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25 de set de 2010

editorial jornal "O Estado de São Paulo"

A acusação do presidente da República de que a Imprensa "se comporta como um partido político" é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre "se comportar como um partido político" e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do "nunca antes", agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o "cara". Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: "Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?" Este é o mal a evitar.



*texto retirado DAQUI.

20 de set de 2010

trilha sonora

Beeemmmm super hiper mega brega... mas lembrei demais dessa música estes últimos dias.

10 de set de 2010

pra reflexão

O que caracteriza os governos não democráticos é o poder ser investido numa pessoa, ou partido, que pretende exercê-lo como se dele fosse proprietário.

Identificado com determinada pessoa ou grupo, o poder personalizado é um poder ‘de fato’ e não ‘de direito’, pois depende do prestígio e da força dos que o possuem. Este poder precisa estar sempre vigiando e controlando o surgimento de divergências que poderão abalá-lo. Busca, então, a uniformização das crenças, das opiniões, dos costumes, evitando o pensamento divergente e destruindo a oposição.

Surge aí o risco do totalitarismo, quando o poder é incorporado ao partido, podendo ser representado por um homem todo-poderoso. O Egocrata é o ser todo-poderoso que faz apagar a distinção entre a esfera do Estado e a da sociedade civil: o partido, onipresente, se incumbe de difundir a ideologia dominante por todos os setores de atividades, a todos unificando, o que permite a reprodução das relações sociais conforme o modelo geral.

Características comuns aos totalitarismos: posicionamento contra o liberalismo, que aparece na crítica à liberdade de corrente do individualismo, geradora de conflitos que enfraquecem o Estado. Diante da inoperância da democracia liberal para resolver a crise, surgem as alternativas que visam, sobretudo, ao fortalecimento do Estado. As 1ªs adesões ao nazismo e ao fascismo sugerem uma tendência anticapitalista que aparenta, no início, ter um caráter revolucionário.

A aliança com os setores mais conservadores, ligados à grande indústria monopolista, aos bancos e às finanças em geral, é que pode explicar o fato de esses partidos terem chegado ao poder por via legal. É interessante notar que, apesar de o verdadeiro poder vir da oligarquia e de nesses movimentos se encontrarem adeptos de todas as camadas sociais, inclusive proletários, é da classe média que saem os elementos que formarão os principais quadros. A fúria da adesão pequeno-burquesa talvez se explique pela constante ameaça de proletarização em momento de crise.

Tanto Hitler, quanto Mussolini, queriam despertar convicções, não debater idéias. Os princípios não são tão importantes para eles quanto o envolvimento no sistema e a adesão a ele. A preponderância desse antiintelectualismo fará descambar a ação para o fanatismo e a violência. Deriva daí uma visão irracionalista do mundo, calcada na promessa de doação de uma sociedade melhor.

Ambos os movimentos se acham orientados por um nacionalismo exacerbado, nascido do desejo de tornar a nação forte e grande, auto-suficiente, com um exército poderoso. A concepção nacionalista tem um caráter idealista e critica a interpretação materialista da historia, típica do marxismo. A luta de classes deve ser substituída pela solidariedade nacional: só uma nação unida será forte o suficiente parar substituir ao caos.

Mussolini, em Opera Omnia, não ocultava estar se valendo do mito da pátria: “criamos o nosso mito. O mito é uma fé, é uma paixão. Não é preciso que seja uma realidade, O nosso mito é a nação, o nosso mito é a grandeza da nação”. O nacionalismo alemão adquire nuances diferentes, como o pangermanismo, que justificava a pregação do espaço vital, segundo a qual era preciso integrar à Alemanha regiões como a Áustria, Dantzig, Polônia e Ucrânia.

A crítica ao liberalismo e à sua concepção individualista de homem, a hostilidade aos princípios da democracia, a valorização das elites e do papel do mais forte, levam à exaltação do Estado. É a idéia de Estado, como suprema e mais perfeita realidade, a própria encarnação do espírito objetivo, representativa da totalidade dos interesses dos indivíduos. É bem verdade que esse estatismo é mais violento em Mussolini, que considera o Estado um fim em si, do que em Hitler, para o qual era apenas um instrumento, pois todo o prestígio deve ser reservado ao Volk (povo).

Não se trata do mero autoritarismo, pois o totalitarismo o ultrapassa: o Estado coincide com a totalidade da vida humana, ou seja, a vida familiar, econômica, intelectual, de lazer, nada restando de propriamente privado e autônomo. Em todos os setores, cuida-se de difundir a ideologia oficial.

Não há mais pluralismo partidário – a 1ª das molas que instauram o poder é o partido, que deve ser rigidamente organizado e burocratizado. É o partido que promove a identificação entre o poder e o povo, processando a homogeneização do campo social. O partido forma organismos de massas (sindicatos, associações culturais e de trabalhadores, organizações de jovens, de mulheres, círculos de escritores, de artistas, de cientistas). Em cada organismo, o partido refaz a imagem de uma identidade social comum e elimina as possibilidades de divergências e oposição; estimula a arregimentação dos indivíduos para o partido; exalta a disciplina e mistifica a figura do chefe.

Aos poucos deixa de existir a independência dos poderes legislativo e judiciário, que passam a ficar subordinados ao executivo, e a direção de toda a economia passa também a se encontrar centralizada. Concentram-se também os meios de propaganda, a fim de veicular a ideologia oficial dirigida ao homem-massa, forjando convicções inabaláveis. Isso garante uma forte base de apoio popular. Ao lado dessa exaltação, há também controle das informações, não só de notícias, mas também da produção artística e cultural. (STALIN também se encontra aqui!)

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Os países latino-americanos têm uma longa tradição de governos ditatoriais. Os regimes chamados autoritários não devem ser confundidos com os totalitários. Ambos cerceiam as liberdades individuais em nome da segurança nacional, usam formas de propaganda política, exercem a censura e têm um aparelho repressivo.

Nos regimes autoritários, contudo, não há uma ideologia de base que serve para a construção de uma nova sociedade e não há uma mobilização popular que lhes de suporte. Ao contrario, ao invés da doutrinação política e do incentivo ao engajamento ativista, há uma despolitização que leva à apatia política. O clima de repressão violenta gera o medo, que desestimula a ação política efetiva. Permanece, sempre que possível, uma aparência de democracia: pode haver vários partidos, e mesmo que a oposição efetiva desapareça, ela existe como oposição formal. E o partido do governo é um mero apêndice do poder executivo.

O governo autoritário pode também utilizar os militares na burocracia estatal, e a elite econômica tem, nos postos chaves, oficias das forças armadas. Os militares saem da caserna para se tornarem a instituição política mais importante da nação.



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O Ovo da Serpente
Totalitarismo no Brasil
Holocausto
Ignorância Nacional

8 de set de 2010

meus amigos

LOUCOS E SANTOS

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde