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30 de dez de 2012

fui estuprada

Todas as pessoas que não vivem em uma realidade paralela alienada tomaram conhecimento do caso da indiana que, recentemente, foi vítima de um estupro coletivo em um ônibus e acabou morrendo. Aqui no Brasil, muita gente ficou estarrecida com o caso, dizendo que lá é assim mesmo. Não se engane, coisas parecidas acontecem por aqui e, enquanto você lê este texto, alguma mulher está sendo estuprada em algum lugar.

Acho estupro um dos piores crimes que podem ser cometidos contra uma pessoa. A pior parte é ser um crime no qual quem sofre acusações, caso resolva denunciar, é a vítima. Estava no lugar errado. Estava com a roupa errada. Estava provocando. Não devia ter bebido. Fez sexo e depois se arrependeu. Tinha uma vida sexual promíscua. Tudo é justificativa para atenuar o crime e culpabilizar a vítima. É um crime que, quando noticiado, vem sempre acompanhado da palavra “suposto”.

Hoje, ao ler ESTA NOTÍCIA, sobre a estagiária de advocacia que se matou após ter sido estuprada, só ri para não chorar. Um suicídio ser noticiado como “morreu” porque “caiu” da janela após “suposto” estupro seria cômico se não fosse trágico. Jornalistas queridos, USEM AS PALAVRAS CORRETAS!

A notícia do SUICÍDIO de uma jovem que SE JOGOU da janela após ter sido ESTUPRADA deveria, como tantas outras notícias sobre este tipo de crime, abrir os olhos das pessoas – infelizmente, parece que as pessoas preferem continuar usando vendas nos olhos. Estupro é um crime hediondo sim, violento sim e, ao contrário do que o senso comum acredita, na maioria dos casos o estuprador conhecia a vítima.

Me assusta quantos filhos de chocadeira existem soltos por aí, sempre tentando achar alguma justificativa para o estupro, culpabilizando as vítimas. Vocês não têm mãe? Me assusta mais ainda a quantidade de mulheres que faz o mesmo. Vocês não percebem que, amanhã, pode acontecer com vocês?

Sou estuprada cada vez que alguém joga o ônus da prova sobre a vítima e tenta atenuar ou justificar o crime. Sou estuprada cada vez que alguém ensina sua filha a evitar o estupro, mas não ensina seu filho a não se tornar um estuprador. Sou estuprada cada vez que uma mulher deixa de denunciar a violência sofrida, embora entenda porque desistem da denúncia.

Há alguns anos, acompanhei uma colega de trabalho à delegacia e ao IML. Ela foi estuprada (os detalhes não vêm ao caso). Não bastasse até a mãe acusá-la de ter provocado o estupro, o atendimento das autoridades foi, no mínimo, insensível. Pedir para uma pessoa ficar sem tomar banho para fazer os exames de corpo de delito e deixá-la esperando quase 4 horas é surreal (e isso é só um pequeno exemplo do ótimo atendimento que ela recebeu neste dia). Quem perdeu a paciência e teve um chilique no IML fui eu – lembro de gritar com policiais e chamá-los de “seus filhos da puta, será que é difícil ver que ela está se sentindo suja e precisa tomar um banho? Custa fazer logo esse exame?”. Neste dia, teria sido presa por desacato sem nenhum peso na consciência, feliz da vida.

Por fim, sou estuprada cada vez que uma mulher busca auxílio das autoridades para denunciar a violência sofrida e é tratada com descaso. Todas somos. Amanhã, todas podemos ser a vítima.




*Sobre o SUICÍDIO pós-ESTUPRO: Abra as pernas, feche a boca e tente não morrer: como ser uma jovem mulher em São Paulo

*Excelente artigo desmistificador sobre estupro (para quem entende inglês): 50 Actual Facts About Rape

*Sobre cultura do estupro: O que um estupro não é

28 de dez de 2012

vale-cultura?


A presidente Dilma sancionou ontem o projeto de lei que cria o vale-cultura. A nova lei concede R$ 50 por mês a trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos. O dinheiro poderá ser gasto na compra de ingressos para shows e espetáculos e também na aquisição de produtos como livros e DVDs. Há outros detalhes, mas o governo federal vai desembolsar cerca de R$ 500 milhões em 2013 em incentivos (leia mais AQUI).

Sinceramente? É RIR para não chorar. Edição remodelada do velho pão e circo, é isso mesmo? Minha humilde e modesta opinião é que a melhor forma de incentivar a cultura baseia-se em maior investimento em educação de qualidade para que as pessoas adquiram o hábito de consumir teatro, música, cinema, dança e literatura... e, também, em oportunidades para que se produza cultura de qualidade (o que no fim das contas também é investir em educação de qualidade, voltada para a formação de atores, diretores, bailarinos, músicos, produtores, escritores... e que eles tenham condições de produzir cultura e viver disso). Porém, isso tudo é investimento a médio e longo prazo e estamos cansados de saber que nossos governos desconhecem o que signifiquem as palavras médio e longo (exceto quando dizem respeito a ganhos pessoais e/ou partidários).

Por que não usar estes 500 milhões para educação focada em cultura? Aulas de teatro? Aulas de dança? Aulas de música? Investir em acabar com o analfabetismo funcional da nossa população para que possam ler e entender o que estão lendo? Reforma de teatros? Patrocínio de companhias de dança ou teatro? Ingressos grátis para alunos de escolas públicas irem ao teatro? Renovar acervos de bibliotecas públicas? Não, não... nada disso gera votos no curto prazo e nem tira as pessoas da ignorância. É mais fácil dar um trocado para irem em um show de axé ou comprarem dois livros de auto-ajuda por mês ou gastarem com cds de funk.

MEDO desse país petista populista viu... MUITO MEDO.

27 de dez de 2012

redes sociais e falsidade


Fim de ano e essas datas festivas – Natal e Réveillon – se tornaram uma coisa mais engraçada (patética?) com o advento das redes sociais. O Natal vai chegando e começam a pipocar mensagens de gente que comemora o aniversário de Jesus Cristo, que acredita em Papai Noel, que enfeita a casa, que se recolhe em reflexão, que se entrega ao cinismo de trocar presentes e sorrisos... Todos os tipos de gente.

Nessa época do ano sinto saudades, mais do que em qualquer outra, de quando felicidade (a verdadeira e, principalmente, a falsa) ficava entre quatro paredes e não éramos obrigados a encará-la ao abrir o computador e nos conectar ao mundo e às pessoas. Aqui faço um pequeno parêntese: a felicidade verdadeira não me incomoda, apenas o modo como ela é exposta por algumas pessoas, deixando-a com uma feição algumas vezes falsa e, em outras, expositiva demais da vida privada, daquela vida que é melhor cuidar bem e deixar longe da inveja e do olho-gordo alheio.

Talvez essa época e esse pós-modernismo de relações virtuais me incomodem porque meu aniversário está bem no meio deste período, entre o Natal e o Ano Novo. Ou talvez eu sinta saudades de uma época na qual a falsidade era menor, mais discreta. Fato é que eu não consigo achar normal gente que não fala comigo, ou gente que fala mal de mim, ou gente que não gosta de mim, ou outras gentes... Enfim, por que essas gentes se dão ao trabalho de mandar mensagens via Facebook e outras redes desejando Feliz Aniversário? Pra quê se dar ao trabalho de desejar Feliz Natal e Feliz Ano Novo? A comoção que eu tenho lendo tais mensagens é equivalente à comoção que eu tenho ouvindo música sertaneja sóbria! Em alguns casos, minha comoção beira ânsias e enjôos!

Da mesma forma que é mais fácil aos covardes serem agressivos via internet, também o é aos falsos serem amigáveis (não ter que olhar para minha carinha fofa blasè - ou até nojentinha - encarando sua falsidade é mais fácil né? Ou aparentar ser uma boa pessoa para os outros é seu alimento?). Dispenso falsos desejos de felicidade, venham em qual ocasião vierem. Não digo Feliz coisa alguma, em que meio for, para alguém que eu não deseje isso de coração. Inclusive deixo de dizer várias vezes, simplesmente porque sou relapsa e esquecida.

Peço apenas que respeitem meus neurônios. Ao se dar ao trabalho de desejar Feliz Aniversário para alguém que você nem gosta e, em alguns casos, até fala mal, você está dando a esta pessoa o trabalho de gastar alguns segundos de vida lendo tal palhaçada. Vá fazer outra coisa e poupe o tempo alheio. Será melhor para todos. E, no meu caso, darei menos risadas internas.

Já àqueles que têm uma coisa linda chamada SINCERIDADE, o que tenho a dizer é: obrigada, seja de qual forma for, por estarem na minha vida e no meu caminho. Obrigada pelos desejos sinceros, verbalizados em escrita ou oralidade, mentalizados, energizados, sentidos, pensados, lembrados, abraçados, beijados. Vocês sim têm o meu profundo respeito.

12 de dez de 2012

inocência, apenas?


Marcos Valério afirma em depoimento que o grande molusco não apenas tinha conhecimento, como também deu aval ao esquema do mensalão.

A oposição, obviamente, pede apuração dessas denúncias graves. Ministros do STF ficam – ou tentam ficar – educadamente, como convém ao judiciário, imparciais, em cima do muro, evitando emitir declarações dúbias. Nossa presidente, eleita pelo molusco, afirma que isso é uma tentativa de desgastar Lula. Nada disso me chamou a atenção – tudo previsível.

Da mesma forma, era previsível que o presidente do Senado e que o presidente da Câmara saíssem em defesa do grande molusco. Para eles, o caso deve ser arquivado e Lula é um patrimônio intocável do país. Outrora inimigos, hoje os aliados políticos dos 8 anos de governo molusco defendem o ex-presidente.

Por quê? Será que Sarney, Marco Maia e demais fofuchos que saíram em defesa do ex-presidente Lula, após a divulgação do que Marcos Valério disse, têm algo a esconder? Se Lula é inocente, em vez de arquivar essa denúncia, não seria melhor investigá-la e esfregar tal inocência na fuça dos acusadores? Quem não deve, não teme?

Questionamentos, apenas.

30 de nov de 2012

sobre Karina Veiga


Eliza Samudio mereceu ser assassinada porque era uma vadia – é o que dizem. Até fotos de mènage apareceram para provar que a moça era mau caráter e merecia tal destino. Absurdo, não?!? Repugnante, mas li muita coisa e muitos comentários na internet falando mal da vítima, achando desculpas para justificar o assassinato... como se houvesse alguma justificativa, exceto legítima defesa, para matar alguém.

A lógica de quem diz que Eliza mereceu é a mesma  de quem culpa a vítima pelo estupro. Estava usando roupas insinuantes. Estava bêbada. Estava no lugar errado. Tudo é usado como desculpa para justificar e atenuar a violência sexual... como se houvesse alguma justificativa para violar assim o corpo de alguém.

É a mesma lógica de quem, agora, está culpando a Karina Veiga pela divulgação de suas fotos e vídeos íntimos na internet. Traiu, então mereceu. Se deixou fotografar e filmar, agora aguenta. Deu o cu, é uma vadia. Como se houvesse alguma justificativa para a divulgação e a exposição da intimidade de alguém dessa forma.

Aparentemente, nossa sociedade aplaude vadias que são castigadas e punidas, especialmente se isso for feito publicamente. Fez um mènage? Usou roupas curtas? Fez sexo? Vadia, piranha, promíscua – merece tudo de ruim que vier, merece ser apedrejada em praça pública. Os cidadãos do sexo masculino que participaram do ato ou são comedores, ou não conseguiram se segurar, ou foram provocados.

Nesse caso da tal Karina, o assunto virou a traição – esqueceram que a menina está sendo humilhada publicamente e que seus vídeos e fotos já estão até em sites pornográficos! Esqueceram que ela tem apenas 16 anos. Não pensaram nela, em como deve estar se sentindo, em como está sendo tratada em família, em nada relativo a ela, afinal, é vadia, então merece. Inquisição em pleno século XXI!

Santa hipocrisia! Ou então, em vez de hipócritas, são todos uns frustrados que namoram frígidas... ou uns frustrados que não transam... ou uns punheteiros... ou umas frígidas recalcadas invejosas... são tantas as opções que me perco. Qual o problema de a menina ser uma puta na cama? Ah, claro, todos querem uma puta na cama – desde que nunca, jamais, os outros fiquem sabendo. Mais um pouco e estaremos fazendo fogueiras para queimar as bruxas!


"Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém"  - Nelson Rodrigues

Juízes e guardiões da moral e dos bons costumes, lembrem-se que vieram de repolhos ou foram trazidos por cegonhas e, já que prazer sexual é uma coisa tão ruim assim se partir de uma mulher, façam o seguinte:

HOMENS – nunca mais façam sexo com mulheres, afinal, mulher que faz sexo é puta, vadia, suja, não merece nenhuma consideração. Sugiro comprarem bonecas infláveis, brincarem com os animais do pasto, foderem o cu uns dos outros.
MULHERES – jamais façam sexo, afinal, mulher que faz sexo é puta, vadia, suja, não merece nenhuma empatia e nenhuma consideração. Sugiro, inclusive, aderirem à frigidez eterna para não caírem em tentação.




*Alguns textos que li sobre o assunto e com os quais concordo em gênero, número e grau:

29 de nov de 2012

cactos e bodes

“O sertanejo é, antes de tudo, um forte.” 

A frase acima veio à minha mente muitas vezes enquanto eu olhava a paisagem – basicamente o que se vê na foto abaixo, tirada hoje enquanto cruzávamos o sertão para retornar ao litoral.



Anos após a primeira leitura de Os Sertões, finalmente entendi a descrição que Euclides da Cunha faz do sertanejo. Uma pessoa precisa ser muito guerreira para viver ali em Sousa ou em qualquer pedaço daquele caminho seco e quente, com aparência estéril, onde as plantas mais verdes que avistei eram os cactos, naquele cenário de desolação. Diante de um passeio pela caatinga, o cerrado onde vivo fica parecendo floresta tropical. Perdi a conta de quantas pontes sobre quantos rios cruzamos – todos secos. 

O sertão é bem mais do que um lugar sem chuva – nesse ponto, lembrei-me de Euclides, lembrei-me de Graciliano Ramos e suas Vidas Secas. Entendi porque se come tanto bode – é um animal mais resistente às condições climáticas locais do que o gado. Entendi o significado da expressão vacas magras ao olhar nossa vista do hotel (foto abaixo, tirada da porta do hotel).



O que ainda não entendo é como as pessoas conseguem viver ali, no meio do nada, cercadas pelo nada, um pouco esquecidas pelo mundo. Ali, no sertão onde encontrei a Praça do Meio do Mundo, o aspecto de abandono e desolação é tão forte que me levou a pensar durante todo o trajeto... Encontrei e conversei com pessoas simpáticas, receptivas, sorridentes, felizes... sem aquela paranóia e mau-humor que encontramos em cidade grandes. Cheguei no Vale dos Dinossauros, que está fechado, e o senhor que fica ali na portaria quis nos ajudar de qualquer forma, foi solícito, cheio de boa vontade. O normal foi essa solicitude se repetir por todo o sertão... 

Quais são, de fato, as vidas secas? Eles, que aprenderam a comer bode devido às condições e à escassez do local? Eu, que recuso uma picanha por ter nojo da carne? Você, que tem tudo e vive reclamando que sua vida é uma merda?




*fotos de Daniel Madsen, companheiro nessa viagem.

17 de nov de 2012

Caldas Country e o orgulho hetero

Na última semana, a publicação de um artigo na revista Veja, comparando gostar de gays a gostar de espinafre, casamento gay com relacionamento estável com cabras (e outros absurdos!) gerou inúmeras manifestações. Prefiro deixar na ignorância os textos que li defendendo o articulista da revista. Já entre aqueles que responderam ao tal artigo, o melhor texto, tanto na lucidez, quanto na elegância e na ironia, em minha opinião é este (vale a leitura!).

 Essa introdução toda para pedir que olhem bem para a foto abaixo:


O que te vem à cabeça quando olha esta foto?
(  ) que falta de noção
(  ) sacanagem colocarem as fotos deles no Facebook
(  ) não queriam ser expostos, não fizessem isso no meio da galera
(  ) peguem a chave de algum carro
(  ) get a room
(  ) todas as anteriores

Eu, particularmente, acho que, na falta de um carro ou quarto, que pelo menos fossem para um local menos exposto, mais privativo. Não, não sou santa, nunca fui e nem pretendo ser. Sim, sexo em locais públicos me excita – não dessa forma, não com essa exposição, não no meio da galera... Sim a sensação de poder ser visto, não o estar sendo visto por sabe-se lá quantas mil pessoas. Isso dito, não era sobre isso que eu queria falar.

Olhem novamente para a foto. Prestem atenção nas pessoas que estão observando o ato. Sabem qual a primeira palavra que me vem à cabeça quando vejo esta foto? HIPOCRISIA. E aí reler um artigo preconceituoso e de má fé como aquele da Veja me dá mais urticária ainda – não pelo artigo em si, sim pelos inúmeros defensores do articulista, aquela gente que acredita mesmo que os homossexuais têm os mesmos direitos que os heteros e que reclamam à toa.

O preconceito – e a hipocrisia de nossa sociedade – fica bem aparente quando um casal heterossexual vira atração ao transar em público em um Caldas Country da vida... enquanto casais gays são, na melhor das hipóteses, olhados torto ou convidados a se retirarem de um local e, na pior das hipóteses, espancados ou mortos (e isso tudo apenas por se beijarem, se abraçarem ou andarem de mãos dadas na rua – imagine se resolvessem transar no meio da galera!).

Pense nisso da próxima vez que achar que gays ficam de mimimi à toa e, principalmente, quando achar que deveria existir algo bizarro como orgulho hetero.

28 de out de 2012

aprenda!

"- Vamos com calma – disse – muita calma! Então você não sabe dançar? Dança nenhuma? Nem mesmo o one-step? E não obstante andou aí dizendo que teve de lutar na vida! Esta é uma mentira da grossa, seu moço, e não fica bem fazer isso na sua idade. Como pode dizer que a vida lhe deu muito trabalho se você nem sequer sabe dançar?

- É que nunca aprendi. Não pude.

Ela sorriu.
...


-Mas aprendeu a escrever e ler, não é verdade? E a somar, aprendeu latim e francês possivelmente e muitas outras coisas semelhantes? Aposto que passou uns dez ou doze anos na escola e estudou nela o possível, e talvez tenha até um título de doutor e conhece o chinês ou o espanhol. Ou não? Muito bem. Mas a verdade é que nunca dedicou um pouco de tempo nem dinheiro pra aprender a dançar, hein?

- Foram meus pais – justifiquei-me – Fizeram-me aprender o latim e o grego e tôdas essas coisas. Mas não me ensinaram a dançar, não era uso entre nós; eles próprios não sabiam dançar.

(…)

- Engraçada a ideia que você tem da vida! Sempre metido em coisas difíceis e complicadas, e não aprendeu as fáceis? Não teve tempo pra isso? Tinha outras coisas pra fazer. Bem, graças a Deus, não sou sua mãe. Mas agir assim como se você já tivesse experimentado toda a vida e nela não encontrasse nada de interessante, isso não; isso não pode ser."

O Lobo de Estepe, H. Hesse

22 de out de 2012

julgamento do mensalão

Que me desculpem os esperançosos, os iludidos, os incautos, os bobinhos, os cegos e tantos outros... estes todos que vejo por aí comemorando a condenação dos mensaleiros pelo STF. Supondo-se que todos os condenados acabem indo para o cercadinho, coisa que duvido bastante, ainda assim eu não vejo motivos para comemorar.
O PT e vários coleguinhas de quadrilha continuam no poder, corruptos continuam sendo eleitos país afora nas eleições municipais, outros tantos serão eleitos em 2014, o picadeiro ali da Esplanada acaba de aprovar a semana de 3 dias para os nossos dignos parlamentares... e, ponto importantíssimo, o senhor ex-presidente onipresente possível chefe de quadrilha continua sem ir a julgamento – e para piorar, grande parte da população continua batendo palmas, tal qual focas adestradas, e defendendo o grande molusco que nada sabia.
Eu não comemoro. Eu fico em LUTO. O circo continua de pé. E funcionando em pleno vapor.

16 de ago de 2012

SP - review

“We’re not in Kansas anymore...” É a minha sensação todas as vezes que chego a São Paulo... Há anos! AMO aquele lugar, AMO aquela Babilônia! AMO sair do luxo e ir ao lixo em questão de metros. AMO, no mesmo dia, almoçar em um restaurante onde estão todos falando chinês e jantar em outro no qual todos estão falando inglês. AMO ser apenas uma anônima na multidão, cruzar com todas as tribos possíveis e imagináveis na mesma avenida durante uma caminhada até a estação do metrô.

Dessa vez, não fui a passeio e, portanto, não curti nenhuma balada até altas horas. Ter que acordar cedo para correr atrás de coisas dá nisso e acaba matando outra parte da cidade que AMO: a vida noturna. Mesmo assim, consegui curtir a metrópole.



Programas diurnos obrigatórios que sempre faço – e arranjei tempo para fazer:
LIBERDADE – cheguei lá domingo, então por que não ir curtir a feirinha que rola aos domingos, visitar os mercadinhos japoneses (e comprar!), visitar o Jardim Oriental? Nos intervalos, almoçar em um restaurante no qual eu era a única pessoa falando português nas mesas – não sei nem o nome do lugar, estava em chinês (por sinal, os itens mais caros do cardápio estavam escritos somente em chinês e não faço idéia do que sejam...).

25 DE MARÇO – dá nervoso andar ali, dá vontade de pegar uma metralhadora e atirar em todo mundo pra ver se diminui o fluxo de pessoas e os gritos dos camelôs... mas adoro bater perna, mesmo que não compre nada (só que é impossível não comprar nada!).

MERCADO MUNICIPAL – sanduíche de mortadela épico que eu nem como porque não gosto de mortadela, mas que dá gosto assistir as pessoas comendo felizes. E eu sempre compro alguma especiaria que é difícil achar por aqui e saio experimentando todos os queijos de todas as bancas que vendem queijos (eles colocam queijos cortados para degustação).

Programa gastronômico que sempre faço: comida italiana. Dessa vez os testes foram feitos em 2 lugares que eu não conhecia:
PIZZA NA MÃO – lugar charmoso, lotado de gringos falando inglês, proposta interessante (não tem talher – é pizza na mão mesmo!). Apesar da localização, não é absurdamente caro. Bruschetas deliciosas – em particular, as de cogumelos frescos me conquistaram. Pizza que honra as calças (é, em SP a pizza tem que ser boa!) e pode ser pedida em 4 sabores diferentes. Jantar agradável, degustando um vinho para acompanhar. Minha metade da conta deu R$ 68 – paguei feliz e é um lugar que voltarei.

BRASILIANI – cantina italiana que simplesmente amei! Almoço super econômico e delicioso! Talharim ao molho napolitano, baby beef, refrigerante e café expresso. A massa é artesanal, o molho é caseiro, o parmesão é de verdade, a carne é baby beef mesmo, o tempero é na medida certa, o café é italiano forte... tudo uma delícia! Entrei porque achei o lugar bem tradicional e aconchegante e saí feliz! O almoço executivo inclui a massa com molho a escolha, uma carne a escolha, uma bebida (no meu caso, escolhi veneno, oops, coca-cola) e uma sobremesa ou café. O preço: R$ 20,80. Super recomendo!

Programas noturnos que sempre faço quando não posso curtir balada pesada:

O’MALLEY’S – pub irlandês que acho uma delícia. Dessa vez, no dia que eu fui tinha show de blues e promoção de Guinness (fiquei duplamente muito feliz!). Gente bonita sempre, muitos gringos sempre. A comida, dos petiscos aos pratos principais, não é cara e nunca me decepcionou. Dessa vez resolvi experimentar o James Joyce - fraldinha ensopada temperada com cerveja e purê com alho. Estava uma delícia, carne especialmente macia e bem temperada (e eu sou a pessoa mais chata e fresca da face da Terra no que diz respeito a carnes...). Recomendo, volto sempre, continuarei voltando.

KHAN EL KHALILI – O site é um espelho do local: decadência. A Casa da Arte da Dança do Ventre devia se chamar A Casa da Arte do Engodo. Só uma coisa me fez feliz no dia em que fui lá: as bailarinas (Mahaila e Priscila estavam especialmente inspiradas e lindas, Nevenka estava especialmente uma delícia de assistir). De resto, a sensação é a de estar em um local decadente, largado, comprando gato por lebre. Fiação aparente, almofadas velhas, pinturas nas paredes desgastadas e envelhecidas sem nenhum cuidado. A falta de vergonha na cara: cobrar R$ 61 e servir salgadinhos ridículos, daqueles de padaria vagabunda do mais baixo nível. Meu conselho: FUJA! Ou vá apenas ao Harém em um domingo, pague menos e assista apenas as danças. O senhor Jorge Sabongi devia ter vergonha de cobrar aquele preço por aqueles produtos ridículos que serve – no entanto, devemos bater palmas: o cara é um ótimo marqueteiro (porém, deveria se envergonhar de cobrar qualidade de suas bailarinas e deveria, ele próprio, se auto cobrar qualidade nos serviços e produtos que oferece aos clientes).

18 de jul de 2012

Almodovar?...

Não sei exatamente o porquê disso, mas ando me sentindo um personagem de algum filme de Almodóvar. Colorido e sombrio, trágico e cômico, brega e...brega. Vamos combinar que até o filme mais sóbrio, esteticamente falando, da parte de fotografia, figurino e cenários, consegue ser brega! O que é aquele cara vestido de tigrinho (ou era onçinha?...) em A Pele que Habito?!?! E o que é aquela história, misto de Amodóvar com Lars Von Trier?!?! Algo entre Kika e Anti-Cristo, transitando entre ambos sem pender para nenhum...

Falta decidir em qual filme estou inserida...

25 de jun de 2012

esquerdistas

Penso muito nisso, mas uma pessoa que conheço conseguiu traduzir, em poucas linhas e de forma brilhante, em palavras. Então lá vai:


"Todo mundo é de esquerda: desde que o próprio salário seja mantido alto, distinguido da plebe rude e ignara, que não seja ameaçado por nenhuma política redistributiva, que se continue na própria vidinha burguesinha e que o Poder no qual eu milito seja aqueles com mais privilégios na Esplanada. @ Se fosse um discurso de boa-fé, seria apenas cômico."
Clarita Maia Simon

22 de jun de 2012

assombroso?



A foto acima rodou as redes sociais essa semana e os comentários sobre o fato – aliança do molusco com o ladrão-mor – continham de tudo... Gente xingando, muitos palavrões proferidos, surpresa, indignação.

Em minha opinião, o presidente onipresente só não se aliou ao Poderoso Chefão ainda porque o dito cujo já se foi – nada impede, porém, que em outro plano astral nosso querido molusco receba conselhos do falecido ACM. Portanto, eu não me supreendi em nada com essa aliança. Qual a surpresa de Lula/Haddad se aliar ao Maluf? Após se aliar com Collor e Sarney, porque ainda assombra alguém uma aliança com Maluf? Quem é o vice da Dilma mesmo?

Pragmatismo e governabilidade não deveriam ser usados para solapar as utopias, mas como estamos falando de Brasil, não há ideologia/utopia: o que há é apenas um fisiologismo tosco, a máxima de os fins justificando os meios. Prestes, o Cavaleiro da Esperança, até em palanque subiu com o assassino de sua esposa, Getúlio Vargas. Felipe Camarão, líder indígena, Henrique Dias, general negro, e os quilombolas de Pernambuco se aliaram aos senhores de Engenho para expulsar os Holandeses. Os Tamoios se aliaram aos franceses para lutar contra os portugueses.

A política, no Brasil, está há 500 anos implementando a ideologia dos males o menor. O problema é que, no longo prazo, aquilo que, no curto prazo, parecia um mal menor, acaba se transformando numa imensa bola de neve... e assim a corrupção e o clientelismo, ao invés de diminuírem, vão aumentando, aumentando... e quem se fode continua batendo palmas, tal como focas adestradas, para seus coronéis.

É...

15 de jun de 2012

atenção senhores passageiros

Transcrevo abaixo, na íntegra, excelente texto de um grande amigo:


ATENÇÃO SENHORES PASSAGEIROS

Fomos criados para entrar na escola ainda cheirando a cueiro. E daí em diante estudar muito, evitar a repetência, nos preparar bem para encarar o vestibular, entrar numa faculdade, aprender uma profissão, batalhar um emprego estável – de preferência no serviço público – e garantir um futuro adequado como empregado modelo até a tão sonhada aposentadoria. A educação no ...Brasil, e em boa parte do mundo ocidental, é desenhada para forjar servidores ao invés de empreendedores. A nossa realização profissional está na segurança e não na satisfação em si. Somos programados para evitar riscos e não para enfrentá-los. Nos vemos impelidos a evitar o comando e navegar apenas na zona de conforto. A viver como passageiros, se possível e com o devido esforço, na primeira classe.

Crescemos alimentando o sonho de trabalhar na Coca-Cola, na Pepsi Co ou na Ambev, quando poderíamos pensar na criação de uma nova marca de bebidas. Desejamos uma posição de destaque na Procter & Gamble ou na Gessy Lever, quando poderíamos aproveitar nossas aulas de química para desenvolver produtos que possam ser vendidos para essas empresas ou para concorrer com elas. Almejamos a estabilidade de vagas nobres no Senado, na Câmara dos Deputados, nos tribunais superiores, nas autarquias federais e nas grandes empresas públicas. Os exemplos a serem seguidos, saudados pela mídia e pela imprensa, são os primeiros colocados nos concursos públicos. E, assim, estabelecemos uma visão parcial, mas conveniente, de sucesso.

Nossas ambições pessoais, de modo sutil e gradual, são alinhadas por baixo. Empresários bem-sucedidos como Eike Batista, Sílvio Santos, Antônio Ermírio, Abílio Diniz, Nizan Guanaes, Washington Olivetto, Luciano Huck, Victor Civita, Paulo Skaf e tantos outros são pontos fora dessa curva. Alguns foram impulsionados por heranças, outros por rebeldia e inconformismo, outros pelo talento natural. Seja como for, todos eles tem uma característica em comum: receberam uma educação diferenciada. E não se trata apenas da educação formal, mas também daquela que recebemos em casa. Entre outros problemas, ainda vemos o sucesso como pecado e confundimos lucro com falta de escrúpulos. No nosso país, no lugar de orgulho, encaramos as grandes realizações com olhares desconfiados e até uma certa repulsa.

Erramos duas vezes ao optar por uma educação voltada à conquista de um bom emprego e à segurança do salário garantido no final do mês. Primeiro ao podar o ímpeto empreendedor do nosso povo, desperdiçar sua criatividade e, com isso, criar barreiras sociais para o desenvolvimento. Segundo ao formar um sem números de servidores avessos a desafios e despreparados para assumir papéis de liderança. Entramos na faculdade sem saber noções básicas de administração. E, muitas vezes, saímos dela praticamente da mesma forma. A ignorância estimulada, somada ao medo de arriscar, resulta em profissionais medianos, subservientes e cumpridores de tarefas. Um perfil inócuo para um país repleto de desafios e oportunidades. Um perfil indesejado para qualquer empresário com um mínimo de conhecimento e autoconfiança que aposta em talentos.

Descontado qualquer traço de otimismo, o Brasil de fato já decolou. Mas sem o combustível da educação, em especial da educação empreendedora, nossa autonomia de vôo será curta. E, lá na frente, quando recolhermos as caixas pretas e analisarmos seus conteúdos, nos restará lamentar o desastre anunciado e especular em vão sobre os culpados. Quais sejam: todos nós que ignoramos o problema ou que o conhecemos, mas damos de ombro.

Autor: Carlos Grillo
Sócio-Diretor da Fermento Promo
E-mail: grillo@fermentopromo.com.br
Twitter: @carlosgrillo

11 de jun de 2012

é o Brasil?...rs...



*sem vontade de traduzir... e apenas um comentário: isso tudo aí é epidemia mundial?..

27 de abr de 2012

hora de julgar o racismo

"O julgamento sobre cotas é uma boa oportunidade para se discutir um aspecto essencial da vida brasileira – o racismo.

(...)

Os negros estão nos piores empregos, nas piores escolas, nos piores bairros. Têm 30% da renda embora representem 50% da população.

(...)

É apenas indecoroso sustentar que vivemos num país onde o racismo não faz parte do cotidiano. Nem nossas leis anti-racistas, supostamente tão severas, conseguem ser cumpridas como se deve.

(...)

O racismo está na economia e na vida social, onde os negros foram discriminados na saída da escravidão, quando eram proibidos de ter acesso aos títulos de terra. E tiveram dificuldades muito maiores para conseguir empregos na indústria.

(...)

Impregnado em nossa cultura, em nosso modo de vida, o racismo é uma realidade que nem todos brasileiros admitem com facilidade. Como explica o psicanalista italiano Contardo Calligaris “o mito da democracia racial é um mito que serve unicamente aos interesses dos brancos. Os brancos estão perfeitamente tranquilos para dizer que o racismo não existe.”

Para quem se encontra do lado agradável do guichê, a democracia racial é uma necessidade ideológica. Ajuda a encobrir com proclamações sentimentais a dura realidade da discriminação e da desigualdade imposta de cima para baixo.

Nem Demétrio Magnoli, o mais ativo advogado da democracia racial de nossos dias, consegue negar a difícil e particular condição do brasileiro negro. “Ninguém contesta o fato de que, como fruto da escravidão, a pobreza afeta desproporcionalmente pessoas de pele mais escura,” admite o professor, em “Uma gota de sangue” (página 363).

A pergunta, então, é uma só: o que se faz com isso?

A resposta, até agora, tem sido a seguinte: não se faz nada e deixa o tempo passar que o mercado vai resolver o “fruto da escravidão.” Grande hipocrisia. É claro que não resolveu. Nem era para ter sido diferente.

Vamos combinar, meus amigos: a discriminação alimentada pelo racismo não é uma realidade espiritual nem um acidente de percurso. Faz parte de nossa estrutura, do modo de vida. Permite aos brasileiros de “pele mais clara” viver num país onde metade da população não compete pelos melhores empregos, pelas melhores escolas nem pela promoção ao longo da vida. A discriminação oferece uma imensa mão de obra barata e disponível, que irá fazer nosso serviço doméstico, aceitar empregos mal remunerados e pouco considerados. Vão ser os mais explorados, os mais indefesos, o chão de nossa sociedade, as funções que ninguém quer fazer, os que terão menor respeito.

(...)

Desde 1888 o país sabe o que seria preciso fazer para melhorar a sorte dos brasileiros negros, Nada se fez ao longo de doze décadas. São quantas gerações? Cinco? Dez? Doze?

Seria preciso dar escolas, distribuir renda, investir nas novas gerações. Aquilo que sempre se diz, até hoje. Nada acontece, nada se resolve. O país se industrializou, construiu universidades, hoje é a 6a. potencia mundial. Nada se faz de útil para metade dessa população. Por que?

Porque não interessa a quem tem o poder e o poder do dinheiro, embora o pais inteiro pudesse ser beneficiado com isso.

A vantagem material de manter uma parcela população subalterna, subjugada e superexplorada pode ser inconfessável – como o próprio racismo não se confessa – mas é inegável para quem se encontra do lado certo. Proporciona confortos vergonhosos, com poucos paralelos no mundo inteiro.

O julgamento que começa hoje no Supremo é um dos saldos positivos da democratização do país. Ela permitiu aos negros defender seus direitos e cobrar respostas diante de uma tragédia histórica. Se eles sofreram a mais prolongada e criminosa agressão histórica – a perda da liberdade, o confisco da cultura, o massacre social – e jamais foram reparados, é justo que tenham uma compensação.

O debate é político.

(...)

Mas a discussão é outra. Num país onde todos os cidadãos devem ser iguais, é preciso reconhecer com honestidade que para milhões de brasileiros o peso da história está acima das forças de um individuo e de uma geração.

(...)

É essa a ideia que estará em debate, hoje: somos um país de cidadãos iguais? Garantimos a competição, a justa recompensa pelo esforço de cada um, ou somos um país no qual metade da população já nasce em desvantagem histórica?

Não é um debate que só interessa aos negros, mas a todos os brasileiros preocupados com o futuro de seu país.

O país levou tempo mas aprendeu a encarar muitas dores de sua história. Ficamos menos hipócritas e, no fundo, menos covardes. Está na hora de fazer isso com o racismo e sua contrapartida, a discriminação."




*esse texto não é de minha autoria e pode ser lido na íntegra AQUI

26 de abr de 2012

equal pay day

Deixo um vídeo da Sasha Grey, a atriz pornô, para a campanha pela equiparidade salarial entre os gêneros (quem não entende inglês, desculpe, mas não encontrei legendado e estou com imensa preguiça de traduzir o que ela diz). Resumindo: ela diz que escolheu abandonar os estudos para virar atriz pornô e que tem consciência de que este é o único posto em que uma mulher consegue ganhar mais do que os homens.



Bom, não precisamos ir longe e nem precisamos partir apenas para o mercado do sexo, pornografia, prostituição... As mulheres mais ricas do mundo são, em geral, modelos internacionais e atrizes de Hollywood. São as únicas profissões nas quais as mulheres ganham mais que os homens, mas nem todas têm o biotipo para serem modelos ou talento (e beleza) para serem atrizes. Qualquer uma pode, porém, entrar para o mercado do sexo.

Fato é que as mulheres ganham menos entre profissões e também dentro de uma mesma profissão. No Brasil, mesmo no mesmo cargo e com as mesmas qualificações, as mulheres ganham cerca de 30% menos que os homens, segundo estatísticas presentes no site do IBGE.

19 de abr de 2012

nudez democratizada?

Os criadores do site dizem que o Nakeit nasceu para democratizar a nudez e que querem pessoas reais... mas inauguram o negócio escolhendo a Pietra Príncipe e justificando a escolha dizendo que ela é “loira e gostosona, mas é nerd e gamer"? Querem pessoas reais que fujam dos estereótipos e a primeira é justamente um estereótipo, além de já ser razoavelmente conhecida?

Segundo os criadores do site, eles querem abrir espaço para todo tipo de pessoas posarem (homens inclusive) e todos estarão aptos a isso desde que haja quem pague pelo ensaio. Acho positiva a quebra de estereótipos de beleza, assim como a inclusão de homens – caso o site de fato faça isso, coisa que duvido. Fica a pergunta: será que o público em geral, acostumado às panicats e BBBs da vida, vai pagar para ver gente normal?

Eu, pessoalmente, não acho nada demais em a pessoa, voluntariamente, se dispor a posar nua. Honestamente, até eu que sou mega chata com esse tipo de exposição posaria se me pagassem, dependendo da situação. Por que não? Nudez, dependendo de como for utilizada, pode inclusive servir como fator de empoderamento. Não tenho preconceito com a mercantilização do sexo e da nudez e não acho que, necessariamente, impliquem em objetificação.

Deixando de lado qualquer papo filosófico... as revistas e os sites com os estereótipos que me desculpem, mas prefiro mil vezes um Suicide Girls.

Aqui um site bacana contra o tabu da nudez e a beleza fabricada: The Nu Project.

Pra quem gosta de nudez (e porque não, sexo?) mais, digamos, voltada para o público lésbico e no estilo girl next door, tem o Abbywinters. Há também o Ifeelmyself (o nome diz tudo), cuja proposta é bem interessante.

17 de abr de 2012

abuso sexual x imunidade

Uma notícia dessas, em que um diplomata abusa sexualmente de crianças e sai ileso, devido à sua imunidade, me faz questionar o Direito Internacional.

Resumidamente, para quem não está familiarizado com o tema: tal imunidade é regida pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961. Os diplomatas gozam de ampla imunidade de jurisdição penal e civil, são fisicamente invioláveis (suas residências idem), não podem ser obrigados a depor como testemunhas e têm, também, imunidade tributária. Esses privilégios em matéria penal, civil e tributária estendem-se aos membros de suas famílias que vivam sob sua dependência e tenham sido inclusos na lista diplomática.

A mesma Convenção diz que eles estão obrigados a respeitar o direito local e que sua imunidade penal não o livra da jurisdição de seu Estado – teoricamente, a polícia local pode investigar o caso e dar as informações para que o Estado de origem processe o diplomata ou seu familiar. Essa imunidade penal, assim como a civil, não pode ser renunciada por quem a detém (só quem pode renunciar à imunidade diplomática de alguém é o país de origem do beneficiário dela).

Ou seja...

Pois é, esse diplomata iraniano gente boa pode continuar abusando de quantas crianças quiser.

16 de abr de 2012

política - sempre pode ser pior

Muita gente no DF está decepcionada com nosso queridíssimo governador Agnelo... eu não. Mesmo no contexto ridículo que foram as últimas eleições por aqui (Weslian Roriz diz alguma coisa?...rs...), não votei nele, como aliás não tenho votado no PT desde que vi a mesma coisa que acontece com a maioria acontecendo com o nosso ex-presidente e o partido (poder corrompe né...). A minha crença em políticos é praticamente NULA, mas nada que não possa ser piorado – e foi.

Acredito que um bom medidor do caráter, da confiabilidade e da credibilidade dos políticos repousa sobre as pessoas que o assessoram. Além de avaliarmos o parlamentar em si, deveríamos, também, avaliar quem o cerca, quem recebe os famosos cargos de confiança, os DAS’s.

Um político que distribui cargos utilizando-se do nepotismo é alguém crível? A maioria das pessoas responderia não, certo? Então refaço a pergunta: uma mulher que levanta a bandeira, entre outras, da defesa dos direitos das mulheres, mas dá um cargo de confiança a um homem com ficha na polícia, denunciado por agressão em um JUIZADO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER, é crível? (confiram os processos nos quais um assessor da deputada é réu AQUI)

Acho que nós, mulheres, devemos lutar por mais espaço público e que deve haver cada vez mais mulheres nas esferas de poder, defendendo nossos direitos. Embora não tenha votado na Dilma, por acreditar que deve haver rotatividade de partidos no poder para um bom andamento da democracia no longo prazo (e por desacreditar no PT), votei em uma mulher nas últimas eleições, mesmo ela sendo do tal partido desacreditado. Hoje, me sinto enganada por alguém que deveria estar ali defendendo nossa classe, mas opta por entregar um cargo de confiança nas mãos de um machista da pior espécie, agressor com firma reconhecida em cartório. Ok, pode ser que ela não saiba disso, não conheça a biografia de quem trabalha com ela... e eu esteja fazendo um julgamento errôneo sobre seu caráter.

Faço uma sugestão de pauta aos jornais e revistas desse país: escolham alguns políticos, peguem seus discursos e programas de governo (aquilo que eles defendem publicamente) e depois investiguem seus assessores diretos... Óbvio que nenhum veículo de comunicação atenderá ou terá culhões para isso, mas a sugestão está dada.

13 de abr de 2012

palmas pro STF

Não me prolongarei no assunto, já que os posts anteriores foram sobre isso (quem quiser saber mais, leia AQUI)... Para quem vive desligado do que acontece: o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a interrupção da gravidez em casos de fetos anencéfalos.





“O grau de civilização de uma sociedade se mede pelo grau de liberdade da mulher”Ayres Britto

Eu acrescentaria e diria que o grau de civilização de uma sociedade se mede pelo respeito e pela empatia que seus membros têm uns com os outros – e isso está em falta em terra brasilis.

Sim, devemos festejar a decisão do STF. Porém, não podemos esquecer de todos aqueles que estão, ainda, desolados com tal decisão e usam falácias como, por exemplo, o fato de animais não abortarem (mas eles nunca colocam em seus argumentos, cheios de valores morais, que estes mesmos animais abandonam ou matam os filhotes que nascem doentes né...).

Estamos em 2012, século XXI... e o Brasil está discutindo se o estado pode obrigar uma mulher a carregar um cadáver em seu ventre?... Olha, como vi alguém dizendo por aí: isso é muito subdesenvolvimento mental viu.

11 de abr de 2012

ainda o aborto...

"E ah! Por falar em 40 anos… o Brasil está há exatamente 40 anos de distância dos países desenvolvidos nos quais as mulheres têm direitos civis plenos. Eu olho para as brasileiras que opõem a legalização do aborto e vejo a reflexão assustadora da alegoria do escravo de Platão. Eu me vejo, aos quinze anos.

Aborto não é uma questão moral de defesa do feto, é uma questão social dos direitos da mulher. A mulher, que foi considerada inferior pelos maiores pensadores da história.

De Platão a Hegel, minha amiga, você vale tanto quanto um escravo.

Malcolm X não lutou pelos direitos feministas. Martin Luther King não lutou pelos direitos homossexuais e judeus nunca fazem filmes sobre o holocausto armênio. Então, minha cara, não espere que algum homem lute por algo que, por essência, é sua batalha."



*o texto pode ser lido na íntegra AQUI

10 de abr de 2012

aborto de anencéfalos

Amanhã o Supremo Tribunal Federal deve votar uma ação que decidirá se as mulheres grávidas de um feto anencéfalo poderão interromper a gestação sem necessidade de autorização judicial.

Li alguns textos excelentes sobre o assunto, como o da Eliane Brum e esse AQUI, que apresenta a discussão vista por outro ângulo. E me deparei com alguns inclassificáveis, como o do Tio Rei, que chega a dizer que "O abortamento de anencéfalos, na linha de chegada, se encontra com a eugenia".

Parece que amanhã haverá várias manifestações cristãs, pró-vida, ali na Praça dos Três Poderes. Sinceramente? Esse povo não tem compaixão e nem humanidade... Na boa, querer obrigar uma mulher a levar uma gravidez, de um feto que invariavelmente morrerá, até o fim, é o cúmulo da falta de amor ao próximo. E se dizem cristãos? hahaha Faz-me rir!!! Como disse um amigo meu: “Engraçado, parece que existem muitos adultos anencéfalos também. Talvez por isso, lutem contra o aborto.”

Já que o nosso querido Reinaldo Azevedo publicou os emails dos ministros do STF pedindo que as pessoas que se opõem ao aborto enviem mensagens a eles, faço o mesmo, mas ao contrário:

E-mails aos ministros - Os que são favoráveis ao aborto de anencéfalos devem enviar mensagens respeitosas aos ministros do Supremo, expondo o seu ponto de vista. Seguem os respectivos endereços eletrônicos:

Celso de Mello - mcelso@stf.gov.br
Marco Aurélio de Mello - marcoaurelio@stf.gov.br
Gilmar Mendes - mgilmar@stf.gov.br
Cezar Peluso - carlak@stf.gov.br
Carlos Britto - gcarlosbritto@stf.gov.br
Joaquim Barbosa - gabminjoaquim@stf.gov.br
Ricardo Lewandowski - gabinete-lewandowski@stf.gov.br
Carmen Lúcia - anavt@stf.gov.br
Dias Toffoli - gabmtoffoli@stf.jus.br
Luiz Fux - gabineteluizfux@stf.jus.br


Nota: em minha opinião, essas pessoas que se dizem cristãs e pró-vida deveriam fazer uma lobotomia compulsória de extirpação total do cérebro para ver se existe vida sem ele. Mas isso é só a minha opinião...

9 de abr de 2012

chega de torturar mulheres

O texto abaixo é de autoria de Eliane Brum e pode ser lido na íntegra AQUI. Vale a leitura e a reflexão.


Depois de quase oito anos, o Supremo Tribunal Federal deverá votar nesta quarta-feira (11) uma ação que decidirá se as mulheres grávidas de um feto anencéfalo (malformação incompatível com a vida) poderão interromper a gestação sem necessidade de autorização judicial.

A pergunta que o Supremo responderá nesta quarta-feira é a seguinte: “Uma mulher, grávida de um feto anencéfalo, pode interromper a gestação sem necessidade de autorização judicial?”. Espero que a resposta da corte seja afirmativa. Acompanho o percurso dessas mulheres há quase dez anos e me parece claro que este é um debate de direitos humanos. Impedir uma mulher de interromper a gestação de um feto incompatível com a vida, se ela assim o desejar, é condená-la à tortura. Assim como também seria tortura obrigar uma mulher a interromper essa mesma gestação se ela desejar levá-la até o fim porque, por crença religiosa ou qualquer outro motivo, encontra sentido nesse sofrimento.

Este é o ponto: se o feto é incompatível com a vida, só quem pode decidir pela interrupção ou não da gestação é quem o carrega no ventre. Ninguém mais – nem as feministas, nem os padres, nem eu ou você. Em geral, olhar pelo avesso nos ajuda a enxergar o quadro com maior clareza. Imagine se a lei brasileira determinasse o oposto. Ou seja: pela lei, todas as mulheres grávidas de fetos anencéfalos fossem obrigadas pelo Estado a interromper a gestação assim que o diagnóstico tivesse sido comprovado. Se não quisessem, precisariam entrar na Justiça para impedir o aborto compulsório. Neste caso, a violação de direitos humanos seria a mesma. E eu estaria aqui, defendendo o direito dessas mulheres de levar a gestação até o fim com a mesma veemência.

Ninguém deveria poder decidir por uma mulher como ela vai lidar com a gestação, dentro do seu corpo, de um feto que não poderá viver. Só ela sabe da sua dor – e de que escolha será mais coerente com aquilo que ela é – e acredita. As estatísticas mostram que 100% dos anencéfalos morrem: cerca da metade ainda na gestação, a outra metade após o parto. O que acontece hoje – e é essa desigualdade de direitos que o Supremo vai anular ou cristalizar nesta quarta-feira – é que as mulheres que encontram sentido em levar essa gestação até o fim têm seu direito respeitado. E aquelas para quem é insuportável conviver, dia após dia, gerando a morte em vez da vida, são torturadas.

Nunca cometi a indignidade de julgar uma mulher que decide levar uma gestação de anencéfalo até o fim. O sentido só pertence a ela – e aqueles que a julgarem extrapolam limites de humanidade. Do mesmo modo, lamento aqueles que se apressam a condenar as mulheres para quem a gestação se tornou intolerável. Na tentativa de impor suas crenças para todos, com a soberba de quem acredita deter o patrimônio do bem, cometem barbáries contra pessoas já fragilizadas pela imensa dor que é gerar um filho condenado à morte por uma malformação.

15 de mar de 2012

triplamente violentada

Imagine ser estuprada. Filme de terror, certo? É... só que a vida supera tanto a arte que o filme de terror adquire requintes de crueldade: imagine ser estuprada e, depois, obrigada a casar com seu estuprador para “preservar a honra da família”. Imaginou? Vida real é isso!

Para quem não viu a notícia, leia AQUI sobre o caso de uma garota de 16 anos que se suicidou após ter sido forçada a casar com o homem que a estuprou. Isso aconteceu no Marrocos, onde "o artigo 475 do Código Penal do país permite ao “sequestrador” de um menor casar com sua vítima para escapar de um processo, e é usado para sustentar a prática de que estupradores casem com suas vítimas para “preservar a honra” da família. A família da vítima muitas vezes concorda com medo de que a filha não consiga mais um marido se for revelado que ela foi estuprada" (!!???!!).

Isso aí em pleno século XXI... Sinceramente, a humanidade é MUITO podre. Sem mais.

13 de mar de 2012

máscaras

Outro dia, uma moça caiu acidentalmente da janela do quarto andar no prédio em frente ao meu... uma, digamos, tentativa de suicídio acidental mal sucedida (ela sobreviveu). Aquele prédio deve ter alguma força maligna atuando sobre ele: há alguns anos um moço teve uma tentativa mais bem sucedida, dando um tiro na própria cabeça. Em ambos os casos, ninguém entendeu nada. Como assim? Não eram pessoas depressivas, estavam bem, blábláblá.

A verdade é que a gente nunca sabe o que outra pessoa está sentindo, não temos idéia da dimensão e da devastação que podem ser causadas pela dor alheia e sequer sabemos o que pode estar causando esta dor... A verdade é que nossa sociedade, além de incentivar o individualismo, o não se importar com os outros, incentiva também o uso diário de um acessório carnavalesco.

Máscaras: item obrigatório na sociedade em que vivemos. Há diversos tipos de máscaras, diferentes usos para cada uma delas... mas, em se tratando desse acessório, o normal é usá-lo e quem ousa despir-se dele é tratado como um pária, um louco, um anormal. Cedo ou tarde, acabamos, em maior ou menor medida, colocando alguma máscara. A verdade é que, sejam elas usadas para causar prejuízo a outrem ou simplesmente para auto-proteção, AS MÁSCARAS SEMPRE CAEM!

Então um dia aquela pessoa que estava sempre sorrindo cai pela janela ou dá um tiro na cabeça... e ninguém entende. Não? Será que aquela pessoa não tentou conversar com ninguém, não tentou pedir alguma ajuda? Será que aquela pessoa não foi simplesmente ignorada, quando o que precisava era de um ouvido amigo para compartilhar sua dor? Será que todos ao redor não estavam presos demais no seu individualismo e no seu egoísmo cotidianos e foram incapazes de prestar atenção em sinais?

Nem sempre consigo, mas tento sempre estar à disposição e me fazer presente quando precisam de mim... às vezes, a pessoa nem pede, mas dá para perceber que precisa... às vezes, ela não precisa de nada além da nossa presença e do nosso abraço, mesmo que em silêncio... às vezes, é essa nossa presença que pode fazer a diferença entre alguém cair em um abismo ou se afastar dele. Uma pena que nem todos percebem isso.

8 de mar de 2012

dia da mulher

Dizem que no dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e reivindicaram melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas.

Em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem às mulheres que morreram na fábrica em 1857 e, apenas em 1975, a data foi oficializada pela ONU.

O objetivo com a criação desta data não era comemorar. Em muitos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é tentar diminuir o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito já foi conquistado, mas ainda há muito o que avançar.

Não deseje Feliz Dia da Mulher a ninguém – a data esvaziou-se do seu significado original e nada há a ser comemorado na existência de um dia que não deveria existir. Enquanto você dá uma rosa a alguém e lhe deseja Feliz Dia da Mulher, há um ser humano do sexo feminino (vários!) sofrendo algum tipo de violência, apenas e somente por ser mulher.

*****

Nota: Nosso Brasil, apesar de ser hoje a sexta economia do mundo, está entre os 25 países com maior número de feminicídios. Não vejo nenhuma vantagem ser uma das maiores economias do mundo e constar nesse tipo de índice (não vou nem falar na péssima infra-estrutura, na educação cambaleante e no sistema público de saúde falido... nem no fato de estarmos entre as grandes economias do mundo por sermos uma grande fazenda, oops, grande exportador de commodities...).


*****

"Uma mulher não pode ser ela mesma na sociedade atual, que é exclusivamente masculina, com leis criadas por homens e um sistema jurídico que julga a conduta feminina a partir de um ponto de vista masculino" Henrik Ibsen

7 de mar de 2012

ECAD e a cobrança de blogs

Para aquelas pessoas que estão achando bizarro esse negócio do ECAD cobrar de um blog sem fins lucrativos por exibir vídeos do youtube e do vimeo, conto uma experiência minha com essa agência que supostamente existe para defesa da propriedade intelectual dos artistas.

Em 2008, eu trouxe a bailarina internacional Warda para ministrar um workshop e fazer um show aqui na cidade (alguns detalhes no blog do meu alter ego). Obviamente o show foi divulgado e, como se tratava de músicos tocando basicamente repertório AUTORAL e execução de músicas clássicas árabes de domínio público, não contactei o ECAD.

Para minha surpresa, fiscais da tal entidade apareceram no show para cobrança de taxa de direitos autorais e, como organizadora do evento, fui multada. Demorou um tempinho, mas acabei pagando o que supostamente devia ao ECAD.

Até hoje os músicos que tocaram repertório AUTORAL no evento não receberam seus direitos autorais e duvido que os árabes tenham recebido alguma coisa.

Nota mental: Preciso dizer que acho o ECAD uma balela e mais uma forma de alguém estar ganhando dinheiro em cima dos outros?...

6 de mar de 2012

micro – mini – sucinto post

...ou da arte de dizer muita coisa com pouquíssimas palavras.

A verdade é que não importa qual seja a verdade, as pessoas vêem apenas o que querem ver. Simples assim.

28 de fev de 2012

novo piso professores

Então o novo piso nacional dos professores é de R$ 1.451 para trabalhar 40 horas semanais? É isso mesmo? Desculpem os que comemoram isso, mas eu acho esse valor ridículo, uma piada até. Puta que o pariu né! Educação é um dos pilares mais importantes aos quais uma sociedade deveria dar valor e investir e, dentro disso, os professores são peça chave... E em nosso país sério, um atendente do Outback ganha mais por mês do que um professor? Alguém, por favor, me dá um alucinógeno para eu pirar muito e entender uma coisa: Como assim tem gente que acha esse salário digno?!? Como assim??!!!

A pior parte é se deparar com matérias como essa, cujo texto foca no gasto público e nas dificuldades que os municípios enfrentarão para pagar essa fortuna para os professores. O interessante e, ao mesmo tempo, lamentável, é que em nenhum momento o texto comenta a importância desse novo piso para a educação brasileira. É lamentável ver a manipulação jornalistíca e o desdém com a inteligência do brasileiro (se bem que essa segunda parte, sobre a inteligência do brasileiro, me gera dúvidas... ô povinho conformista que não reclama de nada e aceita tudo esse nosso viu...).

O impacto desse novo piso salarial será de R$ 1,6 bilhão? Que fossem R$ 16 bilhões! E claro, que houvesse mais controle e fiscalização sobre a qualidade dos professores e escolas, que houvesse uma reciclagem dos professores, que houvesse uma preocupação maior com a qualidade da formação desses professores...

Vergonha é o impacto que salários de parlamentares – e demais regalias que recebem - geram nas contas públicas, isso sim.

16 de fev de 2012

prevenção de estupros

Finalmente uma campanha de prevenção de estupros voltada para homens...





Pra quem não entende inglês...

No alto das 4 fotos está escrito: Minha força não é para machucar

As duas fotos de cima:

Então quando ela mudou de idéia, eu parei.
Então quando ela estava bêbada, voltei atrás.


As duas fotos de baixo:

Então quando eu quis e ele não, nós não fizemos.
Então quando eu paguei pelo nosso encontro, ela não me possuía.


Na parte de baixo das 4 fotos está escrito: Homens podem acabar com o estupro

15 de fev de 2012

being afraid

"I don't remember the exact moment when I went from liking you, to loving you. I don't even think it was while we were still dating. I think it was after, after we'd been apart.

But I do remember when I went from loving you, to that ridiculous, head over heels, heart physically aches, what so many artists sing about, writers scribble about, kind of love... And quite frankly, it shocked me. There... was this energy, running through my whole body, that just made me want you, all of you. I couldn't deny it, or hide from it. I let it wash over me. I missed you, and you were about five feet from me.

But with it, came the greatest fear I've ever known.

I'm afraid you won't. I'm afraid you’re too concerned with not doing the wrong things, that you will end up missing the chance to do the right things. I'm afraid you are waiting for a sign that isn't going to come. I'm afraid you won't ever take a chance on me.

For me, this is easy. I'm not afraid to lead with my heart. I'm not afraid to show my emotions, to be honest, to be vulnerable. True love deserves that.

This is a risk. I want to take it with you. I just wish you'd want to take it with me...”



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*P.S.: Não faço a mínima idéia de quem seja o autor desse texto que achei na internet... E minha vontade de traduzi-lo é igual a ZERO. Apenas o achei perfeito... colocando-o em algum local no tempo pretérito da minha vida.

O tempo presente está bem distante disso e, ao mesmo tempo, bem próximo... Paradoxos da vida e do cinismo que chega, cedo ou tarde, diante dela...

13 de fev de 2012

texto ao bispo

Presidente da Comissão pela Vida da Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele disse ao jornal Estado de S. Paulo que a recém-empossada ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, “é uma pessoa infeliz, mal-amada e irresponsável”.

Isso! Não critique o discurso ou o argumento do seu adversário. Desqualifique-o!

(...)

Para cicatrizar uma ferida, primeira é preciso abri-la, retirar toda a sujeira que se acumulou ao longo do tempo e lavá-la bem. Daí usar os medicamentos apropriados para que não ocorra nenhuma infecção, ou seja, que o problema se espalhe. Aí sim, é hora de fechá-la. O que o bispo pede é diferente. Ele quer que ninguém mexa na ferida, que há séculos produz um pus fétido na sociedade, que é a forma como tratamos as mulheres e o direito ao seu próprio corpo. E como o Estado se omite em debater temas importantes, deixando para outras instituições essa responsabilidade.

Mas, afinal de contas, o bispo tem razão. Que história é essa de pensar que o Brasil é laico e democrático? O Brasil pertence aos pastores de Deus, aos homens de bem e aos héteros. Ah, e aos empresários de sucesso, é claro.

(...)

Com tanta atitude arbitrária e antidemocrática do governo federal para ser criticada, a igreja vai cutucar logo a defesa dos direitos humamos, que serve para trazer um alento de civilização em nosso país de mentalidade tão tacanha.

(...)

José também tratou das declarações de Eleonora sobre a orientação sexual de sua filha, afirmando que ela “deveria tomar mais cuidado para não dar mau exemplo para nossos adolescentes”.

Eleonora, ao deixar claro que tem orgulho de uma filha lésbica, faz um serviço à sociedade, ao mostrar que isso não deveria assustar ninguém. O bispo que deveria tomar cuidado para não dar mau exemplo aos nossos adolescentes com declarações que podem promover a homofobia e a intolerância.

(...)

Mas é engraçado ver alguém numa posição como a dele que tem medo do debate público. Principalmente, quando este vai revelar o anacronismo de seu próprio discurso. Quiçá sua insignificância.



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***o texto pode ser lido na íntegra AQUI

7 de fev de 2012

pró-vida

Não faço a mínima idéia de quem é o responsável por essa imagem, mas ela conseguiu traduzir bem meu pensamento sobre o assunto.



Para quem não entende inglês, uma traduçãozinha do que está escrito na imagem:

Você ainda será “pró-vida” DEPOIS QUE ELA NASCER?

Você aplicará o mesmo rigor na sua luta:
- contra a guerra
- contra a fome
- contra a pobreza
- contra a falta de ter onde morar
- contra a degradação do nosso planeta
- contra a pena de morte
- a favor dos direitos humanos
- a favor de oportunidades de educação e emprego
Que você aplica na sua luta para tornar o aborto ilegal?

Se não, por favor pare de se intitular “pró-vida”.

10 de jan de 2012

que país é esse?

Me pergunto: que país é esse? Essa pergunta aparece em muitas ocasiões e surgiu novamente ao tomar conhecimento de um fato que não sei bem ainda se classifico como repulsivo, ou nojento, ou ridículo.

Para quem não soube do ocorrido, duas notícias: AQUI e AQUI. Em resumo: uma criança, negra, filha de espanhóis, adotada, que não fala português, foi expulsa de um restaurante em São Paulo ao ser confundida com um mendigo, e encontrada pela mãe, fora do restaurante, encolhida e chorando.

Perguntas:

Se a criança não compreende e nem fala português, qual motivo levou os funcionários do tal restaurante a acharem que era um moleque de rua?
Se a criança estava quieta, sentada em uma mesa enquanto aguardava seus pais, qual motivo levou os funcionários do restaurante a acharem que era um moleque de rua?
Se a criança é adotada e vive bem, provavelmente estava bem vestida... então qual motivo levou os funcionários do restaurante a acharem que era um moleque de rua?
Se a criança em questão fosse loira, teriam os tais funcionários do restaurante achado que se tratava de um moleque de rua?
E se fosse um moleque de rua, quieto, sentado, sem incomodar ninguém... isso justificaria que ele fosse tratado como lixo?

Minhas considerações:

Sinceramente, o ser humano é muito podre e, de qualquer ângulo que esta história seja vista, temos a mesma resposta: RACISMO, puro e simples. Só neste país precisam investigar algo assim para admitir que foi racismo. Além de racismo, foi desrespeito às leis de proteção à infância e completa desumanidade. Devemos sentir apenas pena de um ser humano despreparado que toma uma atitude dessas e maltrata uma criança.

9 de jan de 2012

inspiração

"A música é ouvida com tanta atenção, que você não ouve. Você é a música enquanto ela dura." T.S.Eliot

Coincidências não existem... e não por acaso, me deparei com a frase acima enquanto pensava na pessoa que me assombrou, no bom sentido, enquanto tocava na sexta-feira passada. São poucos os músicos que me deixam boquiaberta quando tocam, pouquíssimos! Tenho a sorte de trabalhar com dois deles em minhas apresentações e TODAS as vezes que os vejo tocar, sinto-me profundamente inspirada!

Esses monstrinhos não tocam apenas – eles enchem o ambiente com o som que conseguem retirar de seus instrumentos. Não dá para apenas ouvi-los – a experiência vai além da audição.

Se gosto de apenas assisti-los, imagine dançar com eles! AMO! A dança fica melhor, visivelmente mais harmoniosa e inspirada... Aí faz todo o sentido a frase do T.S.Eliot: dançar acompanhada de músicos que nos inspiram é se transformar em um instrumento e ser parte da música enquanto ela dura.

Nunca devemos ser a imitação de outro bailarino, mas sim a inspiração de nós mesmos. Ah, e como é fácil ser nossa própria inspiração quando temos músicos inspiradores... Contando os dias para matar as saudades disso!