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10 de jan de 2012

que país é esse?

Me pergunto: que país é esse? Essa pergunta aparece em muitas ocasiões e surgiu novamente ao tomar conhecimento de um fato que não sei bem ainda se classifico como repulsivo, ou nojento, ou ridículo.

Para quem não soube do ocorrido, duas notícias: AQUI e AQUI. Em resumo: uma criança, negra, filha de espanhóis, adotada, que não fala português, foi expulsa de um restaurante em São Paulo ao ser confundida com um mendigo, e encontrada pela mãe, fora do restaurante, encolhida e chorando.

Perguntas:

Se a criança não compreende e nem fala português, qual motivo levou os funcionários do tal restaurante a acharem que era um moleque de rua?
Se a criança estava quieta, sentada em uma mesa enquanto aguardava seus pais, qual motivo levou os funcionários do restaurante a acharem que era um moleque de rua?
Se a criança é adotada e vive bem, provavelmente estava bem vestida... então qual motivo levou os funcionários do restaurante a acharem que era um moleque de rua?
Se a criança em questão fosse loira, teriam os tais funcionários do restaurante achado que se tratava de um moleque de rua?
E se fosse um moleque de rua, quieto, sentado, sem incomodar ninguém... isso justificaria que ele fosse tratado como lixo?

Minhas considerações:

Sinceramente, o ser humano é muito podre e, de qualquer ângulo que esta história seja vista, temos a mesma resposta: RACISMO, puro e simples. Só neste país precisam investigar algo assim para admitir que foi racismo. Além de racismo, foi desrespeito às leis de proteção à infância e completa desumanidade. Devemos sentir apenas pena de um ser humano despreparado que toma uma atitude dessas e maltrata uma criança.

9 de jan de 2012

inspiração

"A música é ouvida com tanta atenção, que você não ouve. Você é a música enquanto ela dura." T.S.Eliot

Coincidências não existem... e não por acaso, me deparei com a frase acima enquanto pensava na pessoa que me assombrou, no bom sentido, enquanto tocava na sexta-feira passada. São poucos os músicos que me deixam boquiaberta quando tocam, pouquíssimos! Tenho a sorte de trabalhar com dois deles em minhas apresentações e TODAS as vezes que os vejo tocar, sinto-me profundamente inspirada!

Esses monstrinhos não tocam apenas – eles enchem o ambiente com o som que conseguem retirar de seus instrumentos. Não dá para apenas ouvi-los – a experiência vai além da audição.

Se gosto de apenas assisti-los, imagine dançar com eles! AMO! A dança fica melhor, visivelmente mais harmoniosa e inspirada... Aí faz todo o sentido a frase do T.S.Eliot: dançar acompanhada de músicos que nos inspiram é se transformar em um instrumento e ser parte da música enquanto ela dura.

Nunca devemos ser a imitação de outro bailarino, mas sim a inspiração de nós mesmos. Ah, e como é fácil ser nossa própria inspiração quando temos músicos inspiradores... Contando os dias para matar as saudades disso!