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28 de nov de 2011

orgásmico

Musicalmente falando, é indiscutível que Led Zeppelin é lenda (deve ter quem não goste, mas... gosto é que nem c*, cada um tem o seu). A parte orgástica da coisa, para mim, é ouvir uma lenda do rock n’ roll acompanhada por uma lenda da música árabe – Hossam Ramzy, percussionista egípcio que provavelmente você nunca ouviu falar, mas que eu AMO³.

Aí pros roqueiros e demais preconceituosos, que acham que música árabe é coisa da novela O Clone: não é... vai muito, muito, muito além do que vocês conhecem. Dança Árabe idem: vai muito, muito além do que vocês conhecem.

Boa semana a todos! Fiquem com esse orgasmo musical:

25 de nov de 2011

violência contra a mulher

Hoje começa o Combate Internacional à Violência contra a Mulher – trata-se de 16 dias de ativismo, que terminam em 10 de dezembro, quando é comemorado o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Nunca é excessivo repetir: não existe crime passional. Não existe isso de que foi só uma briguinha de casal na qual o homem se exaltou. Não existe o argumento de que mulher safada merece apanhar. O que existe são pessoas cuja ética – se é que há ética – é dissolvida no machismo velado da nossa sociedade patriarcal. O machismo mata, enquanto a ignorância esconde os corpos.



Dez brasileiras são mortas, por dia, pelo companheiro ou ex. A cada 2 minutos, 5 mulheres são espancadas no Brasil. E tem gente, aos montes, que acha que esse é um problema menor do que a pobreza ou a fome. O machismo mata, e muito, e diariamente... e impunemente. A vítima tem gênero.

Enquanto ainda houver gente que finge que não sabe e não enxerga, a situação continuará do jeito que está. Para que a violência contra a mulher possa ser combatida, não é só o homem, a mulher ou o judiciário que precisa mudar: são todos! A violência doméstica é um reflexo de uma sociedade, no mínimo, doente.

Gostaria muitíssimo que os defensores da moral e dos bons costumes... sim, aquele pessoal que se diz defensor da família e faz marchas, que vive fiscalizando a sexualidade e a vida alheias, se dedicasse com o mesmo afinco a combater a violência doméstica.

Violência doméstica deve ser combatida e denunciada. DENUNCIE PELO 180.

16 de nov de 2011

sociedade do espetáculo

SOCIEDADE DO ESPETÁCULO: O MAL DE UMA ÉPOCA

“Nosso tempo, sem dúvida . . . prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser. . . O que é sagrado não passa de ilusão, pois a verdade está no profano. Ou seja, à medida que decresce a verdade a ilusão aumenta, e o sagrado cresce a seus olhos de forma que o cúmulo da ilusão é também o cúmulo do sagrado. Feuerbach - Prefácio à segunda edição de “A Essência do Cristianismo”.

Essas palavras do filósofo Feuerbach nos dizem algo fundamental sobre nossa época. Toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação. As imagens fluem desligadas de cada aspecto da vida e fundem-se num curso comum, de forma que a unidade da vida não mais pode ser restabelecida. A especialização das imagens do mundo acaba numa imagem autonomizada, onde o mentiroso mente a si próprio.

O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo. O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a própria sociedade e seu instrumento de unificação. Enquanto parte da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência. Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da falsa consciência; a unificação que realiza não é outra coisa senão a linguagem oficial da separação generalizada. O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediatizada por imagens. O espetáculo não pode ser compreendido como abuso do mundo da visão ou produto de técnicas de difusão massiva de imagens. Ele é uma visão cristalizada do mundo.

No mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso. O conceito de espetáculo unifica e explica uma grande diversidade de fenômenos aparentes. As suas diversidades e contrastes são as aparências organizadas socialmente, que devem, elas próprias, serem reconhecidas na sua verdade geral.

Considerado segundo os seus próprios termos, o espetáculo é a afirmação da aparência e a afirmação de toda a vida humana, socialmente falando, como simples aparência. Mas a crítica que atinge a verdade do espetáculo descobre-o como a negação visível da vida; uma negação da vida que se tornou visível. O espetáculo apresenta-se como algo grandioso, positivo, indiscutível e inacessível. Sua única mensagem é «o que aparece é bom, o que é bom aparece». A atitude que ele exige por princípio é aquela aceitação passiva que, na verdade, ele já obteve na medida em que aparece sem réplica, pelo seu monopólio da aparência.

O espetáculo não quer chegar a outra coisa senão a si mesmo. Na forma do indispensável adorno dos objetos hoje produzidos, na forma da exposição geral da racionalidade do sistema, e na forma de setor econômico avançado que modela diretamente uma multidão crescente de imagens-objetos, o espetáculo é a principal produção da sociedade atual. O espetáculo submete para si os homens vivos, definindo toda a realização humana em uma evidente degradação do ser em ter.

A fase presente da ocupação total da vida social em busca da acumulação de resultados econômicos conduz a uma busca generalizada do ter e do parecer, de forma que todo o «ter» efetivo perde o seu prestígio imediato e a sua função última. Assim, toda a realidade individual se tornou social e diretamente dependente do poderio social obtido. Destituída de seu poder prático e permeada pelo império independente no espetáculo, a sociedade moderna permanece atomizada e em contradição consigo mesma. Mas é a especialização do poder, a mais velha especialização social, que está na raiz do espetáculo. O espetáculo é, assim, uma atividade especializada que fala pelo conjunto das outras. É a representação diplomática da sociedade hierárquica perante si própria, onde qualquer outra palavra é banida, onde o mais moderno é também o mais arcaico.

A origem do espetáculo é a perda da unidade do mundo, e a expansão gigantesca do espetáculo moderno exprime a totalidade desta perda: a abstração de todo o trabalho particular e a abstração geral da produção do conjunto traduzem-se perfeitamente no espetáculo, cujo modo de ser concreto é justamente a abstração. No espetáculo, uma parte do mundo representa-se perante o mundo, e é-lhe superior. O espetáculo não é mais do que a linguagem comum desta separação. O que une os espectadores não é mais do que uma relação irreversível com o próprio centro que mantém o seu isolamento. O espetáculo reúne o separado, mas reúne-o enquanto separado. A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado (que é o resultado da sua própria atividade inconsciente) exprime-se assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos ele compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo.

A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que age aparece no fato de que os seus próprios gestos já não são seus, mas de um outro que os apresenta a ele. Eis por que o espectador não se sente em casa em parte alguma, porque o espetáculo está em toda a parte. Eis por que nossos valores mais profundos têm dificuldade de sobreviver em uma sociedade do espetáculo, porque a verdade e a transparência, que tornam a vida realmente humana, dela são banidas e os valores enterrados sob o escombro das aparências e da mentira que separam em vez de unir.




*** o texto acima é de Maria Clara Lucchetti Bingemer

14 de nov de 2011

american history x

Assisti estes dias, pela enésima sei lá qual vez, o excelente “American History X” (não sei que nome deram ao filme em português). É um daqueles raros filmes que posso assistir e reassistir e sempre traz algo novo sobre o que pensar – sempre tenho vontade de vomitar também, ao perceber que existem muitas pessoas que pensam daquele jeito soltas por aí... Recomendo muitíssimo.

Edward Norton, para variar um pouco, está brilhante no papel principal (admito: está uma delícia também, malhado na medida certa... exceto pelas tatuagens que me dão ânsia). O filme faz uma exploração das raízes do ódio racial na América. Derek Vinyard (Edward Norton) é um skinhead repleto de ódio por todos que são diferentes de si. A cena de abertura, chocante para alguns, mostra o irmão mais novo de Derek, Danny, interpretado por Edward Furlong, correndo para contar a ele que negros estão arrombando seu carro em frente à sua casa, ao que Derek reage atirando e, depois, brutalmente assassinando um dos ladrões (famosa cena do meio-fio, que deve ser vista, não narrada...rs...).



Julgado e condenado, Derek é mandado para prisão, onde ele adquire uma visão diferente de tudo à medida em que compara os prisioneiros white-power com o negro Lamont (Guy Torry), seu colega na lavanderia e eventual amigo. Enquanto isso, Danny, com a cabeça raspada e uma atitude rebelde, parece destinado a seguir os passos de seu irmão mais velho. Após Danny escrever uma crítica favorável de Mein Kampf, de Hitler, o professor negro Sweeney o manda escrever um artigo sobre a vida de seu irmão, um ex-aluno. Isso serve para introduzir flashbacks, ilustrando, em seqüencias monocromáticas, a vida de Derek antes da noite do tiroteio e o que ocorreu na prisão.

Derek era a esperança de sua mãe, o legado de seu pai e o herói de seu irmão. É possível entender como surge o ódio de Derek a partir das opiniões de seu pai e como esse ódio é explorado após a morte do mesmo. O pior: são argumentos que as pessoas usam atualmente para defender sua pátria dos imigrantes, que pessoas ao nosso redor usam para atacar as ações afirmativas.

Excelente filme, com violência brutal, linguagem forte, cenas de estupro, sexualidade e nudez. Porém, nada usado gratuitamente ou de forma apelativa, muito pelo contrário. Quem ainda não viu, vale a pena assistir. Quem já viu, sempre vale a pena assistir de novo.

10 de nov de 2011

sexismo e publicidade

Infelizmente, quem não entende inglês não conseguirá assistir e entender... Mais infelizmente ainda, há aquelas pessoas que entendem inglês, assistirão e, ainda assim, não entenderão.

Este vídeo complementa bem o post anterior, ao mostrar um pouco sobre o treinamento que mulheres recebem da mídia para serem machistas, submissas e discriminarem outras mulheres, ou apreciarem sua objetificação, do mesmo jeito que homens. E o melhor: nem percebem! (em itálico copiado da minha amiga Ukiyou Citrus)



Pensar não mata!



*se alguém souber de vídeos similares em português, favor me enviar o link.