Páginas

31 de out de 2011

Lula, o câncer e os imbecis

Bastou nosso ex-presidente ter seu câncer descoberto e anunciado para um monte de imbecis invadir as redes sociais com piadinhas de péssimo gosto. Quem eram mesmo os cidadãos que ontem achavam um absurdo as piadas do Rafinha Bastos? Pois é... Hipocrisia manda beijo pra vocês!

Não simpatizo com Lula enquanto pessoa, muito menos enquanto governante – e isso, mesmo sem me conhecer, é fácil perceber lendo este blog. Porém, tenho profundo desprezo – e pena – por todos os imbecis que estão fazendo pouco caso da doença do nosso ex-presidente.

Meu falecido pai teve câncer, minha falecida ex-sogra teve câncer... atualmente, uma grande amiga minha, no auge de seus 27 anos, está com câncer, e o pai de um grande amigo meu está na fase terminal do câncer. Provavelmente, os piadistas nunca tiveram alguém próximo acometido por esta doença... Meu lado politicamente correto espera que jamais tenham. Já meu lado incorreto deseja que vocês próprios sejam acometidos pela doença para que saibam como é delicioso fazer quimio e radioterapia!

Parece que está faltando no vocabulário do ser humano a palavra EMPATIA. "Sugere-se que o sistema límbico, uma das partes mais antigas do nosso cérebro, e suas conexões com o córtex pré-frontal estariam envolvidas na empatia; proporcionariam aos homens a capacidade de se colocar no lugar dos outros. Dessa forma, uma empatia primitiva estaria presente desde cedo na evolução humana, e com a aquisição de novas estruturas cerebrais e circuitos neurais adicionou-se a essa empatia uma forma de cognição, de tal forma que pôde ser experienciada em conjunto com uma consciência social mais desenvolvida". Bem... minha conclusão é que a humanidade está INvoluindo e tornaram-se crônicos os problemas de conexão entre o sistema límbico e o córtex pré-frontal...

Ou, como bem dito por uma conhecida:

“Alexandre, o Grande, ao saber que seu maior inimigo, Dario III, havia morrido provavelmente pelas mãos de um soldado raso, chorou. Ofereceu-lhe postumamente um discurso no qual, reconhecendo e exaltando as qualidades do opositor, lamentou o fato de ele não ter tido uma morte condigna ao grande guerreiro e homem que foi. Mito ou fato histórico, tenho saudades dos tempos que eu não vivi, nos quais mesmo inimigos e opositores sabiam se respeitar, sabiam reconhecer a grandeza um do outro e se tratavam com a dignidade possível às circunstâncias.”

Ninguém precisa ser petista ou fã do Lula para tratá-lo com o mínimo de respeito e dignidade…

samhain

Hoje, no calendário celta celebra-se o SAMHAIN, um dos oito Sabbats, que são rituais solares, assinalando pontos no ciclo anual do Sol.

Antigamente, o Samhain, também conhecido como Véspera de Novembro, Festa dos Mortos, Festa das Maças, e Todos os Santos, marcava um período de sacrifício. Em alguns lugares, esta era a época de sacrifícios animais para assegurar comida durante as profundezas do inverno. O Deus – identificado com os animais – também tombava para garantir a continuidade de nossa existência.

O Samhain é um período de reflexão, de análise do ano que se finda, de ajustar contas com o fenômeno da vida sobre o qual não exercemos controle – a morte. Acredita-se que nesta noite a divisão entre as realidades físicas e espirituais é estreita e costuma-se recordar os ancestrais e todos que já se foram.

Deixo-os então com a música que, em minha opinião, melhor representa esta data:



P.S.: Não estou no hemisfério norte, mas prefiro seguir o calendário original celta.

28 de out de 2011

Brasil: uma democracia de baixa qualidade

(...)

(...) o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso “escreveu uma espécie de ‘manual do usuário’ para o presidencialismo de coalizão no Brasil”, que foi seguido “à risca por Lula” e – acrescento agora, porque o livro não entra ainda no atual governo – pela presidenta Dilma Rousseff. Diante do fato de que temos uma das maiores pulverizações partidárias do mundo, Fernando Henrique construiu uma sistema de coalizão que não era baseado em afinidades políticas ou ideológicas, mas na troca de apoio por benesses: cargos, poder de influência, verbas do orçamento, etc. Tratou de construir, a partir desse sistema, a maior base de sustentação que lhe fosse possível, para ultrapassar sempre os 60% necessários para aprovar emendas constitucionais. Lula seguiu na mesma balada. E agora Dilma, que consegue ter quase 80% de apoio na Câmara e no Senado.

De fato, como diz Kurt Weyland, a “sustentabilidade” de tal modelo “é crescente”, uma vez que a cada governo essa maioria só aumenta, e os governos conseguem, na grande maioria das vezes, o quorum necessário para aprovar os projetos de seu interesse. E é também verdade que tal modelo produz uma “democracia de baixa qualidade”. Porque ela é baseada numa troca de favores. Que, por um lado, transforma o governo numa usina de escândalos. E, por outro lado, gera uma situação que torna praticamente insustentável para a maior parte dos políticos e dos partidos sobreviver na oposição.

É como se o Brasil fosse uma espécie de cidade do México política na maior parte do tempo. A cidade do México fica em cima de uma falha geológica que faz com que ela esteja submetida sempre a pequenos terremotos de baixa intensidade. Aqui, vivemos uma situação crônica de pequenos terremotos políticos, nunca com intensidade suficiente para derrubar governos. É uma situação de crise constante, que nunca tem a capacidade mesmo de produzir rupturas institucionais.

(...)

Os ministérios são sucursais desse esquema montado. Seus projetos bancam os interesses políticos dos partidos. Com desvios de verbas, em boa parte dos casos. Quando os esquemas são descobertos, gera-se a crise, e cai o ministro.
Como não se vislumbra outro modelo possível, quem sobrevive fica à espera de que a poeira do esquecimento cubra o escândalo para que tudo volte ao normal.

(...)

E, assim, a oposição não consegue lucrar de fato com a situação, a não ser que os governos deixem de ser populares, como aconteceu com Fernando Henrique em seu segundo mandato. Sufocada por não se beneficiar das benesses daqueles que aderem, a oposição fica sufocada. E é por isso que parte dela resolveu agora migrar para o PSD, para ficar mais próxima desse esquema.

(...)



________________________________________________________________________________

*o texto acima não é de minha autoria e pode ser lido na íntegra AQUI.

Dica: Caiu outro ministro? Quando acontece um problema, o erro está no indivíduo. Vários, o erro está na instituição.

27 de out de 2011

declaração de amor à capital

Dizem que o brasiliense é frio. Discordo. O brasiliense apenas adequou-se ao meio. Não sei se Niemeyer tinha isso em mente quando fez sua maquete – sim, Brasília é ótima, linda e funciona muito bem... em uma maquete de estudante de arquitetura. Voltando... não sei se a megalomania de Niemeyer pensou nisso, mas acabou criando um meio hostil à convivência social, propício à existência de cidadãos solitários e de micro-sociedades que lembram cidadezinhas do interior.

“As pessoas não andam na rua aqui?”. Essa foi a pergunta que um conhecido me fez a 1ª vez que esteve aqui, quando o busquei no aeroporto. Ele mora no Rio. Quando estou por lá, a gente anda a pé, na rua, vai à praia, pára na esquina para tomar um suco e conversar com desconhecidos, vê gente. Aqui? Andar onde? De onde para onde? Brasília não tem esquinas, não tem quarteirões, não tem calçadas, não tem praia, não tem praças, não tem espaços públicos de convivência social.

Não tem Avenida Paulista para matar o tempo caminhando e parando em algum lugar para ver algo ou tomar/comer alguma coisa... Não tem Liberdade para caminhar entrando em lojinhas e galerias... Não tem Augusta para andar a noite escolhendo o que fazer... Não tem 25 de Março para andar e fazer compras... E estou propositalmente falando de São Paulo, pois dizem que paulistas são frios. Bom, se você for carioca, são mesmo... mas comparando-se a brasilienses, não chegam nem à temperatura de 0ºC.

Sem espaços públicos de convivência social, restaram os pseudo-espaços, onde se formam micro sociedades. Brasília é uma cidade grande apenas espacialmente, espalhada, onde tudo é muito longe. O que existe aqui são muitas cidadezinhas do interior... porém, aqui assimilou-se o que as cidadezinhas têm de pior: fofoquinhas, preocupação excessiva com a vida alheia. Eu jamais conseguiria morar numa cidadezinha por causa disso e pela falta de opções culturais e de lazer e serviços... pois olha que coisa boa: Brasília também carece de tais opções. Não fosse pelo fator trabalho-estudo, acredito que muitas outras pessoas, além de mim, já teriam se mudado da capital há muito tempo.

Brasília tem até setor de suicídios: o SSS (Setor de Suicídios Sul, conhecido como Pátio Brasil Shopping). Recentemente, parece que os suicidas mudaram de local, indo se encontrar no Liberty Mall. Para quem não mora aqui: estes shoppings foram escolhidos pelos suicidas, que se jogam lá de cima... o Pátio Brasil teve até que fechar com vidro o vão livre central para as pessoas não se jogarem mais. Para todos: descobri estes dias que Brasília é a capital brasileira com a maior taxa de depressão e suicídios. Por que será?

Ah... JK, Niemeyer e Lucio Costa... a megalomania de vocês, vista menos de um século depois, é linda viu... NOT!

20 de out de 2011

o caso Rômulo Lemos e a cultura do macho pegador

A agressão de Rômulo Lemos a estudante Rhanna, que resultou em quatro placas de titânio e dezesseis pinos no braço desta última, foi um dos assuntos mais comentados dos últimos dias. Num primeiro momento, a estupidez e a brutalidade do ato exigem, quase que de forma automática, o repúdio e a cobrança pelas medidas cabíveis de apuração e punição ao agressor.

(...)

É preciso ver nesse episódio mais que a brutalidade do golpe, mais do que a revolta contra a crassa troglodice ou a pressão pela responsabilização penal, mais que os envolvidos e seus estereótipos. Há nisso tudo a atuação de um padrão machista de relações sociais, um modo violento, cruel e sádico pelo qual, muitas vezes, os homens se relacionam com as mulheres.

E não se trata aqui, como se poderia, apressadamente, concluir, de manifestações extremas como estupro e o espancamento regular. Mas de atos sutis, posturas e atitudes cotidianas, presentes e atuantes em gestos, palavras e olhares por meio dos quais os homens se aproximam, “apreciam”, paqueram ou se dirigem às mulheres. Trata-se das passadas de mão em ônibus ou corredores, as frases e provocações grosseiras, as insinuações invasivas, o “comer com os olhos”, as buzinadas, assobios e “psius”. Tudo isso que expressa literalmente um não-reconhecimento da autonomia e integridade moral do outro, da liberdade de seu corpo e de seu desejo.

(...)

A indignação contra o episódio não pode nos fazer perder de vista esse horizonte cultural violento e sádico que norteia o modo de relacionar-se entre homens e mulheres dentro do qual tal episódio está essencialmente inscrito, reduzindo assim a questão à responsabilidade individual do autor da agressão. (...) a violência tem sido um aspecto constitutivo da educação e da identidade dos homens, o significante em função do qual vêem a si mesmos como homens, o meio para se tornarem homens de verdade.

O caminho para fazerem-se de si mesmos homens, em nossa cultura e sociedade, está intimamente ligado tanto à violência virilizadora quanto à posse de mulheres. Uma educação fortemente centrada no imperativo de se ter poder sobre as mulheres, de subjugá-las à vontade masculina, é o que está na raiz de uma série de práticas comuns, pelas quais os homens gozam de ampla e irresponsável liberdade no trato com as mulheres, inclusive promover, em baladas e carnavais, “ataques” e cercos em bando contra estas, acossá-las e segurá-las pelo braço, pelo cabelo ou cintura quando os recusam ou ignoram.

Infelizmente, tal crença apóia-se num traço – ainda persistente e com alguma força de realidade – de nossa cultura, que educa e constrói mulheres e homens para o olhar e o exercício da masculinidade, como que a afirmação da feminilidade das primeiras e da masculinidade dos segundos somente são possíveis mediante esta relação de um sujeito que olha ofensivamente, invade e que fala grosserias e um objeto passivo que somente se realiza se for notado e devassado com virilidade e agressividade. É dessa crença misógina que deriva a ideia que a mulher está provocando quando sai de casa de saia ou shorts curtos, o que é interpretado na cabeça vazia de muitos como sendo um tipo de autorização ao assédio, ou a representação feminina pelos comerciais e pela publicidade em geral da mulher como uma máquina cuja única qualidade e atributo significativos são a sedução e o seu corpo.

(...)

Cenas e episódios como os que envolveram Rômulo Lemos e a estudante Rhanna, para além da apuração e dos procedimentos legais, devem nos servir para questionar a consagração dessa cultura do macho-pegador. A ferocidade dessa cultura manifesta-se em relações sociais de gênero assimétricas entre homens e mulheres, estabelecidas segundo padrões violentos de sociabilidade e de identidades de gênero pré-definidas para proporcionar o desempenho de papéis que brinda uns como sujeitos e outras como objetos de poder e de assujeitamento. Um dos problemas centrais, nesse caso, reside, portanto, em como nossa sociedade naturaliza uma forma de masculinidade na qual a violência e o direito sobre o outro como objeto de seu desejo e vontade são elementos estruturadores da identidade, autoimagem e performance masculinas.

Por último, caberia perguntar também, até que ponto a violência, a agressividade e misoginia masculinas seriam não apenas produtos de um processo de incorporação dessa cultura do macho-pegador, mas também o resultado da repressão dos elementos mais emocionais, uma ocultação das emoções e dos gestos mais afetuosos cujo desdobramento resulta numa quase impossibilidade dos homens de expressar-se de outro modo.

(...)



___________________________________________________

*o texto acima não é de minha autoria e pode ser lido na íntegra AQUI.

17 de out de 2011

violência contra mulher

Semana passada, entre vários outros fatos divulgados envolvendo violência contra mulheres, dois em especial me chamaram atenção: a mulher que sofreu um gang rape e a mulher que teve o braço quebrado em uma boate. Nos dois casos, apareceram pessoas para amenizar o que os agressores fizeram e tentar colocar a culpa nas vítimas. Pergunto: vocês não têm mãe? Irmãs? Filhas? Namoradas? Qualquer uma, apenas por existir, pode ser vítima de algo assim.

NÃO EXISTE NENHUMA JUSTIFICATIVA PARA UM ESTUPRO. E ponto final. Muito menos para vários indivíduos estuprarem alguém e filmarem o feito. A mulher saiu para beber com homens, então a culpa é dela? Façam-me o favor! Supondo que ela tivesse saído vestida como uma prostituta barata e feito pole dance, ainda assim é injustificável que fosse estuprada. E ainda há mulheres que amenizam o que os agressores fizeram e tentam culpar a vítima? O machismo de vocês manda beijo. E amanhã, se vocês forem a vítima, não reclamem que alguém está tentando culpar você porque “pediu” por isso.

Também NÃO EXISTE NENHUMA JUSTIFICATIVA PARA VIOLÊNCIA GRATUITA. Ou não é gratuito um energúmeno quebrar o braço de alguém simplesmente porque a moça não quis ficar com ele? Minha experiência empírica diz que basta respirar e existir para seres inconvenientes nos puxarem pelo braço, ou puxarem nosso cabelo, ou nos puxarem pela cintura. O empirismo também me mostrou que basta dizer não para energúmenos xingarem ou quererem partir para a violência. E aí? Temos que estar sempre disponíveis e aceitar os neandertais que agem como se pudessem nos puxar pelos cabelos e levar pra onde quiserem?

Não é por acaso que saio muito para lugares gays: corro bem menos risco de um homem das cavernas aparecer enchendo o saco... até porque neandertais costumam ser homofóbicos e não freqüentar o meio gay. Porém, é um completo absurdo que eu precise ir para uma festa ou boate gays para poder dançar a noite inteira sem ter meu braço, ou cabelo, ou cintura, puxados.

Não culpem mulheres pelas agressões que elas sofrem. Digo, por experiência própria, que nós passamos por situações inconvenientes TODOS OS DIAS, apenas pelo simples fato de existirmos. Se eu fosse bater ou espancar cada imbecil que me importunou, a lista seria infinita e eu estaria cumprindo prisão perpétua. E se o problema desses imbecis fosse resolvido apenas com a gente não sendo insinuante, a solução seria fácil: todas usando burca e ambientes de convivência separados entre masculinos e femininos, para que não aja nenhum tipo de interação social entre homens e mulheres. Infelizmente, não é tão fácil assim e, se fosse, mulheres não seriam agredidas em locais onde andam de burca e têm vagões exclusivos no metrô.

10 de out de 2011

violência contra homossexuais

A homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.

Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência à existência de mulheres e homens homossexuais. Apesar dessa constatação, ainda hoje esse tipo de comportamento é chamado de antinatural.

Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (ou Deus) criou órgãos sexuais para que os seres humanos procriassem; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).

Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?

(…)

Relacionamento homossexual entre primatas não humanos está fartamente documentado na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no Journal of Animal Behaviour um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.

(…)

Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela simples existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por capricho individual. Quer dizer, num belo dia pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas como sou sem vergonha prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.

(…)

Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais na vizinhança, que procurem dentro das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal costumam aceitar a alheia com respeito e naturalidade.

(…)

Afinal, caro leitor, a menos que seus dias sejam atormentados por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu trinta anos?




_______________________________________________

*o texto acima é de autoria de Drauzio Varella e pode ser lido na íntegra AQUI.

9 de out de 2011

projeção

Em psicologia, projeção é um mecanismo de defesa no qual os atributos pessoais de determinado indivíduo, sejam pensamentos inaceitáveis ou indesejados, sejam emoções de qualquer espécie, são atribuídos a outra(s) pessoa(s). A projeção ocorre quando os sentimentos ameaçados ou inaceitáveis de determinada pessoa são reprimidos e, então, projetados em alguém. Ela reduz a ansiedade por permitir a expressão de impulsos inconscientes, indesejados ou não, fazendo com que a mente consciente não os reconheça. Um exemplo de tal comportamento pode ser o de culpar determinado indivíduo por um fracasso próprio. Em tal caso, a mente evita o desconforto da admissão consciente da falta cometida, mantém os sentimentos no inconsciente e projeta, assim, as falhas em outra(s) pessoa(s).

Dica: olhe-se no espelho antes de projetar nos outros o que não gosta em si mesmo.