Páginas

27 de dez de 2012

redes sociais e falsidade


Fim de ano e essas datas festivas – Natal e Réveillon – se tornaram uma coisa mais engraçada (patética?) com o advento das redes sociais. O Natal vai chegando e começam a pipocar mensagens de gente que comemora o aniversário de Jesus Cristo, que acredita em Papai Noel, que enfeita a casa, que se recolhe em reflexão, que se entrega ao cinismo de trocar presentes e sorrisos... Todos os tipos de gente.

Nessa época do ano sinto saudades, mais do que em qualquer outra, de quando felicidade (a verdadeira e, principalmente, a falsa) ficava entre quatro paredes e não éramos obrigados a encará-la ao abrir o computador e nos conectar ao mundo e às pessoas. Aqui faço um pequeno parêntese: a felicidade verdadeira não me incomoda, apenas o modo como ela é exposta por algumas pessoas, deixando-a com uma feição algumas vezes falsa e, em outras, expositiva demais da vida privada, daquela vida que é melhor cuidar bem e deixar longe da inveja e do olho-gordo alheio.

Talvez essa época e esse pós-modernismo de relações virtuais me incomodem porque meu aniversário está bem no meio deste período, entre o Natal e o Ano Novo. Ou talvez eu sinta saudades de uma época na qual a falsidade era menor, mais discreta. Fato é que eu não consigo achar normal gente que não fala comigo, ou gente que fala mal de mim, ou gente que não gosta de mim, ou outras gentes... Enfim, por que essas gentes se dão ao trabalho de mandar mensagens via Facebook e outras redes desejando Feliz Aniversário? Pra quê se dar ao trabalho de desejar Feliz Natal e Feliz Ano Novo? A comoção que eu tenho lendo tais mensagens é equivalente à comoção que eu tenho ouvindo música sertaneja sóbria! Em alguns casos, minha comoção beira ânsias e enjôos!

Da mesma forma que é mais fácil aos covardes serem agressivos via internet, também o é aos falsos serem amigáveis (não ter que olhar para minha carinha fofa blasè - ou até nojentinha - encarando sua falsidade é mais fácil né? Ou aparentar ser uma boa pessoa para os outros é seu alimento?). Dispenso falsos desejos de felicidade, venham em qual ocasião vierem. Não digo Feliz coisa alguma, em que meio for, para alguém que eu não deseje isso de coração. Inclusive deixo de dizer várias vezes, simplesmente porque sou relapsa e esquecida.

Peço apenas que respeitem meus neurônios. Ao se dar ao trabalho de desejar Feliz Aniversário para alguém que você nem gosta e, em alguns casos, até fala mal, você está dando a esta pessoa o trabalho de gastar alguns segundos de vida lendo tal palhaçada. Vá fazer outra coisa e poupe o tempo alheio. Será melhor para todos. E, no meu caso, darei menos risadas internas.

Já àqueles que têm uma coisa linda chamada SINCERIDADE, o que tenho a dizer é: obrigada, seja de qual forma for, por estarem na minha vida e no meu caminho. Obrigada pelos desejos sinceros, verbalizados em escrita ou oralidade, mentalizados, energizados, sentidos, pensados, lembrados, abraçados, beijados. Vocês sim têm o meu profundo respeito.