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21 de abr de 2012

"lei seca" pelo mundo

Enquanto por aqui tem muita gente descontente com a tal da Lei Seca, uma amiga que está morando em Quioto me informou que lá, em terras japonesas, motorista bêbado paga multa, assim como quem estiver no carro e o estabelecimento que serviu a bebida.

Quanto ao estabelecimento, não sei o que pensar: empresas vivem de lucro e, no caso das que vendem álcool, essa venda se traduz em $$$ e, ademais, seria responsabilidade do bar/boate/restaurante o cliente sair dirigindo? Já quanto aos passageiros do carro, acho justo: todos sabem que o motorista bebeu e escolheram entrar no carro... ou não?

Não serei hipócrita de dizer que nunca dirigi após ingerir álcool – já. E quem nunca? Porém, contudo, entretanto, todavia... sejamos um pouco advogados do diabo.

Nunca fui ao Japão (ainda!). Mas acho que, antes de simplesmente compararmos a legislação deles com a nossa, deveríamos pensar em alguns pontos e traçar alguns comparativos:

- transporte público (horário de funcionamento, abrangência geográfica, qualidade, segurança, disponibilidade);
- taxis (qualidade do serviço, segurança, preço);
- segurança pública nas ruas para que se possa, por exemplo, andar a pé de noite sem grandes problemas.

Não vou nem falar de outras cidades brasileiras nas quais já estive... Restringindo-me à capital, onde vivo, os pontos acima poderiam ser descritos da seguinte forma:

- transporte público deficiente e, em alguns pontos, inexistente. Horário de funcionamento do metrô, na ridícula e risível abrangência geográfica do mesmo, é insuficiente, para dizer o mínimo. Ônibus ganha na geografia e perde no resto. Ambos bastante inseguros de noite, principalmente se você for mulher.
- taxis mais caros que em qualquer outra cidade na qual estive no país e atendimento demorado quando ligamos para os disk-taxi. Além disso, corre-se o risco de ser assaltado pelo taxista e seus comparsas (conheço mais de uma pessoa que passou por isso).
- segurança nas ruas é complicado: já é inseguro de dia, quanto mais de noite! Descer de estação de metrô ou ponto de ônibus e andar até seu destino é perigoso, assim como voltar a pé para casa.

Ou seja...

Conclusão: leis duras para motoristas bêbados sim, mas que venham acompanhadas de melhorias no resto da estrutura das cidades.


*Isso me lembra a galera que defende o uso de bicicletas por aqui, para diminuir o impacto ambiental e também o trânsito... Sem ciclovias... sem segurança para "estacionar" sua bike e, ao voltar, ela estar inteira onde foi deixada... sem segurança nem pra andar tranquilo por aí né (quantas pessoas são assaltadas e têm suas bikes e outras coisas roubadas todo dia?...). É...