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16 de jan de 2010

holocausto

Um dos temas de história que sempre me interessou bastante é a Segunda Guerra Mundial e, em particular, o Holocausto. Não por acaso, fui à Berlim e outras localidades buscando saber mais sobre o assunto. Motivo simples: meus avós participaram da guerra dos dois lados e perderam tudo durante e após a guerra... e assim vieram parar no Brasil.

Contrariando quem afirma que os fascismos foram fenômenos típicos do entre-guerras e floresceram naquela conjuntura específica, o cenário político europeu dos anos 90 mostrou-se tensionado pela presença de partidos e agrupamentos neo-fascistas, como, por exemplo, o Front National, de Jean Marie Le Pen, na França, e a Aliança Nacional, na Itália. A explicação histórica se enfraquece diante destas circunstâncias.

Não cabe em um simples blog que, por sinal, nem foi feito pra isso, fazer ainda mais explicações teóricas e históricas sobre fascismos do que já fiz no post enorme anterior. Mas... Limpar o país dos antinacionais (ontem) ou expulsar o imigrante estrangeiro (hoje) é um objetivo que apenas restabelece, num nível imaginário, uma ordem voltada para o passado, expulsa o debate em torno das causas do mal-estar e identifica um alvo para a realização do ódio.

Canalizando a potência do indivíduo para odiar, transferindo para um estranho as causas do seu próprio mal-estar e afagando um ego aniquilado nas suas possibilidades de felicidade, o fascismo rompe com a tradição de participação política do Ocidente e aproxima-se de posturas místicas e cultiva cerimoniais cívicos coletivos.


Quem se interessa pelo tema:
Theodor Adorno. 1986. "A educação após Auschwitz". In Cohn, G (org.)
Norbert Elias. 1997. "Os Alemães".



"Para a educação, a exigência que Auschwitz não se repita é primordial... Mas o fato de a exigência e os problemas decorrentes serem tão subestimados testemunha que os homens não se compenetraram da monstruosidade cometida. Sintoma esse de que subsiste a possibilidade da reincidência, no que diz respeito ao estado de consciência e inconsciência dos homens."
Theodor Adorno

"Em vez de se ficar consolado com a idéia de que eventos recordados pelo julgamento de Eichman foram exceções à regra, seria mais proveitoso investigar as condições nas civilizações do século XX, as condições sociais, que propiciaram barbarismos desse gênero e que poderiam favorecê-los de novo no futuro."
Norbert Elias