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25 de mai de 2011

destrua o português!

Acompanhando a polêmica gerada por um livro adotado pelo Ministério da Educação (MEC) para o aprendizado de jovens-adultos. Trechinho do livro, primeiro capítulo, página 15:

“Você pode estar se perguntando: ‘Mas eu posso falar ‘os livro’?”
“Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima do preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as normas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião.”


De acordo com o livro, ok falar errado, mas a pessoa poderá ser vítima de preconceito linguístico. Falar correta ou erradamente só depende da ocasião, sustenta a obra. Essa abordagem está no livro adotado pelo MEC e não concordo. Me chamem do que quiserem, mas discordo veementemente.

Pra mim, não faz o menor sentido qualquer livro que se destine a ensinar uma língua colocar as duas formas de falar no mesmo patamar. Linguagem coloquial a gente aprende no dia a dia, norma culta não. E dado o percentual de analfabetos funcionais que nossas escolas formam, não tem o menor cabimento falar em “preconceito linguístico”. Digam o que quiserem, pra mim não deve haver qualquer dúvida sobre a importância de falar e escrever bem nosso idioma. Imagine se eu tivesse escrito minha dissertação de mestrado da mesma forma que escrevo neste blog? Pior: lembrem-se que a maioria absoluta de nossa população, formada por analfabetos funcionais, não entende direito o que leu numa postagem mal escrita como esta! Para mim, isso é trágico...

Independentemente do que esteja escrito no tal livro, há a mensagem de "aceitação" para com quem fala errado. E desculpa, mas no mundo competitivo em que vivemos, deve-se baixar o padrão para a inclusão de todos, ou educar melhor para aumentar o nível e, aí sim, incluirmos todos?

Eu gosto muito de quem me acusa de elitista direitista e vários outros ‘istas’... mas estudou em escola particular ou coloca seu filho em escola particular, já que a situação geral do ensino no país é risível, quando não chorável. E infelizmente, eu sei do que falo... quando dei aulas para a graduação, em universidade federal, recebia trabalhos que me davam vergonha alheia! (e note-se que era universidade federal, onde não é qualquer um que entra, principalmente em curso concorrido...). Era corrigir erros crassos e receber mensagem do indivíduo reclamando de sua liberdade acadêmica... como se fosse liberdade acadêmica cometer erros primários de ortografia ou concordância.

Então meus queridos esquerdistas e/ou defensores do PT... eu sei que essa palhaçada começou a ser esquematizada no governo FHC, por volta de 1997... mas essa discussão de vocês, se fazendo de ofendidos e querendo acusar quem está contra o MEC de reacionário não faz o menor sentido! Sendo grossa: foda-se se FHC, Lula ou Dilma começaram ou continuaram com isso... é algo que deveria ser exterminado e fim, independente da vertente política que defende e corrobora com esse absurdo!

O Brasil é um país de analfabetos funcionais, e tem gente que acha bonito esse tipo de colocação em livros didáticos? Ok, a língua falada muda diariamente, se adapta, se molda... Não há certo ou errado no “falar”... mas sim, há certo e errado no “escrever”.



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P.S.: eu tenho pavor de português abaixo da linha da pobreza... e se isso é ser preconceituosa, ok, assumo meu preconceito! Mas continuo achando bem mais racional ensinar a todos a norma culta, tanto para a língua falada quanto para a escrita... e não defender o ensino irrestrito da norma culta é ser hipócrita: provas e redações discursivas em vestibulares e concursos pedem que tipo de utilização da língua? A vida profissional séria pede que tipo de utilização da língua? Façam-me o favor né...