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23 de out de 2010

pra refletir

*o texto abaixo foi retirado DAQUI.


ECONOMIA E VALOR

Hoje fui até a mesa de um colega de trabalho para tomar um cafezinho. Café forte, expresso, feito na maquininha de um italiano que senta na mesma área. Conversa vai, conversa vem, e eu tenho sorte de ter amigos inteligentes, começamos a falar sobre bons livros lidos e fomos desaguar num assunto muito interessante: valores. Após alguns minutos de conversa voltei pra minha mesa pensando sobre o assunto. A pergunta que saiu da conversa e que, pra ser sincero, já rodeia minha cabeça há algum tempo é: qual a influência dos valores individuais para o sucesso de uma nação?

A situação econômica mundial e uma melhor prática monetária tem tirado muitos brasileiros da pobreza. Dinheiro externo flui com facilidade e existe um certo clima de euforia no ar, refletido nos votos da candidata oficial. E aí vemos de tudo: crimes sendo chamados de erro, gente que aceita tudo em nome da “justiça social”, tentativas de censurar vozes dissonantes e a lei cada vez mais jogada no lixo. O Brasil será a potência do amanhã quer a turma dos 4% queira ou não, decretam os “intelectuais” petistas. Quem ousa discordar é porque é do contra, é porque não quer ver o trabalhador melhorar de vida, é porque é direitista inimigo do povo. Mas deixo pra tirar sarro desses sub-pensadores de quinta categoria depois. Agora o assunto é mais sério.

Volto à provocação inicial: pode um país progredir economicamente enquanto regride sua moral? O brasileiro vem decaindo visivelmente. O Brasil de nossos pais era um pouco mais ético do que o nosso. Ou pelo menos almejava ser. Mesmo eu, olhando pra trás no curto período de minha vida, sinto que a coisa tem piorado bem. E nem falo dos políticos não. Falo do cidadão comum. Existe um clima de permissividade crescendo, um rebaixamento de valores em nome de vantagens imediatas. Um passeio por qualquer cidade revela gente que se odeia, que desconfia, que quer passar a perna um no outro. E mais ainda: a falsificação, a criação de dificuldades para a venda de facilidades, e o pior, uma caracterização da atividade intelectual como coisa de desocupado, de rico, de uma “elite branca”(argh!!). O trabalho acadêmico de muitos de nossos professores, justamente os das áreas sociais, é medíocre. É raso e pobre. É ruim mesmo. A excelência intelectual, encontrada ainda em algumas faculdades, virou coisa rara. Quem a tem sai do país pra não ter que conviver com energúmenos.

O descompasso é montado: uma estrutura economica que cresce na marra, empurrada por uma China que deseja a matéria prima do Brasil e uma “osteoporose” moral, que decompõe lentamente a teia social. O pensamento médio do brasileiro já não mais condiz com o pacto social estabelecido pela constituição de 88, e causa um descompasso entre o anseio popular e as leis. A polícia defende o cumprimento de uma lei que nem ela mesma acredita. As lideranças políticas que apontam a crise moral são ridicularizadas e o político padrão é, na melhor das hipóteses um administrador. O Brasil não possui hoje ninguém que possa simbolizar um padrão ético superior. Os que existiam foram sabotados.

Onde vai uma sociedade assim? Até quando pode o progresso financeiro sobreviver à sabotagem? Na história da humanidade progrediram apenas as sociedades que conseguiram estabelecer um código de princípios que reduziu a corrupção, forneceu segurança física e institucional e de alguma forma deu a senha para a identificação mútua dos indivíduos, raiz da percepção do bem público. Não é a toa que república vem de res publica – coisa pública. O Brasil tem andando na direção oposta. É por isso que quando petistas vem me apontar números que “provam” que um governo foi melhor que outro, fico triste. Não entendem nada do que faz uma nação. Triste país entregue à essa gente.