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18 de jul de 2012

um viva aos arianos! (not)

Quando a gente vê certas coisas acontecendo, em pleno século XXI, em um país mestiço, na capital... é sinal de que a humanidade vai mal, aliás, vai péssima!

Há alguns dias fui encontrar um amigo para almoçar e aproveitarmos para colocar a conversa em dia, já que nossos respectivos locais de trabalho são bem próximos e temos o mesmo horário de almoço.

O conheço apenas desde os meus 15 anos e já fizemos de tudo juntos, exceto sexo, já que ele é e sempre foi somente amigo mesmo. O descreveria, em poucas palavras, da seguinte forma: pessoa fácil de se conviver, viajado, bem vestido, fluente em vários idiomas, educado em nível de escolaridade e de educação no trato com as pessoas, compreensivo, atencioso, guerreiro, gente boníssima, acessível, irmão mesmo... (dizem as más línguas que manda muito bem no sexo, mas isso eu não saberia dizer).

Para variar, tivemos um almoço agradabilíssimo, como são agradabilíssimos todos os nossos encontros. Balada pesada? Filme em casa? Barzinho? Me empresta o ombro pra chorar? Desabafos? Idas a cafés? Viagens loucas para curtir cachoeiras? TUDO, SEMPRE, agradável na cia desse homem.

Porém, algo me incomodou durante o almoço. Olhares sempre, invariavelmente, em nós (estávamos em um restaurante de um bairro de classe alta, o Lago Sul). Só descobri o porque de tais olhares quando fomos nos despedir e, tal qual um verdadeiro gentleman - como sempre foi desde nossa adolescência – ele foi me levar até o carro. Nos abraçamos forte como sempre, entrei no carro, abri a janela e, enquanto ele se afastava, ouvi aqueles gritos bem altos.

“Gosta de um negão né”... “O que a loira tá fazendo com um africano desse?”... “Tem que ir pra senzala”... Não foi só um grito, não foi só uma voz.









Esqueci de mencionar, já que para mim nunca fez a menor diferença, que este amigo é negro. MUITO NEGRO. Africano de verdade, gabonês.

Almodovar?...

Não sei exatamente o porquê disso, mas ando me sentindo um personagem de algum filme de Almodóvar. Colorido e sombrio, trágico e cômico, brega e...brega. Vamos combinar que até o filme mais sóbrio, esteticamente falando, da parte de fotografia, figurino e cenários, consegue ser brega! O que é aquele cara vestido de tigrinho (ou era onçinha?...) em A Pele que Habito?!?! E o que é aquela história, misto de Amodóvar com Lars Von Trier?!?! Algo entre Kika e Anti-Cristo, transitando entre ambos sem pender para nenhum...

Falta decidir em qual filme estou inserida...