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17 de nov de 2012

Caldas Country e o orgulho hetero

Na última semana, a publicação de um artigo na revista Veja, comparando gostar de gays a gostar de espinafre, casamento gay com relacionamento estável com cabras (e outros absurdos!) gerou inúmeras manifestações. Prefiro deixar na ignorância os textos que li defendendo o articulista da revista. Já entre aqueles que responderam ao tal artigo, o melhor texto, tanto na lucidez, quanto na elegância e na ironia, em minha opinião é este (vale a leitura!).

 Essa introdução toda para pedir que olhem bem para a foto abaixo:


O que te vem à cabeça quando olha esta foto?
(  ) que falta de noção
(  ) sacanagem colocarem as fotos deles no Facebook
(  ) não queriam ser expostos, não fizessem isso no meio da galera
(  ) peguem a chave de algum carro
(  ) get a room
(  ) todas as anteriores

Eu, particularmente, acho que, na falta de um carro ou quarto, que pelo menos fossem para um local menos exposto, mais privativo. Não, não sou santa, nunca fui e nem pretendo ser. Sim, sexo em locais públicos me excita – não dessa forma, não com essa exposição, não no meio da galera... Sim a sensação de poder ser visto, não o estar sendo visto por sabe-se lá quantas mil pessoas. Isso dito, não era sobre isso que eu queria falar.

Olhem novamente para a foto. Prestem atenção nas pessoas que estão observando o ato. Sabem qual a primeira palavra que me vem à cabeça quando vejo esta foto? HIPOCRISIA. E aí reler um artigo preconceituoso e de má fé como aquele da Veja me dá mais urticária ainda – não pelo artigo em si, sim pelos inúmeros defensores do articulista, aquela gente que acredita mesmo que os homossexuais têm os mesmos direitos que os heteros e que reclamam à toa.

O preconceito – e a hipocrisia de nossa sociedade – fica bem aparente quando um casal heterossexual vira atração ao transar em público em um Caldas Country da vida... enquanto casais gays são, na melhor das hipóteses, olhados torto ou convidados a se retirarem de um local e, na pior das hipóteses, espancados ou mortos (e isso tudo apenas por se beijarem, se abraçarem ou andarem de mãos dadas na rua – imagine se resolvessem transar no meio da galera!).

Pense nisso da próxima vez que achar que gays ficam de mimimi à toa e, principalmente, quando achar que deveria existir algo bizarro como orgulho hetero.