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17 de out de 2011

violência contra mulher

Semana passada, entre vários outros fatos divulgados envolvendo violência contra mulheres, dois em especial me chamaram atenção: a mulher que sofreu um gang rape e a mulher que teve o braço quebrado em uma boate. Nos dois casos, apareceram pessoas para amenizar o que os agressores fizeram e tentar colocar a culpa nas vítimas. Pergunto: vocês não têm mãe? Irmãs? Filhas? Namoradas? Qualquer uma, apenas por existir, pode ser vítima de algo assim.

NÃO EXISTE NENHUMA JUSTIFICATIVA PARA UM ESTUPRO. E ponto final. Muito menos para vários indivíduos estuprarem alguém e filmarem o feito. A mulher saiu para beber com homens, então a culpa é dela? Façam-me o favor! Supondo que ela tivesse saído vestida como uma prostituta barata e feito pole dance, ainda assim é injustificável que fosse estuprada. E ainda há mulheres que amenizam o que os agressores fizeram e tentam culpar a vítima? O machismo de vocês manda beijo. E amanhã, se vocês forem a vítima, não reclamem que alguém está tentando culpar você porque “pediu” por isso.

Também NÃO EXISTE NENHUMA JUSTIFICATIVA PARA VIOLÊNCIA GRATUITA. Ou não é gratuito um energúmeno quebrar o braço de alguém simplesmente porque a moça não quis ficar com ele? Minha experiência empírica diz que basta respirar e existir para seres inconvenientes nos puxarem pelo braço, ou puxarem nosso cabelo, ou nos puxarem pela cintura. O empirismo também me mostrou que basta dizer não para energúmenos xingarem ou quererem partir para a violência. E aí? Temos que estar sempre disponíveis e aceitar os neandertais que agem como se pudessem nos puxar pelos cabelos e levar pra onde quiserem?

Não é por acaso que saio muito para lugares gays: corro bem menos risco de um homem das cavernas aparecer enchendo o saco... até porque neandertais costumam ser homofóbicos e não freqüentar o meio gay. Porém, é um completo absurdo que eu precise ir para uma festa ou boate gays para poder dançar a noite inteira sem ter meu braço, ou cabelo, ou cintura, puxados.

Não culpem mulheres pelas agressões que elas sofrem. Digo, por experiência própria, que nós passamos por situações inconvenientes TODOS OS DIAS, apenas pelo simples fato de existirmos. Se eu fosse bater ou espancar cada imbecil que me importunou, a lista seria infinita e eu estaria cumprindo prisão perpétua. E se o problema desses imbecis fosse resolvido apenas com a gente não sendo insinuante, a solução seria fácil: todas usando burca e ambientes de convivência separados entre masculinos e femininos, para que não aja nenhum tipo de interação social entre homens e mulheres. Infelizmente, não é tão fácil assim e, se fosse, mulheres não seriam agredidas em locais onde andam de burca e têm vagões exclusivos no metrô.