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15 de mar de 2012

triplamente violentada

Imagine ser estuprada. Filme de terror, certo? É... só que a vida supera tanto a arte que o filme de terror adquire requintes de crueldade: imagine ser estuprada e, depois, obrigada a casar com seu estuprador para “preservar a honra da família”. Imaginou? Vida real é isso!

Para quem não viu a notícia, leia AQUI sobre o caso de uma garota de 16 anos que se suicidou após ter sido forçada a casar com o homem que a estuprou. Isso aconteceu no Marrocos, onde "o artigo 475 do Código Penal do país permite ao “sequestrador” de um menor casar com sua vítima para escapar de um processo, e é usado para sustentar a prática de que estupradores casem com suas vítimas para “preservar a honra” da família. A família da vítima muitas vezes concorda com medo de que a filha não consiga mais um marido se for revelado que ela foi estuprada" (!!???!!).

Isso aí em pleno século XXI... Sinceramente, a humanidade é MUITO podre. Sem mais.

13 de mar de 2012

máscaras

Outro dia, uma moça caiu acidentalmente da janela do quarto andar no prédio em frente ao meu... uma, digamos, tentativa de suicídio acidental mal sucedida (ela sobreviveu). Aquele prédio deve ter alguma força maligna atuando sobre ele: há alguns anos um moço teve uma tentativa mais bem sucedida, dando um tiro na própria cabeça. Em ambos os casos, ninguém entendeu nada. Como assim? Não eram pessoas depressivas, estavam bem, blábláblá.

A verdade é que a gente nunca sabe o que outra pessoa está sentindo, não temos idéia da dimensão e da devastação que podem ser causadas pela dor alheia e sequer sabemos o que pode estar causando esta dor... A verdade é que nossa sociedade, além de incentivar o individualismo, o não se importar com os outros, incentiva também o uso diário de um acessório carnavalesco.

Máscaras: item obrigatório na sociedade em que vivemos. Há diversos tipos de máscaras, diferentes usos para cada uma delas... mas, em se tratando desse acessório, o normal é usá-lo e quem ousa despir-se dele é tratado como um pária, um louco, um anormal. Cedo ou tarde, acabamos, em maior ou menor medida, colocando alguma máscara. A verdade é que, sejam elas usadas para causar prejuízo a outrem ou simplesmente para auto-proteção, AS MÁSCARAS SEMPRE CAEM!

Então um dia aquela pessoa que estava sempre sorrindo cai pela janela ou dá um tiro na cabeça... e ninguém entende. Não? Será que aquela pessoa não tentou conversar com ninguém, não tentou pedir alguma ajuda? Será que aquela pessoa não foi simplesmente ignorada, quando o que precisava era de um ouvido amigo para compartilhar sua dor? Será que todos ao redor não estavam presos demais no seu individualismo e no seu egoísmo cotidianos e foram incapazes de prestar atenção em sinais?

Nem sempre consigo, mas tento sempre estar à disposição e me fazer presente quando precisam de mim... às vezes, a pessoa nem pede, mas dá para perceber que precisa... às vezes, ela não precisa de nada além da nossa presença e do nosso abraço, mesmo que em silêncio... às vezes, é essa nossa presença que pode fazer a diferença entre alguém cair em um abismo ou se afastar dele. Uma pena que nem todos percebem isso.

8 de mar de 2012

dia da mulher

Dizem que no dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e reivindicaram melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas.

Em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem às mulheres que morreram na fábrica em 1857 e, apenas em 1975, a data foi oficializada pela ONU.

O objetivo com a criação desta data não era comemorar. Em muitos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é tentar diminuir o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito já foi conquistado, mas ainda há muito o que avançar.

Não deseje Feliz Dia da Mulher a ninguém – a data esvaziou-se do seu significado original e nada há a ser comemorado na existência de um dia que não deveria existir. Enquanto você dá uma rosa a alguém e lhe deseja Feliz Dia da Mulher, há um ser humano do sexo feminino (vários!) sofrendo algum tipo de violência, apenas e somente por ser mulher.

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Nota: Nosso Brasil, apesar de ser hoje a sexta economia do mundo, está entre os 25 países com maior número de feminicídios. Não vejo nenhuma vantagem ser uma das maiores economias do mundo e constar nesse tipo de índice (não vou nem falar na péssima infra-estrutura, na educação cambaleante e no sistema público de saúde falido... nem no fato de estarmos entre as grandes economias do mundo por sermos uma grande fazenda, oops, grande exportador de commodities...).


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"Uma mulher não pode ser ela mesma na sociedade atual, que é exclusivamente masculina, com leis criadas por homens e um sistema jurídico que julga a conduta feminina a partir de um ponto de vista masculino" Henrik Ibsen

7 de mar de 2012

ECAD e a cobrança de blogs

Para aquelas pessoas que estão achando bizarro esse negócio do ECAD cobrar de um blog sem fins lucrativos por exibir vídeos do youtube e do vimeo, conto uma experiência minha com essa agência que supostamente existe para defesa da propriedade intelectual dos artistas.

Em 2008, eu trouxe a bailarina internacional Warda para ministrar um workshop e fazer um show aqui na cidade (alguns detalhes no blog do meu alter ego). Obviamente o show foi divulgado e, como se tratava de músicos tocando basicamente repertório AUTORAL e execução de músicas clássicas árabes de domínio público, não contactei o ECAD.

Para minha surpresa, fiscais da tal entidade apareceram no show para cobrança de taxa de direitos autorais e, como organizadora do evento, fui multada. Demorou um tempinho, mas acabei pagando o que supostamente devia ao ECAD.

Até hoje os músicos que tocaram repertório AUTORAL no evento não receberam seus direitos autorais e duvido que os árabes tenham recebido alguma coisa.

Nota mental: Preciso dizer que acho o ECAD uma balela e mais uma forma de alguém estar ganhando dinheiro em cima dos outros?...

6 de mar de 2012

micro – mini – sucinto post

...ou da arte de dizer muita coisa com pouquíssimas palavras.

A verdade é que não importa qual seja a verdade, as pessoas vêem apenas o que querem ver. Simples assim.