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6 de dez de 2011

absurdo

Projeto de lei em tramitação no Congresso pretende combater o aborto em gestações resultantes de estupro - prática permitida no Brasil desde o Código Penal de 1940 - com base em um pagamento pelo Estado de um salário mínimo para a mulher durante 18 anos. A idéia, conhecida como "bolsa-estupro", pretende, nas palavras de um dos autores do texto, o deputado Henrique Afonso (PT-AC), "dar estímulo financeiro para a mulher ter o filho".

A idéia de subsídio para grávidas vítimas de violência sexual está também no projeto do Estatuto do Nascituro - texto que torna proibido no País o aborto em todos os casos, as pesquisas com células-tronco, o congelamento de embriões e até mesmo as técnicas de reprodução assistida, oferecendo às mulheres com dificuldades para engravidar apenas a opção da adoção.

Os textos provocaram enxurrada de reclamações e protestos de organizações não-governamentais ligadas aos direitos humanos, aos movimentos feministas e até mesmo em esferas governamentais. Ontem, o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher divulgou carta afirmando que as propostas são um retrocesso nos direitos já obtidos no País. "É retrocesso, uma proposta sem cabimento, equivocada desde o começo. Trata a violência contra a mulher como monetária, como se resolvesse dando um apoio financeiro. Nós apoiamos a liberdade de escolha da mulher", afirma a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres.

"O aborto, para nós evangélicos, é um ato contra a vida em todos os casos, não importa se a mulher corre risco ou se foi estuprada", afirma o deputado Henrique Afonso. "Essa questão do Estado laico é muito debatida, tem gente que me diz que eu não devo legislar como cristão, mas é nisso que eu acredito e faço o que Deus manda, não consigo imaginar separar as duas coisas."

A proposta do deputado inclui ainda outro item bastante polêmico, que prevê que psicólogos, pagos pelo Estado, devam atender essas mulheres para convencê-las da importância da vida, fazendo com que elas desistam do aborto. "O psicólogo comprometido com a doutrina cristã deve influenciar a mulher e fazer com que ela mude de opinião", defende Afonso. No entanto, o Código de Ética da profissão proíbe ao psicólogo, no exercício de suas funções, "induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual".

REAÇÕES

"Há uma dificuldade em compreender que o Estado democrático surge para assegurar a liberdade de crença da população. Há uma confusão no entendimento de alguns parlamentares entre direito e moral, entre religião e política pública", afirma a advogada Samantha Buglione, do Instituto Antígona e das Jornadas Pelo Direito de Decidir.

"Desse modo, propostas como essas corrompem toda a estrutura legal que nós temos, pois pretendem impor uma determinada crença, um pensamento único, baseado numa moral", complementa.

A jurista Silvia Pimentel, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e vice-presidente da Comissão das Nações Unidas para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra Mulheres, realça o caráter de troca da proposta, de pagamento financeiro num contexto de miséria de boa parte da população. "É lamentável que mais uma vez nossos parlamentares estejam se ocupando de questões sérias de maneira esdrúxula. Adoraria perguntar a eles se gastam tanta energia e dedicação à implantação efetiva do Estatuto da Criança e do Adolescente."

"Não é a proteção da maternidade, senão todas as grávidas receberiam. Nem compensação para vítima de violência sexual, pois senão todas também receberiam. É perverso propor oferecer dinheiro para mulheres aderirem a uma tese. Porque é uma tese que eles colocam", diz a antropóloga Débora Diniz, da Universidade de Brasília (UnB).




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***a notícia pode ser lida na íntegra AQUI

*** só tenho uma palavra para definir esse projeto: ABSURDO!!! Em minha opinião, é completamente surreal algo assim... Entendi certo? Então em vez de combater a violência contra a mulher, o que se pretende é violentá-la ainda mais, retirando-lhe o direito de escolha? Que mundo é esse?!?

25 de nov de 2011

violência contra a mulher

Hoje começa o Combate Internacional à Violência contra a Mulher – trata-se de 16 dias de ativismo, que terminam em 10 de dezembro, quando é comemorado o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Nunca é excessivo repetir: não existe crime passional. Não existe isso de que foi só uma briguinha de casal na qual o homem se exaltou. Não existe o argumento de que mulher safada merece apanhar. O que existe são pessoas cuja ética – se é que há ética – é dissolvida no machismo velado da nossa sociedade patriarcal. O machismo mata, enquanto a ignorância esconde os corpos.



Dez brasileiras são mortas, por dia, pelo companheiro ou ex. A cada 2 minutos, 5 mulheres são espancadas no Brasil. E tem gente, aos montes, que acha que esse é um problema menor do que a pobreza ou a fome. O machismo mata, e muito, e diariamente... e impunemente. A vítima tem gênero.

Enquanto ainda houver gente que finge que não sabe e não enxerga, a situação continuará do jeito que está. Para que a violência contra a mulher possa ser combatida, não é só o homem, a mulher ou o judiciário que precisa mudar: são todos! A violência doméstica é um reflexo de uma sociedade, no mínimo, doente.

Gostaria muitíssimo que os defensores da moral e dos bons costumes... sim, aquele pessoal que se diz defensor da família e faz marchas, que vive fiscalizando a sexualidade e a vida alheias, se dedicasse com o mesmo afinco a combater a violência doméstica.

Violência doméstica deve ser combatida e denunciada. DENUNCIE PELO 180.

16 de nov de 2011

sociedade do espetáculo

SOCIEDADE DO ESPETÁCULO: O MAL DE UMA ÉPOCA

“Nosso tempo, sem dúvida . . . prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser. . . O que é sagrado não passa de ilusão, pois a verdade está no profano. Ou seja, à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta, e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado. Feuerbach - Prefácio à segunda edição de “A Essência do Cristianismo”.

Essas palavras do filósofo Feuerbach nos dizem algo fundamental sobre nossa época. Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação. As imagens fluem desligadas de cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida. A especialização das imagens do mundo acaba numa imagem autonomizada, onde o mentiroso mente a si próprio.

O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo. O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a própria sociedade e seu instrumento de unificação. Enquanto parte da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência. Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da falsa consciência; a unificação que realiza não é outra coisa senão a linguagem oficial da separação generalizada. O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizada por imagens. O espetáculo não pode ser compreendido como abuso do mundo da visão ou produto de técnicas de difusão massiva de imagens. Ele é uma visão cristalizada do mundo.

No mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso. O conceito de espetáculo unifica e explica uma grande diversidade de fenômenos aparentes. As suas diversidades e contrastes são as aparências organizadas socialmente, que devem, elas próprias, serem reconhecidas na sua verdade geral.

Considerado segundo os seus próprios termos, o espetáculo é a afirmação da aparência e a afirmação de toda a vida humana, socialmente falando, como simples aparência. Mas a crítica que atinge a verdade do espetáculo descobre-o como a negação visível da vida; uma negação da vida que se tornou visível. O espetáculo apresenta-se como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível. Sua única mensagem é «o que aparece é bom, o que é bom aparece». A atitude que ele exige por princípio é aquela aceitação passiva que, na verdade, ele já obteve na medida em que aparece sem réplica, pelo seu monopólio da aparência.

O espetáculo não quer chegar a outra coisa senão a si mesmo. Na forma do indispensável adorno dos objetos hoje produzidos, na forma da exposição geral da racionalidade do sistema, e na forma de setor econômico avançado que modela diretamente uma multidão crescente de imagens-objetos, o espetáculo é a principal produção da sociedade atual. O espetáculo submete para si os homens vivos, definindo toda a realização humana em uma evidente degradação do ser em ter.

A fase presente da ocupação total da vida social em busca da acumulação de resultados econômicos conduz a uma busca generalizada do ter e do parecer, de forma que todo o «ter» efetivo perde o seu prestígio imediato e a sua função última. Assim, toda a realidade individual se tornou social e diretamente dependente do poderio social obtido. Destituída de seu poder prático e permeada pelo império independente no espetáculo, a sociedade moderna permanece atomizada e em contradição consigo mesma. Mas é a especialização do poder, a mais velha especialização social, que está na raiz do espetáculo. O espetáculo é, assim, uma atividade especializada que fala pelo conjunto das outras. É a representação diplomática da sociedade hierárquica perante si própria, onde qualquer outra palavra é banida, onde o mais moderno é também o mais arcaico.

A origem do espetáculo é a perda da unidade do mundo, e a expansão gigantesca do espetáculo moderno exprime a totalidade desta perda: a abstração de todo o trabalho particular e a abstração geral da produção do conjunto traduzem-se perfeitamente no espetáculo, cujo modo de ser concreto é justamente a abstração. No espetáculo, uma parte do mundo representa-se perante o mundo, e é-lhe superior. O espetáculo não é mais do que a linguagem comum desta separação. O que une os espectadores não é mais do que uma relação irreversível com o próprio centro que mantém o seu isolamento. O espetáculo reúne o separado, mas reúne-o enquanto separado. A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado (que é o resultado da sua própria atividade inconsciente) exprime-se assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos ele compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo.

A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que age aparece no fato de que os seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que os apresenta a ele. Eis por que o espectador não se sente em casa em parte alguma, porque o espetáculo está em toda a parte. Eis por que nossos valores mais profundos têm dificuldade de sobreviver em uma sociedade do espetáculo, porque a verdade e a transparência, que tornam a vida realmente humana, dela são banidas e os valores enterrados sob o escombro das aparências e da mentira que separam em vez de unir.




*** o texto acima é de Maria Clara Lucchetti Bingemer

14 de nov de 2011

american history x

Assisti estes dias, pela enésima sei lá qual vez, o excelente “American History X” (não sei que nome deram ao filme em português). É um daqueles raros filmes que posso assistir e reassistir e sempre traz algo novo sobre o que pensar – sempre tenho vontade de vomitar também, ao perceber que existem muitas pessoas que pensam daquele jeito soltas por aí... Recomendo muitíssimo.

Edward Norton, para variar um pouco, está brilhante no papel principal (admito: está uma delícia também, malhado na medida certa... exceto pelas tatuagens que me dão ânsia). O filme faz uma exploração das raízes do ódio racial na América. Derek Vinyard (Edward Norton) é um skinhead repleto de ódio por todos que são diferentes de si. A cena de abertura, chocante para alguns, mostra o irmão mais novo de Derek, Danny, interpretado por Edward Furlong, correndo para contar a ele que negros estão arrombando seu carro em frente à sua casa, ao que Derek reage atirando e, depois, brutalmente assassinando um dos ladrões (famosa cena do meio-fio, que deve ser vista, não narrada...rs...).



Julgado e condenado, Derek é mandado para prisão, onde ele adquire uma visão diferente de tudo à medida em que compara os prisioneiros white-power com o negro Lamont (Guy Torry), seu colega na lavanderia e eventual amigo. Enquanto isso, Danny, com a cabeça raspada e uma atitude rebelde, parece destinado a seguir os passos de seu irmão mais velho. Após Danny escrever uma crítica favorável de Mein Kampf, de Hitler, o professor negro Sweeney o manda escrever um artigo sobre a vida de seu irmão, um ex-aluno. Isso serve para introduzir flashbacks, ilustrando, em seqüencias monocromáticas, a vida de Derek antes da noite do tiroteio e o que ocorreu na prisão.

Derek era a esperança de sua mãe, o legado de seu pai e o herói de seu irmão. É possível entender como surge o ódio de Derek a partir das opiniões de seu pai e como esse ódio é explorado após a morte do mesmo. O pior: são argumentos que as pessoas usam atualmente para defender sua pátria dos imigrantes, que pessoas ao nosso redor usam para atacar as ações afirmativas.

Excelente filme, com violência brutal, linguagem forte, cenas de estupro, sexualidade e nudez. Porém, nada usado gratuitamente ou de forma apelativa, muito pelo contrário. Quem ainda não viu, vale a pena assistir. Quem já viu, sempre vale a pena assistir de novo.

10 de nov de 2011

sexismo e publicidade

Infelizmente, quem não entende inglês não conseguirá assistir e entender... Mais infelizmente ainda, há aquelas pessoas que entendem inglês, assistirão e, ainda assim, não entenderão.

Este vídeo complementa bem o post anterior, ao mostrar um pouco sobre o treinamento que mulheres recebem da mídia para serem machistas, submissas e discriminarem outras mulheres, ou apreciarem sua objetificação, do mesmo jeito que homens. E o melhor: nem percebem! (em itálico copiado da minha amiga Ukiyou Citrus)



Pensar não mata!



*se alguém souber de vídeos similares em português, favor me enviar o link.

31 de out de 2011

Lula, o câncer e os imbecis

Bastou nosso ex-presidente ter seu câncer descoberto e anunciado para um monte de imbecis invadir as redes sociais com piadinhas de péssimo gosto. Quem eram mesmo os cidadãos que ontem achavam um absurdo as piadas do Rafinha Bastos? Pois é... Hipocrisia manda beijo pra vocês!

Não simpatizo com Lula enquanto pessoa, muito menos enquanto governante – e isso, mesmo sem me conhecer, é fácil perceber lendo este blog. Porém, tenho profundo desprezo – e pena – por todos os imbecis que estão fazendo pouco caso da doença do nosso ex-presidente.

Meu falecido pai teve câncer, minha falecida ex-sogra teve câncer... atualmente, uma grande amiga minha, no auge de seus 27 anos, está com câncer, e o pai de um grande amigo meu está na fase terminal do câncer. Provavelmente, os piadistas nunca tiveram alguém próximo acometido por esta doença... Meu lado politicamente correto espera que jamais tenham. Já meu lado incorreto deseja que vocês próprios sejam acometidos pela doença para que saibam como é delicioso fazer quimio e radioterapia!

Parece que está faltando no vocabulário do ser humano a palavra EMPATIA. "Sugere-se que o sistema límbico, uma das partes mais antigas do nosso cérebro, e suas conexões com o córtex pré-frontal estariam envolvidas na empatia; proporcionariam aos homens a capacidade de se colocar no lugar dos outros. Dessa forma, uma empatia primitiva estaria presente desde cedo na evolução humana, e com a aquisição de novas estruturas cerebrais e circuitos neurais adicionou-se a essa empatia uma forma de cognição, de tal forma que pôde ser experienciada em conjunto com uma consciência social mais desenvolvida". Bem... minha conclusão é que a humanidade está INvoluindo e tornaram-se crônicos os problemas de conexão entre o sistema límbico e o córtex pré-frontal...

Ou, como bem dito por uma conhecida:

“Alexandre, o Grande, ao saber que seu maior inimigo, Dario III, havia morrido provavelmente pelas mãos de um soldado raso, chorou. Ofereceu-lhe postumamente um discurso no qual, reconhecendo e exaltando as qualidades do opositor, lamentou o fato de ele não ter tido uma morte condigna ao grande guerreiro e homem que foi. Mito ou fato histórico, tenho saudades dos tempos que eu não vivi, nos quais mesmo inimigos e opositores sabiam se respeitar, sabiam reconhecer a grandeza um do outro e se tratavam com a dignidade possível às circunstâncias.”

Ninguém precisa ser petista ou fã do Lula para tratá-lo com o mínimo de respeito e dignidade…

28 de out de 2011

Brasil: uma democracia de baixa qualidade

(...)

(...) o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso “escreveu uma espécie de ‘manual do usuário’ para o presidencialismo de coalizão no Brasil”, que foi seguido “à risca por Lula” e – acrescento agora, porque o livro não entra ainda no atual governo – pela presidenta Dilma Rousseff. Diante do fato de que temos uma das maiores pulverizações partidárias do mundo, Fernando Henrique construiu uma sistema de coalizão que não era baseado em afinidades políticas ou ideológicas, mas na troca de apoio por benesses: cargos, poder de influência, verbas do orçamento, etc. Tratou de construir, a partir desse sistema, a maior base de sustentação que lhe fosse possível, para ultrapassar sempre os 60% necessários para aprovar emendas constitucionais. Lula seguiu na mesma balada. E agora Dilma, que consegue ter quase 80% de apoio na Câmara e no Senado.

De fato, como diz Kurt Weyland, a “sustentabilidade” de tal modelo “é crescente”, uma vez que a cada governo essa maioria só aumenta, e os governos conseguem, na grande maioria das vezes, o quorum necessário para aprovar os projetos de seu interesse. E é também verdade que tal modelo produz uma “democracia de baixa qualidade”. Porque ela é baseada numa troca de favores. Que, por um lado, transforma o governo numa usina de escândalos. E, por outro lado, gera uma situação que torna praticamente insustentável para a maior parte dos políticos e dos partidos sobreviver na oposição.

É como se o Brasil fosse uma espécie de cidade do México política na maior parte do tempo. A cidade do México fica em cima de uma falha geológica que faz com que ela esteja submetida sempre a pequenos terremotos de baixa intensidade. Aqui, vivemos uma situação crônica de pequenos terremotos políticos, nunca com intensidade suficiente para derrubar governos. É uma situação de crise constante, que nunca tem a capacidade mesmo de produzir rupturas institucionais.

(...)

Os ministérios são sucursais desse esquema montado. Seus projetos bancam os interesses políticos dos partidos. Com desvios de verbas, em boa parte dos casos. Quando os esquemas são descobertos, gera-se a crise, e cai o ministro.
Como não se vislumbra outro modelo possível, quem sobrevive fica à espera de que a poeira do esquecimento cubra o escândalo para que tudo volte ao normal.

(...)

E, assim, a oposição não consegue lucrar de fato com a situação, a não ser que os governos deixem de ser populares, como aconteceu com Fernando Henrique em seu segundo mandato. Sufocada por não se beneficiar das benesses daqueles que aderem, a oposição fica sufocada. E é por isso que parte dela resolveu agora migrar para o PSD, para ficar mais próxima desse esquema.

(...)



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*o texto acima não é de minha autoria e pode ser lido na íntegra AQUI.

Dica: Caiu outro ministro? Quando acontece um problema, o erro está no indivíduo. Vários, o erro está na instituição.

27 de out de 2011

declaração de amor à capital

Dizem que o brasiliense é frio. Discordo. O brasiliense apenas adequou-se ao meio. Não sei se Niemeyer tinha isso em mente quando fez sua maquete – sim, Brasília é ótima, linda e funciona muito bem... em uma maquete de estudante de arquitetura. Voltando... não sei se a megalomania de Niemeyer pensou nisso, mas acabou criando um meio hostil à convivência social, propício à existência de cidadãos solitários e de micro-sociedades que lembram cidadezinhas do interior.

“As pessoas não andam na rua aqui?”. Essa foi a pergunta que um conhecido me fez a 1ª vez que esteve aqui, quando o busquei no aeroporto. Ele mora no Rio. Quando estou por lá, a gente anda a pé, na rua, vai à praia, pára na esquina para tomar um suco e conversar com desconhecidos, vê gente. Aqui? Andar onde? De onde para onde? Brasília não tem esquinas, não tem quarteirões, não tem calçadas, não tem praia, não tem praças, não tem espaços públicos de convivência social.

Não tem Avenida Paulista para matar o tempo caminhando e parando em algum lugar para ver algo ou tomar/comer alguma coisa... Não tem Liberdade para caminhar entrando em lojinhas e galerias... Não tem Augusta para andar a noite escolhendo o que fazer... Não tem 25 de Março para andar e fazer compras... E estou propositalmente falando de São Paulo, pois dizem que paulistas são frios. Bom, se você for carioca, são mesmo... mas comparando-se a brasilienses, não chegam nem à temperatura de 0ºC.

Sem espaços públicos de convivência social, restaram os pseudo-espaços, onde se formam micro sociedades. Brasília é uma cidade grande apenas espacialmente, espalhada, onde tudo é muito longe. O que existe aqui são muitas cidadezinhas do interior... porém, aqui assimilou-se o que as cidadezinhas têm de pior: fofoquinhas, preocupação excessiva com a vida alheia. Eu jamais conseguiria morar numa cidadezinha por causa disso e pela falta de opções culturais e de lazer e serviços... pois olha que coisa boa: Brasília também carece de tais opções. Não fosse pelo fator trabalho-estudo, acredito que muitas outras pessoas, além de mim, já teriam se mudado da capital há muito tempo.

Brasília tem até setor de suicídios: o SSS (Setor de Suicídios Sul, conhecido como Pátio Brasil Shopping). Recentemente, parece que os suicidas mudaram de local, indo se encontrar no Liberty Mall. Para quem não mora aqui: estes shoppings foram escolhidos pelos suicidas, que se jogam lá de cima... o Pátio Brasil teve até que fechar com vidro o vão livre central para as pessoas não se jogarem mais. Para todos: descobri estes dias que Brasília é a capital brasileira com a maior taxa de depressão e suicídios. Por que será?

Ah... JK, Niemeyer e Lucio Costa... a megalomania de vocês, vista menos de um século depois, é linda viu... NOT!

20 de out de 2011

o caso Rômulo Lemos e a cultura do macho pegador

A agressão de Rômulo Lemos a estudante Rhanna, que resultou em quatro placas de titânio e dezesseis pinos no braço desta última, foi um dos assuntos mais comentados dos últimos dias. Num primeiro momento, a estupidez e a brutalidade do ato exigem, quase que de forma automática, o repúdio e a cobrança pelas medidas cabíveis de apuração e punição ao agressor.

(...)

É preciso ver nesse episódio mais que a brutalidade do golpe, mais do que a revolta contra a crassa troglodice ou a pressão pela responsabilização penal, mais que os envolvidos e seus estereótipos. Há nisso tudo a atuação de um padrão machista de relações sociais, um modo violento, cruel e sádico pelo qual, muitas vezes, os homens se relacionam com as mulheres.

E não se trata aqui, como se poderia, apressadamente, concluir, de manifestações extremas como estupro e o espancamento regular. Mas de atos sutis, posturas e atitudes cotidianas, presentes e atuantes em gestos, palavras e olhares por meio dos quais os homens se aproximam, “apreciam”, paqueram ou se dirigem às mulheres. Trata-se das passadas de mão em ônibus ou corredores, as frases e provocações grosseiras, as insinuações invasivas, o “comer com os olhos”, as buzinadas, assobios e “psius”. Tudo isso que expressa literalmente um não-reconhecimento da autonomia e integridade moral do outro, da liberdade de seu corpo e de seu desejo.

(...)

A indignação contra o episódio não pode nos fazer perder de vista esse horizonte cultural violento e sádico que norteia o modo de relacionar-se entre homens e mulheres dentro do qual tal episódio está essencialmente inscrito, reduzindo assim a questão à responsabilidade individual do autor da agressão. (...) a violência tem sido um aspecto constitutivo da educação e da identidade dos homens, o significante em função do qual vêem a si mesmos como homens, o meio para se tornarem homens de verdade.

O caminho para fazerem-se de si mesmos homens, em nossa cultura e sociedade, está intimamente ligado tanto à violência virilizadora quanto à posse de mulheres. Uma educação fortemente centrada no imperativo de se ter poder sobre as mulheres, de subjugá-las à vontade masculina, é o que está na raiz de uma série de práticas comuns, pelas quais os homens gozam de ampla e irresponsável liberdade no trato com as mulheres, inclusive promover, em baladas e carnavais, “ataques” e cercos em bando contra estas, acossá-las e segurá-las pelo braço, pelo cabelo ou cintura quando os recusam ou ignoram.

Infelizmente, tal crença apóia-se num traço – ainda persistente e com alguma força de realidade – de nossa cultura, que educa e constrói mulheres e homens para o olhar e o exercício da masculinidade, como que a afirmação da feminilidade das primeiras e da masculinidade dos segundos somente são possíveis mediante esta relação de um sujeito que olha ofensivamente, invade e que fala grosserias e um objeto passivo que somente se realiza se for notado e devassado com virilidade e agressividade. É dessa crença misógina que deriva a ideia que a mulher está provocando quando sai de casa de saia ou shorts curtos, o que é interpretado na cabeça vazia de muitos como sendo um tipo de autorização ao assédio, ou a representação feminina pelos comerciais e pela publicidade em geral da mulher como uma máquina cuja única qualidade e atributo significativos são a sedução e o seu corpo.

(...)

Cenas e episódios como os que envolveram Rômulo Lemos e a estudante Rhanna, para além da apuração e dos procedimentos legais, devem nos servir para questionar a consagração dessa cultura do macho-pegador. A ferocidade dessa cultura manifesta-se em relações sociais de gênero assimétricas entre homens e mulheres, estabelecidas segundo padrões violentos de sociabilidade e de identidades de gênero pré-definidas para proporcionar o desempenho de papéis que brinda uns como sujeitos e outras como objetos de poder e de assujeitamento. Um dos problemas centrais, nesse caso, reside, portanto, em como nossa sociedade naturaliza uma forma de masculinidade na qual a violência e o direito sobre o outro como objeto de seu desejo e vontade são elementos estruturadores da identidade, autoimagem e performance masculinas.

Por último, caberia perguntar também, até que ponto a violência, a agressividade e misoginia masculinas seriam não apenas produtos de um processo de incorporação dessa cultura do macho-pegador, mas também o resultado da repressão dos elementos mais emocionais, uma ocultação das emoções e dos gestos mais afetuosos cujo desdobramento resulta numa quase impossibilidade dos homens de expressar-se de outro modo.

(...)



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*o texto acima não é de minha autoria e pode ser lido na íntegra AQUI.

17 de out de 2011

violência contra mulher

Semana passada, entre vários outros fatos divulgados envolvendo violência contra mulheres, dois em especial me chamaram atenção: a mulher que sofreu um gang rape e a mulher que teve o braço quebrado em uma boate. Nos dois casos, apareceram pessoas para amenizar o que os agressores fizeram e tentar colocar a culpa nas vítimas. Pergunto: vocês não têm mãe? Irmãs? Filhas? Namoradas? Qualquer uma, apenas por existir, pode ser vítima de algo assim.

NÃO EXISTE NENHUMA JUSTIFICATIVA PARA UM ESTUPRO. E ponto final. Muito menos para vários indivíduos estuprarem alguém e filmarem o feito. A mulher saiu para beber com homens, então a culpa é dela? Façam-me o favor! Supondo que ela tivesse saído vestida como uma prostituta barata e feito pole dance, ainda assim é injustificável que fosse estuprada. E ainda há mulheres que amenizam o que os agressores fizeram e tentam culpar a vítima? O machismo de vocês manda beijo. E amanhã, se vocês forem a vítima, não reclamem que alguém está tentando culpar você porque “pediu” por isso.

Também NÃO EXISTE NENHUMA JUSTIFICATIVA PARA VIOLÊNCIA GRATUITA. Ou não é gratuito um energúmeno quebrar o braço de alguém simplesmente porque a moça não quis ficar com ele? Minha experiência empírica diz que basta respirar e existir para seres inconvenientes nos puxarem pelo braço, ou puxarem nosso cabelo, ou nos puxarem pela cintura. O empirismo também me mostrou que basta dizer não para energúmenos xingarem ou quererem partir para a violência. E aí? Temos que estar sempre disponíveis e aceitar os neandertais que agem como se pudessem nos puxar pelos cabelos e levar pra onde quiserem?

Não é por acaso que saio muito para lugares gays: corro bem menos risco de um homem das cavernas aparecer enchendo o saco... até porque neandertais costumam ser homofóbicos e não freqüentar o meio gay. Porém, é um completo absurdo que eu precise ir para uma festa ou boate gays para poder dançar a noite inteira sem ter meu braço, ou cabelo, ou cintura, puxados.

Não culpem mulheres pelas agressões que elas sofrem. Digo, por experiência própria, que nós passamos por situações inconvenientes TODOS OS DIAS, apenas pelo simples fato de existirmos. Se eu fosse bater ou espancar cada imbecil que me importunou, a lista seria infinita e eu estaria cumprindo prisão perpétua. E se o problema desses imbecis fosse resolvido apenas com a gente não sendo insinuante, a solução seria fácil: todas usando burca e ambientes de convivência separados entre masculinos e femininos, para que não aja nenhum tipo de interação social entre homens e mulheres. Infelizmente, não é tão fácil assim e, se fosse, mulheres não seriam agredidas em locais onde andam de burca e têm vagões exclusivos no metrô.

10 de out de 2011

violência contra homossexuais

A homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.

Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência à existência de mulheres e homens homossexuais. Apesar dessa constatação, ainda hoje esse tipo de comportamento é chamado de antinatural.

Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (ou Deus) criou órgãos sexuais para que os seres humanos procriassem; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).

Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?

(…)

Relacionamento homossexual entre primatas não humanos está fartamente documentado na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no Journal of Animal Behaviour um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.

(…)

Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela simples existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por capricho individual. Quer dizer, num belo dia pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas como sou sem vergonha prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.

(…)

Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais na vizinhança, que procurem dentro das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal costumam aceitar a alheia com respeito e naturalidade.

(…)

Afinal, caro leitor, a menos que seus dias sejam atormentados por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu trinta anos?




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*o texto acima é de autoria de Drauzio Varella e pode ser lido na íntegra AQUI.

9 de out de 2011

projeção

Em psicologia, projeção é um mecanismo de defesa no qual os atributos pessoais de determinado indivíduo, sejam pensamentos inaceitáveis ou indesejados, sejam emoções de qualquer espécie, são atribuídos a outra(s) pessoa(s). A projeção ocorre quando os sentimentos ameaçados ou inaceitáveis de determinada pessoa são reprimidos e, então, projetados em alguém. Ela reduz a ansiedade por permitir a expressão de impulsos inconscientes, indesejados ou não, fazendo com que a mente consciente não os reconheça. Um exemplo de tal comportamento pode ser o de culpar determinado indivíduo por um fracasso próprio. Em tal caso, a mente evita o desconforto da admissão consciente da falta cometida, mantém os sentimentos no inconsciente e projeta, assim, as falhas em outra(s) pessoa(s).

Dica: olhe-se no espelho antes de projetar nos outros o que não gosta em si mesmo.

29 de set de 2011

sem palavras

Costuma-se afirmar que uma imagem diz mais do que mil palavras... Então em vez de escrever um texto sobre minha indignação com fatos políticos, fiquem com uma belíssima imagem:

27 de set de 2011

religião é como um pênis



traduçãozinha:


RELIGIÃO É COMO UM PÊNIS

É bom ter uma.

É bom ter orgulho disso.

Mas por favor não a coloque pra fora em público e comece a balançá-la por aí.

E POR FAVOR não tente empurrá-la goela abaixo de meus filhos.

26 de set de 2011

submissão feminina no séc XXI

A entrevista é do ano passado, mas segue muitíssimo atual. Recomendo a leitura e a reflexão. Seguem alguns trechos, mas quem se interessar pode encontrar a entrevista completa AQUI.


"O diagnóstico das revoluções femininas do século XX é ambíguo. Ele aponta para conquistas, mas também para armadilhas. No campo da aparência, da sexualidade, do trabalho e da família houve benefícios, mas também frustrações. A tirania da perfeição física empurrou a mulher não para a busca de uma identidade, mas de uma identificação. Ela precisa se identificar com o que vê na mídia. A revolução sexual eclipsou-se diante dos riscos da Aids. A profissionalização, se trouxe independência, também acarretou stress, fadiga e exaustão. A desestruturação familiar onerou os dependentes mais indefesos, os filhos."

"No decorrer deste século, a brasileira se despiu. O nu, na tevê, nas revistas e nas praias incentivou o corpo a se desvelar em público. A solução foi cobri-lo de creme, colágeno e silicone. O corpo se tornou fonte inesgotável de ansiedade e frustração. Diferentemente de nossas avós, não nos preocupamos mais em salvar nossas almas, mas em salvar nossos corpos da rejeição social. Nosso tormento não é o fogo do inferno, mas a balança e o espelho. É uma nova forma de submissão feminina. Não em relação aos pais, irmãos, maridos ou chefes, mas à mídia. Não vemos mulheres liberadas se submeterem a regimes drásticos para caber no tamanho 38? Não as vemos se desfigurar com as sucessivas cirurgias plásticas, se negando a envelhecer com serenidade? Se as mulheres orientais ficam trancadas em haréns, as ocidentais têm outra prisão: a imagem."

"Apesar das conquistas na vida pública e privada, as mulheres continuam marcadas por formas arcaicas de pensar. E é em casa que elas alimentam o machismo, quando as mães protegem os filhos que agridem mulheres e não os deixam lavar a louça ou arrumar o quarto. Há mulheres, ainda, que cultivam o mito da virilidade. Gostam de se mostrar frágeis e serem chamadas de chuchuzinho ou gostosona, tudo o que seja convite a comer. Há uma desvalorização grosseira das conquistas das mulheres, por elas mesmas. Esse comportamento contribui para um grande fosso entre os sexos, mostrando que o machismo está enraizado. E que é provavelmente em casa que jovens como os alunos da Uniban aprenderam a “jogar a primeira pedra” (na aluna Geisy Arruda)."

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Abaixo, trecho do artigo, datado de hoje, Gisele Bündchen e o Sexismo (também vale a leitura e a reflexão):

"Menos de uma semana depois de o Brasil enviar a primeira mulher para abrir uma Assembléia Geral das Nações Unidas, a marca de lingeries Hope reforçou um outro tipo de imagem da mulher brasileira em sua nova campanha publicitária. Quem protagoniza a peça é a modelo Gisele Bündchen, que exibe o corpo impecável com as roupas da empresa."

"Existe um outro movimento ao retratar o universo feminino dentro da publicidade, conectado à realidade da mulher contemporânea, na inserção no mercado de trabalho e no compartilhamento da renda do lar. Ainda muito discretamente, no entanto, a publicidade sequer se aproxima de dar conta do complexo cenário em que se enquadra o feminino no Brasil.
Por enquanto, a propaganda ainda se encontra a anos-luz das conquistas do movimento feminista, da emancipação feminina e da construção de um ideário de igualdade entre os sexos."

14 de set de 2011

Papa denunciado por pedofilia

Uma associação americana de vítimas de padres pedófilos anunciou nesta terça-feira ter apresentado uma queixa ante o Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o Papa Bento 16 e outros dirigentes da Igreja católica por crimes contra a humanidade.

Os dirigentes da associação SNAP, orientados pelos advogados da ONG americana "Centro para Direitos Constitucionais", entraram com uma ação para que o Papa seja julgado por "responsabilidade direta e superior por crimes contra a humanidade por estupro e outras violências sexuais cometidas em todo o mundo".

A organização acusa o chefe da Igreja católica de "ter tolerado e ocultado sistematicamente os crimes sexuais contra crianças em todo o mundo".



*Notícia completa
AQUI.



Primeira notícia envolvendo igreja e religião que me faz feliz em muito tempo! Não acho que vá dar em nada... Conhecendo política internacional, DUVIDO que o TPI tenha coragem suficiente pra aceitar a denúncia e julgar os indivíduos envolvidos. Porém, fiquei muito feliz pelo fato de que alguém teve a coragem de denunciar o Papa e de que está sendo dada atenção ao problema da pedofilia praticada por castos e santos membros do clero.

Dica: senhores clérigos de todas as religiões, preocupem-se mais em ajudar aos necessitados e menos em se meter na laicidade dos Estados. Metam-se menos em decisões de foro íntimo e mais na faxina de seus próprios quintais.

11 de set de 2011

11/09

Prometi a mim mesma não falar sobre o 11 de Setembro, mas abro uma exceção. O que copio abaixo foi escrito por um amigo que mora nos EUA e postado em seu Facebook. Se um único americano ler isso e entender, já fico feliz.

"Adding to the mourning and remembrance, today also marks the death of Salvador Allende, a paramount date in the smothering of Latin American democracy by US foreign policy. I mean no offense at all and hope not to be misunderstood, but if you are not familiar to stories such as this, I would encourage the understanding of the place that this country has in the world as essential to properly mourn horrible tragedies such as that of ten years ago."


Traduzindo:

Somando-se ao luto e à lembrança, hoje também marca a morte de Salvador Allende, uma data fundamental na asfixia da democracia latino-americana pela política externa dos EUA. Não quero ofender ninguém e espero não ser mal interpretado, mas se você não estiver familiarizado com histórias como essa, gostaria de encorajar a compreensão do lugar que este país tem no mundo como essencial para os que choram horríveis tragédias como a de dez anos atrás.

8 de set de 2011

liberação sexual?

O quadro anterior de nítida repressão sexual tem sido substituído, nas últimas décadas, pela valorização da sexualidade, o que nos levaria, num primeiro momento, a admitir uma liberação. Mas será que podemos falar em liberação numa sociedade onde a censura geralmente é mais rigorosa com filmes e revistas sobre sexo do que com os de violência?

O movimento estudantil de maio de 1968 foi importante no processo de procura da afirmação do direito à sexualidade. A dupla moral foi duramente criticada, assim como todas as formas hipócritas de relacionamento humano; os movimentos feministas tentaram recuperar a dignidade e a autonomia da mulher; houve a exigência de uma linguagem mais livre; iniciou-se a valorização do corpo. Estava começando a revolução sexual.

Como o capitalismo reagiu diante de formas emergentes de dissolução dos costumes? Incorporando-as para amenizar seus efeitos. Uma ampla produção de revistas, filmes, livros e peças teatrais veio atender ao interesse despertado pelas questões sexuais. Mas essa produção se acha voltada para o novo filão de dinheiro: o sexo torna-se vendável. No entanto, há apenas uma ilusão de liberação sexual; na verdade, continuam ocorrendo formas sofisticadas de repressão.

A sexualidade que se acha liberada é a sexualidade genital, centralizada no ato sexual. Isso é o empobrecimento da sexualidade humana. A canalização dos instintos para os órgãos do sexo impede que seu erotismo desordenado e improdutivo prejudique a boa ordem do trabalho. O alívio de fim de semana dado às necessidades sexuais cada vez mais “liberadas” faz as pessoas pensarem que, afinal, o mundo não é tão hostil assim aos seus desejos; mas, na verdade, o que está sendo ocultado é que o ambiente no qual as pessoas podiam obter prazer foi reduzido. Consequentemente, o universo de concentração de desejos libidinosos é do mesmo modo reduzido.

O papel do controle da intimidade coube, num primeiro momento, à religião; atualmente cabe à ciência, por meio da sexologia. Escreve-se muito sobre sexo, mas do ponto de vista científico. Os romanos tiveram a Ars amatoria, de Ovídio; os japoneses, a sua arte erótica; os hindus, o Kama Sutra. Nessas obras procura-se conhecer o sexo pelo domínio do corpo e pelo exercício do amor – trata-se de uma arte. A sexologia, por sua vez, procura explicar o sexo pelo intelecto – é uma ciência.

Segundo Michel Foucault, autor de História da Sexualidade, falar sobre sexo é uma maneira camuflada de evitar fazer sexo. Daí a mudança da ars erotica para a scientia sexualis. A ciência surge como uma forma controladora da sexualidade e, através do discurso da competência, busca a normalidade e a objetividade. O discurso científico, se dizendo além dos tabus e dos preconceitos, reduz o sexo a uma visão biologizante; mostrando-o como algo natural, estabelece padrões sobre o que é normal ou patológico, classifica os tipos de comportamento e aprisiona os indivíduos à última palavra do especialista competente, através do qual o sexo é vigiado e regulado.

5 de set de 2011

puritanismo

O post anterior me levou a desenterrar vários textos e livros da época da graduação... Pra quê? Reler algumas coisas e ter um embasamento melhor para escrever alguns posts relacionados à repressão que nós, mulheres, sofremos atualmente. Este aqui ficou um pouco grandinho, mas espero que seja útil pra alguém.

O discurso moralista e puritano é herdeiro das tendências neoplatônicas que consideram que o caminho da humanização está na purificação dos sentidos mais baixos. A sexualidade deixa de fazer parte do homem integral e é confinada à alcova, ao silêncio. A visão platônico-cristã dissocia o amor espiritual do amor carnal e associa sexo ao pecado.

A Reforma Protestante retoma essa temática e o trabalho surge como a ocasião de purificação. Pela predestinação, a salvação ou a condenação das almas independe do próprio homem; as obras, a riqueza, a prosperidade, são sinais da escolha divina. Daí o trabalho ser o meio de fugir da tentação e a condição da purificação. “A ociosidade é a mãe de todos os vícios”. Está surgindo aí a moral burguesa.

O princípio de adestramento do corpo faz com que o trabalho não seja apenas um freio para o sexo, mas que promova um processo de dessexualização e deserotização do corpo. Há uma situação de dominação em que uma classe se encontra submetida a um trabalho alienado, fragmentado, repetitivo e mecânico, no qual não há mais prazer.

O trabalhador interioriza a necessidade de rendimento, de produtividade, preenchendo funções preestabelecidas e organizadas em um sistema cujo funcionamento se dá independentemente da participação consciente de cada um: eficiência e repressão convergem. O sexo é restrito a momentos isolados, nas horas de lazer. É submetido a um controle para que não se desvie da função de procriação.

Na família burguesa vão se tecendo os papéis destinados a cada elemento. O pai é o provedor da casa e seu espaço é público (o trabalho e a política). A mulher, protegida pelo homem, desempenha o papel biológico que lhe é destinado e fica confinada ao lar. A conseqüência é a chamada dupla moral, isto é, a existência de uma moral para a mulher e outra para o homem.

Para que a mulher possa desempenhar o papel de mãe, a educação da menina é orientada como se ela fosse um ser assexuado. Sua vida sexual deve começar apenas no casamento e, muitas vezes, sem os prazeres da carne. A virgindade é valorizada, o adultério punido e sempre se aceitou com naturalidade as justificativas de “matar para lavar a honra”.

Tem-se a dicotomia feminina: ou é santa ou é prostituta. A recusa de sexualizar a mulher se contrapõe à tendência de sexualizá-la de forma perversa. Veja, por exemplo, o uso dos adjetivos honesto e sério: o que se entende por “homem honesto” ou “sério” é muito diferente de “mulher honesta” ou “séria”. De um homem, no seu serviço, exige-se competência; de uma mulher, que também seja bonita e charmosa. A própria mulher tem em si mesma esse tecido ambíguo da exposição e da negação da sua sexualidade. É ensinada desde cedo a ser vaidosa e insinuante... mas deve ir até certo ponto, no limite da decência.

O papel da prostituta também é ambíguo: condenada e ridicularizada, é o contraponto da virgindade das donzelas de boa família. A geógrafa Marilena Chauí, em Repressão Sexual, essa nossa (des)conhecida, diz que “ inúmeros estudos têm mostrado como, na geografia das cidades, o bordel é tão indispensável quanto a igreja, o cemitério, a cadeia e a escola, integrando-se à paisagem. Nas grandes cidades contemporâneas, a localização torna-se central, mas sob a forma de guetos e, portanto, de espaço segregado. Em suma, a sociedade elabora procedimentos de segregação visível e de integração invisível, fazendo da prostituição peça fundamental da lógica social”.

A repressão sexual sempre existirá em sociedades onde persistem relações de poder baseadas na exploração... A sexualidade só se libertará caso possa ser desfeito o nó da dominação social. Entre outras coisas, seria necessária uma discussão política das condições dessa alienação na qual a humanidade encontra-se. Ou seja...

1 de set de 2011

idade das trevas

“O ser humano é capaz de tudo, até de uma boa ação; não é, porém, capaz de imparcialidade”.
Nelson Rodrigues em Flor de Obsessão

Apesar de excelente dramaturgo, Nelson Rodrigues era um machista em caps lock como tantos outros que existem por aí. Os ataques que Leticia Fernandez vem sofrendo, desde que seu blog tornou-se conhecido, provam que o dramaturgo carioca estava certo: somos incapazes de manter a imparcialidade. Completo: principalmente diante de algo que nos ofende.

Por que a blogueira é uma ofensa tão grande e vem despertando tantas reações contrárias à sua existência? Oras, ela ofende as bases patriarcais de nossa sociedade. Para o machismo reinante, é inadmissível que uma mulher goste de sexo, assuma isso e viva livremente sua sexualidade. Pior: ela fala sobre sexo, sem vergonhas, sem pudores, sem tabus. É, portanto, uma ameaça, pois pode estimular outras mulheres a buscar sua plenitude sexual, livres de amarras e convenções sociais. E a liberdade feminina ofende.

Homens e mulheres, ofendidos pela liberdade alheia, voltam, então, à época da inquisição e jogam a bruxa na fogueira, afinal idéias perigosas não devem ser disseminadas por aí. Direcionam sua ira (e suas frustrações?) para uma mulher que está apenas vivendo sua vida como acha melhor. O cérebro de ostra dos defensores da moral e dos bons costumes não consegue fazer qualquer conexão neural na qual não estejam presentes as palavras hipocrisia, mediocridade e preconceito.

Admito: também sou incapaz de manter a imparcialidade diante de atos que representam ofensas a mim. Atirar pedras na Maria Madalena do momento, ignorando que sobre a original foi dito “atire a primeira pedra quem não tem pecados”, é crucificar todas nós. O pior nem são os machos ridículos dizendo até mesmo que esperam que Leticia morra de AIDS... são as várias fêmeas fazendo o mesmo.

Pergunta pra mulherada que a condena: vocês têm o que no lugar onde deveria haver massa encefálica? Ervilha? Peloamor! Um ataque à liberdade de uma mulher é um ataque à liberdade de todas! A não ser que eu esteja completamente equivocada e louca, até onde sei todas nós vivemos no mesmo mundo machista... Todas nós estamos sujeitas a sermos julgadas e apedrejadas por alguma atitude que desagrade ou bata de frente com o conservadorismo hipócrita medíocre preconceituoso. Suas filhas estão sujeitas a isso!

O absurdo acaba aí? Não... a vida é muito mais surreal que a ficção... Não bastasse ter sido chamada de “nova Bruna Surfistinha” e alçada ao patamar de prostituta, a blogueira deu entrevista imaginária a uma rádio (ou concedeu a entrevista durante um ataque de sonambulismo, será?). Após a farsa (era uma pessoa qualquer se passando por Leticia) tornar-se pública, a declaração da tal rádio a respeito foi, no mínimo, risível. Entraram em contato com alguma rádio do nordeste pra conseguir falar com ela e a pessoa que deu a entrevista se passou por ela sem que tivessem conhecimento? Oi? Devo acreditar em coelhinho da páscoa e papai Noel, é isso? Sensacionalismo, assim como a covardia humana, não tem limites mesmo...

Já previa que ela seria muito ofendida e atacada... mas o que aconteceu conseguiu ultrapassar qualquer limite de civilidade e respeito ao próximo. Me surpreendi? Não. Porém, lamento que ainda estejamos na Idade Média.



Dois ótimos textos sobre o ocorrido AQUI e AQUI.

31 de ago de 2011

Jaque Roriz



Não se deve esquecer que os parlamentares de um país, eleitos democraticamente, são um reflexo do seu povo.

A melhor característica da democracia é que dá a cada eleitor a chance de fazer uma besteira... IRONIA mode ON, com um fundo imenso de verdade.

30 de ago de 2011

ir ao cinema

Adoro cinema, mas não costumo ir muito ao cinema. Contraditório? Nem tanto... Tenho muitas razões para evitar a ida às salas de cinema, por mais que eu ame a sétima arte.

Pra começar, acho os preços das entradas, principalmente nas melhores salas e nas salas 3D, abusivos! Eles se tornam mais abusivos ainda quando lembro que tenho um bluray e uma TV full HD enorme em casa... e que posso também baixar filmes na internet e assistir no sossego do meu lar, na TV gigante. Pra piorar um pouco o que penso do precinho camarada das entradas de cinema, tenho mais de 100 canais de TV a cabo... Logo, pra eu me dar ao trabalho de ir ao cinema, tem de ser um filme que eu quero muito ver na telona ou uma cia com a qual eu faça questão de estar.

Mesmo nos casos em que quero muito ver o filme ou que eu goste muito da cia, evito a ida ao cinema, especialmente se for no fim de semana. Por quê? Evitar stress desnecessário.

Parte do que me estressava profundamente resolveu-se com essa coisa de agora ter lugar marcado. Eu tinha verdadeiro pavor de ter que chegar cedo pra comprar ingresso e depois ter que ficar em fila pra conseguir sentar num lugar que preste. Detesto filas! Detesto mais ainda os engraçadinhos que furam fila e ainda ficam ofendidos se a gente reclama.

Só que outras coisas que me estressam não foram resolvidas... Estacionamento e a tal guerra por vagas é uma delas. As pessoas parecem possuídas! Que coisa mais suburbana detestável! Não tenho a menor paciência com isso... Aliás, qualquer lugar desses com muita gente onde há escassez de vagas evito a ida e/ou peço carona.

Ok, as filas pra entrar e conseguir sentar decentemente na sala de exibição não são mais um problema, porém, e as filas pra comprar ingresso? É inacreditável que elas existam até nas máquinas eletrônicas pra comprar com cartão... mais inacreditável ainda que sejam, às vezes, maiores nessas máquinas. Peloamor! Essa é a mesma galera que demora séculos num caixa eletrônico pra fazer um saque né?!... Meu sonho é poder sacar dinheiro pela internet pra evitar isso e os infelizes que usam os caixas específicos de saques pra pagar contas.

Já disse que detesto filas? Pois é, aí temos fila da pipoca... e eu quase sempre desisto da pipoca por causa da fila. Depois temos fila do banheiro... se decidir ir antes de começar o filme ela existe, se decidir ir após o filme ela cresceu. Pior que a fila? Entrar no banheiro e ver o quão porcas e mal educadas são as pessoas (pergunto-me se elas jogam papel no chão, mijam na tampa do vaso, deixam absorventes jogados de qualquer jeito, etc em suas casas...).

Dentro da sala de exibição acaba o stress? NOT! Ali é onde se mistura todo mundo: quem quer se divertir e relaxar um pouco com um bom filme... e o resto. Se todos quisessem apenas se entreter com um filme bacana, eu ficaria feliz. Só que existe a galera sem noção, mal educada, inconveniente, barulhenta, espaçosa, que chuta sua cadeira e que, desculpem, deveria ser proibida de freqüentar espaços públicos. Aí sim meu humor fica ótemo e eu lembro do bluray e da TV full HD que ficaram sozinhos e abandonados na minha sala...

Posso soar deselegante ou mesmo arrogante ao dizer isso, mas esse negócio de massa é lindo em livro de antropologia, em tratados sociológicos... Freqüentar o mesmo espaço pode ser completamente estressante.

22 de ago de 2011

a doida e suas seringas de HIV

"Moradores de um condomínio de Sobradinho, no Distrito Federal, estão chocados com a atitude de uma vizinha. Uma médica colocou seringas no muro de casa para aumentar a segurança. E o mais inusitado. Segundo ela, as agulhas estão contaminadas com o vírus da Aids.

Dezenas de seringas foram pregadas com fita crepe. O cartaz anuncia: Muro com HIV positivo. Não pule!"


Notícia completa AQUI.




A primeira coisa que pensei ao ler essa notícia foi que era algo tão absurdo que só podia ser sacanagem. Infelizmente, esse completo absurdo é verdade. O que se passa na cabeça de alguém pra fazer uma coisa dessas? Qual o problema mental dessa criatura que se diz médica? A pessoa não pensa que isso é um desrespeito com os portadores de HIV, com o hospital onde trabalha e com seus vizinhos? Sério, os vizinhos dessa louca precisam ganhar adicional de insalubridade pago por ela... além de terem uma psicopata como coleguinha de condomínio, ainda correm o risco de algum acidente com as tais seringas. Aff viu... é cada doido nesse mundo...

9 de ago de 2011

dia do orgulho hetero?

O texto abaixo, sobre o Dia do Orgulho Hetero, foi retirado DAQUI. Vale a pena ser lido na íntegra.


(...)

Datas como o “Dia do Orgulho Gay” ou o “Dia da Mulher” ou o “Dia da Consciência Negra” fazem parte da luta pelos direitos básicos de parcelas da população que historicamente sofreram – e ainda sofrem – as consequências da discriminação e do preconceito por aquilo que são. Os gays, por exemplo, contra os quais o “Dia do Orgulho Hétero” se opõe, têm sofrido diariamente por séculos e continuam a ter ainda hoje sua vida ameaçada mesmo em cidades como São Paulo, em que os casos de homofobia aparecem com frequência alarmante nas manchetes da imprensa. Dezenas de pessoas são assassinadas por ano no Brasil por causa de sua orientação sexual. E, em julho, um homem teve parte de sua orelha decepada no interior de São Paulo ao abraçar seu filho porque foram “confundidos” com um casal homossexual – como se isso justificasse a violência.

A homofobia é um problema sério, que tem ameaçado a vida de cidadãos honestos, pagadores de seus impostos, que com seu trabalho ajudam a manter São Paulo e o Brasil funcionando. E a homofobia merece a preocupação dos vereadores de São Paulo. Em vez de se preocupar com isso, o que eles fazem? Aprovam uma lei que só vai acirrar a violência.

(...)

Como os heterossexuais nunca tiveram seus direitos nem sua vida ameaçados por causa de sua orientação sexual, não há justificativa para uma data como esta ser aprovada pela Câmara e fazer parte do calendário oficial de São Paulo. Como disse Pedro Estevam Serrano, professor de direito constitucional da PUC-SP: “Constitucional é (a lei). Mas, legítima no sentido humano, não é. Não é uma atitude de paz, é uma atitude beligerante”.

(...)

Mas, é sempre bom a gente dar a volta, e tentar compreender porque homens como Carlos Apolinario e os outros 30 que votaram a favor de seu projeto tiveram a atitude que tiveram. Sempre vale a pena vestir a pele do outro, ainda que em casos como este seja uma tarefa e tanto. A pergunta que me fiz foi a seguinte: “Por que homens e mulheres heterossexuais, que nunca tiveram sua orientação sexual questionada ou sofreram qualquer discriminação por causa dela, se sentem tão ameaçados pela homossexualidade do outro?”.

E segui com questões que me permitissem alcançar Carlos Apolinario e os outros 30: “Se eu me considero heterossexual e estou em paz com minha orientação sexual, por que vou me incomodar com a do outro? Por que preciso criar uma lei que se oponha ao modo de ser do outro, se ele e o mundo inteiro respeitam o meu modo de ser? Por que me sinto ameaçado por uma expressão da sexualidade que é pessoal apenas porque é diferente da minha?”. Por quê?

Em geral, a violência, seja ela física ou psíquica, é uma reação à percepção de ameaça. Você reage para se defender. Sente-se inseguro, arma-se (com pistolas, palavras ou leis) e reage com violência porque não consegue lidar de uma forma mais sofisticada com aquilo que interpreta como uma agressão. Se, na vida pública, não há nenhuma ameaça contra os heterossexuais sob nenhum ponto de vista, logo, não é aí que está o nó da questão. Portanto, é legítimo pensar que a ameaça possa ser uma percepção de foro íntimo para Carlos Apolinario e os outros 30. E, por dificuldades de lidar com essa questão no âmbito pessoal e privado, ela acabou se manifestando em fórum indevido, consumindo dinheiro público e acirrando problemas coletivos numa cidade que tem sido palco de crimes movidos pela homofobia.

Com isso não quero reforçar o clichê de que quem se sente incomodado com os gays pode estar com sua homossexualidade escondida no armário. Mas lembrar o que a necessidade de criar o “Dia do Orgulho Hétero” só desvela: a sexualidade é um território pantanoso e, para cada homem e mulher é pantanoso de uma maneira diversa. Não sei que tipo de perturbação moveu cada um dos vereadores que aprovaram a lei – e suas pulsões só acabaram por dizer respeito a mim e a todos os cidadãos de São Paulo porque eles fizeram dela algo público – fizeram dela uma lei.

Carlos Apolinario e os outros 30 não merecem o nosso escárnio, mas sim a nossa compaixão. Estes muitos homens e algumas mulheres precisam de ajuda, não de condenação. Preocupada com essa constatação, fui conferir seus rendimentos e verifiquei que um vereador de São Paulo recebe, por mês, R$ 15.033 de salário, além de R$ 16.359 de verba de gabinete para despesas variadas. Conclusão: dá bem para pagar uma terapia, dá não? Eles serão mais felizes e, mais bem resolvidos, poderão até se dedicar aos problemas reais de São Paulo. Nós todos, por razões humanitárias e de cidadania, agradecemos.

4 de jul de 2011

carta (escancarada) ao homem frouxo

Amigas, peço a devida licença para me dirigir exclusivamente aos meus semelhantes de sexo, esses moços, pobre moços, neste panfleto testosteronizado.

Sim, amigas, esses seres que andam tão assustados, fracos e medrosos, beirando a covardia amorosa de fato e de direito.

Destemidas fêmeas, caso observem que eles não leram, não estão nem ai para a nossa carta aberta, mostrem aos seus homens, namorados ou pretendentes, esfreguem uma cópia impressa nos narizes insensíveis para os bons cheiros da vida.

Uma cópia colada na tv antes do clássico não funciona. Ele vai esquecer de ler depois.

Agora falando sério, e só para estes moços, pobres moços:

Amigos, chega dessa pasmaceira, chega dessa eterna covardia amorosa. Amigos, se vocês soubessem o que elas andam falando por ai. Horrores ao nosso respeito.

O pior é que elas estão cobertas de razão como umas Marias Antonietas cobertas de longos e impenetráveis vestidos.

Caros, estamos sendo tachados simplesmente de frouxos, medrosos, ensaios de macho, rascunhos de homens, além de tolos, como quase sempre somos, uns Joões Sorrisões, como esse boneca panaca dos gols da rodada.

Prestem atenção, amigos, faz sentido o que elas dizem. A maioria de nós anda correndo delas diante do menor sinal de vínculo, diante da menor intimidade, logo após a primeira ou segunda manhã de sexo. O que é isso companheiros? Fugir à melhor das lutas?

Nem vou falar na clássica falta de educação do dia seguinte. Aí já é nosso paleolítico, história datada. Como sim um lacônico SMS - “noite linda,gracias!”- fosse nos tirar pedaço. Francamente, hombres.

Delicadeza, macho, não custa nada, não terá nem mesmo que roubar ou quebrar teu infantil porquinho de economias.

Amigos, estamos errados quando pensamos que elas querem urgentemente nos levar ao altar ou juntar os trapos urgentemente. Nos enganamos. Erramos feio. Em muitas vezes, elas querem apenas o que nós também queremos: uma bela noitada!

Por que praticamente exigimos uma segunda chance apenas quando falhamos, quando brochamos, algo demasiadamente humano? Ah, eis o ego do macho, o macho ferido por não ter sido o garanhão que se imagina na cama.

Sim, muitas querem um bom relacionamento, uma história com firmes laços afetivos. Primeiro que esse desejo é legítimo, lindo, está longe de ser um crime, e além do mais pode ser ótimo para todos nós.

Enquanto permanecermos com esse medinho de homem, nesse eterno e repetido “estou confuso” –“eu tô CAFUSO”, como dizia Didi Mocó!-, a vida passa e perdemos mil oportunidades de viver, no mínimo, bons momentos do gozo e da felicidade de varejo possível. Afinal de contas para que estamos sobre a terra, apenas para morrer de trabalhar e enfartar com a final do campeonato?

Amigos, mulher não é pra medo, é para nos dar o melhor da existência. Nada melhor do que a lição franciscana do “é dando que se recebe”, como cai bem nessa hora.

Amigos, até sexo pra valer, aquele de arrepiar, só vem com a intimidade, os segredos da alcova, as pornodevoções, o desejo forte que impede até o ato que mais odiamos, a velha brochada da qual tratamos aí acima.

Caros, esqueçamos até mesmo o temor de decepcioná-las, no caso dos exemplares mais generosos do nosso clube.

Não há decepção maior no mundo do que a nossa covardia em fugir do que poderia representar os bons momentos da felicidade possível, repito, não a felicidade utópica, que é bem polêmica, mas a felicidade que escapa covardemente entre nossos dedos a toda hora.

Acordemos, amigos homens!

Rapazes, o amor acaba, o amor acaba em qualquer esquina, de qualquer estação, depois do teatro, a qualquer momento, como dizia Paulo Mendes Campos, mas ter medo de enfrentá-lo é ir desta para a outra mascando o jiló do desprazer e da falta de apetite na vida.

Falta de vergonha na cara e de se permitir ser chamado de homem para valer e de verdade.
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***texto retirado DAQUI.

7 de jun de 2011

código florestal

É... realmente o Brasil se preocupa muito com o meio ambiente e, consequentemente, com uma de suas maiores riquezas, a biodiversidade...

"Se passar pelo Senado Federal sem alterações e virar lei, o texto do novo Código Florestal aprovado pela Câmara dos Deputados poderá provocar um desmatamento 47% maior que o previsto para o ano de 2020. É o que mostra estudo inédito da Universidade de Brasília, realizado em parceria com a União Européia. A pesquisa aponta ainda que se a legislação atual fosse mantida e o Estado aumentasse a fiscalização, o desmatamento seria 25% menor que o projetado para os próximos 10 anos."

*notícia completa AQUI.

1 de jun de 2011

feliz sozinha



"There's a reason I said I'd be happy alone. It wasn't 'cause I thought I'd be happy alone. It was because I thought if I loved someone, and then it fell apart, I might not make it. It's easier to be alone. Because what if you learn that you need love? And then you don't have it? What if you like it? And lean on it? What if you shape your life around it? And then... it falls apart? Can you even survive that kind of pain? Losing love is like organ damage. It's like dying. The only difference is... death ends. This...? It could go on forever."


Prefiro mil vezes a fala da Meredith em inglês... mas pra quem não entende, lá vai uma traduçãozinha rápida que fiz agora:

“Há uma razão pela qual eu disse que eu ia ser feliz sozinha. Não foi porque eu pensei que seria feliz sozinha. Foi porque eu pensei que se eu amasse alguém, e depois acabasse, eu não aguentaria. É mais fácil estar sozinha. Por que e se você descobrir que precisa de amor? E então você não tem isso? E se você gostar? E se apegar a isso? E se você adaptar a sua vida em torno disso? E depois ... tudo ruir? Você pode sobreviver a esse tipo de dor? Perder o amor é como sofrer danos aos órgãos. É como morrer. A única diferença é ... a morte termina. Isso...? Poderia continuar para sempre. "

25 de mai de 2011

destrua o português!

Acompanhando a polêmica gerada por um livro adotado pelo Ministério da Educação (MEC) para o aprendizado de jovens-adultos. Trechinho do livro, primeiro capítulo, página 15:

“Você pode estar se perguntando: ‘Mas eu posso falar ‘os livro’?”
“Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima do preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as normas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião.”


De acordo com o livro, ok falar errado, mas a pessoa poderá ser vítima de preconceito linguístico. Falar correta ou erradamente só depende da ocasião, sustenta a obra. Essa abordagem está no livro adotado pelo MEC e não concordo. Me chamem do que quiserem, mas discordo veementemente.

Pra mim, não faz o menor sentido qualquer livro que se destine a ensinar uma língua colocar as duas formas de falar no mesmo patamar. Linguagem coloquial a gente aprende no dia a dia, norma culta não. E dado o percentual de analfabetos funcionais que nossas escolas formam, não tem o menor cabimento falar em “preconceito linguístico”. Digam o que quiserem, pra mim não deve haver qualquer dúvida sobre a importância de falar e escrever bem nosso idioma. Imagine se eu tivesse escrito minha dissertação de mestrado da mesma forma que escrevo neste blog? Pior: lembrem-se que a maioria absoluta de nossa população, formada por analfabetos funcionais, não entende direito o que leu numa postagem mal escrita como esta! Para mim, isso é trágico...

Independentemente do que esteja escrito no tal livro, há a mensagem de "aceitação" para com quem fala errado. E desculpa, mas no mundo competitivo em que vivemos, deve-se baixar o padrão para a inclusão de todos, ou educar melhor para aumentar o nível e, aí sim, incluirmos todos?

Eu gosto muito de quem me acusa de elitista direitista e vários outros ‘istas’... mas estudou em escola particular ou coloca seu filho em escola particular, já que a situação geral do ensino no país é risível, quando não chorável. E infelizmente, eu sei do que falo... quando dei aulas para a graduação, em universidade federal, recebia trabalhos que me davam vergonha alheia! (e note-se que era universidade federal, onde não é qualquer um que entra, principalmente em curso concorrido...). Era corrigir erros crassos e receber mensagem do indivíduo reclamando de sua liberdade acadêmica... como se fosse liberdade acadêmica cometer erros primários de ortografia ou concordância.

Então meus queridos esquerdistas e/ou defensores do PT... eu sei que essa palhaçada começou a ser esquematizada no governo FHC, por volta de 1997... mas essa discussão de vocês, se fazendo de ofendidos e querendo acusar quem está contra o MEC de reacionário não faz o menor sentido! Sendo grossa: foda-se se FHC, Lula ou Dilma começaram ou continuaram com isso... é algo que deveria ser exterminado e fim, independente da vertente política que defende e corrobora com esse absurdo!

O Brasil é um país de analfabetos funcionais, e tem gente que acha bonito esse tipo de colocação em livros didáticos? Ok, a língua falada muda diariamente, se adapta, se molda... Não há certo ou errado no “falar”... mas sim, há certo e errado no “escrever”.



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P.S.: eu tenho pavor de português abaixo da linha da pobreza... e se isso é ser preconceituosa, ok, assumo meu preconceito! Mas continuo achando bem mais racional ensinar a todos a norma culta, tanto para a língua falada quanto para a escrita... e não defender o ensino irrestrito da norma culta é ser hipócrita: provas e redações discursivas em vestibulares e concursos pedem que tipo de utilização da língua? A vida profissional séria pede que tipo de utilização da língua? Façam-me o favor né...

6 de mai de 2011

palmas pro STF!

Dia 5 de maio vai entrar para a história! Neste dia, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união civil entre homossexuais, assegurando a esses casais os mesmos direitos dos casais heterossexuais. A decisão dá aos casais homossexuais os mesmos direitos patrimoniais dos heterossexuais, como direito à herança, pensão por morte ou separação, declaração compartilhada do Imposto de Renda (IR), adotar crianças e adolescentes, entre outros. Com isso, os cerca de 20 milhões de LGBT do país passam a ter suas relações amorosas regidas e protegidas por lei.



Minha opinião? Nada mais justo! Nossa Constituição não tem, entre seus princípios fundamentais, a dignidade da pessoa humana, o direito à liberdade, à igualdade e o veto ao preconceito? Se o STF tivesse tomado qualquer decisão diferente da que tomou, estaria indo contra a Carta Fundamental da qual é guardião.

O que muda na minha vida com essa decisão? Absolutamente nada, continuo tendo os mesmos direitos que sempre tive e que só foram reconhecidos aos meus queridos amigos homossexuais agora. Daí me pergunto: por que tanta gente preconceituosa, incluídos aí CNBB e outras associações religiosas, ficou indignada, latindo absurdos, amaldiçoando o Supremo, os gays e os simpatizantes da causa? O que muda na vida dessa gente preconceituosa? Não continuam tendo os mesmos direitos que sempre tiveram?

Essa decisão do Supremo foi um avanço e bato palmas para o nosso Judiciário enquanto tenho vergonha alheia do nosso Legislativo, afinal, há anos existe um projeto em discussão no Congresso. Porém, uma coisa não muda: o preconceito continua sim arraigado em nossa sociedade, nas mentes pequenas das pessoas que não vêm todos os seres humanos como iguais e merecedores dos mesmos direitos.

As reações contrárias e os discursos raivosos pós decisão do STF demonstram que ainda há um longo caminho a percorrer para que de fato sejamos todos irmãos. Uso a palavra irmãos aqui propositadamente, pois a mim é contraditório e inconcebível uma CNBB da vida e gente que se diz cristã ficar indignada com o passo histórico que demos hoje... Vocês não seguem os ensinamentos de Cristo não? Ou só os seguem da boca pra fora? Cristo não afirmou que somos todos irmãos, não pregou o amor e não nos disse “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”?



***A decisão está sendo notícia lá fora também! Exemplo AQUI.***

3 de mai de 2011

notícias do picadeiro

Algumas considerações rápidas sobre o picadeiro no qual vivemos:

- Há alguns dias, postei um texto apoiando trocarmos 1 parlamentar por vários professores. Daí que um leitor assíduo me enviou um email para me informar que “desde dia 24 de fevereiro, o piso salarial pra professor da rede pública subiu para aproximadamente 1.180,00 para professores que lecionam 40h semanais para o Ensino Médio, e 558,00 para os que lecionam apenas 20h semanais.” Todos concordamos que, mesmo com este aumento, o salário dos professores continua sendo ridicularmente baixo? E eu que reclamava da minha bolsa de mestrado que era R$ 1.200,00... Ah, esqueci que moro no país circo e que é normal um Tiririca da vida ganhar mais de R$ 20 mil enquanto professores ganham salários ridículos.

- Tava demorando pra nossa digníssima presidente fazer uma palhaçada em política externa. Completo absurdo e retrocesso imenso a retirada do Brasil da Comissão de Direitos Humanos da OEA. Pergunto-me como uma presidente supostamente democrática pode ter feito isso, além de ignorar condenações internacionais por FLAGRANTES DESRESPEITOS AOS DIREITOS HUMANOS, como a recente condenação por não punir o massacre cometido na repressão à Guerrilha do Araguaia, donde deveria ter sido feita uma revisão da nossa lei de anistia? Aliás, como um país que tem o maior expoente de Direitos Humanos do mundo e que foi professor no Instituto Rio Branco e conselheiro jurídico no Itamaraty, age dessa forma com relação à OEA? A construção dessa Belo Monte já saiu do circo e entrou no puteiro: é uma putaria mesmo!
*Quem tiver interesse em entender melhor esta questão, achei ESTE TEXTO que está bem explicado.

29 de abr de 2011

dia da dança

O Dia Internacional da Dança é celebrado em de 29 de Abril. A data comemora também o nascimento de Jean Georges Noverre (1727-1810), precursor e criador do ballet moderno, formulador das bases cênicas da dança no século dezoito e autor das "Cartas sobre a Dança e os Ballets", livro fundamental até hoje para estudar a teoria e a prática da Dança.

A comemoração foi introduzida em 1982 pelo Comitê Internacional da Dança da UNESCO com o objectivo de despertar a atenção do publico em geral para a importancia da dança e incentivar governos a fornecerem um espaço próprio para a dança em todo o sistema de educação, do ensino infantil ao superior.

A dança tem sido parte integral da cultura humana em toda sua história, porém continua não sendo prioridade oficial no mundo. O professor Alkis Raftis, então presidente do Conselho Internacional de Dança, disse em seu discurso em 2003 que "em mais da metade dos 200 países no mundo, a dança não aparece em textos legais (para melhor ou para pior!). Não há fundos no orçamento do Estado alocados para o apoio a este tipo de arte. Não há educação da dança, seja privada ou pública". Infelizmente, é esse o panorama para nós, artistas e amantes da dança.

Assim como a prática desportiva, a dança também pode ter um papel importante em melhorar a qualidade de vida das pessoas e sua auto-estima, além de dar a muitas delas um novo estímulo para continuar indo em frente ou para seguir outra direção. DANÇA é vida! É uma arte da qual, se um dia eu fosse privada a ter acesso, eu não saberia mais como viver...

Viva a Dança! Em todas as suas formas! Em todas as suas expressões!

24 de abr de 2011

feliz páscoa

Sem ovos pra mim este ano, ok?... Pois esse negócio de ganhar ovos de chocolate não tá com nada e engorda! O lance é ganhar um coelho de Páscoa pra fazer 'exercícios' com a gente...uhauhauhauha

19 de abr de 2011

bombinhas no colo da Dilma

Projeção para a inflação oficial este ano tem sexto aumento consecutivo!

A expectativa dos analistas de mercado sobre a inflação está em alta há seis semanas, como mostra o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (18/4) pelo Banco Central. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 6,29%. O índice está muito acima dos 5,26% estimados pelo BC.

Junte-se a isso concursos que já foram cancelados e outros que ainda devem ser... IPVA e gasolina mais caros... e, de repente, vejo um monte de gente reclamando em twitter e outros meios internéticos (quem mandou votarem por interesse próprio a curto prazo e não da coletividade a longo prazo?).

Minha opinião, um tanto pessimista pra variar, é que isto é só o começo. Sim meus caros, isso é só o começo de bombas que foram montadas nos oito anos de governo do nosso queridíssimo Lulinha e que serão detonadas agora, no colo da digníssima presidente Dilma.

Sempre disse, e continuo dizendo, que o governo Lula, interna e externamente, foi bastante irresponsável e que havia, e ainda há, uma grande cegueira quanto a estes 8 anos de liderança do grande molusco. Tenho pena da senhora que foi jogada na fogueira para ser nossa líder nos próximos 4 anos, pois muita coisa ainda vai explodir em cima dela... Porém, vendo por outra perspectiva: pode até ser bom que gastanças e irresponsabilidades do governo anterior explodam agora, desde que, é claro, a oposição saiba ser oposição – coisa que deixou de fazer durante 8 anos! – e consiga capitalizar em benefício próprio (o que no fim das contas, com alternância de partidos e grupos no poder, significa benefício geral pra democracia).

Façam suas apostas! Foram menos de 4 meses de novo – velho? – governo. Vejamos o que vem pela frente.

17 de abr de 2011

mulheres mortas

Para comentar algo que li em um jornal que detesto: a questão do assassinato de mulheres ter crescido 30% na última década, no Brasil. Em alguns locais o aumento foi maior: Alagoas 104%, Pará 256%... e por aí vai. Quem tiver interesse no assunto, acompanhe a série de reportagens que sai, a partir de hoje, no Correio Braziliense.

A série de reportagens começou AQUI.

13 de abr de 2011

apóio a troca

Já faz algum tempinho que recebi o texto abaixo por email... hoje achei que valia a pena publicar:




"No futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do mundo e todos estão tristes.
Na educação é o 85º e ninguém reclama..."




TROQUE 01 PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES

O salário de 344 professores que ensinam = ao de 1 parlamentar que rouba

Prezado amigo!

Sou professor de Física, de ensino médio de uma escola pública em uma cidade do interior da Bahia e gostaria de expor a você o meu salário bruto mensal: R$650,00
Eu fico com vergonha até de dizer, mas meu salário é R$650,00. Isso mesmo! E olha que eu ganho mais que outros colegas de profissão que não possuem um curso superior como eu e recebem minguados R$440,00. Será que alguém acha que, com um salário assim, a rede de ensino poderá contar com professores competentes e dispostos a ensinar? Não querendo generalizar, pois ainda existem bons professores lecionando, atualmente a regra é essa: o professor faz de conta que dá aula, o aluno faz de conta que aprende, o Governo faz de conta que paga e a escola aprova o aluno mal preparado. Incrível, mas é a pura verdade! Sinceramente, eu leciono porque sou um idealista e atualmente vejo a profissão como um trabalho social. Mas nessa semana, o soco que tomei na boca do estomago do meu idealismo foi duro!
Descobri que um parlamentar brasileiro custa para o país R$10,2 milhões por ano... São os parlamentares mais caros do mundo. O minuto trabalhado aqui custa ao contribuinte R$11.545.

Na Itália, são gastos com parlamentares R$3,9 milhões, na França, pouco mais de R$2,8 milhões, na Espanha, cada parlamentar custa por ano R$850 mil e na vizinha Argentina R$1,3 milhões.

Trocando em miúdos, um parlamentar custa ao país, por baixo, 688 professores com curso superior !

Diante dos fatos, gostaria muito, amigo, que você divulgasse minha campanha, na qual o lema será:

'TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES'

8 de abr de 2011

não à homofobia





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*** Aproveitando pra divulgar o projeto EU SOU GAY *** Participem!!!

6 de abr de 2011

meio-ambiente

Não sei quem tem acompanhado os debates sobre o Código Florestal brasileiro e as negociações sobre Mudanças Climáticas... por motivos acadêmicos, eu acompanho tudo que rola no mundo, principalmente na minha área de pesquisa – meio-ambiente. O lamentável é ver cientistas/ambientalistas discutindo as coisas do seu ponto de vista, e políticos e economistas fazendo o mesmo, ambos esquecendo-se que os dois lados do problema são interdependentes. Deixo então algumas observações para reflexão:



O Tratado de Westfalia, de 1648, restabeleceu a paz na Europa, propiciou o triunfo da igualdade jurídica dos Estados e os elevou ao patamar de únicos atores nas políticas internacionais. Foi consagrado o modelo da soberania externa absoluta e iniciou-se uma ordem internacional protagonizada por nações com poder supremo dentro de fronteiras territoriais estabelecidas.

Quando se fala em proteção internacional do meio ambiente, ganha relevo o tema da soberania. O conceito clássico de soberania, sistematizado por Jean Bodin no século XVI e reafirmado pelo Tratado de Westfalia, ainda encontra eco nos dias atuais. No entanto, o intenso relacionamento entre os Estados e a importância crescente da problemática ambiental trazem a necessidade da rediscussão do conceito na realidade atual. O ecossistema planetário está em perigo e sua proteção requer modificações nas interpretações tradicionais de soberania estatal. A problemática envolvida – aquecimento global, chuvas ácidas, redução na camada de ozônio, poluição de águas oceânicas, desmatamento e desertificação, destruição de patrimônios genéticos – é diretamente global. As fronteiras e as soberanias surgem como artifícios impostos do exterior. Muitos assuntos requerem inclusive a cooperação de países que dividem fronteiras.

A formação dos regimes internacionais ambientais pressupõe, também, a existência de algum grau de governança global na área do meio ambiente. Governança refere-se a atividades apoiadas em objetivos comuns, que podem ou não derivar de responsabilidades legais e formalmente prescritas e não dependem, necessariamente, do poder de polícia para que sejam aceitas e vençam resistências. Uma boa governança é identificada como um conjunto de normas sociais que incluem, entre outras, o papel do direito, a anti-corrupção e responsabilidade. Estas normas de boa governança constrangem o exercício de poder na esfera pública limitando o poder dos governos, e na esfera privada limitando o poder do mercado e o controle coorporativo. Estas normas estão concentradas em instituições políticas, mas envolvem também grupos não-governamentais, incluindo a sociedade civil, coorporações e empresas, e até mercados. Políticas efetivas requerem que se leve em conta os custos ambientais nas decisões econômicas. Elas são mais efetivas quando são consistentes com os valores culturais comunitários e as idéias abstratas, implícitas ou explícitas, do que é bom ou ruim para a sociedade.

A falta de participação pública é uma das causas indiretas da degradação ambiental e a informação é uma ferramenta para protegê-la. Regimes efetivos causam mudanças no comportamento dos atores, nos seus interesses, ou nas políticas e performances das instituições de forma a contribuir para o gerenciamento positivo do problema-alvo e, para que os regimes internacionais ambientais tenham maior efetividade, é necessário que não somente os Estados e as instituições internacionais participem ativamente na sua implementação e na sua fiscalização, mas que também a sociedade civil participe plenamente, inclusive com mudanças de mentalidade e de comportamento. A função da comunicação nas relações internacionais é importante, já que dela depende que a opinião internacional perceba plenamente os problemas que ameaçam a própria sobrevivência da humanidade, cuja solução não pode ser encontrada sem uma coordenação entre os países.

*****

O estabelecimento de corredores ecológicos e de áreas protegidas não é suficiente para preservar a biodiversidade; e ameaçam a sustentabilidade a longo prazo: o uso de recursos renováveis está além da sua capacidade natural de regeneração e, portanto, é insustentável; os gases de efeito estufa ainda estão sendo emitidos a níveis maiores do que a meta acordada na Convenção de Mudança Climática; áreas naturais e a biodiversidade que elas contém estão diminuindo devido à expansão da terra usada para agricultura e para assentamentos humanos; o aumento e a disseminação do uso de produtos químicos para alimentar o desenvolvimento econômico está causando riscos à saúde e contaminação ambiental; os desenvolvimentos globais no setor de energia são insustentáveis; a urbanização rápida e sem planejamento, particularmente nas áreas costeiras, está ameaçando os ecossistemas adjacentes a elas.

*****

Focar apenas nas ameaças diretas à degradação ambiental, como a exploração comercial ou a agricultura, pode levar a desconsiderarmos as causas indiretas da degradação. Estas causas incluem: crescimento populacional e migrações, pobreza, dívidas externas e políticas de ajuste macroeconômicas, políticas nacionais que provêm subsídios ou outros incentivos para o consumo insustentável dos recursos, e o fracasso em reconhecer ou valorar os benefícios públicos do meio-ambiente.

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*não está indicado autor do texto, porque fui eu mesma que escrevi*

pega uma colher!

Não é segredo pra ninguém que não gosto de gente que fica, o tempo inteiro, reclamando de como sua vida é medíocre, de como tá tudo uma merda, mimimi sem fim...

Eu gostava de mandar estas pessoas se matarem (sua vida é tão bosta assim? SE MATA!). Mas já faz algum tempo que prefiro mandar estas pessoas pegarem uma colher pra cortar os pulsos. Isso mesmo, uma colher. Por quê? Ah... demora mais né... e como este tipo de pessoa aprecia o sofrimento, quanto mais demorar, melhor.

A idéia de mandar cortarem os pulsos com uma colher veio do vídeo abaixo. Quem já viu, sempre vale a pena ver de novo e rir. Quem não viu, divirta-se.

26 de mar de 2011

esse é pra vocês!

Quem me conhece sabe que apóio 100% a causa homossexual. Posso não ser gay, mas defendo totalmente o direito de pessoas amarem outras do mesmo sexo e acho um completo absurdo serem discriminados apenas por causa de sua orientação sexual. Desde quando isso define o caráter de alguém?

Este vídeo é para todos os meus amigos que não se encaixam, para todas as pessoas que não se sentem amadas e compreendidas como deveriam. Jamais deixem alguém lhes dizer que vocês são menos apenas porque são diferentes.

21 de mar de 2011

Circo da Cultura


Blogueiros do Brasil: UNI-VOS em protesto contra a notícia ridícula que veio há alguns dias ali da Esplanada-Picadeiro dos Ministérios. A senhora digníssima cantora Maria Bethânia pediu – e levou – subsídios públicos no diminuto valor de R$ 1,3 milhão para financiar seu blog de poesia.

Só eu me sinto um bobo da corte e tive vontade de vestir um nariz de palhaço ao saber disso? Vejam bem: mantenho este blog apenas porque me divirto escrevendo sobre o que der vontade, nunca pensei nem em ter leitores, quanto mais em ganhar dinheiro fazendo isso! Não seria mal ganhar algum trocado fazendo algo que gosto e já faço mesmo, mas quem fizer um blog pensando em ganhos financeiros está no caminho certo pra sofrer uma profunda desilusão (a não ser, é claro, que você seja uma Bruna Surfistinha ou uma Bethânia da vida...).

Acho medíocre e criticável o fato de uma Bruna Surfistinha ter feito um blog e conquistado tantos leitores ao ponto de escrever livros, virar filme e hoje viver bem disso? Sim, acho... não critico a ela, de forma alguma! Ela está é certíssima! A crítica que faço é à mediocridade que impera mundo afora: blogs muito mais inteligentes e bem escritos, com assuntos relevantes, não têm nem 1 milésimo das visitas que o dela teve. Ponto pra ela que soube ganhar em cima, menos um ponto pra massa encefálica da população.

Porém, a famosa Surfistinha não teve a cara de pau e a falta de vergonha da senhora Bethânia. Aqui neste país nós, artistas, lutamos diariamente para conseguir realizar nossos projetos, a maioria não consegue viver de sua arte e precisa ter uma outra ocupação (eu mesma e pessoas que conheço já penamos muito para conseguir montar espetáculos em teatros... muitas vezes tirando dinheiro de nosso próprio bolso). É uma total imoralidade que, num país deste, uma pessoa que obviamente não precisa de recursos dos cofres públicos, recorra a isso para financiar um blog (HELLO!!! Quanto se gasta pra manter um blog??? Se eu precisasse gastar 1 real que fosse, meu blog não existiria!).

Pior do que a senhora Bethânia, só mesmo o Ministério da Cultura que colaborou com uma palhaçada destas né. Deviam mudar o nome para Circo da Cultura. E aproveitar pra mudar o nome de República Federativa do Brasil para República Picadeirística do Brasil.


***Aê galera do Circo, oops, Ministério da Cultura: será que vocês poderiam dar um financiamento de apenas, digamos, uns R$ 100 mil aqui pro meu bloguinho?...***