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26 de mar de 2013

enjoy the silence... or get drunk

Quando você não tiver nada de positivo para dizer a alguém, é melhor ficar calado.
Ou, segundo um grande amigo, bêbado.



25 de mar de 2013

estímulo à mediocridade


A quem o MEC pretende enganar dando nota máxima a redações do Enem que não demonstram domínio básico do português, ou dando bolsas no exterior a universitários que não falam um segundo idioma?

O que se esperaria de uma redação nota 10 – ou nota 1.000, no sistema de pontuação do Exame Nacional do Ensino médio (Enem)? No mínimo, um texto bem escrito, articulado, em que o autor demonstra seu domínio do idioma ao não cometer erros (ou, abusando da boa vontade, não cometer erros grosseiros). Mas, a julgar pela correção das redações do último Enem, os critérios de excelência usados por Professores em todo o país estão com os dias contados. Entre os textos com nota máxima no exame do Ministério da Educação estão peças com erros de ortografia como “rasoavel”, “enchergar” e “trousse”, revelou o jornal O Globo, que havia solicitado ao MEC exemplos de redações com nota 1.000.

(...)

A justificativa do Inep (órgão do MEC responsável pelo exame) para tal tolerância chega a ofender a inteligência do cidadão comum: os erros teriam de ser relevados porque se trata de “um egresso do Ensino médio, ainda em processo de letramento na transição para o nível superior”. Em um sistema educacional minimamente decente, o “processo de letramento” estaria concluído no Ensino fundamental, cabendo ao Ensino médio apenas o refinamento da forma culta.

Antes esse fosse um caso isolado, mas o mesmo MEC que tolera o “enchergar” e o “rasoavel” em redações com nota máxima também envia para Alemanha, França, Itália e Estados Unidos universitários cadastrados no programa Ciência sem Fronteiras e que não falam alemão, francês, italiano ou inglês. Mesmo sendo incapazes de uma conversação básica no idioma do país onde estudarão, esses brasileiros recebem bolsas, custeadas com dinheiro público, para frequentar cursos que não compreenderão. A descoberta das “redações nota 1.000” mostra que não são apenas as línguas estrangeiras que os universitários desconhecem.

Essas situações revelam que o país vive uma verdadeira cultura da mediocridade. Em vez de incentivar a excelência e a busca pelo melhor desempenho possível, programas governamentais como o Enem e o Ciência sem Fronteiras reduzem cada vez mais seus critérios até que a ignorância se torne aceitável – e, pior ainda, seja recompensada com uma nota máxima em um teste, ou uma bolsa de estudos. 

Nenhum país que pretenda ser líder em Educação, pesquisa e inovação atingirá tal objetivo seguindo uma política de aceitar pacificamente a incapacidade de seus estudantes, justificada com argumentos pífios sobre “processos de letramento” ou remendada com cursos relâmpagos de dois meses que não fazem um universitário conhecer suficientemente um idioma a ponto de entender aulas nessa língua.

A quem estamos enganando? O erro grosseiro de ortografia e concordância que vale nota 1.000 na redação do Enem acabaria com as chances desse mesmo candidato em um processo seletivo para qualquer emprego que exija um mínimo de qualificação. Um bolsista monoglota do Ciência sem Fronteiras terá pouco ou nada a acrescentar ao currículo.

É verdade, as metas de estudantes enviados ao exterior ou de vagas preenchidas nas universidades federais usando a nota do Enem serão cumpridas. O MEC poderá exibir orgulhosamente seus índices quantitativos, sempre convenientes em época eleitoral. Enquanto isso, o Brasil vira, pouco a pouco, uma nação de ignorantes diplomados.



***Embora eu concorde em gênero, número e grau, o texto acima não é de minha autoria (apenas os grifos são meus) e pode ser lido na íntegra AQUI.

7 de mar de 2013

sábias palavras

"Outro dado importante é o fato de fazermos várias revoluções ao mesmo tempo, o que não é incorporado, ainda, pela epistemologia das Ciências Sociais. No caso da América Latina, fizemos ao mesmo tempo a revolução demográfica, a revolução urbana, a revolução industrial, a revolução sexual. Todas concomitantemente. E os parâmetros que utilizamos são os europeus, onde tudo é devagar, tudo é lento e onde, por isso mesmo, as organizações têm um peso forte, porque elas são capazes de comandar de alguma forma a evolução. No nosso caso, as organizações são menos capazes desse comando da evolução – exatamente por essa soma, essa superposição de revoluções na vida social. Como a organização é incapaz de comandar pacificamente, pelo consenso, então você tem sempre a brutalidade no governo. No caso do Brasil foi a brutalidade do regime militar e, agora, a brutalidade deste regime civil. Quer dizer, temos uma brutalidade sucedendo a outra. A brutalidade é sempre presente, porque não se leva em conta essa dinâmica da sociedade e não se busca uma forma de organização da vida política que acompanhe tal dinâmica social." 
Milton Santos.

5 de mar de 2013

meu país do futuro


Não sou mais a mesma pessoa que eu era há 6 meses. Mais de vinte cidades depois… portos, aeroportos, estradas… Litoral, sertão, chapadas, amazônia… Metrópoles, cidades, vilas… Aprendi mais sobre o Brasil nos últimos seis meses do que em qualquer aula de geografia. A realidade, vista de perto, é bem diferente do que aprendemos nos livros ou vemos na TV e nos jornais.

A realidade tem cores próprias e, dependendo do ponto de vista, é dura, cruel, feia. Minha opinião sobre o meu país não deixou de ser crítica e, ãs vezes, cínica e sarcástica nestes útimos meses… Acho até que ficou mais crítica e ganhou pitadas a mais de cinismo e de sarcasmo. Tenho pena de quem exalta o país do futuro: míopes encastelados em suas torres de marfim, incapazes de enxergar e de reconhecer o país do atraso.

O Brasil que espera receber grandes eventos esportivos é uma piada. Quem acha difícil se deslocar por via aérea deveria tentar locais sem aeroporto. Difícil deslocar-se pelas estradas que, muitas vezes, estão em condições precárias? Tente locais nos quais só é possível chegar por via fluvial. Dependendo de para onde se vai, o parto para embarcar e conseguir chegar vai se complicando até virar de alto risco.

A piada acontece em todos os níveis. Nossa infra-estrutura é deficiente e, algumas vezes, risível em diversos aspectos. Rede hoteleira, transportes, atendimento médico-hospitalar, abastecimento, segurança. A piada aumenta quando adicionamos na equação uma população majoritariamente machista, conservadora, homofóbica e ignorante (ignorante no sentido de desconhecer).

Antes de me xingar, sugiro dar uma voltinha pelo interiorzão do país, pelo norte… Saia do seu confortável ativismo de sofá e visite o sertão nordestino, desloque-se de barco pela amazônia, vá em pequenas cidadezinhas do centro-oeste… Conheça melhor a realidade do seu país. A impressão Brasil afora, ao sair das capitais, é de entrar em uma máquina do tempo e ser transportado para algumas décadas atrás e, em alguns casos, séculos.

Pensando bem, para os turistas estrangeiros isso é exótico né… Então estamos no caminho certo.