Breve história do café
AQUI.

21 de mai de 2010

ten things I hate about you

Lá estava eu em um momento de ócio zapeando pelos mais de 100 canais da TV a cabo, quando parei em um que estava passando um filminho bobo que adoro: Ten things I hate about you. Acho lindo o que ela escreve:

"I hate the way you talk to me and the way you cut your hair. I hate the way you drive my car. I hate it when you stare. I hate your big dumb combat boots and the way you read my mind. I hate you so much it makes me sick. It even makes me rhyme. I hate the way you're always right. I hate it when you lie. I hate it when you make me laugh. Even worse when you make me cry. I hate it that you're not around and the fact that you didn't call.
But mostly I hate the way I don't hate you. Not even close, not even a little bit, not even at all."




Minha versão manteria muito disso tudo, mas seria um pouquinho diferente:

I hate the way you talk to me and specially when you disappear. I hate the way you just don't care and I hate it when you do. I hate your hugs and the way they make me calm. I hate you so much it makes me sick. I hate the way you're always right. I hate that you don't lie. I hate it when you make me laugh. Even worse when you make me cry. I hate the fact that you're not around and the fact that you didn't call.
But mostly I hate the way I don't hate you. Not even close, not even a little bit, not even at all.

19 de mai de 2010

corações partidos

OS CORAÇÕES PARTIDOS POR LULA NO MUNDO

por: Moisés Naím*

Em seu projeto de evitar a aprovação de sanções internacionais ao Irã, como punição à recusa do país em rever o seu programa nuclear, o presidente brasileiro agendou uma visita ao colega iraniano Mahmoud Ahmadinejad neste domingo, 16. Lula prometeu pedir a Ahmadinejad, "olho no olho", que aceite a proposta de receber urânio enriquecido de outros países, uma maneira de garantir que o material seja utilizado para fins pacíficos. O Irã usa encontros assim não para assumir compromissos, mas para ganhar tempo e escapar deles. A visita ocorre uma semana depois de o governo iraniano executar, por enforcamento, cinco ativistas políticos da minoria curda. Neste artigo, o analista Moisés Naím diz que a amizade com ditadores e aventuras diplomáticas como a de Lula no Irã são uma traição aos seus princípios democráticos, mancham o seu legado político e minam o poder de influência internacional do Brasil.

O primeiro admirador desiludido por ele foi George W. Bush. O segundo foi Álvaro Uribe. Em seguida, decepcionou Pascal Lamy, o chefe da Organização Mundial do Comércio. Depois, partiu o coração de Barack Obama. Mais tarde o de Hillary Clinton. Seguiram-se os opositores de Mahmoud Ahmadinejad, no Irã. Impôs também duros golpes de desânimo àqueles que enfrentam os abusos dos governantes de Cuba, Venezuela, Nicarágua e Bolívia e que o viam como um modelo em sua luta contra a autocracia. Depois veio a perplexidade dos devotos que não entenderam como é possível que num dia ele defenda a entrada de Cuba na Organização dos Estados Americanos (OEA) e, no dia seguinte, a expulsão de Honduras. Como pode num dia denunciar com eloquência e com lógica perfeita o irracional bloqueio americano a Cuba e, no dia seguinte, liderar o bloqueio da América Latina a Honduras? Não faltaram os admiradores que esperavam que ele tivesse uma posição menos complacente com Néstor e Cristina Kirchner. Nem a surpresa de seus fãs que não entendem a que se deve sua recente paixão por missões diplomáticas suicidas, como sua solitária defesa das ambições nucleares iranianas ou sua autocandidatura como mediador entre palestinos e israelenses.

Lula no mundo

Se é verdade que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem altíssimos índices de popularidade no Brasil, nos círculos mais influentes do mundo o aplauso é menos entusiasmado. Isso não quer dizer que fora do país Lula não seja admirado. O fato de ter sido escolhido pela revista Time como um dos personagens mais influentes é só um dos muitos exemplos do reconhecimento internacional às conquistas de Lula. Seu protagonismo no G20 contrasta com a invisibilidade de outros latino-americanos: o mexicano Felipe Calderón e a mulher de Néstor Kirchner. Não há dúvida de que Lula e o Brasil ganharam um papel relevante e merecido nas negociações internacionais mais vitais para a humanidade: clima, energia, comércio, finanças e proliferação nuclear. Isso foi possível graças ao tamanho do Brasil, ao seu progresso social e econômico admirável, à sua democracia, à fascinante biografia de Lula e ao seu inegável carisma. Todos os líderes querem ser amigos de Lula e desenvolver relações próximas com ele e o Brasil. Lula é amigo de todos e a todos seduz. Para depois partir-lhes o coração.

Bush e Obama acreditaram que Lula seria o seu aliado na América Latina. O presidente colombiano Álvaro Uribe tinha a ilusão de que alguém com os valores e a história pessoal de Lula reagiria com indignação ao ver a avalanche de evidências demonstrando que Hugo Chávez, da Venezuela, apoia e protege as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Os negociadores da Rodada Doha para o comércio internacional se frustraram com a rigidez de Lula, que – junto com outros países – levou o processo ao fracasso. Os opositores dos presidentes latino-americanos violadores das mais elementares práticas democráticas encontraram em Lula um líder que passou seus dois mandatos presidenciais ignorando-os, enquanto se entregava a frequentes e fraternais abraços com os autocratas que os governam. O povo cubano ouviu perplexo como Lula – o combatente social – explicava ao mundo que os que se suicidavam nos cárceres dos Castro, pedindo a liberdade para outros injustamente presos por décadas, não eram senão "delinquentes comuns". Os iranianos ouviram Lula explicando que seus massivos protestos contra a reeleição de Ahmadinejad lhe recordavam as rea-ções dos torcedores de futebol que se lançam às ruas quando perdem. Os milhares de mães dos venezuelanos assassinados pelo crime descontrolado, resultante da indolência crônica do governo, ouviram Lula explicar que Chávez é o melhor presidente que a Venezuela teve em 100 anos.

Tudo isso pode passar despercebido em um Brasil intoxicado pelo sucesso e apaixonado por Lula. Tudo isso será ridicularizado pelo aparato publicitário do presidente e minimizado pelo Itamaraty. Mas a conduta internacional do Brasil sob Lula tem custos. As traições de Lula à defesa da democracia; sua indiferença diante das violações de direitos humanos básicos em países governados por seus amigos; as decisões cujo propósito óbvio é demonstrar independência e que este é um "novo Brasil", que não apoia automaticamente os Estados Unidos; a busca por um protagonismo em áreas e temas em que o Brasil tem tudo a perder e nada a ganhar – essas posturas levarão à diminuição tanto da reputação de Lula como da influência mundial do Brasil.


Por que Lula faz tantos gols contra?

Os apologistas de Lula podem recorrer à famosa observação de que "as nações não têm amigos, apenas interesses". Lula concentrou-se em promover os interesses do Brasil, diriam eles. E podem corretamente acrescentar que muito mais hipócritas são as políticas americanas ou europeias do que as do Brasil. É verdade que todas as potências às vezes se esquecem de seus valores quando se trata de defender seus interesses. Mas nem sempre é assim. Verdadeiros líderes sabem que há certos momentos em que o interesse nacional só é servido quando a defesa dos valores universais se sobrepõe aos interesses econômicos imediatos. O silêncio de Lula quando Chávez impôs arbitrariamente um embargo comercial à Colômbia serve aos interesses do Brasil? Algumas empresas brasileiras lucraram ocupando o mercado venezuelano, antes suprido por companhias colombianas. Mas isso justifica a cumplicidade com a violação clara de regras que o Brasil defende? Claro que não. Justificam-se as aventuras de Lula no Oriente Médio e o seu entusiasmo pelos carniceiros que mandam em Teerã, pondo em perigo a possibilidade de o Brasil conseguir um posto permanente no Conselho de Segurança da ONU? Não.

Quando eu era garoto e me comportava mal na escola, minha mãe explicava às professoras que eu era um anjo e que a má conduta se devia à influência negativa dos meus amigos. Eu ficava quieto, mas ria por dentro, pois sabia que aquilo não era verdade. Estaria Lula rindo por dentro quando os seus admiradores explicam que ele, no fundo, é um grande democrata e que sua solidariedade fraternal com alguns dos piores líderes destes tempos se deve apenas à má influência dos que o cercam?

Nunca saberemos. O que sabemos é que um líder extraordinário chega ao fim de seus mandatos manchando desnecessariamente o seu legado histórico.

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* sobre o autor: MOISÉS NAÍM é ex-diretor executivo do Banco Mundial e ex-ministro venezuelano, é diretor da revista Foreign Policy e Observador Global do jornal espanhol El País, no qual escreve aos domingos.

Link pro artigo AQUI.

16 de mai de 2010

Hobbes no século XXI

O ser humano continua me surpreendendo negativamente falando... Impressionante isso. Somos a espécie mais irracional que habita este planeta. Na verdade, somos um vírus bem burro, daqueles que mata seu hospedeiro (o que estamos fazendo com a Terra não é matar nosso hospedeiro?).

Divagações viróticas a parte, voltemos à irracionalidade. No fim de semana que passou aconteceu por aqui um fato lamentável que me lembrou o estado de natureza segundo Hobbes. Resumidamente, pra ele a situação dos homens deixados a si próprios é de anarquia, geradora de insegurança, angústia e medo. Os interesses egoístas predominam e o homem se torna o lobo do próprio homem (“homo homini lúpus”). As disputas geram a guerra de todos contra todos (“bellum omnium contra omnes”) e as conseqüências desse estado de coisas é o prejuízo para a indústria, a navegação, a ciência e o conforto dos homens.

Concordando com Hobbes ou preferindo as análises do homem em estado de natureza feitas por Locke ou Rousseau, o fato é que estes filósofos preocupam-se com a origem do Estado, com a validade da ordem social e política, a base legal. Em algum momento, o homem abandona o estado de natureza para se submeter ao Estado instituído por um pacto, um contrato.

E daí? E daí que seja lá qual for a análise correta de porque os homens aderem a um contrato social, ainda existem, em pleno século XXI, seres humanos que vivem no estado de natureza de Hobbes. Se acham acima das leis, não respeitam nenhuma ordem social e política, tratam seus semelhantes como um simples nada, como uma merda qualquer.

Na última madrugada de sexta pra sábado, ocorreu aqui no meu bairro, não muito longe de casa, um fato lastimável. Uma reclamação de barulho excessivo e fora do horário terminou em espancamento. Resumo: um senhor de 46 anos foi até o posto de gasolina que fica em frente ao seu prédio, por volta das 3 da manhã, para reclamar com o gerente do estabelecimento. Apesar de estar apenas exigindo seu direito de dormir, foi agredido pelo gerente e por outras cinco pessoas que estavam com ele. Tentou fugir, mas os agressores o perseguiram até o seu prédio. De acordo com as câmeras de segurança, foi empurrado contra uma pilastra, teve a cabeça socada diversas vezes e foi arremessado contra a portaria de vidro.

O tal gerente do posto foi indiciado por dano ao bem público (o prédio é da aeronáutica) e por lesão corporal. Se condenado, pode pegar até 4 anos de prisão. Me pergunto: que país é este?!? Este país não é sério, definitivamente. Espancam alguém e podem pegar até 4 anos de prisão?!? Isso SE pegarem e SE ficarem os 4 anos presos né. Gente assim merece punições bem mais rigorosas... mas... esperar o que se por aqui até assassinos ficam menos de 10 anos presos?...

PARABÉNS BRASIL!!! (ironia mode ON)

15 de mai de 2010

50 anos de pílula

Ando meio sumida daqui, meio sem tempo mesmo.

Mesmo sem tempo, eu dou um jeito de fazer minha leitura diária. Fazer o quê se minha esquizofrenia não me deixa não ler essas coisas todo dia? Sério, sinto que falta algo e fico muito incomodada quando não leio esses jornais. É, eu tenho problemas mentais... mas quem não os tem?

Esta semana, no Le Monde, li um pequeno artigo sobre outra cinquentona que merece ser muito mais lembrada e celebrada do que a cinquentona cidade onde vivo. Alguém lembrava que este mês a pílula anticoncepcional está completando 50 anos? Não? Nem eu, mas o Le Monde me lembrou.

O artigo tem um título bem sugestivo: LIBERDADE, SEGURANÇA E PREVISIBILIDADE. Essas três palavras descrevem bem o que a pílula representa, antes de qualquer outra coisa, para nós mulheres. Mas atualmente, como bem diz o artigo, ela é menos símbolo de liberdade e representa mais a segurança.

Hoje a gente a encontra com facilidade em qualquer esquina, mas na época em que a pílula surgiu (maio de 1960, nos EUA) não era bem assim. Naquela época, a contracepção oral simbolizou a liberação feminina. Atualmente, como o Le Monde nos lembra, o combate não é mais coletivo, sim individual.

Hoje em dia há aquelas que tomam pílula para evitar acne, outras pra controlar ciclos irregulares ou dolorosos, algumas por motivos de saúde como ovários policísticos... Todos motivos plausíveis. O que acho perigoso são aquelas que usam a pílula e isso vira desculpa pra não usar camisinha (não estou falando das casadas ou das que têm relacionamento estável, embora pra essas eu aconselhe, por experiência própria de ser corna, que elas e seus respectivos se submetam a teste de HIV no mínimo uma vez por ano). Mas eu conheço várias que tomam pílula e já que não podem engravidar, saem transando por aí sem camisinha, pois estão seguras. Helloooo!!!

Eu sei que eu não tenho nada de nenhum tipo, nem colesterol alto. Sou daquelas esquizofrênicas que fazem check-up geral de tudo no mínimo uma vez por ano, às vezes duas. Você sabe se a pessoa com quem você está fazendo sexo não tem nada de nenhum tipo? Não? Nem eu sei se a pessoa com quem faço sexo não tem nada, mas não tomo pílula e isso torna a situação “transar sem camisinha” algo extremamente raro e atípico na minha vida (embora não deveria nem ser raríssimo, e sim inexistente).

Pílula dá a liberdade de não engravidar... a segurança de apenas 1% de chance de uma gravidez indesejada... É símbolo da liberação feminina sim! Mas não deve ser usada como desculpa pra não usar camisinha. Pílula não dá segurança contra Aids, sífilis, hepatite, gonorréia, HPV e outras tantas doenças... ou já inventaram uma pílula que previne isso tudo e eu ainda não estou sabendo?

9 de mai de 2010

dia das mães

Há um ditado judaico que diz: Deus não pode estar em todos os lugares e por isso fez as mães.

Verdade... não existe outro ser humano que esteja mais próximo dos deuses. Ser mãe é assumir o dom da criação, da doação e do amor incondicional. É encarnar a divindade na Terra.

Que outro ser humano tem a capacidade de ouvir o silêncio, adivinhar sentimentos? Encontrar palavras certas em momentos incertos? Nos dar força quando tudo ao nosso redor está ruindo? E fazer tudo isso incondicionalmente, sem esperar nada em troca? Mães são seres que pegaram a sabedoria emprestada dos deuses para nos proteger e amparar.

MÃE: palavrinha pequena, diminuta, simples... porém com significado infinito, pois quer dizer amor, dedicação, renúncia a si própria, força e sabedoria.

Mães (a minha em particular): obrigada por termos vocês.

30 de abr de 2010

tá chegando...

Suavemente Maio se insinua
Por entre os véus de Abril, o mês cruel
E lava o ar de anil, alegra a rua
Alumbra os astros e aproxima o céu.

Até a lua, a casta e branca lua
Esquecido o pudor, baixa o dossel
E em seu leito de plumas fica nua
A destilar seu luminoso mel.

Raia a aurora tão tímida e tão fragil
Que através do seu corpo transparente
Dir-se-ia poder-se ver o rosto

Carregado de inveja e de presságio
Dos irmãos Junho e Julho, friamente
Preparando as catástrofes de Agosto...

Vinicius de Moraes

29 de abr de 2010

29/04 - dia internacional da dança

A DANÇA E A ALMA

A dança? Não é movimento,
súbito gesto musical
É concentração, num momento,
da humana graça natural.

No solo não, no éter pairamos,
nele amaríamos ficar.
A dança - não vento nos ramos:
seiva, força, perene estar.

Um estar entre céu e chão,
novo domínio conquistado,
onde busque nossa paixão
libertar-se por todo lado...

Onde a alma possa descrever
suas mais divinas parábolas
sem fugir a forma do ser,
por sobre o mistério das fábulas.


Carlos Drummond de Andrade




... e um videozinho de alguém que gosto muito como bailarina, professora e pessoa:

21 de abr de 2010

parabéns Bras-ilha

O último censo do IBGE aponta Brasília como 4º maior município do país, atrás de São Paulo, Rio e Salvador. Esse crescimento tem um preço: também estamos entre os 5 municípios mais violentos.

Pra quem nasceu no final dos anos 70, veio pra cá bebê e cresceu nas superquadras brincando embaixo dos blocos, é um pouco surpreendente e surreal que em tão poucos anos de vida uma cidade tenha se transformado dessa forma.

Minha adolescência foi jogando vôlei na rua, conversando embaixo dos blocos ou nos parquinhos até de madrugada, andando a pé a noite sem o menor problema, indo ao Pontão com a galera pra tocar violão em rodinhas e beber... Naquela época, tínhamos menos opções de tudo por aqui, então nos virávamos como a criatividade deixasse. A diversão era sempre garantida.

Numa época que praticamente ninguém tinha celular era mais fácil se encontrar com os amigos do que hoje, com toda a parafernália que temos à disposição. As pessoas estão bem mais sozinhas hoje, presas na ilusão de encontro que a internet gera, cheias de amigos virtuais que nunca encontram. Praticamente todo mundo tem celular e, estranhamente, também têm mais dificuldades pra encontrar os outros pessoalmente, estão sem tempo com muita frequência. O português vai empobrecendo nos emails e msns da vida (chegaremos num português abaixo da linha da pobreza?!? o.O.).

Ali na primeira metade dos anos 90, numa cidade ainda tranquila, sem trânsito, sem muita criminalidade, tínhamos uma turma que sempre se encontrava. Não tocávamos interfone, gritávamos "fulano, desce aí!", e fulano respondia na janela. Acabou o segundo grau, veio a universidade e cada um seguiu seu rumo.

Aquela Brasília que parecia uma cidade de interior também seguiu seu rumo, cresceu e desordenou-se... Aumentaram os problemas típicos de centros urbanos. Cresceu o mercado para franqueados da rede de restaurantes mais famosa do país, que encontrou aqui uma cidade ideal para expansão. A CPI (Choperia e Pizzaria Impunidade), mesmo que de vez em quando dê sinais de hipotrofia, continua firme e forte país afora, com sede na capital.

Niemeyer brincava de lego e um dia resolveu dar vida aos seus delírios. Assim nasceu a cinqüentona cidade moderna que já está velha, ultrapassada e decadente. A prisão a céu aberto, como disse Clarice. Uma ilha da fantasia onde as pessoas não têm contato com o mundo real e pensam estar em Berverly Hills. Um lugar muito fácil de odiar... e também de amar.

19 de abr de 2010

mais cazuza

Impressionante como o Cazuza continua tirando as palavras da minha boca... e ele as diz tão melhor que eu...

16 de abr de 2010

uma homenagem

Singela homenagem às pessoas que se preocupam mais com a minha vida do que eu mesma (porque né, enquanto os outros se preocupam, eu vivo, me jogo, trabalho, sou feliz, me divirto, malho... etc etc etc).






*textinho também em homenagem às pessoinhas: Vítimas e Invejosos na Abundância