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11 de ago de 2010

rumo ao obscurantismo

Quem não está familiarizado com o que tem acontecido politicamente no país, procure no pai Google sobre a última denúncia envolvendo o PT (palavras como “Previ” e “ Gerardo Santiago” devem ajudar na busca).

Li a última edição da Veja, assim como leio Economist, Le Monde e outros tantos periódicos (inclusive os que acho péssimos, e a revista Veja é um destes). Acho que devemos ler de tudo, sob todos os pontos de vista, principalmente aqueles com os quais não concordamos. Não entrarei no mérito sobre a reportagem da Veja, nem sobre a veracidade ou não dos fatos ali relatados. Não me cabe julgar nada, muito menos apurar seja lá o que for.

O que me preocupa é que as instituições que deveriam apurar as denúncias, investigar, julgar, questionar... essas instituições simplesmente estão caladas, como se portassem mordaças. O pior? A imprensa... Vivemos numa realidade mediaticamente construída (no senso comum: se não deu na televisão, não aconteceu). Me dá medo o fato de que os meios de comunicação não estão dando a devida importância a esta última denúncia, como não deram a tantas outras envolvendo este governo.

Por quê? Porque a maior tirania que os meios de comunicação exercem sobre a sociedade é a omissão deliberada de qualquer discussão significativa sobre seus interesses, suas virtudes, suas mazelas. No Brasil, praticamente desconhecemos o sentido de um conceito bastante popular em cenários liberais mais desenvolvidos – o conceito de media criticism, ou crítica da mídia, dos meios de comunicação. Um dos únicos veículos que temos a acompanhar os meios de comunicação brasileiros e fazer a críticas dos mesmos, seja qual for o governo, é o Observatório da Imprensa, na Unicamp.

Hoje, ainda, como no século XIX, temos um limite claro para o avanço democrático: o limite da escravidão. Lá, o povo era privado da liberdade no sentido absoluto; aqui, a privação pode ser quase tão cruel, pois um homem privado da informação continua a ser escravo – já que escravo é todo aquele que não pode se apresentar diante de outro como verdadeiro cidadão. E cidadania não há sem acesso à informação. Inclusive, e principalmente, informação sobre os interesses e o funcionamento dos meios de comunicação. Pois eles, constituintes principais da esfera pública contemporânea, têm o dever de estar, juntamente com as organizações estatais, entre as mais públicas, as mais transparentes, de todas as instituições sociais.

Não creio que seja necessário um QI de gênio para perceber que, no Brasil atual, inexiste transparência nos meios de comunicação e que estes, por algum motivo obscuro qualquer, calam-se, cada vez mais, a respeito de atentados graves às nossas leis fundamentais. O que me preocupa mais é o fato de que o Estado demonstra menos transparência ainda. São instituições-chave que não cumprem seu dever... Seguidas por OAB, MPs e tantas outras, além da sociedade civil, que simplesmente têm se mantido, no geral, caladas sobre as tantas arbitrariedades que já foram denunciadas neste governo.

Não duvido, num futuro obscuro e não muito distante, que eu e outras vozes discordantes tenhamos que pedir asilo por aí... E isso não é uma declaração exagerada. É uma constatação de alguém que estudou demais origens e desenvolvimentos de totalitarismos e ditaduras (de direita e de esquerda – e antes de criticarem, pesquisem direito: totalitarismo não é sinônimo de ditadura, embora tenham milhões de características comuns).


* Esse texto AQUI sempre vale a leitura e a reflexão.


*post antigo, porém a cada dia que passa mais atual: Totalitarismo no Brasil?