Páginas

14 de nov de 2011

american history x

Assisti estes dias, pela enésima sei lá qual vez, o excelente “American History X” (não sei que nome deram ao filme em português). É um daqueles raros filmes que posso assistir e reassistir e sempre traz algo novo sobre o que pensar – sempre tenho vontade de vomitar também, ao perceber que existem muitas pessoas que pensam daquele jeito soltas por aí... Recomendo muitíssimo.

Edward Norton, para variar um pouco, está brilhante no papel principal (admito: está uma delícia também, malhado na medida certa... exceto pelas tatuagens que me dão ânsia). O filme faz uma exploração das raízes do ódio racial na América. Derek Vinyard (Edward Norton) é um skinhead repleto de ódio por todos que são diferentes de si. A cena de abertura, chocante para alguns, mostra o irmão mais novo de Derek, Danny, interpretado por Edward Furlong, correndo para contar a ele que negros estão arrombando seu carro em frente à sua casa, ao que Derek reage atirando e, depois, brutalmente assassinando um dos ladrões (famosa cena do meio-fio, que deve ser vista, não narrada...rs...).



Julgado e condenado, Derek é mandado para prisão, onde ele adquire uma visão diferente de tudo à medida em que compara os prisioneiros white-power com o negro Lamont (Guy Torry), seu colega na lavanderia e eventual amigo. Enquanto isso, Danny, com a cabeça raspada e uma atitude rebelde, parece destinado a seguir os passos de seu irmão mais velho. Após Danny escrever uma crítica favorável de Mein Kampf, de Hitler, o professor negro Sweeney o manda escrever um artigo sobre a vida de seu irmão, um ex-aluno. Isso serve para introduzir flashbacks, ilustrando, em seqüencias monocromáticas, a vida de Derek antes da noite do tiroteio e o que ocorreu na prisão.

Derek era a esperança de sua mãe, o legado de seu pai e o herói de seu irmão. É possível entender como surge o ódio de Derek a partir das opiniões de seu pai e como esse ódio é explorado após a morte do mesmo. O pior: são argumentos que as pessoas usam atualmente para defender sua pátria dos imigrantes, que pessoas ao nosso redor usam para atacar as ações afirmativas.

Excelente filme, com violência brutal, linguagem forte, cenas de estupro, sexualidade e nudez. Porém, nada usado gratuitamente ou de forma apelativa, muito pelo contrário. Quem ainda não viu, vale a pena assistir. Quem já viu, sempre vale a pena assistir de novo.