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28 de jan de 2013

tragédia de Santa Maria


Digo, repito e reafirmo que não houve fatalidade na tragédia que vitimou mais de 230 pessoas em Santa Maria. Solidarizo com as famílias que perderam seus entes queridos, porém era uma tragédia anunciada que poderia - e pode! - acontecer em qualquer lugar deste país. 
Em 12/12/2002, um atentado terrorista a uma boate em Bali matou 202 pessoas. O ataque foi considerado o pior ato terrorista na história da Indonésia. Na madrugada de domingo, mais de 230 jovens foram vitimados por um incêndio em uma boate de Santa Maria, Rio Grande do Sul. A causa não foi a ira do terrorismo islâmico e anti-ocidental, mas a ineficácia das instituições de regulamentação e fiscalização e da falta de planejamento e gestão de risco dos empreendimentos. O que houve não foi um acidente. Nosso subdesenvolvimento técnico, cultural e institucional, minimizado pelo governo e por nós mesmos, matou mais brasileiros ontem do que estrangeiros em Bali, em 2002. 
Prenderam sócios da boate e integrantes da banda. Ok. E quanto aos órgãos públicos que deveriam fiscalizar o funcionamento dela? E quanto aos gestores públicos responsáveis? Pizza neles?
Seguem, abaixo, trechos do melhor texto que li sobre o assunto (texto completo AQUI):

Se um dia tivemos valores dados pelo senso comum, pelos avós e antepassados, todos nascidos num mundo mais pacato que o atual, perdemos boa parte deles. O respeito pelos mais velhos, dar lugar para mulheres grávidas no transporte público, não roubar, não falar mal dos vizinhos, não jogar lixo na rua, são apenas os exemplos mais corriqueiros de ensinamentos que se perderam nas confusas estruturas sociais e, pior, tornaram-se' coisa de babaca'.
A Lei de Gérson não apenas nos definiu, como 'pegou' e não há meio de revogá-la.  Sobre nossa natureza do jeitinho nacional, somou-se a Gersonificação da vantagem individual, potencializada pela opinião coletiva de que ser certinho é ser idiota e uncool.
A situação de momento no Brasil (e não falo do mundo porque não tenho autoridade ou vivência pra falar de outros paises) é assim:
     1. Todo mundo que faz tudo certinho, que obedece à lei, que não transgride e não se corrompe  é xingado e apontado como babaca, caga-regras,  pela maioria conivente e tolerante com tudo o que é  errado e corrupto.
      2. Na hora que dá alguma merda, a mesma  maioria conivente e tolerante com o errado e corrupto  posa de certinha e aponta dedos para todos os que erraram, com ou sem dolo, em busca de crucificação e linchamento público dos envolvidos para expiar a própria culpa da conivência e tolerância com o errado durante uma vida.
Os especialistas em acidentes de avião dizem sempre que toda tragédia é uma sucessão de erros, não é uma coisa isolada. Sim, tem algo que começa, um gatilho que dispara, mas a reação em cadeia que leva a perdas de vidas só acontece porque tem uma ~massa crítica~ de erros no caminho. 
Pois bem. O bom senso nos diz que acender fogos de artifício em lugares fechados não faz sentido. Fogos de artifício já não fazem muito sentido nem do lado de fora, embora sejam lindos. Masindoor realmente não parece ser sensato. Só que MUITA gente faz. E MUITA gente aceita. E acha normal. E acha OK. E acha bonito. E só quando acontece uma tragédia é que vai apontar dedos para quem o fez.
As mesmas pessoas que querem crucificar o garoto da banda que acendeu o sinalizador, muito provavelmente até OUTRO DIA não se importavam com o fato e nem tomaram nenhuma atitude para impedir que isso acontecesse.
O material da boate era todo inflamável, ao que parece. Assim como são feitas tantas casas noturnas, fantasias de carnaval, barracões de escolas de samba e tudo mais. Se está tudo errado e é perigoso, temos que fiscalizar e multar e obrigar todo mundo a fazer certo. Mas, você percebe que nós, como sociedade, somos os mesmos que culpamos todo mundo depois e não cobramos nada antes?
E os seguranças da boate? Bom, eu não sei o que aconteceu de fato. Mas, o que é que faz um segurança da boate? Ele cuida da segurança do usuário ou da boate? Bom, em tese, ele cuida da boate primeiro, impedindo que pessoas saiam sem pagar, que não tumultuem ou criem problemas. E cuidam para que o usuário se comporte dentro do esperado. Eu nem sei se teve algum segurança morto no incêndio, mas pelo que entendi, foi tudo tão rápido e o lugar era tão labiríntico,  que levou um tempo até que os seguranças entendessem o que estava acontecendo.
As portas de emergência fechadas, isso realmente não tem explicação. Se a porta é de e para emergências, o que adianta tê-las se na hora da emergências elas estão trancadas?
E tem o alvará vencido, os extintores que supostamente não funcionaram. Tanta coisa irregular. Errada, criminosa. Mas a gente só vai enxergar isso lá e agora? Por que você não vai olhar o extintor de incêndio do seu carro, do seu prédio, do seu trabalho pra ver se ele tem espuma dentro, se funciona, se serve pra alguma coisa?
É tudo muito chocante e doloroso. Mas até essa dor não impede que eu enxergue a hipocrisia na qual estamos todos mergulhados como sociedade.
As pessoas que apontam culpados a torto e a direita agora, cobrando perfeição e lisura de tudo e de todos são as MESMAS que transgridem, que corrompem, que toleram o erro, que são coniventes com a corrupção pequena que os beneficia. Essas pessoas somos nós, os brasileiros.
E mais, os brasileiros, quando se deparam com alguém que faz tudo certo, OFENDE essa pessoa. A pessoa que faz tudo pela lei é maltratada e temida, porque ela esfrega a corrupção alheia na cara da sociedade. E, nossa sociedade endemicamente corrompida, que expulsar todo elemento perigoso a essa rede implantada de pequenas contravenções, porque ele nos expõe.



14 de jan de 2013

doce vingança

O que você faria se pudesse se vingar de seus estupradores?



Filme forte com cenas chocantes? Alguns diriam que sim. Eu acho que não ou, no máximo, talvez.

Vale a pena assistir.

6 de jan de 2013

criando princesas

Todos viram que uma empresária em Uberlândia criou uma Escola de Princesas?

Como eu não havia pensado nisso antes? Linda forma de ganhar dinheiro educando pequenas meninas para serem amélias, submissas, finas moças para casar, coniventes com o machismo nosso de cada dia. Genial.

A pior parte? As mães dessas meninas achando o máximo suas filhas estarem recebendo uma educação do século passado (retrasado?).

É rir para não chorar.

5 de jan de 2013

por trás dos olhos de um autista


"O autismo me prendeu dentro de um corpo que eu não posso controlar" - conheça a história de Carly Fleischmann, uma adolescente que aprendeu a controlar o autismo para se comunicar através de palavras escritas em um computador após 11 anos de enclausuramento dentro de si mesma, e assista também o video interativo "Carly's Café", no qual você poderá vivenciar alguns minutos da experiência de um autista por trás dos olhos de um.

leiam mais sobre isso: Como seria estar por trás dos olhos de um autista?   Vale a leitura! Vale assistir ao video! Uma prova de que o cérebro humano é bem mais do que imaginamos.



4 de jan de 2013

dica de filme


Após assisti-lo, fiquei pensando no quanto a situação dos negros era absurda... E, ao lembrar-me de que ainda hoje há gente que não gosta que sua empregada negra use o elevador social, fiquei pensando no quanto avançamos pouco.





O filme é de 2011, mas só o assisti agora, nos primeiros dias de 2013. Admito: me senti uma completa idiota por não tê-lo visto antes. Um assunto pesado e complexo - o drama das empregadas negras nos Estados Unidos durante a luta pelos direitos civis - é mostrado de uma forma intimista, leve. Dá-se prioridade às questões pessoais em detrimento de eventos históricos e políticos e, talvez por isso, o filme consiga sensibilizar mais do que se a opção tivesse sido por uma abordagem que o tornasse épico.

A realidade sulista dos EUA é apresentada de forma íntima. A necessidade de um banheiro separado para as empregadas negras. O carinho que elas sentiam pelas crianças brancas que criavam. Um filme que mostra a realidade racista da época com interpretações magistrais. Faz chorar sem deprimir. Relembra um passado sombrio, porém sem reflexões profundas. Um belo retrato, ainda que suavizado, da crueldade humana.

O tema da segregação racial, neste filme, é contextualizado superficialmente, tratado sem questões políticas, apesar de a região na qual se passa a história ter sido o berço da Ku Klux Klan. Não acho, entretanto, que isso o enfraqueça. Ao contrário, diante do grande público o torna mais forte, o aproxima mais das pessoas. E está aí o seu segredo.

"Le personnel est politique"

2 de jan de 2013

obesidade é feio, sim

Há alguns dias, quando postei essa notícia no meu Facebook, houve quem me chamasse de preconceituosa. Eu disse, clara e abertamente: me desculpem, mas isso me provoca vontade de ir para a academia malhar e não consigo achar isso bonito. A única pessoa que teve coragem de falar algo abertamente disse, apenas: “Como uma vez li: "Desculpe, você apenas está ferindo meu senso estético....". O resto, como de praxe, despejou seu mimimi por mensagem privada ou por meio de indiretas.






Afirmo novamente: ao avistar mulheres obesas tenho vontade de correr para a academia. Sim, tenho. Para mim, não há nada bonito em obesidade. Tenho pavor de me tornar uma pessoa obesa. Não preciso ser politicamente correta e bater palmas para obesidade mórbida, muito menos ter o discurso de que todos os corpos são belos. Esse tipo de obesidade é tão grotesco quanto anorexia – são dois extremos tensos, feios, nocivos à saúde.






Se a tal notícia fosse Fotógrafo registra mulheres anoréxicas em poses artísticas e provocantes, eu acharia igualmente tosco – só que ao invés de ter vontade de correr para a academia, provavelmente eu teria vontade de comer uma pizza. Anoréxicos e obesos mórbidos são pessoas doentes e fim de papo. E, esteticamente falando, são duas coisas bem feias.

Há uma imensa diferença entre uma pessoa magra saudável e uma pessoa anoréxica. Assim como também há um abismo imenso entre uma pessoa gorda e uma pessoa obesa. O que eu acho mais bonito, na foto abaixo, depende, entre outros fatores, da cultura na qual fui criada e estou inserida. Já achar bonitas condições físicas que demonstram problemas de saúde graves, como obesidade mórbida e anorexia, é muita forçação de discursinho politicamente correto.