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11 de ago de 2011

pra pensar

Que mulher ficaria feliz ao descobrir que foi traída durante seus últimos 8 anos dedicados à monogamia? A pior parte nem é essa... É descobrir isso fazendo uma série de exames preventivos, ginecológicos e sanguíneos, para verificar se estava saudável, pensando em finalmente engravidar já que agora tem condições financeiras...

O parágrafo acima foi o final da minha quarta-feira infernal, pra fechar com chave de ouro um dia que começou antes das 8 da matina com a visita surpresa de um oficial de justiça. Meus problemas? Posso fazer uma enorme lista deles, me estressaram o dia todo e provavelmente continuarão me estressando por muito tempo... Mas perderam um pouco o sentido quando voltei da academia e recebi uma ligação de alguém que quase não vejo.

A única coisa que me fez ir pra academia nesse diazinho from hell chama-se endorfina: precisava! Aulinha de luta, depois musculação... Melhor prozac do mundo! Pensei melhorar ainda mais o remedinho chamando uma foda pra me visitar, mas ele não podia/não queria/ não veio... Mais tarde fez TODO o sentido que ele não viesse. Passei pouco mais de 1 hora, entre msn e celular, tentando consolar alguém inconsolável... O que a gente diz pra uma pessoa que descobriu estar com HIV? A gente não diz, a gente ouve... e tenta convencê-la a não fazer nenhuma besteira.

É a segunda pessoa monogâmica que conheço com a qual aconteceu isso. Conheço 3 outras, igualmente monogâmicas, que pegaram HPV (aqui abro um parêntese: isso as que eu sei, as que conversaram comigo... quantas por aí contraíram alguma doença, em sua monogamia, e não contaram pra ninguém? Ou contaram pra alguém que, como eu, não vai jamais expor quem elas são?). Não apenas foram traídas, como seus respectivos companheiros não tiveram sequer a dignidade de não expô-las a riscos.

O irônico de tudo isso? Essas mulheres pararam de andar muito comigo em minhas fases solteiras, porque seus machos reclamavam e achavam que eu não era boa influência nem boa cia... Oras: não pratico traição e sou contra quem a pratica. Quer variedade? Não engane quem está com você, ou fique solteiro e curta toda a variedade que a espécie humana oferece. Desculpe, quando estou solteira curto mesmo a variedade do mundo e não ligo a mínima pra quem me julga por isso.

Obviamente, essas mulheres se afastaram de mim. Admito que também me afastei... não sou o tipo de pessoa que procura quem nunca pode, nem tenho paciência pra quem acha que devo virar monogâmica (questiono a monogamia alheia? Não... então me deixem curtir minhas fases poligâmicas em paz ué!).

Sinto profunda tristeza por elas, e outras como elas, que descobriram assim, toscamente, que viviam uma ilusão. Não me deixa nada feliz ver alguma mulher me pedir desculpas nessas circunstâncias. Não me faz sentir melhor ver a desgraça alheia nesses casos. O que sinto é pena... não só delas que se dedicaram a algo que não existia e se esforçaram para estar nesse padrão social de mulher-esposa-mãe e não serem mal ditas (mal dizidas?)...

A maior pena que sinto é deles, homens, que apedrejam mulheres livres como eu... Perdem seu tempo jogando pedras na liberdade e na independência alheia, enquanto vivem na hipocrisia e colocam suas santinhas na gaiola... Pena de vocês, muita pena. Pena de quem não tem coragem de viver a própria verdade e vive a verdade social imposta... Pena de quem, nesse teatro, acaba arrastando pro palco pessoas que pensavam viver no mundo real e descobriram-se personagens de uma tragicomédia de muito mau gosto.

Termino com as (in) diretas: pena de quem se divertia me chamando de promíscua... MUITA pena! Não fui eu quem prendeu minha esposa na gaiola enquanto voava por aí sem me preocupar nem com a saúde física dela. E a (in) direta pra mulherada largar de ser burra e parar de julgar outras mulheres: não fui eu, que na minha solteirice transo com quem quiser quando quiser na hora que quiser, que contraí alguma doença. Fiquem espertas!