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30 de abr de 2013

a nova surfistinha e as pedras atiradas nela

Lamento por aquelas mulheres que entram na prostituição por falta de opções – e elas existem aos milhões! Assim como também lamento pelas mulheres que são vítimas do tráfico de pessoas e pelo incontável número de vítimas da prostituição infantil. Porém, se a pessoa tinha outras opções e escolheu fazer isso porque gosta e quis, como é o caso da recém divulgada na mídia Lola, a minha opinião é uma só: isso é problema dela. Simples, não?

Para muitos, parece que não. Os puritanos monogâmicos hipócritas juízes da vida alheia logo juntam as pedras e a verborragia. Destilam suas verdades fabricadas. Citam trechos da Bíblia. Acham mil adjetivos. Promíscua. Dona de sexualidade doente que pratica sadismo. Viciada em sexo. Sem caráter. Indecente. Imoral. Só pode ter um vazio interior muito grande. Autodestrutiva. Mula perfeita para a indústria pornográfica. Denegridora da imagem das mulheres. Portadora de DSTs. Deve procurar Jesus e se curar. Digna de pena. Essas só para citar algumas das coisas que li nos comentários da matéria no G1.

Leio essas coisas e fico em dúvidas: devo rir das concepções pseudomoralistas alheias ou da hipocrisia social reinante? Outra dúvida: devo ter pena das mulheres que a apedrejam? Sim, pois todos estes adjetivos do parágrafo anterior também são aplicados a qualquer mulher que assuma publicamente gostar de sexo, nem precisa ser prostituta para isso. Antes de prosseguir, respondam algumas perguntas:

- Quem procura os serviços de uma garota de programa? Por acaso são ETs?
- Quem troca sexo por jóias, jantares, presentes, bebidas em festas, viagens... Não está se vendendo?
- As garotas de programa correm atrás dos seus namorados/noivos/maridos? Ou é o contrário?
- Fala-se mal de atrizes pornôs e prostitutas... mas elas ganham $$$ para fingir. E as puritanas que fingem para manter seu macho?


De acordo com as opiniões hipócritas, outras pessoas não têm o direito de fazer o que bem entenderem de suas próprias vidas. Escolhas não se discutem se não interferem na vida de ninguém além da vida de quem as fez. Ou os hipócritas acham mesmo que os outros devem viver as vidas deles conforme as convicções hipócritas e princípios hipócritas alheios? Chato ver essa palavra o tempo inteiro, mas é isso mesmo: hipocrisia. Socialmente é muito bonito defender a monogamia, a religiosidade, a família, os valores morais e os bons costumes. Balela!


A maioria dos casais que conheço pratica monogamia unilateralmente e quase sempre quem sai perdendo é a mulher. Sim, aquela mulher para casar, cujo companheiro procura serviços de profissionais ou simplesmente transa com qualquer uma mesmo, sem sequer se preocupar com a saúde da sua mulherzinha que ficou em casa esperando. Não esqueçamos dos dignos homens casados, defensores da moral e dos bons costumes, que buscam serviços profissionais para serem penetrados ou apenas gostam de ser passivos com qualquer um por aí. Pornografia é uma desgraça e uma indecência, mas estão todos ligados escondidos em algum redtube da vida ou, no caso de mocinhas de família, lendo 50 Tons de Cinza (afinal, pornô para mulheres travestido de pretensa boa literatura é aceitável).

Respeito às escolhas individuais, cerne de qualquer democracia de verdade, inexiste pelo visto. Todos querem impor uma verdade absoluta aos outros – e isso vai contra a busca por uma sociedade melhor, mais evoluída, mais tolerante, com mais direitos e respeito. Menos boçalidade e ignorância, ok? E, se quiserem falar em Jesus, lembrem-se da passagem com Maria Madalena e atirem pedras os que não tiverem pecados.




[insira aqui sua hipocrisia], [insira aqui seu comentário religioso], [insira aqui texto da Bíblia], [insira aqui sua falsa moral], [insira aqui o que você fez escondido da sua esposa essa semana],[insira aqui seu preconceito]



Mulheres que não conhecem o GP-Guia, leiam esse texto. Mulheres e homens que se julgam superiores, leiam esse texto. Pessoas em geral que jogam pedras em putas, leiam esse texto.


Nota: a foto dessa postagem é meramente ilustrativa do quanto tenho preconceito com prostitutas e com pornografia e foi tirada em uma visita ao camarim, neste dia.


29 de abr de 2013

reencontros de turma


Semana passada aconteceu um reencontro da minha turma de 8ª série para o qual fui convidada - e cujo convite sequer respondi. O que eu iria fazer em um reencontro de turma da época na qual eu estudava em colégio de freiras se, já naquela época, eu não me relacionava bem com a maioria daquelas pessoas?

Eu detestava aquele colégio. Detestava ser obrigada a ter aulas de religião. Detestava os puritanos falando mal da coleguinha que engravidou. Detestava os coleguinhas chamando pessoas com as quais até hoje mantenho contato de viadinhos. Detestava nos colocarem para assistir Christiane F. para nos alertarem sobre o perigo das drogas – como se qualquer experiência fosse transformar alguém em um viciado em drogas pesadas! Detestava ter que assistir palestras sobre aborto nas quais nos eram mostrados slides de fetos estraçalhados – como se aborto fosse aquilo! Detestava a pregação de que iríamos para o inferno se blábláblá. Jamais, em hipótese alguma, colocaria um filho meu em um colégio religioso.

A liberdade veio com o fim da 8ª série e a mudança para uma escola laica. Já, naquela época, houve um corte e continuei mantendo contato com poucas pessoas do colégio de freiras. Novas pessoas, novas experiências, novas visões de mundo. Veio o vestibular e cada um seguiu seu caminho, cada um escolheu um curso diferente, cada um foi para uma faculdade diferente. Foram poucos os amigos do segundo grau (hoje ensino médio) com os quais continuei mantendo contato na universidade.

A conta tem uma pausa na graduação. Não sei se pela idade, ou por estarmos em uma universidade pública, ou por continuarmos nos encontrando profissionalmente... fato é que o corte diminuiu e há mais pessoas do tempo da graduação com as quais ainda mantenho contato do que do 1º e do 2º graus. Fiz pós depois e, da mesma forma, o corte é bem menor do que na fase escolar que vai até meus 18 anos.

Seja como for, não fui nem mesmo ao reencontro da turma da graduação que marcaram ano passado. Não gosto e não participo de reencontros de turma – seja do ensino fundamental, médio ou superior. As pessoas com as quais tenho algo em comum... essas ainda mantenho contato. Me dar ao trabalho de ir, hoje, em um reencontro de turma da 8ª série seria, no mínimo, ficar gastando meu tempo ouvindo as pessoas falando enquanto minha cabeça voasse longe... e me perguntar “por que mesmo estou aqui?”. Acho que tenho coisas melhores a fazer com meu tempo.

É normal o afastamento... Cada pessoa segue um caminho e nem sempre é possível manter a proximidade. Porém, há aquelas pessoas que, por exemplo, se mudam para outro continente, a gente só encontra uma vez por ano... e continuam tendo tudo a ver conosco, continuam sendo pessoas próximas. Outras passam do prazo de validade – ou porque nós mudamos, ou porque elas sempre foram daquele jeito e nós é que não enxergávamos.

25 de abr de 2013

miopia petista

*o texto abaixo, de autoria de Leandro Fortes, complementa bem esse meu post.


MIOPIA PETISTA

Olha, é terrível ter que concordar com gente como Gilmar Mendes e os especialistas da Globo, entre os quais o inefável Louro José, mas se é para tirar a prerrogativa do STF de decidir pela inconstitucionalidade de emendas constitucionais aprovadas pelo Congresso, é melhor acabar de vez com o STF.

É incrível que o mesmo PT que se borra de medo de discutir o marco regulatório das telecomunicações, que é a raiz da mais grave disfunção social do nosso estágio civilizatório, se lance numa empreitada sem sentido como esta. Imagine, no caso de esta lei ser aprovada, se será possível convocar um plebiscito toda vez que o Congresso derrubar uma decisão de inconstitucionalidade do STF. 

O que o partido conseguiu com essa artimanha de botequim foi atiçar ainda mais a direita hidrofóbica e mesmo conservadores de bom nível em busca de um pretexto para equiparar o governo petista à sanha chavista de controle do Judiciário. "Ditadura, ditadura!" é o que se lê, desde onde, nas redes sociais, quando se sabe que não há ditadura nenhuma, muito menos um ditador para conduzi-la.

O que se tem é a impressão bastante plausível de que o PT decidiu partir para retaliação por conta do resultado do julgamento do mensalão. Reação tardia e equivocada: quem pariu Fux que o embale.

É bem verdade que há um claro desequilíbrio entre o chamado "ativismo judicial" exercido pelo STF e a esperada paridade entre os poderes da República, desde que o Supremo se transformou numa arena onde se digladiam egos sob a batuta e a vigilância da mídia. Mas se é mesmo vontade do PT retomar esse equilíbrio, não será a retirada de prerrogativas básicas do STF o caminho mais razoável.

Por que não tentam algo como acabar com as indicações políticas para os tribunais superiores? Enquanto esses tribunais não forem abrigos de meritocracia, mas de apadrinhamento, continuaremos todos reféns dessa situação.

Montesquieu se revira no túmulo


Há algum tempo, me auto prometi não escrever mais sobre política, não analisar nada do cenário político, não colocar nomes de teóricos e nem fatos históricos por aqui... Nesta quarta, 24 de abril, ao pensar em Montesquieu se revirando no túmulo, foi inevitável descumprir minha promessa. Tentarei, ao menos, ser sucinta e não acadêmica.

Assistir calada ao pastor de chapinha e sombrancelha feita assumir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, ao moto-serra de ouro assumir a Comissão de Meio Ambiente, a condenados no Mensalão fazerem parte da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)... o silêncio não significa que eu não acompanhe o que acontece nesse país – ao contrário, acompanho e, a cada dia, tenho mais medo da não-democracia que estamos nos tornando e que a maioria não enxerga.

Teorias conspiratórias quanto ao recente atentado em Boston todos têm e, no entanto, recusam-se a pensar sobre o Ovo de Serpente que podem estar chocando. Espero, sinceramente, que esta Proposta de Emenda à Constituição(PEC), aprovada na CCJ, não siga adiante. Do contrário, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre inconstitucionalidade de emendas à Carta Magna e súmulas vinculantes serão submetidas ao Congresso e isso, na prática, faz com que os parlamentares tenham direito de derrubar decisões do Judiciário.

Locke, há alguns séculos, teorizava sobre a limitação do poder real e o estabelecimento da separação entre as esferas pública e privada. Montesquieu, que hoje deve estar se revirando no túmulo, teorizava sobre a separação dos poderes, o equilíbrio entre produção das leis (Legislativo), execução (Executivo) e controle da sua aplicação (Judiciário). Cada poder controlaria o outro, para que nenhum deles saísse de sua esfera de atuação ou cometesse abusos.

O que estamos assistindo no Brasil é um completo retrocesso! Sem nenhum exagero, a Idade das Trevas está mostrando o rosto para suplantar o Iluminismo... e a maioria bate palmas! Abram os olhos! O Congresso está querendo retirar poderes do Ministério Público e do STF, coincidentemente, após o Judiciário mostrar ao Legislativo que este último não pode, simplesmente, ficar impune, com a condenação dos responsáveis pelo Mensalão (ainda falta o grande molusco, mas ok). Não soa como retaliação?

Pessoalmente, acho que estamos há tempo demais colocando lobos para cuidarem do rebanho. Pessoalmente, aconselharia a todos refletirem sobre o tal Ovo da Serpente. Se, ainda assim, continuarem cegos quanto ao nosso cenário político atual e, em casos extremos, com seu antiamericanismo gratuito, eu aconselharia a leitura (séria!) de vasta bibliografia sobre totalitarismos e história em geral.







Sobre odiar gratuitamente os americanos, posso, rapidamente, colocar algumas informações, talvez na vã esperança de que enxerguem o conjunto de valores que se está criticando e o que eles representam:

No projeto de constituição que criou os Estados Unidos da América do Norte, aprovado pela Convenção Constitucional de 1787, constava: a República Federativa Presidencialista, o equilíbrio entre os 3 poderes (o executivo, o legislativo e o judiciário) e a existência de uma Suprema Corte com a função de resguardar a Constituição.

No cenário internacional do ocidente, a Independência dos EUA foi importante basicamente por duas razões:
- pela 1ª vez um país adotou os princípios iluministas de forma clara, tanto na luta política, quanto na sua constituição e forma de governo. O Iluminismo ganhou nos EUA uma realidade histórica concreta que, posteriormente, teve continuidade mais visível e radical na Revolução Francesa.
- foi a 1ª colônia a romper com a metrópole, lutando por sua independência. Isso agravou a crise do Antigo Regime na Europa e tornou-se referência, no século XIX, para as independências do restante da América, incluindo a nossa (também a Inconfidência Mineira e suas, digamos, inspirações, não vieram da França ok).







Não tenho como colocar link para todos os textos desse blog que falam em política por motivos simples: falta de tempo e falta de paciência. Lá atrás, quando eu falava do Partido dos Trapaceiros (PT), de suas alianças e de que é importantíssimo para a democracia que haja rotatividade dos partidos no poder, sempre apareciam comentários (nunca aceitos, por sinal) me acusando de elitista e outros ‘istas’. Deixo apenas os links dos que considero mais importantes:
Características dos Governos Não-Democráticos




24 de abr de 2013

manual de sexo


@claraaverbuck  GENTE, TIVE UMA IDÉIA: quem sabe vocês não param pra sempre de escrever guias de como homens/mulheres devem se portar no sexo?


Antes da manifestação acima no twitter, eu nunca havia parado para pensar nisso. Qualquer busca rápida no Google com a expressão "manual de sexo" acha milhões de resultados, desde manuais explicando como fazer sexo oral até manuais de sexo para judeus ultra ortodoxos (??!!!?!).

Eu? Só me dou ao trabalho de ler estas coisas se for para rir – de quem as escreveu e de quem acredita nelas. Motivo simples: sexo não tem manual, fim. Cada pessoa gosta de uma coisa diferente e reage de forma diferente a estímulos iguais. A mesma pessoa pode, inclusive, gostar de coisas diferentes dependendo de quem seja(m) a(s) outra(s) pessoas envolvidas na transa.

Eu mesma não sei até hoje o que funciona para mim. Se eu tivesse que descrever a alguém o que, exatamente, funciona para mim... eu simplesmente não saberia. Sei, apenas, o que funciona ali, naquele determinado momento, com aquela(s) pessoa(s). Sexo é também sensibilidade, é momento... E é, antes de qualquer outra coisa, prestar atenção em si mesmo e no outro.

Para mim, sexo significa apenas isso: SEXO. Já significou loucura, fuga, dor, tentativa de suicídio e até amor. Feliz ou infelizmente, já faz algum tempo que o único significado dessa palavra é o do ato sexual. Gosto de sexo. Simples assim. Amor não é algo que acontece com freqüencia. Tesão, sim. Algumas pessoas satisfizeram apenas minha libido, outras foram além e conquistaram meus sentimentos. Todas elas são parte de quem eu sou.

Que tal largar a visão romântico-burguesa de que o certo é fazer amor e encarar o sexo apenas como sexo? Eu, pessoalmente, tenho pena de quem só faz amor e nunca trepa – é possível trepar quando se ama alguém, sabiam? É muito bom também, mesmo sem amor! Mas essa sou eu e, se nem para mim conseguiria escrever um manual de sexo, imagina para os outros! Como eu poderia escrever um manual de sexo se cada transa, com cada pessoa, é diferente? Se cada transa, com a mesma pessoa, é diferente?

Minha opinião é que as pessoas normatizam tudo demais, criam tabus demais, se preocupam demais... enquanto fazem e sentem de menos. Regras? Em sexo? Só deveria haver uma: façam o que tiverem vontade, consensualmente entre as partes, e fim. Para finalizar, penso que uns fazem... Enquanto outros, insatisfeitos, escrevem manuais e/ou vigiam a vida alheia.


23 de abr de 2013

erotica

EROTICA – álbum lançado em 1992. MIL NOVECENTOS E NOVENTA E DOIS!

O mundo passava por transformações e o álbum falava sobre liberdade sexual numa época Pós-AIDS, onde a barreira da hipocrisia, do preconceito e da falta de informação era enorme. Madonna apontava, novamente, para o preconceito e a hipocrisia.





E aí vem gente querendo me falar que Lady Gaga é visionária, libertária? Então tá...

21 de abr de 2013

Brasília, 53 anos

"Dizem que o morador de Brasília passa por quatro "Ds": deslumbramento, decepção, desespero e, por último, demência. O estágio da demência se manifesta quando o indivíduo passa a gostar da cidade e não se muda mais daqui."
Gilberto Dimenstein



Nota: não passei pelo primeiro D e espero não chegar ao último. Hoje a capital completa 53 anos e minha preguiça de escrever qualquer coisa sobre a data está em nível épico. Fica esse post, apenas para a data não passar em branco.




Textos antigos sobre a cidade:

Texto completo do Dimenstein e informações sobre a cidade AQUI.

17 de abr de 2013

pró-vida ou pró-feto?


Pessoas pró-vida que defendem o direito dos fetos acima dos direitos de qualquer outra pessoa, incluindo os da chocadeira que está carregando o amontoado de células, são contraditórias. Se não, vejamos:

- se o feto crescer e se descobrir homossexual, geralmente perde a simpatia destas pessoas;
- se o feto crescer e cometer algum crime, geralmente perde a simpatia destas pessoas;
- se o feto crescer e precisar de qualquer ajuda psicológica ou financeira, perde a simpatia dessas pessoas.

Os desonestos pró-vida, que tratam as mulheres como chocadeiras, diversas vezes também defendem a pena de morte, pois “bandido bom é bandido morto”. Estas pessoas defendem que desde o momento da concepção o feto é um ser humano, mas querem a redução da maioridade penal jogando o tal ser humano em um sistema desumano.

Pró-vida? De quem? Até que idade? Saiu da barriga, a mãe que se vire e o ex-feto que se foda né...

Que tal serem honestos e denominarem-se pró-feto?



15 de abr de 2013

ativistas e pregadores


Paro de seguir blogs e, ultimamente, tenho parado também de seguir pessoas nas redes sociais (e assim continuarei fazendo) pelo mesmo motivo: cansada de pregadores.

Existe uma linha, muitas vezes tênue, entre ATIVISMO x PREGAÇÃO... e o que tenho observado é que, cedo ou tarde, a pregação começa a utilizar todos os subterfúgios que acusa aos outros em favor próprio. Não tenho nenhuma simpatia por hipocrisia, falsidade, desonestidade e palavras correlatas. A pregação anda de mãos dadas com o fanatismo. Além disso, cansada de abrir Facebook, por exemplo, e ver pregação de gente que é, simplesmente, chata mesmo.

Jamais tive qualquer problema com ativistas – estes usam argumentos, expõem opiniões, dialogam. Podemos chegar ao final de uma discussão sem concordarmos, mas continuamos nos entendendo em nossa discordância, sem que haja ofensas, brigas, falsas acusações. A conversa continua, sempre. Aprendemos. Discordamos e questionamos, sem que haja desrespeito. Defendemos nosso direito à divergência.

Pregadores são diferentes. Não sabem o que significa tolerância. Defendem animais e crianças com discursos de ódio e violência. Lutam pelo fim da violência contra as mulheres com discursos islamofóbicos, racistas e misóginos. São esquerdistas (ou direitistas) míopes, incapazes de ver com clareza falhas e defeitos (seus e de sua oposição). Falam de sua crença (ou falta dela) como se fosse uma verdade universal a ser seguida por todos. Esquecem o bom senso, o respeito. Têm aquela postura maniqueísta que só consegue identificar o mal no outro, nunca em si mesmo. Lhes faltam auto-crítica e coerência.

Fico, agora, com este exemplo (mas eu poderia pegar milhões de outros que pipocam o dia inteiro em atualizações do Facebook e do twitter). A violência obstétrica é uma realidade inegável. Porém, querer convencer os outros a optarem pelo parto humanizado utilizando subterfúgios parecidos com aquele dos que coagem mulheres a optar pela cesárea é muito desonesto. Só há gente infeliz e maltratada tendo seus filhos em hospitais? Todos os partos humanizados são felizes e dá tudo sempre certo? É isso que as fotos do link mostram.

Caros pregadores, que tal montar uma argumentação livre de paixões cegas? Seria algo benéfico ao mundo e, não tenho dúvidas, mais pessoas ouviriam e, quiçá, entenderiam sua mensagem.

7 de abr de 2013

solidariedade homoafetiva


Muita gente me questiona por eu ser solidária à causa gay. Não entendem porque uma caucasiana, classe média alta, heterossexual é solidária aos LGBTT’s. É simples.

Leio uma coisa como ESSA. Não me choca saber de mais um homossexual agredido claramente apenas por sua orientação sexual – isso também acontece com nós, mulheres, diariamente. Agora preste atenção em duas palavrinhas: TAMBÉM e DIARIAMENTE. Deveria ser chocante e não é. Já está tão entranhado em nossa sociedade que, algumas vezes, nem nós, os agredidos, nos espantamos.

Chegamos à segunda parte. Ler o relato. Observar bem as fotos. Ler os comentários. Observar novamente as fotos. Tristeza. Raiva. “Respeitamos sua opção sexual, mas vocês têm que se dar ao respeito” é uma variação do que dizem para nós, mulheres: “Respeitamos sua liberdade, mas vocês têm que se dar ao respeito". Me poupem né... Só fico mais triste do que raivosa em uma única situação: quando vejo homossexuais e mulheres reproduzindo este tipo de discurso.

Quando a vítima não percebe sua condição de vítima, é sinal de que a aculturação (ou a socialização, ou a seja lá o nome que quiserem dar para isso) que legitima essa estrutura patriarcal, machista, ainda vai perdurar por muito tempo. Revolução, talvez?

Enquanto isso, proponho o seguinte: se homossexuais não podem se beijar publicamente, então que seja para todos e heteros também não. Aliás, heteros nem deveriam se beijar, muito menos publicamente, já que as mulheres têm que se dar ao respeito. Ah, e leia também: CALDAS COUNTRY E O ORGULHO HETERO

5 de abr de 2013

em 1989...

Fã de Cazuza e fim. Acho até que teríamos sido grandes amigos e nos encontrado ali no Baixo Leblon de madrugada muitas e muitas vezes. Mas esse não é o assunto desse post.

Baixei o Especial: Prova de Amor, de 1989, e fiquei pensando. Eu era muito novinha, mas me lembro do show inteiro, de ver na TV... mas para mim, naquela época, eram apenas pessoas emocionadas com as músicas bonitas (lado positivo: que bom que, apesar da inocência e de não entender nem as letras e nem o porquê de as pessoas estarem emocionadas, já achava as músicas do Cazuza bonitas né).

 


Em 1989 eu...

Treinava vôlei em 3 lugares diferentes, de segunda a sexta-feira. Aos finais de semana, ia jogar em algum clube (na areia!), ou assistir a algum jogo (na TV e fora dela!). Caminhava até o Pontão para assistir vôlei de praia e voltava caminhando, empolgada.

Era virgem, daquelas meninas assustadas que têm medo até de beijar na boca e nutrem uma paixonite (platônica, obviamente!) pelo garoto mais velho do colégio. Uma boba que tinha vergonha dos seios crescendo e usava camisetas largas para disfarçar.

Assistia Curtindo a Vida Adoidado e torcia sempre pelo Ferris, em todas as vezes que o filme passava na Sessão da Tarde. Mais do que isso: planejava ser como o Ferris e, algumas vezes, como o Cameron, para tocar o foda-se apenas no final.

Via o Pedro Bial em Berlim, ao vivo, durante a queda do Muro e queria ser jornalista para ser como ele... sem imaginar que um dia ele trocaria a vida de correspondente internacional para virar apresentador do BBB.

Assistia ao debate Collor x Lula na TV, depois via todos comemorando a derrota de Lula... sem imaginar que Collor cairia logo após e, alguns anos mais tarde, Lula seria reeleito. Ignorava que o poder corrompe e que nenhum deles faria, de fato, o que defendia antes de ser eleito.



Hoje? Nunca fui mais diferente de tudo aquilo que um dia fui e, ao mesmo tempo, tão igual.

4 de abr de 2013

engodo para mulheres


Título alternativo: Não faça aula de defesa pessoal; compre spray de pimenta! 


Ontem surgiu uma pequena discussão nesse post (recomendo a leitura dos comentários). Tal troca de impressões me fez pensar... Porém, continuo com a mesma opinião: fazer apenas um cursinho rápido qualquer de defesa pessoal é jogar dinheiro fora. Se for para surpreender um estuprador, é mais útil usar um spray de pimenta e sair correndo. Fim.

VIDA BASEADA EM MEDO

Homens podem até achar paranóia certos cuidados e, nesse caso, aconselho a leitura de 50 Actual Facts About Rape e posterior reflexão sobre o assunto. 

A verdade é que todos os seres humanos correm o risco de serem assaltados, espancados, seqüestrados... E sim, eu penso em todas estas coisas quando: evito certos lugares; procuro estacionamento em locais iluminados e nos quais eu consiga visualizar tudo ao redor; prendo o cabelo e me enfeio propositadamente para comprar algo à noite; só vou em farmácia 24hs se ela estiver em local movimentado; ando a pé prestando atenção em cada movimento ao alcance dos olhos e ouvidos; não pego carona com quem não conheço; ando no banco de trás do taxi segurando uma butterfly, preparada para cortar jugular se for o caso; etc. Porém, a primeira coisa que eu penso e que me faz tomar todos estes cuidados chama-se ESTUPRO.

De qualquer forma, me recuso a dizer que a minha vida é baseada em medo já que a maior parte das 24hs de um dia são vividas sem todos os cuidados acima e, se for para basear a minha vida em medo, acho melhor ficar logo trancada em casa e arranjar alguma Síndrome do Pânico. Além disso, não acho que todos os seres do sexo masculino são estupradores em potencial – a maioria não é.

SOCOS E CHUTES

A verdade é que, em geral, um homem não está preparado para a reação e/ou a agressividade de uma mulher. E, em geral, estupradores não usam armas de fogo. Há muitos relatos de mulheres que se livraram de situações de estupro com um único soco ou chute, com uma postura agressiva – os agressores se assustam e fogem ou as mulheres têm tempo de fugir. 

A verdade também é que, em geral, mulheres não sabem dar socos e chutes de forma correta. Noções de como fazer isso podem ser aprendidas em uma única aula ou um mini curso de defesa pessoal? Sim, podem. É melhor fazer uma única aula do que nenhuma? Talvez. No entanto, se for para surpreender um agressor, assustá-lo e fugir, acho mais útil comprar um spray de pimenta do que investir dinheiro em um cursinho de defesa pessoal.

Algumas aulas de defesa pessoal podem até dar alguma noção de como dar um soco, um chute, uma joelhada. Essas aulas, entretanto, não te farão dar soco e/ou chute forte o bastante para machucar ou derrubar alguém e, além disso, socos e chutes dados de forma incorreta podem machucar quem os desfere, não quem os recebe (torci o tornozelo em janeiro passado dando um chute em um saco de areia... e eu sei chutar). Essas aulas podem dar alguma noção de como imobilizar alguém ou torcer o braço desse alguém, mas para fazer estas coisas de verdade, é necessária prática e para praticar é necessário tempo.

Então a pessoa vai lá, faz um cursinho de defesa pessoal, acha que sabe se defender e, um belo dia, é atacada. Vai fazer o quê? Dar um soquinho meia boca e sair correndo? Imagine que essa pessoa é gorda, sedentária, velha... qualquer opção sem muito preparo físico. Vai fazer o quê? Cadê força de explosão muscular para reação bem rápida e sair correndo na arrancada para não parar enquanto não estiver bem longe do agressor? Cadê o fôlego pra continuar correndo?

Já deu para entender porque acho mais útil comprar um spray de pimenta do que fazer um cursinho rápido de defesa pessoal ou preciso desenhar mais?

ARTES MARCIAIS

Sinceramente, em vez de um cursinho de defesa pessoal, é melhor gastar tempo e dinheiro praticando alguma arte marcial por pelo menos 1 ano. Ninguém precisa virar lutadora ou esportista para isso. Basta escolher alguma e ir em frente (para mulheres e visando se defender, eu recomendaria o Krav Magá).

A prática de luta deve ser um hábito e, quanto mais se pratica, mais força e habilidade, destreza, rapidez, etc. Na maioria dos casos, uma aula de defesa pessoal não fará ninguém ter uma reação rápida, eficaz, instintiva. Até mesmo observar o agressor e prever sua movimentação para, então, defender-se, leva tempo e se aperfeiçoa com o tempo. A prática de lutas deveria, inclusive, ser estimulada para as meninas ganharem autoconfiança e domínio de seu corpo, para perceberem que podem bem mais, fisicamente, do que imaginam.

Dificilmente alguém que não domina a própria força e o próprio corpo e, portanto, não sabe como usar a força do agressor e os golpes dele em seu favor, vai sair de uma situação de confronto. Usar golpes corretamente, além de manter a calma, o sangue frio e a concentração não são coisas que se aprendem em um curso de defesa pessoal de curta duração. Pegar noções de defesa pessoal e, na vida real, não saber usar estas noções? É melhor comprar um spray de pimenta! Ademais, dependendo da pessoa, algumas aulas de defesa pessoal podem, na verdade, passar uma falsa sensação de segurança.

Isso não é menosprezar aulas de defesa pessoal. Sim dizer que técnica sem prática não garante nada e não torna reações instintivas para que alguém saiba se defender automaticamente, sem precisar pensar no que vai fazer e, dessa forma, sem dar tempo ao agressor para que ele reaja à sua reação.

PARALELO

Apesar de lá no tal post terem me dito que esta é uma comparação de coisas incomparáveis, a usarei aqui por discordar e achar que sim, são coisas comparáveis e o que muda é apenas a arma utilizada.

No caso de artes marciais usadas como auto defesa, na maioria dos casos a arma é nosso próprio corpo. No entanto, há pessoas que compram armas de fogo para defenderem-se. Fazer um curso de tiro é o bastante para saber manejar bem uma arma? Saber o momento de usá-la? Manter o sangue frio? Concentrar-se para acertar o tiro? Evitar usá-la? Melhor comprar um rottweiller para defender sua casa do que uma arma né... (ou, no caso, melhor comprar um spray de pimenta!)







1 de abr de 2013

desconecte-se um pouco


Feriadão da Semana Santa teve Lollapalloza em Sampa e me lembrou do quanto acho chata essa quase obrigação que temos, atualmente, de estarmos conectados o tempo todo. A realidade virtual, como dito AQUI, vai nos isolando cada vez mais da realidade real. Algumas vezes, acho até que a internet é o preservativo definitivo, pois está diminuindo o contato presencial entre as pessoas.

Não acho normal sentar em um bar e passar mais tempo acessando a internet via celular do que conversando com quem está ali presencialmente. Nem ir para a academia e ficar com o celular em mãos enquanto se exercita. Muito menos viajar e ficar postando fotos em redes sociais o tempo inteiro. Tão pouco fotografar e postar a refeição antes de apreciá-la. Para falar a verdade, não acho saudável alguém ficar o tempo todo conectado, exceto no caso de profissões que exijam isso (como médicos ou jornalistas, por exemplo).

Porém, devo ser um ET, afinal eu é que não estou cumprindo a obrigação de ficar compulsivamente checando emails e Facebook. Eu é que não estou cumprindo a obrigação de estar em uma festa e parar tudo para postar comentários no Twitter ou fotos no Instagram. Eu é que estou errada de enviar sms ou ligar quando quero combinar algo em cima da hora. Nada contra quem faz isso tudo, apenas prefiro não fazê-lo e continuarei não cumprindo essas obrigações que os outros acham que tenho.

Voltando ao início... No feriado, as redes sociais das quais participo viraram uma vitrine de postagens sobre o Lollapalloza. Tenho dúvidas sobre os motivos que levam as pessoas a ficarem postando seja lá o que for sobre um festival enquanto estão lá participando do festival (necessidade de mostrar para os outros? hábito?). Se o Lolla estava tão bom assim, por que gastaram tempo postando fotos e dando uma de narrador? Quando algo - show, festa, refeição, viagem, whatever - está muito bom, não é melhor desligar do mundo, se jogar e curtir?

Qual o próximo passo? Parar a transa no meio, se estiver muito boa, para comentar no twitter? Humanidade, fala sério né...