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29 de mar de 2012

da política...

Conheço um cidadão que trabalha basicamente com políticos e, quando observa-se cuidadosamente suas ações, descobre-se que este indivíduo ou é funcionário fantasma e nunca compareceu ao trabalho, ou é burro mesmo e conviver com políticos não o ensinou nada.

Para quem lida com políticos, aparentemente nada foi absorvido sobre política. Historicamente, inclusive, aprende-se que a política não é feita de enfrentamentos diretos, nem de atitudes impulsivas não estudadas e não planejadas, tão pouco de ameaças que podem facilmente ser rebatidas, muito menos criando-se, gratuitamente, inimigos. A política é feita de alianças... e estas os grandes estadistas nos ensinaram que são, inclusive, feitas com nossos prováveis inimigos, para que eles tenham algo a perder caso decidam virar-se contra nós e tenham algo a ganhar caso permaneçam ligados na aliança.

Porém, o que a maioria dos seres humanos faz é exatamente o contrário do que a história nos ensina, é exatamente o contrário do que é bem sucedido a médio e longo prazo. A maioria tem visão de curto prazo e não enxerga o futuro, nem mesmo pesquisa reações possíveis às suas ações. Detènte, no sentido da palavra, só é possível a médio e longo prazo quando se tem algo muito forte que reprima o outro ou quando este outro tem algo a perder. Se não há algo sólido o bastante para criar temor no outro e se o outro nada tem a perder, há a inexistência de detènte.

Quem, em sã consciência, faria denúncia contra um antigo aliado que conhece todos os seus pontos fracos? Quem, em sã consciência, faria alguma queixa na polícia contra alguém ao qual enviou mensagens até desejando sua morte e dizendo que sapatearia em seu caixão? Quem, tendo muito a perder, compraria briga com alguém que não tem nada a perder e não teme nem mesmo a morte? Quem, em sã consciência, usaria a perda de território como ameaça contra um apátrida? Nenhum grande estadista, general ou político bem sucedido, historicamente, jamais tomou tais atitudes...

A história e a diplomacia têm muito a ensinar. Àqueles que tomam tais atitudes, os grandes mestres ensinam: repensem-nas, revejam-nas, revertam-nas. Inimigos, na maioria das vezes, só são inimigos porque foram alimentados e incitados a sê-lo, porque nós os fizemos nossos inimigos... Na maioria das vezes, seguiriam com suas vidas caso não tivessem sido tratados como inimigos... Na maioria das vezes, ainda dá tempo de reverter o ódio nascente e transformá-lo apenas num sentimento de distanciamento... Na maioria das vezes, as pessoas ignoram isso tudo e, depois, perguntam-se porque houve o lançamento silencioso e sem aviso do armamento atômico em cima de seu território.