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25 de jun de 2012

esquerdistas

Penso muito nisso, mas uma pessoa que conheço conseguiu traduzir, em poucas linhas e de forma brilhante, em palavras. Então lá vai:


"Todo mundo é de esquerda: desde que o próprio salário seja mantido alto, distinguido da plebe rude e ignara, que não seja ameaçado por nenhuma política redistributiva, que se continue na própria vidinha burguesinha e que o Poder no qual eu milito seja aqueles com mais privilégios na Esplanada. @ Se fosse um discurso de boa-fé, seria apenas cômico."
Clarita Maia Simon

22 de jun de 2012

assombroso?



A foto acima rodou as redes sociais essa semana e os comentários sobre o fato – aliança do molusco com o ladrão-mor – continham de tudo... Gente xingando, muitos palavrões proferidos, surpresa, indignação.

Em minha opinião, o presidente onipresente só não se aliou ao Poderoso Chefão ainda porque o dito cujo já se foi – nada impede, porém, que em outro plano astral nosso querido molusco receba conselhos do falecido ACM. Portanto, eu não me supreendi em nada com essa aliança. Qual a surpresa de Lula/Haddad se aliar ao Maluf? Após se aliar com Collor e Sarney, porque ainda assombra alguém uma aliança com Maluf? Quem é o vice da Dilma mesmo?

Pragmatismo e governabilidade não deveriam ser usados para solapar as utopias, mas como estamos falando de Brasil, não há ideologia/utopia: o que há é apenas um fisiologismo tosco, a máxima de os fins justificando os meios. Prestes, o Cavaleiro da Esperança, até em palanque subiu com o assassino de sua esposa, Getúlio Vargas. Felipe Camarão, líder indígena, Henrique Dias, general negro, e os quilombolas de Pernambuco se aliaram aos senhores de Engenho para expulsar os Holandeses. Os Tamoios se aliaram aos franceses para lutar contra os portugueses.

A política, no Brasil, está há 500 anos implementando a ideologia dos males o menor. O problema é que, no longo prazo, aquilo que, no curto prazo, parecia um mal menor, acaba se transformando numa imensa bola de neve... e assim a corrupção e o clientelismo, ao invés de diminuírem, vão aumentando, aumentando... e quem se fode continua batendo palmas, tal como focas adestradas, para seus coronéis.

É...

15 de jun de 2012

atenção senhores passageiros

Transcrevo abaixo, na íntegra, excelente texto de um grande amigo:


ATENÇÃO SENHORES PASSAGEIROS

Fomos criados para entrar na escola ainda cheirando a cueiro. E daí em diante estudar muito, evitar a repetência, nos preparar bem para encarar o vestibular, entrar numa faculdade, aprender uma profissão, batalhar um emprego estável – de preferência no serviço público – e garantir um futuro adequado como empregado modelo até a tão sonhada aposentadoria. A educação no ...Brasil, e em boa parte do mundo ocidental, é desenhada para forjar servidores ao invés de empreendedores. A nossa realização profissional está na segurança e não na satisfação em si. Somos programados para evitar riscos e não para enfrentá-los. Nos vemos impelidos a evitar o comando e navegar apenas na zona de conforto. A viver como passageiros, se possível e com o devido esforço, na primeira classe.

Crescemos alimentando o sonho de trabalhar na Coca-Cola, na Pepsi Co ou na Ambev, quando poderíamos pensar na criação de uma nova marca de bebidas. Desejamos uma posição de destaque na Procter & Gamble ou na Gessy Lever, quando poderíamos aproveitar nossas aulas de química para desenvolver produtos que possam ser vendidos para essas empresas ou para concorrer com elas. Almejamos a estabilidade de vagas nobres no Senado, na Câmara dos Deputados, nos tribunais superiores, nas autarquias federais e nas grandes empresas públicas. Os exemplos a serem seguidos, saudados pela mídia e pela imprensa, são os primeiros colocados nos concursos públicos. E, assim, estabelecemos uma visão parcial, mas conveniente, de sucesso.

Nossas ambições pessoais, de modo sutil e gradual, são alinhadas por baixo. Empresários bem-sucedidos como Eike Batista, Sílvio Santos, Antônio Ermírio, Abílio Diniz, Nizan Guanaes, Washington Olivetto, Luciano Huck, Victor Civita, Paulo Skaf e tantos outros são pontos fora dessa curva. Alguns foram impulsionados por heranças, outros por rebeldia e inconformismo, outros pelo talento natural. Seja como for, todos eles tem uma característica em comum: receberam uma educação diferenciada. E não se trata apenas da educação formal, mas também daquela que recebemos em casa. Entre outros problemas, ainda vemos o sucesso como pecado e confundimos lucro com falta de escrúpulos. No nosso país, no lugar de orgulho, encaramos as grandes realizações com olhares desconfiados e até uma certa repulsa.

Erramos duas vezes ao optar por uma educação voltada à conquista de um bom emprego e à segurança do salário garantido no final do mês. Primeiro ao podar o ímpeto empreendedor do nosso povo, desperdiçar sua criatividade e, com isso, criar barreiras sociais para o desenvolvimento. Segundo ao formar um sem números de servidores avessos a desafios e despreparados para assumir papéis de liderança. Entramos na faculdade sem saber noções básicas de administração. E, muitas vezes, saímos dela praticamente da mesma forma. A ignorância estimulada, somada ao medo de arriscar, resulta em profissionais medianos, subservientes e cumpridores de tarefas. Um perfil inócuo para um país repleto de desafios e oportunidades. Um perfil indesejado para qualquer empresário com um mínimo de conhecimento e autoconfiança que aposta em talentos.

Descontado qualquer traço de otimismo, o Brasil de fato já decolou. Mas sem o combustível da educação, em especial da educação empreendedora, nossa autonomia de vôo será curta. E, lá na frente, quando recolhermos as caixas pretas e analisarmos seus conteúdos, nos restará lamentar o desastre anunciado e especular em vão sobre os culpados. Quais sejam: todos nós que ignoramos o problema ou que o conhecemos, mas damos de ombro.

Autor: Carlos Grillo
Sócio-Diretor da Fermento Promo
E-mail: grillo@fermentopromo.com.br
Twitter: @carlosgrillo

11 de jun de 2012

é o Brasil?...rs...



*sem vontade de traduzir... e apenas um comentário: isso tudo aí é epidemia mundial?..

3 de jun de 2012

a verdade nua e crua

Não assisto novelas e sequer sei quais são os folhetins atualmente em cartaz em nossas emissoras de TV. Em geral, só fico sabendo de qualquer polêmica relativa aos canais de TV aberta por meio de redes sociais – aí se o assunto me interessar, busco informações, vídeos e etc na internet antes de emitir alguma opinião.

Para quem não sabe, entre tantas outras coisas sou, também, bailarina. Provavelmente, a maior parte dos seres humanos não teve contato com pessoas indignadas a respeito desta cena de novela – eu tive, assim como a grande maioria das bailarinas de danças árabes deste país deve ter tido. O que pude ver é uma imensa maioria de pessoas revoltadas e indignadas com a Rede Globo. Eu não.

A Globo está apenas cumprindo seu papel de empresa que se resume, em última e derradeira instância, à palavra LUCRO. Não sejamos ingênuos quanto a isso ok, toda empresa visa ao lucro e suas ações, sejam quais forem, serão voltadas para isso. Certíssimo, do ponto de vista empresarial, é isso mesmo e nenhuma empresa é instituição de caridade que almeja ao bem social acima de qualquer outra coisa... Esqueçam a ideologia adolescente: uma empresa só terá ações que visem ao bem social se isso der lucro – o mesmo é válido para visar o bem do meio ambiente, dos animais, do que quer que seja. $$$$$. Fato. Indiscutível.

Não me causa nenhuma indignação a Rede Globo colocar moças bonitas, em trajes que despertam a fantasia masculina, em uma cena de despedida de solteiro. Sinceramente? O que me causa vergonha alheia são as
'pseudo-bailarinas' que se prestam a esse tipo de papel – tanto as que se prestam a isso para aparecer na Globo, quanto as que se prestam a isso na vida real (e nós sabemos que elas existem). Isso demonstra que essas moças não respeitam e, tão pouco, amam a dança e a cultura árabe – caso contrário, jamais fariam uma cena dessas em tal contexto.

Aproveitando o gancho do assunto – algo que vejo muitas praticantes de dança reclamarem é a tal 'cobrança quanto à beleza'. Em nossa sociedade, mulheres são cobradas o tempo inteiro para estarem belas de acordo com o padrão socialmente aceito. Em profissões que expõem diretamente o corpo, isso piora um pouco. Como mulher, e como bailarina, acho isso péssimo e não vejo nada positivo que essa 'cobrança' possa nos acrescentar... diria até que vejo o oposto: auto estima baixa, anorexia e bulimia, cirurgias plásticas e intervenções estéticas desnecessárias, depressão, etc... um universo de problemas ligados à tal 'cobrança quanto à beleza'. Esse é meu ponto de vista como bailarina, que entende que boa dança não está ligada à beleza e que acha ridículo excelentes bailarinas, apenas por estarem acima do peso ou não se encaixarem nos padrões de beleza, receberem muitos 'nãos' e terem o mercado diminuído para mostrarem seu trabalho.

Acontece que também sou publicitária, também já trabalhei com produção, com marketing promocional... e aí voltamos alguns parágrafos acima, à palavra LUCRO. A verdade é que um empresário que coloca dança em seu estabelecimento quer agradar ao público e, com isso, ganhar dinheiro. A verdade é que a maioria deste público não se importa muito com a técnica de dança da bailarina, sim com sua beleza. A verdade é que não cabe ao empresário mudar a imagem fantasiosa que o público tem da bailarina – ele quer $$$ e fim. A verdade é que cabe à própria bailarina se respeitar e exigir respeito... e isso começa, inclusive, não se apresentando em qualquer boteco ou festinha por aí, não se prestando a certos papéis como essas moças da cena da novela se prestaram...