Páginas

29 de set de 2011

sem palavras

Costuma-se afirmar que uma imagem diz mais do que mil palavras... Então em vez de escrever um texto sobre minha indignação com fatos políticos, fiquem com uma belíssima imagem:

27 de set de 2011

religião é como um pênis



traduçãozinha:


RELIGIÃO É COMO UM PÊNIS

É bom ter uma.

É bom ter orgulho disso.

Mas por favor não a coloque pra fora em público e comece a balançá-la por aí.

E POR FAVOR não tente empurrá-la goela abaixo de meus filhos.

26 de set de 2011

submissão feminina no séc XXI

A entrevista é do ano passado, mas segue muitíssimo atual. Recomendo a leitura e a reflexão. Seguem alguns trechos, mas quem se interessar pode encontrar a entrevista completa AQUI.


"O diagnóstico das revoluções femininas do século XX é ambíguo. Ele aponta para conquistas, mas também para armadilhas. No campo da aparência, da sexualidade, do trabalho e da família houve benefícios, mas também frustrações. A tirania da perfeição física empurrou a mulher não para a busca de uma identidade, mas de uma identificação. Ela precisa se identificar com o que vê na mídia. A revolução sexual eclipsou-se diante dos riscos da Aids. A profissionalização, se trouxe independência, também acarretou stress, fadiga e exaustão. A desestruturação familiar onerou os dependentes mais indefesos, os filhos."

"No decorrer deste século, a brasileira se despiu. O nu, na tevê, nas revistas e nas praias incentivou o corpo a se desvelar em público. A solução foi cobri-lo de creme, colágeno e silicone. O corpo se tornou fonte inesgotável de ansiedade e frustração. Diferentemente de nossas avós, não nos preocupamos mais em salvar nossas almas, mas em salvar nossos corpos da rejeição social. Nosso tormento não é o fogo do inferno, mas a balança e o espelho. É uma nova forma de submissão feminina. Não em relação aos pais, irmãos, maridos ou chefes, mas à mídia. Não vemos mulheres liberadas se submeterem a regimes drásticos para caber no tamanho 38? Não as vemos se desfigurar com as sucessivas cirurgias plásticas, se negando a envelhecer com serenidade? Se as mulheres orientais ficam trancadas em haréns, as ocidentais têm outra prisão: a imagem."

"Apesar das conquistas na vida pública e privada, as mulheres continuam marcadas por formas arcaicas de pensar. E é em casa que elas alimentam o machismo, quando as mães protegem os filhos que agridem mulheres e não os deixam lavar a louça ou arrumar o quarto. Há mulheres, ainda, que cultivam o mito da virilidade. Gostam de se mostrar frágeis e serem chamadas de chuchuzinho ou gostosona, tudo o que seja convite a comer. Há uma desvalorização grosseira das conquistas das mulheres, por elas mesmas. Esse comportamento contribui para um grande fosso entre os sexos, mostrando que o machismo está enraizado. E que é provavelmente em casa que jovens como os alunos da Uniban aprenderam a “jogar a primeira pedra” (na aluna Geisy Arruda)."

______________________________________


Abaixo, trecho do artigo, datado de hoje, Gisele Bündchen e o Sexismo (também vale a leitura e a reflexão):

"Menos de uma semana depois de o Brasil enviar a primeira mulher para abrir uma Assembléia Geral das Nações Unidas, a marca de lingeries Hope reforçou um outro tipo de imagem da mulher brasileira em sua nova campanha publicitária. Quem protagoniza a peça é a modelo Gisele Bündchen, que exibe o corpo impecável com as roupas da empresa."

"Existe um outro movimento ao retratar o universo feminino dentro da publicidade, conectado à realidade da mulher contemporânea, na inserção no mercado de trabalho e no compartilhamento da renda do lar. Ainda muito discretamente, no entanto, a publicidade sequer se aproxima de dar conta do complexo cenário em que se enquadra o feminino no Brasil.
Por enquanto, a propaganda ainda se encontra a anos-luz das conquistas do movimento feminista, da emancipação feminina e da construção de um ideário de igualdade entre os sexos."

14 de set de 2011

Papa denunciado por pedofilia

Uma associação americana de vítimas de padres pedófilos anunciou nesta terça-feira ter apresentado uma queixa ante o Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o Papa Bento 16 e outros dirigentes da Igreja católica por crimes contra a humanidade.

Os dirigentes da associação SNAP, orientados pelos advogados da ONG americana "Centro para Direitos Constitucionais", entraram com uma ação para que o Papa seja julgado por "responsabilidade direta e superior por crimes contra a humanidade por estupro e outras violências sexuais cometidas em todo o mundo".

A organização acusa o chefe da Igreja católica de "ter tolerado e ocultado sistematicamente os crimes sexuais contra crianças em todo o mundo".



*Notícia completa
AQUI.



Primeira notícia envolvendo igreja e religião que me faz feliz em muito tempo! Não acho que vá dar em nada... Conhecendo política internacional, DUVIDO que o TPI tenha coragem suficiente pra aceitar a denúncia e julgar os indivíduos envolvidos. Porém, fiquei muito feliz pelo fato de que alguém teve a coragem de denunciar o Papa e de que está sendo dada atenção ao problema da pedofilia praticada por castos e santos membros do clero.

Dica: senhores clérigos de todas as religiões, preocupem-se mais em ajudar aos necessitados e menos em se meter na laicidade dos Estados. Metam-se menos em decisões de foro íntimo e mais na faxina de seus próprios quintais.

11 de set de 2011

11/09

Prometi a mim mesma não falar sobre o 11 de Setembro, mas abro uma exceção. O que copio abaixo foi escrito por um amigo que mora nos EUA e postado em seu Facebook. Se um único americano ler isso e entender, já fico feliz.

"Adding to the mourning and remembrance, today also marks the death of Salvador Allende, a paramount date in the smothering of Latin American democracy by US foreign policy. I mean no offense at all and hope not to be misunderstood, but if you are not familiar to stories such as this, I would encourage the understanding of the place that this country has in the world as essential to properly mourn horrible tragedies such as that of ten years ago."


Traduzindo:

Somando-se ao luto e à lembrança, hoje também marca a morte de Salvador Allende, uma data fundamental na asfixia da democracia latino-americana pela política externa dos EUA. Não quero ofender ninguém e espero não ser mal interpretado, mas se você não estiver familiarizado com histórias como essa, gostaria de encorajar a compreensão do lugar que este país tem no mundo como essencial para os que choram horríveis tragédias como a de dez anos atrás.

8 de set de 2011

liberação sexual?

O quadro anterior de nítida repressão sexual tem sido substituído, nas últimas décadas, pela valorização da sexualidade, o que nos levaria, num primeiro momento, a admitir uma liberação. Mas será que podemos falar em liberação numa sociedade onde a censura geralmente é mais rigorosa com filmes e revistas sobre sexo do que com os de violência?

O movimento estudantil de maio de 1968 foi importante no processo de procura da afirmação do direito à sexualidade. A dupla moral foi duramente criticada, assim como todas as formas hipócritas de relacionamento humano; os movimentos feministas tentaram recuperar a dignidade e a autonomia da mulher; houve a exigência de uma linguagem mais livre; iniciou-se a valorização do corpo. Estava começando a revolução sexual.

Como o capitalismo reagiu diante de formas emergentes de dissolução dos costumes? Incorporando-as para amenizar seus efeitos. Uma ampla produção de revistas, filmes, livros e peças teatrais veio atender ao interesse despertado pelas questões sexuais. Mas essa produção se acha voltada para o novo filão de dinheiro: o sexo torna-se vendável. No entanto, há apenas uma ilusão de liberação sexual; na verdade, continuam ocorrendo formas sofisticadas de repressão.

A sexualidade que se acha liberada é a sexualidade genital, centralizada no ato sexual. Isso é o empobrecimento da sexualidade humana. A canalização dos instintos para os órgãos do sexo impede que seu erotismo desordenado e improdutivo prejudique a boa ordem do trabalho. O alívio de fim de semana dado às necessidades sexuais cada vez mais “liberadas” faz as pessoas pensarem que, afinal, o mundo não é tão hostil assim aos seus desejos; mas, na verdade, o que está sendo ocultado é que o ambiente no qual as pessoas podiam obter prazer foi reduzido. Consequentemente, o universo de concentração de desejos libidinosos é do mesmo modo reduzido.

O papel do controle da intimidade coube, num primeiro momento, à religião; atualmente cabe à ciência, por meio da sexologia. Escreve-se muito sobre sexo, mas do ponto de vista científico. Os romanos tiveram a Ars amatoria, de Ovídio; os japoneses, a sua arte erótica; os hindus, o Kama Sutra. Nessas obras procura-se conhecer o sexo pelo domínio do corpo e pelo exercício do amor – trata-se de uma arte. A sexologia, por sua vez, procura explicar o sexo pelo intelecto – é uma ciência.

Segundo Michel Foucault, autor de História da Sexualidade, falar sobre sexo é uma maneira camuflada de evitar fazer sexo. Daí a mudança da ars erotica para a scientia sexualis. A ciência surge como uma forma controladora da sexualidade e, através do discurso da competência, busca a normalidade e a objetividade. O discurso científico, se dizendo além dos tabus e dos preconceitos, reduz o sexo a uma visão biologizante; mostrando-o como algo natural, estabelece padrões sobre o que é normal ou patológico, classifica os tipos de comportamento e aprisiona os indivíduos à última palavra do especialista competente, através do qual o sexo é vigiado e regulado.

5 de set de 2011

puritanismo

O post anterior me levou a desenterrar vários textos e livros da época da graduação... Pra quê? Reler algumas coisas e ter um embasamento melhor para escrever alguns posts relacionados à repressão que nós, mulheres, sofremos atualmente. Este aqui ficou um pouco grandinho, mas espero que seja útil pra alguém.

O discurso moralista e puritano é herdeiro das tendências neoplatônicas que consideram que o caminho da humanização está na purificação dos sentidos mais baixos. A sexualidade deixa de fazer parte do homem integral e é confinada à alcova, ao silêncio. A visão platônico-cristã dissocia o amor espiritual do amor carnal e associa sexo ao pecado.

A Reforma Protestante retoma essa temática e o trabalho surge como a ocasião de purificação. Pela predestinação, a salvação ou a condenação das almas independe do próprio homem; as obras, a riqueza, a prosperidade, são sinais da escolha divina. Daí o trabalho ser o meio de fugir da tentação e a condição da purificação. “A ociosidade é a mãe de todos os vícios”. Está surgindo aí a moral burguesa.

O princípio de adestramento do corpo faz com que o trabalho não seja apenas um freio para o sexo, mas que promova um processo de dessexualização e deserotização do corpo. Há uma situação de dominação em que uma classe se encontra submetida a um trabalho alienado, fragmentado, repetitivo e mecânico, no qual não há mais prazer.

O trabalhador interioriza a necessidade de rendimento, de produtividade, preenchendo funções preestabelecidas e organizadas em um sistema cujo funcionamento se dá independentemente da participação consciente de cada um: eficiência e repressão convergem. O sexo é restrito a momentos isolados, nas horas de lazer. É submetido a um controle para que não se desvie da função de procriação.

Na família burguesa vão se tecendo os papéis destinados a cada elemento. O pai é o provedor da casa e seu espaço é público (o trabalho e a política). A mulher, protegida pelo homem, desempenha o papel biológico que lhe é destinado e fica confinada ao lar. A conseqüência é a chamada dupla moral, isto é, a existência de uma moral para a mulher e outra para o homem.

Para que a mulher possa desempenhar o papel de mãe, a educação da menina é orientada como se ela fosse um ser assexuado. Sua vida sexual deve começar apenas no casamento e, muitas vezes, sem os prazeres da carne. A virgindade é valorizada, o adultério punido e sempre se aceitou com naturalidade as justificativas de “matar para lavar a honra”.

Tem-se a dicotomia feminina: ou é santa ou é prostituta. A recusa de sexualizar a mulher se contrapõe à tendência de sexualizá-la de forma perversa. Veja, por exemplo, o uso dos adjetivos honesto e sério: o que se entende por “homem honesto” ou “sério” é muito diferente de “mulher honesta” ou “séria”. De um homem, no seu serviço, exige-se competência; de uma mulher, que também seja bonita e charmosa. A própria mulher tem em si mesma esse tecido ambíguo da exposição e da negação da sua sexualidade. É ensinada desde cedo a ser vaidosa e insinuante... mas deve ir até certo ponto, no limite da decência.

O papel da prostituta também é ambíguo: condenada e ridicularizada, é o contraponto da virgindade das donzelas de boa família. A geógrafa Marilena Chauí, em Repressão Sexual, essa nossa (des)conhecida, diz que “ inúmeros estudos têm mostrado como, na geografia das cidades, o bordel é tão indispensável quanto a igreja, o cemitério, a cadeia e a escola, integrando-se à paisagem. Nas grandes cidades contemporâneas, a localização torna-se central, mas sob a forma de guetos e, portanto, de espaço segregado. Em suma, a sociedade elabora procedimentos de segregação visível e de integração invisível, fazendo da prostituição peça fundamental da lógica social”.

A repressão sexual sempre existirá em sociedades onde persistem relações de poder baseadas na exploração... A sexualidade só se libertará caso possa ser desfeito o nó da dominação social. Entre outras coisas, seria necessária uma discussão política das condições dessa alienação na qual a humanidade encontra-se. Ou seja...

1 de set de 2011

idade das trevas

“O ser humano é capaz de tudo, até de uma boa ação; não é, porém, capaz de imparcialidade”.
Nelson Rodrigues em Flor de Obsessão

Apesar de excelente dramaturgo, Nelson Rodrigues era um machista em caps lock como tantos outros que existem por aí. Os ataques que Leticia Fernandez vem sofrendo, desde que seu blog tornou-se conhecido, provam que o dramaturgo carioca estava certo: somos incapazes de manter a imparcialidade. Completo: principalmente diante de algo que nos ofende.

Por que a blogueira é uma ofensa tão grande e vem despertando tantas reações contrárias à sua existência? Oras, ela ofende as bases patriarcais de nossa sociedade. Para o machismo reinante, é inadmissível que uma mulher goste de sexo, assuma isso e viva livremente sua sexualidade. Pior: ela fala sobre sexo, sem vergonhas, sem pudores, sem tabus. É, portanto, uma ameaça, pois pode estimular outras mulheres a buscar sua plenitude sexual, livres de amarras e convenções sociais. E a liberdade feminina ofende.

Homens e mulheres, ofendidos pela liberdade alheia, voltam, então, à época da inquisição e jogam a bruxa na fogueira, afinal idéias perigosas não devem ser disseminadas por aí. Direcionam sua ira (e suas frustrações?) para uma mulher que está apenas vivendo sua vida como acha melhor. O cérebro de ostra dos defensores da moral e dos bons costumes não consegue fazer qualquer conexão neural na qual não estejam presentes as palavras hipocrisia, mediocridade e preconceito.

Admito: também sou incapaz de manter a imparcialidade diante de atos que representam ofensas a mim. Atirar pedras na Maria Madalena do momento, ignorando que sobre a original foi dito “atire a primeira pedra quem não tem pecados”, é crucificar todas nós. O pior nem são os machos ridículos dizendo até mesmo que esperam que Leticia morra de AIDS... são as várias fêmeas fazendo o mesmo.

Pergunta pra mulherada que a condena: vocês têm o que no lugar onde deveria haver massa encefálica? Ervilha? Peloamor! Um ataque à liberdade de uma mulher é um ataque à liberdade de todas! A não ser que eu esteja completamente equivocada e louca, até onde sei todas nós vivemos no mesmo mundo machista... Todas nós estamos sujeitas a sermos julgadas e apedrejadas por alguma atitude que desagrade ou bata de frente com o conservadorismo hipócrita medíocre preconceituoso. Suas filhas estão sujeitas a isso!

O absurdo acaba aí? Não... a vida é muito mais surreal que a ficção... Não bastasse ter sido chamada de “nova Bruna Surfistinha” e alçada ao patamar de prostituta, a blogueira deu entrevista imaginária a uma rádio (ou concedeu a entrevista durante um ataque de sonambulismo, será?). Após a farsa (era uma pessoa qualquer se passando por Leticia) tornar-se pública, a declaração da tal rádio a respeito foi, no mínimo, risível. Entraram em contato com alguma rádio do nordeste pra conseguir falar com ela e a pessoa que deu a entrevista se passou por ela sem que tivessem conhecimento? Oi? Devo acreditar em coelhinho da páscoa e papai Noel, é isso? Sensacionalismo, assim como a covardia humana, não tem limites mesmo...

Já previa que ela seria muito ofendida e atacada... mas o que aconteceu conseguiu ultrapassar qualquer limite de civilidade e respeito ao próximo. Me surpreendi? Não. Porém, lamento que ainda estejamos na Idade Média.



Dois ótimos textos sobre o ocorrido AQUI e AQUI.