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15 de mai de 2010

50 anos de pílula

Ando meio sumida daqui, meio sem tempo mesmo.

Mesmo sem tempo, eu dou um jeito de fazer minha leitura diária. Fazer o quê se minha esquizofrenia não me deixa não ler essas coisas todo dia? Sério, sinto que falta algo e fico muito incomodada quando não leio esses jornais. É, eu tenho problemas mentais... mas quem não os tem?

Esta semana, no Le Monde, li um pequeno artigo sobre outra cinquentona que merece ser muito mais lembrada e celebrada do que a cinquentona cidade onde vivo. Alguém lembrava que este mês a pílula anticoncepcional está completando 50 anos? Não? Nem eu, mas o Le Monde me lembrou.

O artigo tem um título bem sugestivo: LIBERDADE, SEGURANÇA E PREVISIBILIDADE. Essas três palavras descrevem bem o que a pílula representa, antes de qualquer outra coisa, para nós mulheres. Mas atualmente, como bem diz o artigo, ela é menos símbolo de liberdade e representa mais a segurança.

Hoje a gente a encontra com facilidade em qualquer esquina, mas na época em que a pílula surgiu (maio de 1960, nos EUA) não era bem assim. Naquela época, a contracepção oral simbolizou a liberação feminina. Atualmente, como o Le Monde nos lembra, o combate não é mais coletivo, sim individual.

Hoje em dia há aquelas que tomam pílula para evitar acne, outras pra controlar ciclos irregulares ou dolorosos, algumas por motivos de saúde como ovários policísticos... Todos motivos plausíveis. O que acho perigoso são aquelas que usam a pílula e isso vira desculpa pra não usar camisinha (não estou falando das casadas ou das que têm relacionamento estável, embora pra essas eu aconselhe, por experiência própria de ser corna, que elas e seus respectivos se submetam a teste de HIV no mínimo uma vez por ano). Mas eu conheço várias que tomam pílula e já que não podem engravidar, saem transando por aí sem camisinha, pois estão seguras. Helloooo!!!

Eu sei que eu não tenho nada de nenhum tipo, nem colesterol alto. Sou daquelas esquizofrênicas que fazem check-up geral de tudo no mínimo uma vez por ano, às vezes duas. Você sabe se a pessoa com quem você está fazendo sexo não tem nada de nenhum tipo? Não? Nem eu sei se a pessoa com quem faço sexo não tem nada, mas não tomo pílula e isso torna a situação “transar sem camisinha” algo extremamente raro e atípico na minha vida (embora não deveria nem ser raríssimo, e sim inexistente).

Pílula dá a liberdade de não engravidar... a segurança de apenas 1% de chance de uma gravidez indesejada... É símbolo da liberação feminina sim! Mas não deve ser usada como desculpa pra não usar camisinha. Pílula não dá segurança contra Aids, sífilis, hepatite, gonorréia, HPV e outras tantas doenças... ou já inventaram uma pílula que previne isso tudo e eu ainda não estou sabendo?