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22 de jul de 2010

machismo

“Se eu pudesse receber de volta a taxa de inscrição, eu pediria demissão da raça humana.” Fred Allen


Não sei os outros 192.924.526 brasileiros, mas euzinha não agüento mais ouvir falar neste caso do goleiro Bruno. Particularmente, não agüento mais ouvir justificativas para isso pautadas no caráter duvidoso da vítima. Mais particularmente ainda, tenho vontade de enfiar a mão na cara das mulheres que falam culpando a vítima (nenhuma dessas pensa que somos todas mulheres e, portanto, sujeitas a violências justificáveis por causa de algum traço duvidoso de caráter que tenhamos?).

Era uma maria-chuteira? Fez filme pornô? Fazia orgias? Estava atrás de dinheiro? Não prestava? Supondo que isso tudo seja verdade, já que algumas coisas são apenas suposição, nada disso justifica uma agressão física, quanto mais um assassinato. NADA justifica um assassinato. E tentar atenuar o fato achando defeitos na Eliza, colocando-a como vagabunda que pediu por isso, é simplesmente um machismo nojento. Mais nojento ainda quando praticado por outras mulheres.

Parece muito com o que tentam fazer em casos de estupro, justificando um ato injustificável porque a vítima, afinal, estava provocando, vestia roupas sexy, bebeu, estava num local mal freqüentado. Parece muito com aquele caso da Geisy, lembram? Culpa dela ter sido agredida, já que se exibia e provocava. Parece muito com os casos de agressão doméstica, nos quais a mulher é que se comportou mal e mereceu apanhar.

Vivemos numa sociedade machista, infelizmente. Ande de burca se não quiser ser agredida ou estuprada. Seja boa esposa e aceite tudo, submeta-se, se não quiser apanhar. Nunca traia, porque mulher que trai é vagabunda e, em alguns lugares do mundo, é condenada à morte por apedrejamento. Jamais fique com alguém por causa de dinheiro (oi? se o homem pode escolher a mulher só pela beleza, porque ela não pode só pelo dinheiro?).


"Se o homem tivesse criado o homem, teria vergonha de sua obra.” Mark Twain