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31 de ago de 2011

Jaque Roriz



Não se deve esquecer que os parlamentares de um país, eleitos democraticamente, são um reflexo do seu povo.

A melhor característica da democracia é que dá a cada eleitor a chance de fazer uma besteira... IRONIA mode ON, com um fundo imenso de verdade.

30 de ago de 2011

ir ao cinema

Adoro cinema, mas não costumo ir muito ao cinema. Contraditório? Nem tanto... Tenho muitas razões para evitar a ida às salas de cinema, por mais que eu ame a sétima arte.

Pra começar, acho os preços das entradas, principalmente nas melhores salas e nas salas 3D, abusivos! Eles se tornam mais abusivos ainda quando lembro que tenho um bluray e uma TV full HD enorme em casa... e que posso também baixar filmes na internet e assistir no sossego do meu lar, na TV gigante. Pra piorar um pouco o que penso do precinho camarada das entradas de cinema, tenho mais de 100 canais de TV a cabo... Logo, pra eu me dar ao trabalho de ir ao cinema, tem de ser um filme que eu quero muito ver na telona ou uma cia com a qual eu faça questão de estar.

Mesmo nos casos em que quero muito ver o filme ou que eu goste muito da cia, evito a ida ao cinema, especialmente se for no fim de semana. Por quê? Evitar stress desnecessário.

Parte do que me estressava profundamente resolveu-se com essa coisa de agora ter lugar marcado. Eu tinha verdadeiro pavor de ter que chegar cedo pra comprar ingresso e depois ter que ficar em fila pra conseguir sentar num lugar que preste. Detesto filas! Detesto mais ainda os engraçadinhos que furam fila e ainda ficam ofendidos se a gente reclama.

Só que outras coisas que me estressam não foram resolvidas... Estacionamento e a tal guerra por vagas é uma delas. As pessoas parecem possuídas! Que coisa mais suburbana detestável! Não tenho a menor paciência com isso... Aliás, qualquer lugar desses com muita gente onde há escassez de vagas evito a ida e/ou peço carona.

Ok, as filas pra entrar e conseguir sentar decentemente na sala de exibição não são mais um problema, porém, e as filas pra comprar ingresso? É inacreditável que elas existam até nas máquinas eletrônicas pra comprar com cartão... mais inacreditável ainda que sejam, às vezes, maiores nessas máquinas. Peloamor! Essa é a mesma galera que demora séculos num caixa eletrônico pra fazer um saque né?!... Meu sonho é poder sacar dinheiro pela internet pra evitar isso e os infelizes que usam os caixas específicos de saques pra pagar contas.

Já disse que detesto filas? Pois é, aí temos fila da pipoca... e eu quase sempre desisto da pipoca por causa da fila. Depois temos fila do banheiro... se decidir ir antes de começar o filme ela existe, se decidir ir após o filme ela cresceu. Pior que a fila? Entrar no banheiro e ver o quão porcas e mal educadas são as pessoas (pergunto-me se elas jogam papel no chão, mijam na tampa do vaso, deixam absorventes jogados de qualquer jeito, etc em suas casas...).

Dentro da sala de exibição acaba o stress? NOT! Ali é onde se mistura todo mundo: quem quer se divertir e relaxar um pouco com um bom filme... e o resto. Se todos quisessem apenas se entreter com um filme bacana, eu ficaria feliz. Só que existe a galera sem noção, mal educada, inconveniente, barulhenta, espaçosa, que chuta sua cadeira e que, desculpem, deveria ser proibida de freqüentar espaços públicos. Aí sim meu humor fica ótemo e eu lembro do bluray e da TV full HD que ficaram sozinhos e abandonados na minha sala...

Posso soar deselegante ou mesmo arrogante ao dizer isso, mas esse negócio de massa é lindo em livro de antropologia, em tratados sociológicos... Freqüentar o mesmo espaço pode ser completamente estressante.

22 de ago de 2011

a doida e suas seringas de HIV

"Moradores de um condomínio de Sobradinho, no Distrito Federal, estão chocados com a atitude de uma vizinha. Uma médica colocou seringas no muro de casa para aumentar a segurança. E o mais inusitado. Segundo ela, as agulhas estão contaminadas com o vírus da Aids.

Dezenas de seringas foram pregadas com fita crepe. O cartaz anuncia: Muro com HIV positivo. Não pule!"


Notícia completa AQUI.




A primeira coisa que pensei ao ler essa notícia foi que era algo tão absurdo que só podia ser sacanagem. Infelizmente, esse completo absurdo é verdade. O que se passa na cabeça de alguém pra fazer uma coisa dessas? Qual o problema mental dessa criatura que se diz médica? A pessoa não pensa que isso é um desrespeito com os portadores de HIV, com o hospital onde trabalha e com seus vizinhos? Sério, os vizinhos dessa louca precisam ganhar adicional de insalubridade pago por ela... além de terem uma psicopata como coleguinha de condomínio, ainda correm o risco de algum acidente com as tais seringas. Aff viu... é cada doido nesse mundo...

11 de ago de 2011

pra pensar

Que mulher ficaria feliz ao descobrir que foi traída durante seus últimos 8 anos dedicados à monogamia? A pior parte nem é essa... É descobrir isso fazendo uma série de exames preventivos, ginecológicos e sanguíneos, para verificar se estava saudável, pensando em finalmente engravidar já que agora tem condições financeiras...

O parágrafo acima foi o final da minha quarta-feira infernal, pra fechar com chave de ouro um dia que começou antes das 8 da matina com a visita surpresa de um oficial de justiça. Meus problemas? Posso fazer uma enorme lista deles, me estressaram o dia todo e provavelmente continuarão me estressando por muito tempo... Mas perderam um pouco o sentido quando voltei da academia e recebi uma ligação de alguém que quase não vejo.

A única coisa que me fez ir pra academia nesse diazinho from hell chama-se endorfina: precisava! Aulinha de luta, depois musculação... Melhor prozac do mundo! Pensei melhorar ainda mais o remedinho chamando uma foda pra me visitar, mas ele não podia/não queria/ não veio... Mais tarde fez TODO o sentido que ele não viesse. Passei pouco mais de 1 hora, entre msn e celular, tentando consolar alguém inconsolável... O que a gente diz pra uma pessoa que descobriu estar com HIV? A gente não diz, a gente ouve... e tenta convencê-la a não fazer nenhuma besteira.

É a segunda pessoa monogâmica que conheço com a qual aconteceu isso. Conheço 3 outras, igualmente monogâmicas, que pegaram HPV (aqui abro um parêntese: isso as que eu sei, as que conversaram comigo... quantas por aí contraíram alguma doença, em sua monogamia, e não contaram pra ninguém? Ou contaram pra alguém que, como eu, não vai jamais expor quem elas são?). Não apenas foram traídas, como seus respectivos companheiros não tiveram sequer a dignidade de não expô-las a riscos.

O irônico de tudo isso? Essas mulheres pararam de andar muito comigo em minhas fases solteiras, porque seus machos reclamavam e achavam que eu não era boa influência nem boa cia... Oras: não pratico traição e sou contra quem a pratica. Quer variedade? Não engane quem está com você, ou fique solteiro e curta toda a variedade que a espécie humana oferece. Desculpe, quando estou solteira curto mesmo a variedade do mundo e não ligo a mínima pra quem me julga por isso.

Obviamente, essas mulheres se afastaram de mim. Admito que também me afastei... não sou o tipo de pessoa que procura quem nunca pode, nem tenho paciência pra quem acha que devo virar monogâmica (questiono a monogamia alheia? Não... então me deixem curtir minhas fases poligâmicas em paz ué!).

Sinto profunda tristeza por elas, e outras como elas, que descobriram assim, toscamente, que viviam uma ilusão. Não me deixa nada feliz ver alguma mulher me pedir desculpas nessas circunstâncias. Não me faz sentir melhor ver a desgraça alheia nesses casos. O que sinto é pena... não só delas que se dedicaram a algo que não existia e se esforçaram para estar nesse padrão social de mulher-esposa-mãe e não serem mal ditas (mal dizidas?)...

A maior pena que sinto é deles, homens, que apedrejam mulheres livres como eu... Perdem seu tempo jogando pedras na liberdade e na independência alheia, enquanto vivem na hipocrisia e colocam suas santinhas na gaiola... Pena de vocês, muita pena. Pena de quem não tem coragem de viver a própria verdade e vive a verdade social imposta... Pena de quem, nesse teatro, acaba arrastando pro palco pessoas que pensavam viver no mundo real e descobriram-se personagens de uma tragicomédia de muito mau gosto.

Termino com as (in) diretas: pena de quem se divertia me chamando de promíscua... MUITA pena! Não fui eu quem prendeu minha esposa na gaiola enquanto voava por aí sem me preocupar nem com a saúde física dela. E a (in) direta pra mulherada largar de ser burra e parar de julgar outras mulheres: não fui eu, que na minha solteirice transo com quem quiser quando quiser na hora que quiser, que contraí alguma doença. Fiquem espertas!

9 de ago de 2011

dia do orgulho hetero?

O texto abaixo, sobre o Dia do Orgulho Hetero, foi retirado DAQUI. Vale a pena ser lido na íntegra.


(...)

Datas como o “Dia do Orgulho Gay” ou o “Dia da Mulher” ou o “Dia da Consciência Negra” fazem parte da luta pelos direitos básicos de parcelas da população que historicamente sofreram – e ainda sofrem – as consequências da discriminação e do preconceito por aquilo que são. Os gays, por exemplo, contra os quais o “Dia do Orgulho Hétero” se opõe, têm sofrido diariamente por séculos e continuam a ter ainda hoje sua vida ameaçada mesmo em cidades como São Paulo, em que os casos de homofobia aparecem com frequência alarmante nas manchetes da imprensa. Dezenas de pessoas são assassinadas por ano no Brasil por causa de sua orientação sexual. E, em julho, um homem teve parte de sua orelha decepada no interior de São Paulo ao abraçar seu filho porque foram “confundidos” com um casal homossexual – como se isso justificasse a violência.

A homofobia é um problema sério, que tem ameaçado a vida de cidadãos honestos, pagadores de seus impostos, que com seu trabalho ajudam a manter São Paulo e o Brasil funcionando. E a homofobia merece a preocupação dos vereadores de São Paulo. Em vez de se preocupar com isso, o que eles fazem? Aprovam uma lei que só vai acirrar a violência.

(...)

Como os heterossexuais nunca tiveram seus direitos nem sua vida ameaçados por causa de sua orientação sexual, não há justificativa para uma data como esta ser aprovada pela Câmara e fazer parte do calendário oficial de São Paulo. Como disse Pedro Estevam Serrano, professor de direito constitucional da PUC-SP: “Constitucional é (a lei). Mas, legítima no sentido humano, não é. Não é uma atitude de paz, é uma atitude beligerante”.

(...)

Mas, é sempre bom a gente dar a volta, e tentar compreender porque homens como Carlos Apolinario e os outros 30 que votaram a favor de seu projeto tiveram a atitude que tiveram. Sempre vale a pena vestir a pele do outro, ainda que em casos como este seja uma tarefa e tanto. A pergunta que me fiz foi a seguinte: “Por que homens e mulheres heterossexuais, que nunca tiveram sua orientação sexual questionada ou sofreram qualquer discriminação por causa dela, se sentem tão ameaçados pela homossexualidade do outro?”.

E segui com questões que me permitissem alcançar Carlos Apolinario e os outros 30: “Se eu me considero heterossexual e estou em paz com minha orientação sexual, por que vou me incomodar com a do outro? Por que preciso criar uma lei que se oponha ao modo de ser do outro, se ele e o mundo inteiro respeitam o meu modo de ser? Por que me sinto ameaçado por uma expressão da sexualidade que é pessoal apenas porque é diferente da minha?”. Por quê?

Em geral, a violência, seja ela física ou psíquica, é uma reação à percepção de ameaça. Você reage para se defender. Sente-se inseguro, arma-se (com pistolas, palavras ou leis) e reage com violência porque não consegue lidar de uma forma mais sofisticada com aquilo que interpreta como uma agressão. Se, na vida pública, não há nenhuma ameaça contra os heterossexuais sob nenhum ponto de vista, logo, não é aí que está o nó da questão. Portanto, é legítimo pensar que a ameaça possa ser uma percepção de foro íntimo para Carlos Apolinario e os outros 30. E, por dificuldades de lidar com essa questão no âmbito pessoal e privado, ela acabou se manifestando em fórum indevido, consumindo dinheiro público e acirrando problemas coletivos numa cidade que tem sido palco de crimes movidos pela homofobia.

Com isso não quero reforçar o clichê de que quem se sente incomodado com os gays pode estar com sua homossexualidade escondida no armário. Mas lembrar o que a necessidade de criar o “Dia do Orgulho Hétero” só desvela: a sexualidade é um território pantanoso e, para cada homem e mulher é pantanoso de uma maneira diversa. Não sei que tipo de perturbação moveu cada um dos vereadores que aprovaram a lei – e suas pulsões só acabaram por dizer respeito a mim e a todos os cidadãos de São Paulo porque eles fizeram dela algo público – fizeram dela uma lei.

Carlos Apolinario e os outros 30 não merecem o nosso escárnio, mas sim a nossa compaixão. Estes muitos homens e algumas mulheres precisam de ajuda, não de condenação. Preocupada com essa constatação, fui conferir seus rendimentos e verifiquei que um vereador de São Paulo recebe, por mês, R$ 15.033 de salário, além de R$ 16.359 de verba de gabinete para despesas variadas. Conclusão: dá bem para pagar uma terapia, dá não? Eles serão mais felizes e, mais bem resolvidos, poderão até se dedicar aos problemas reais de São Paulo. Nós todos, por razões humanitárias e de cidadania, agradecemos.