Páginas

5 de jun de 2010

dia mundial do meio ambiente

Para os desavisados, hoje é Dia Mundial do Meio Ambiente. Tendo em vista o que tem sido feito mundo afora, creio que não temos muitos motivos pra celebrar este dia.

Dito isso, abaixo transcrevo um pedacinho mínimo de um dos capítulos da minha dissertação... se uma única pessoa refletir sobre o assunto, já fico feliz. Retirei citações, nomes de autores e teorias, tentei sumir com linguagem acadêmica e talz... quem tiver paciência, leia:






Ao lado dos poucos avanços nos anos que separam a entrada em vigor de Quioto e a COP 15, houve o aprofundamento da crise financeira americana a partir do colapso do Banco Lehman Brothers em setembro de 2008 e sua rápida transformação na mais profunda crise financeira global da história terá provavelmente forte impacto sobre as perspectivas de mitigação da mudança climática no curto e médio prazos. Os impactos serão múltiplos, sendo difícil prever a resultante final. A publicação do relatório Stern em 2006, antes, portanto, da difusão global da crise financeira, ressaltou os potenciais reflexos negativos do aquecimento global para a economia mundial. O custo final de um descontrole climático pode ficar entre 5% e 20% do PIB mundial anual. As duas crises paralelas – econômica e climática – devem, portanto, ser enfrentadas em conjunto.

De acordo com o relatório Towards a Global Green Recovery, a promoção de estímulos à economia e a atuação na crise climática não representam ações contrárias, ao contrário, políticas relativas às mudanças climáticas podem criar oportunidades econômicas. Resolver a crise econômica com investimentos na crise climática custa menos e é mais racional. Deve-se enfrentar a crise econômica e reorientar o desenvolvimento para o crescimento sustentável e de baixo carbono. Garantir que os programas de recuperação sejam “verdes” faz sentido não apenas porque a mudança climática é uma ameaça mais séria para a economia global no longo prazo, mas porque, de outra forma, uma vez que a economia mundial se recupere, preços crescentes de energia provavelmente, em certo estágio, causarão diminuições da velocidade de crescimento subseqüentes. Sem a transição para um sistema energético global de baixo carbono, a próxima crise econômica está pré-programada. Programas “verdes” de recuperação não são apenas uma opção para o alívio da crise, eles são uma pré-condição. Trata-se de uma crise global gêmea: econômica e climática.

O mesmo relatório sugere algumas medidas para o curto prazo: aumentar a eficiência energética, aumentar a estrutura física da economia e torná-la baixo carbono, apoiar mercados de tecnologias limpas. No médio prazo: iniciar projetos que aumentem a pesquisa e o desenvolvimento internacionais, incentivar investimentos para o crescimento baixo carbono. As medidas de médio prazo devem prover ao setor privado incentivos para investir mais recursos no desenvolvimento de mercados que construam uma base para a produtividade sustentável no futuro. Medidas fiscais também são necessárias para uma recuperação econômica e a criação de empregos pode, e deve, ser feita compatível com o desenvolvimento de uma economia baixo carbono. Ao lado destas medidas, identifica-se também o estabelecimento de um mercado global de carbono, cooperação e transferência tecnológicas, redução do desmatamento e fundos para ajudar na adaptação à mudança climática nos países em desenvolvimento como elementos-chave necessários em um acordo global de mudanças climáticas. Fica claro, deste modo, que para a transição rumo a uma economia de baixo carbono seria necessário um grande acordo internacional apoiado por mudanças comportamentais e por desenvolvimentos tecnológicos e econômicos simultâneos e complementares.