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30 de ago de 2010

O TEMPO PASSA? NÃO PASSA

"O tempo passa?
Não passa no abismo do coração
lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.
O meu tempo e o teu
transcedem qualquer medida.

Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.
Pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade."

Carlos Drummond de Andrade

23 de ago de 2010

sístoles e diástoles

Não sei bem o que é uma sístole ou uma diástole... o que sei é que trata-se de movimentos involuntários do músculo mais forte que há no corpo humano. Involuntariamente ele bate e bombeia sangue para o corpo inteiro, para todos os outros órgãos. Às vezes, involuntariamente ele perde o compasso e cria-se uma arritmia. Outras vezes, ele para... e a respiração tende a parar junto.

Difícil ter arritmia e parada cardíaca ao mesmo tempo? Talvez... só que, às vezes, é possível que esse músculo bata mais rápido e mais devagar ao mesmo tempo... mas só às vezes. Experimentar isso é experimentar o improvável... O que são números, probabilidades e porcentagens diante da realidade? Estatisticamente, a ocorrência de paradas cardio-respiratórias juntamente com batimentos irregulares incessantes é algo praticamente impossível, pra não dizer irreal.

O real, contradizendo a irrealidade possível das coisas, é a ocorrência daquele 0,5% de chance de resposta muscular involuntária. Na sala de musculação ali da academia a gente aprende que é necessário esforço para que nossos músculos reajam ao exercício. Só que nenhum instrutor jamais avisa que, em certos casos, o músculo age sozinho... O esforço necessário pra uma reação muscular resume-se a um sorriso.

Certas presenças, ainda que breves, são capazes de contrariar qualquer dado estatístico. Nunca se sabe qual será a reação muscular até que ela aconteça... Um sorriso, um abraço e cai-se nos 0,5%. A partir daí, não importa qual a duração da proximidade... minutos, horas, dias... se ela existe, o tempo perde importância. A ausência posterior não indica falta, mas sim, como bem o disse Marcel Proust, a mais certa, a mais eficaz, a mais intensa, a mais indestrutível, a mais fiel das presenças.



AUSÊNCIA

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

21 de ago de 2010

nota rápida

Nosso ilustríssimo bom moço Dado Dolabella está sendo processado por agressão novamente e quem deve estar rindo disso é a Luana Piovani (eu estaria dando gargalhadas se fosse ela). Não sei se lembram, mas na época em que Luana o denunciou teve gente a acusando de tudo, desde estar inventando até estar querendo se promover. E agora, vão dizer o quê? Viviane Sarahyba está inventando, querendo se promover?...

Viviane fez certo em denunciar... só errou em agüentar agressões durante algum tempo antes de fazer isso. Não cabe a mim especular o porque de a denúncia não ter sido feita antes, mas se ela, assim como tantas outras mulheres do mundo, achava que ele mudaria... Mulherada: acordem! Se o cara já agrediu outras mulheres, a probabilidade de te agredir é grande... Mesmo assim você vai ficar com ele e achar que com você será diferente? Essa é a burrice número 1. E se ele já te agrediu uma vez, a probabilidade de ocorrer a 2ª é enorme! Mesmo assim você vai insistir em ficar com ele achando que ele não vai mais fazer isso? Burrice número 2.

Dado não é o 1º, nem será o último, homem do mundo a agredir uma mulher. Na verdade, alguém que faz isso não merece nem ser chamado de homem. Verme talvez? Muita covardia agredir um ser humano fisicamente mais fraco, impulsionado pelo seu impulso de macho proprietário que pode fazer o que quiser com seu bem. Não, não pode. Não deve. É assim que esses machos demonstram poder, força? Sorry, mas agir dessa forma é uma demonstração gigantesca de fraqueza, insegurança, necessidade de auto-afirmação.

H-O-M-E-M com caps lock não precisa disso, não faz isso... e M-U-L-H-E-R com caps lock não agüenta esses projetos de macho alfa.

13 de ago de 2010

o FMI e o Brasil

Inspirada por mais uma mentira dos fanáticos lulistas que li por aí – e convenhamos, eles são ótimos em inventar e distorcer fatos – resolvi recorrer à minha vasta biblioteca de temas internacionais e abaixo transcrevo parte de um texto de autoria de Renato Baumann, professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB). O texto inteiro é sobre as relações do Brasil contemporâneo com Banco Mundial, BID e FMI – aqui vai só sobre o último.



O Brasil é um dos signatários do Acordo de Bretton Woods e, como tal, sua relação com o FMI remonta aos inícios das operações dessa instituição. O 1º registro de intervenção técnica por parte do Fundo está relacionado a um aval, em 1954, para obtenção de um empréstimo no Eximbank norte-americano. A 1ª operação direta de empréstimo do FMI ao Brasil ocorreu em 1958.

Em janeiro de 1983, o Brasil assinou com o FMI a 1ª do que viria a ser um conjunto de seis Cartas de Intenções de metas não cumpridas de política econômica. (...)

Duas das dificuldades básicas para o cumprimento dos compromissos embutidos nesses diversos documentos estavam associadas ao ajuste do conceito de necessidades de financiamento do setor público não financeiro, adotado pelo Fundo, às peculiaridades da economia brasileira, bem como às dificuldades técnicas para incluir as expectativas sedimentadas por anos de indexação generalizada nos diagnósticos de excesso de demanda.

Se na década de 1980 houve seguidos descumprimentos dos compromissos assumidos, nos anos 1990 também existiram desencontros entre o Brasil e o Fundo.

Em 1994, o FMI decidiu não apoiar o Plano Real, porque considerava que o ajuste fiscal proposto não seria capaz de assegurar inflação baixa de forma sustentável, gerando uma situação de atrito com o governo brasileiro. Outro motivo de desencontros nos anos que se seguiram à adoção do Plano Real foi a política cambial. O FMI insistia na aceleração da desvalorização via retomada do processo de minidesvalorizações, enquanto as autoridades brasileiras resistiam a intervenções mais expressivas no mercado de divisas, aspecto que tornou-se crescentemente sensível a partir da crise asiática em 1997.

O Fundo mostrou conformidade, entretanto, com as reformas que reduziram os riscos do sistema financeiro, por meio de fusões, liquidações de bancos e melhorias no arcabouço normativo e nos mecanismos de supervisão bancária.

Em novembro de 1998, o Brasil firmou acordo com o FMI, Banco Mundial, BID e alguns países, compondo pacote de ajuda financeira da ordem de US$ 41 bilhões, a serem utilizados nos 3 anos seguintes. (...) Incluída no conjunto de compromissos estava a aprovação pelo Congresso de reformas constitucionais relativas à administração pública, no 1º trimestre de 1998, e à previdência social, no final daquele ano.

A partir de 1999, com as modificações expressivas na política cambial, com a crescente transparência na divulgação de dados básicos da economia e com a melhoria das condições dos mercados internacionais de capitais, o diálogo entre as autoridades brasileiras e o Fundo tornou-se mais fluido.

O acordo com o FMI foi alterado em março de 1999 e revisto em junho. O governo adotou um critério de desempenho baseado no setor público consolidado, limitando de forma explícita as receitas e os gastos do setor público, e houve pressão para que o governo reduzisse a proporção da dívida interna denominada em dólares.

Desde 1998, as metas fiscais acordadas com o FMI têm sido sistematicamente atingidas. Em 1999, houve, contudo, algum desencontro no que se refere à política monetária. O programa de março de 1999 foi pioneiro, ao adotar metas de inflação como base de condicionalidade para o programa do Fundo. Acordou-se um mecanismo de consulta mútua no caso de a taxa de inflação observada superar a trajetória acordada. A adoção dessa condicionalidade, ainda que sujeita a consultas nos casos de desvios da meta, permitiu a transição para que o país passasse a adotar uma estratégia de metas inflacionárias como base de sua política macroeconômica.

A 4ª missão para revisão do acordo, em novembro de 1999, indicou, entre outras, as recomendações de reforma do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a adoção da Lei de Responsabilidade Fiscal e a retomada dos processos de privatização dos bancos ainda em poder do setor público de diversos estados, três medidas que tiveram efeitos relevantes para a economia e a sociedade brasileiras.

Em setembro de 2001, o FMI aprovou nova linha de US$ 15 bilhões. O governo sinalizava que esses recursos seriam tratados apenas como “precaução”, para evitar movimentos especulativos. A economia vinha sendo afetada por choques externos e por uma crise no setor energético, com efeitos sobre o ritmo de atividades e o Balanço de Pagamentos. Nessa oportunidade, o piso de reservas internacionais, fixado até então em US$ 25 bilhões, foi rebaixado para US$ 20 bilhões, liberando um volume expressivo de recursos à disposição das autoridades brasileiras.

O fato de uma parcela importante da dívida pública brasileira estar indexada ao câmbio, juntamente com a concentração de pagamentos externos em 2002 – momento propício a movimentos especulativos por ser ano de eleições majoritárias – fez que houvesse pressão forte sobre o mercado de divisas e, com isso, repercussão sobre as contas públicas.

Em agosto de 2002, o governo firmou novo acordo stand-by com o Fundo (US$ 30 bilhões), dessa vez com a concordância explícita de todos os candidatos à Presidência da República. Foi consolidada meta de superávit primário do setor público de 3,75% do PIB até 2005 e o piso mínimo de reservas de divisas foi reduzido parar US$ 5 bilhões. Isso contribuiu, inegavelmente, para a redução das expectativas negativas em relação à capacidade de gestão macroeconômica naquele ano e no seguinte.

Em dezembro de 2003, o governo brasileiro acertou novo acordo com o FMI, pelo qual ficou disponível uma linha de crédito de US$ 14,8 bilhões, manteve-se a meta de superávit primário do setor público em 3,75% do PIB para 2003 e 2004, foi adiado um pagamento que o país deveria fazer ao Fundo em 2005 (US$ 5 bilhões) e, entre outras medidas (como a retomada da privatização de bancos estaduais), o governo comprometeu-se a dar mais “autonomia operacional” ao Banco Central e sinalizou, desde o início, sua intenção (afinal concretizada) de não sacar esses recursos, usando-os apenas como um seguro contra uma eventual deterioração do cenário internacional.

Ao final de março de 2005, o governo brasileiro decidiu não renovar o acordo com o Fundo. A não-renovação do acordo com o FMI está baseada nos resultados favoráveis obtidos pela economia nos últimos anos e suas perspectivas para o médio prazo. Para alguns analistas, é, também, um reflexo do fato de o país não ter conseguido que o Fundo reativasse sua CCL, disponível até 2003, mas cancelada em decorrência das dificuldades de acesso. (CCL = Linha de Crédito de Contingência, criada em 1999, para financiar países vítimas de contágio).

Os recursos obtidos por um país por meio de um acordo stand-by estão limitados a um percentual da quota que o país tem depositado no Fundo. No caso do Brasil, em 4 oportunidades – 1992, 1998, 2001 e 2002 – o país conseguiu empréstimos que superaram em muito o valor total da quota. No período 1989-2004, nenhum outro país da América Latina conseguiu sacar um múltiplo tão elevado de sua quota no FMI como o Brasil o fez em 2002.

No início de 2002, o FMI anunciou o fim dos grandes pacotes financeiros para ajuda a países emergentes em dificuldades; também anunciou a criação das chamadas “cláusulas de ação coletiva” (CACs), em novos contratos de bônus, pelas quais os países devem negociar com 85% dos credores no caso de uma eventual reestruturação da dívida. O governo brasileiro resistiu a esse mecanismo, argumentando que ele impõe um componente adicional de custo do crédito e dificuldades no acesso aos recursos dos bancos privados. O Brasil considerava mais urgentes o aumento de quotas do Fundo, a revisão do sistema de cálculo de quotas, a melhoria dos controles sobre a transferência dos títulos de países entre investidores. No entanto, acabou emitindo títulos com CAC, seguindo o exemplo mexicano.

Outro ponto em relação ao qual o Brasil insistiu com o FMI, desde o final da década de 1990, é a necessidade de consideração diferenciada – no cálculo de superávit primário de setor público – dos gastos com infra-estrutura. Em 2005, o país conseguiu ser um dos casos-piloto em que essa nova fórmula de cálculo passaria a ser adotada.



P.S.: sei que o post ficou imenso, mas eu não consegui cortar quase nada do texto original. Motivo? Petistas cegos ofendem minha inteligência ao soltarem inverdades como “Lula pagou a dívida externa” (como se devêssemos só ao FMI) e ao apedrejarem FHC e fazerem aquele discurso de que o Brasil começou em 2003. Economicamente, o que temos hoje de bom começou com FHC sim (quando era ministro do Itamar) e o que temos de ruim começou antes; o governo Lula não enfrentou uma crise econômica pior que FHC (este último sequer teve apoio ao Real – lembrando que até o PT foi contra o Real) – a crise mundial de 2008 foi a pior desde 29 internacionalmente, em âmbito doméstico brasileiro não... já que a economia brasileira foi rearrumada pelos governos anteriores (oi? Lembram do Itamar?). E olha que aqui estou falando apenas de FMI e da parte econômica da coisa, porque se eu for enumerar tudo que eles dizem que ofende minha inteligência, seria um post deste tamanho por dia!

Ou estes petistas cegos são muito burros... ou são mal-intencionados mesmo. Afirmam coisas tão falsas como notas de 3 reais (ou ignorar a última pesquisa do IBGE que afirma que 35,5% dos brasileiros subsistem com alimentação insuficiente, enquanto afirmam que agora os brasileiros têm 3 refeições diárias, por exemplo, é um discurso verídico do presidente e de sua candidata?...).

Penso o seguinte: critique o que de fato deve ser criticado, aplauda o que de fato deve ser aplaudido – e isso independente de quem seja o governante ou partido no poder. Senso crítico não faz mal.

Ah sim, pra quem não sabe, acordos stand-by mencionados no texto são destinados a corrigir desequilíbrios no setor externo dos países, e seu desembolso em parcelas é condicionado ao desempenho econômico segundo metas predefinidas; geralmente estes acordos têm duração entre 12 e 24 meses.

Sugestão de leitura pra quem se interessa por política: esse texto eu gostaria de ter escrito.

11 de ago de 2010

rumo ao obscurantismo

Quem não está familiarizado com o que tem acontecido politicamente no país, procure no pai Google sobre a última denúncia envolvendo o PT (palavras como “Previ” e “ Gerardo Santiago” devem ajudar na busca).

Li a última edição da Veja, assim como leio Economist, Le Monde e outros tantos periódicos (inclusive os que acho péssimos, e a revista Veja é um destes). Acho que devemos ler de tudo, sob todos os pontos de vista, principalmente aqueles com os quais não concordamos. Não entrarei no mérito sobre a reportagem da Veja, nem sobre a veracidade ou não dos fatos ali relatados. Não me cabe julgar nada, muito menos apurar seja lá o que for.

O que me preocupa é que as instituições que deveriam apurar as denúncias, investigar, julgar, questionar... essas instituições simplesmente estão caladas, como se portassem mordaças. O pior? A imprensa... Vivemos numa realidade mediaticamente construída (no senso comum: se não deu na televisão, não aconteceu). Me dá medo o fato de que os meios de comunicação não estão dando a devida importância a esta última denúncia, como não deram a tantas outras envolvendo este governo.

Por quê? Porque a maior tirania que os meios de comunicação exercem sobre a sociedade é a omissão deliberada de qualquer discussão significativa sobre seus interesses, suas virtudes, suas mazelas. No Brasil, praticamente desconhecemos o sentido de um conceito bastante popular em cenários liberais mais desenvolvidos – o conceito de media criticism, ou crítica da mídia, dos meios de comunicação. Um dos únicos veículos que temos a acompanhar os meios de comunicação brasileiros e fazer a críticas dos mesmos, seja qual for o governo, é o Observatório da Imprensa, na Unicamp.

Hoje, ainda, como no século XIX, temos um limite claro para o avanço democrático: o limite da escravidão. Lá, o povo era privado da liberdade no sentido absoluto; aqui, a privação pode ser quase tão cruel, pois um homem privado da informação continua a ser escravo – já que escravo é todo aquele que não pode se apresentar diante de outro como verdadeiro cidadão. E cidadania não há sem acesso à informação. Inclusive, e principalmente, informação sobre os interesses e o funcionamento dos meios de comunicação. Pois eles, constituintes principais da esfera pública contemporânea, têm o dever de estar, juntamente com as organizações estatais, entre as mais públicas, as mais transparentes, de todas as instituições sociais.

Não creio que seja necessário um QI de gênio para perceber que, no Brasil atual, inexiste transparência nos meios de comunicação e que estes, por algum motivo obscuro qualquer, calam-se, cada vez mais, a respeito de atentados graves às nossas leis fundamentais. O que me preocupa mais é o fato de que o Estado demonstra menos transparência ainda. São instituições-chave que não cumprem seu dever... Seguidas por OAB, MPs e tantas outras, além da sociedade civil, que simplesmente têm se mantido, no geral, caladas sobre as tantas arbitrariedades que já foram denunciadas neste governo.

Não duvido, num futuro obscuro e não muito distante, que eu e outras vozes discordantes tenhamos que pedir asilo por aí... E isso não é uma declaração exagerada. É uma constatação de alguém que estudou demais origens e desenvolvimentos de totalitarismos e ditaduras (de direita e de esquerda – e antes de criticarem, pesquisem direito: totalitarismo não é sinônimo de ditadura, embora tenham milhões de características comuns).


* Esse texto AQUI sempre vale a leitura e a reflexão.


*post antigo, porém a cada dia que passa mais atual: Totalitarismo no Brasil?

9 de ago de 2010

pra pensar

Pra começar a semana bem, sem nenhum mau humor e nenhuma acidez, selecionei duas frases perfeitas para este ano eleitoral e para o que tem sido dito por aí nas campanhas políticas e na imprensa. Seria bom se as pessoas pensassem e analisassem um pouquinho mais as coisas antes de votar em qualquer um... Infelizmente, cérebro é um órgão dormente e acessório na maioria absoluta dos casos.

"AS GRANDES MASSAS DO POVO CAEM MAIS FACILMENTE NUMA GRANDE MENTIRA DO QUE NUMA PEQUENA." Hitler


"A ÂNSIA PARA SALVAR A HUMANIDADE É QUASE SEMPRE UM DISFARCE PARA A ÂNSIA DE GORVERNÁ-LA." H.L.Mencken

4 de ago de 2010

nota rápida

Notas rápidas de uma quarta-feira um pouco entediante e, ao mesmo tempo, cheia de coisas pra fazer... (nessas horas eu queria um clone meu pra fazer minhas tarefas enquanto eu fico em casa assistindo TV a cabo...).

Hoje nós, moradores do Distrito Federal, ganhamos um presentinho. Nosso digníssimo ex governador, ladrão, líder de gangue e bonito Joaquim Roriz teve sua candidatura ao governo do DF impugnada e está fora das eleições de 2010. O placar final do julgamento no TRE fechou em 4x2 pela cassação da candidatura. Pra quem mora por aqui há alguns anos e viu o que vários mandatos deste ser humano honestíssimo fizeram com o DF, é um fato a se comemorar. Aviso: antes de alguém começar a falar mal do Arruda pra defender o Roriz, lembre-se que quem montou todo este esquema de corrupção que explodiu agora foi Rorizete e sua gangue.

Pena que muitas outras candidaturas país afora que deveriam ser impugnadas seguirão firmes e fortes... Infelizmente a podridão nacional não se resume a um Roriz...

Ah sim, aproveitando pra comentar o que uma amiga feminista que vota na Dilma me disse para justificar o voto dela: “Precisamos de uma presidente mulher”. ERRADO. Precisamos de um presidente honesto e competente, seja homem, mulher, transexual ou de que gênero for.

3 de ago de 2010

aborto

Há alguns anos, eu diria que sou totalmente pró-aborto e que eu mesma optaria por isso se a circunstância assim o pedisse. Hoje? Não sou pró e nem contra... Mas certamente eu não optaria por isso. O que as pessoas em geral ignoram é que aborto não é a escolha mais fácil; é a mais difícil. Mais fácil seria fazer o que todos esperam, ser mãe, enquadrar-se no papel que esperam das mulheres (perdi, por exemplo, a conta de quantas vezes ouvi que “mulher sem filhos é incompleta”). É mais fácil vestir o papel social esperado.

Antes de me jogar pedras, você tem alguma mulher bem próxima, com a qual tem muita intimidade, que fez um aborto? Difícil não é o julgamento alheio, sim o próprio. Difícil é pegar uma criança pequena no colo e seus olhos encherem de lágrimas. Difícil é acompanhar a gravidez de uma amiga, sentir-se feliz por ela e, ao mesmo tempo, triste consigo mesma. Difícil é 27 anos depois, quando sua filha engravida, lembrar do aborto que você fez e sentir-se mal (fato real com a mãe de uma amiga minha).

Não defendo o aborto, nem o abomino. O que não aceito é que seja considerado crime... Não bastasse a mulher que o pratica ter que conviver com isso pelo resto da vida, ela ainda é considerada criminosa? O que defendo é o direito de todas as mulheres fazerem suas escolhas. São elas que conviverão, pelo resto da vida, com as conseqüências de ter ou não um filho. São elas que deveriam ter o direito de decidir se querem ou não levar a gravidez adiante.

Abomino posições pró ou contra aborto em que a argumentação cai em religião, moralidade... Em primeiro lugar, pra mim isso é uma questão de foro íntimo... cada mulher que decida. Em segundo lugar, religião não deveria influenciar leis... infelizmente, somos um Estado laico apenas na teoria. Em terceiro lugar, não acho que o Estado deva tutelar questões estritamente pessoais, de foro íntimo (e aborto pra mim é uma delas). Em quarto lugar, tentar impor a moral de determinado grupo sobre a moral individual é imoral.

Ademais, essas discussões sobre onde a vida começa e termina não levam a nada. E pensando juridicamente: nossa legislação define morte como a cessação da atividade encefálica. Não seria, portanto, uma decorrência, considerar vida juridicamente protegida somente após a formação da rede neural? Eliminar um amontoado de células, ainda que potencialmente poderia vir a ser uma vida humana, embora não seja capaz de interagir com o meio ou sentir dor, não é ilegal. Não há, portanto, motivos para que a proibição do aborto persista.

Pra mim o problema se resume ao fato de que as pessoas são incapazes de aceitar posições contrárias às suas crenças. Religiões são crenças assim como o ateísmo, o cientificismo, etc. Qual a dificuldade de aceitar que cada um tem uma posição sobre este assunto, que todas deveriam ser respeitadas e que cada um tem o direito de decidir sobre seu corpo e sua vida? Civilidade de verdade é aceitar as diferenças e conviver bem com elas.