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13 de mar de 2012

máscaras

Outro dia, uma moça caiu acidentalmente da janela do quarto andar no prédio em frente ao meu... uma, digamos, tentativa de suicídio acidental mal sucedida (ela sobreviveu). Aquele prédio deve ter alguma força maligna atuando sobre ele: há alguns anos um moço teve uma tentativa mais bem sucedida, dando um tiro na própria cabeça. Em ambos os casos, ninguém entendeu nada. Como assim? Não eram pessoas depressivas, estavam bem, blábláblá.

A verdade é que a gente nunca sabe o que outra pessoa está sentindo, não temos idéia da dimensão e da devastação que podem ser causadas pela dor alheia e sequer sabemos o que pode estar causando esta dor... A verdade é que nossa sociedade, além de incentivar o individualismo, o não se importar com os outros, incentiva também o uso diário de um acessório carnavalesco.

Máscaras: item obrigatório na sociedade em que vivemos. Há diversos tipos de máscaras, diferentes usos para cada uma delas... mas, em se tratando desse acessório, o normal é usá-lo e quem ousa despir-se dele é tratado como um pária, um louco, um anormal. Cedo ou tarde, acabamos, em maior ou menor medida, colocando alguma máscara. A verdade é que, sejam elas usadas para causar prejuízo a outrem ou simplesmente para auto-proteção, AS MÁSCARAS SEMPRE CAEM!

Então um dia aquela pessoa que estava sempre sorrindo cai pela janela ou dá um tiro na cabeça... e ninguém entende. Não? Será que aquela pessoa não tentou conversar com ninguém, não tentou pedir alguma ajuda? Será que aquela pessoa não foi simplesmente ignorada, quando o que precisava era de um ouvido amigo para compartilhar sua dor? Será que todos ao redor não estavam presos demais no seu individualismo e no seu egoísmo cotidianos e foram incapazes de prestar atenção em sinais?

Nem sempre consigo, mas tento sempre estar à disposição e me fazer presente quando precisam de mim... às vezes, a pessoa nem pede, mas dá para perceber que precisa... às vezes, ela não precisa de nada além da nossa presença e do nosso abraço, mesmo que em silêncio... às vezes, é essa nossa presença que pode fazer a diferença entre alguém cair em um abismo ou se afastar dele. Uma pena que nem todos percebem isso.