Páginas

5 de ago de 2012

50 tons de cinza

Todo domingo, invariavelmente, leio a revista Veja. Como não ler quando a pessoa que mora no mesmo apartamento que você tem assinatura? E confesso: há uma parte da revista que geralmente gosto: as entrevistas das páginas amarelas. Algumas vezes interessantes, outras risíveis, algumas WTF!?!, outras previsíveis.

As páginas amarelas desta semana trazem E.L. James, autora de 'Cinquenta Tons de Cinza', livro que tem sido considerado pornô para mulheres. Entre outras coisas, ela diz que o livro "nasceu de um exercício de fan fiction de 'Crepúsculo' e eu não queria mudar o cenário geral nem a idade aproximada dos personagens" e que “achei-o também muito erótico, embora seja tão casto”.

Apesar de ter sadomasoquismo, ela diz que o livro não é pornô e que não se incomoda que apliquem a palavra porn. “São histórias de amor adultas. Isso é o que me interessa, histórias de amor – e o fato é que, quando as pessoas se apaixonam e começam uma relação, elas fazem sexo”. O melhor é o final da entrevista, no qual a autora diz que “uma leitora de apenas 15 anos veio falar comigo. Tive vontade de dar um pito nela: ‘Sua mãe sabe que você está lendo isto?’".

A entrevista me deu muita vontade de ler o livro - só que ao contrário!!! A história de um jovem milionário que se apaixona por uma estudante virgem??? Inspirada por ‘Crepúsculo’??? Que deu origem a um novo termo (“mommy porn” – pornô para mamães)??? Nada contra quem leu ou leria o tal livro, afinal, cada um lê o que quiser e fim. Porém, se for para ler algo escrito em prosa simples e não muito sofisticada, prefiro reler 'A Casa dos Budas Ditosos' - esse sim um livro que me dá tesão (e uma certa invejinha por não ser eu a autora). Ou fico com os clássicos e apelo para Sade...

Fica a pergunta: o que vem a ser “pornô para mulheres”? Por que “pornô para mulheres” precisa ter, obrigatoriamente, historinha de amor no meio? Sexo por sexo, apenas por tesão, não é “pornô para mulheres”?