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30 de abr de 2013

a nova surfistinha e as pedras atiradas nela

Lamento por aquelas mulheres que entram na prostituição por falta de opções – e elas existem aos milhões! Assim como também lamento pelas mulheres que são vítimas do tráfico de pessoas e pelo incontável número de vítimas da prostituição infantil. Porém, se a pessoa tinha outras opções e escolheu fazer isso porque gosta e quis, como é o caso da recém divulgada na mídia Lola, a minha opinião é uma só: isso é problema dela. Simples, não?

Para muitos, parece que não. Os puritanos monogâmicos hipócritas juízes da vida alheia logo juntam as pedras e a verborragia. Destilam suas verdades fabricadas. Citam trechos da Bíblia. Acham mil adjetivos. Promíscua. Dona de sexualidade doente que pratica sadismo. Viciada em sexo. Sem caráter. Indecente. Imoral. Só pode ter um vazio interior muito grande. Autodestrutiva. Mula perfeita para a indústria pornográfica. Denegridora da imagem das mulheres. Portadora de DSTs. Deve procurar Jesus e se curar. Digna de pena. Essas só para citar algumas das coisas que li nos comentários da matéria no G1.

Leio essas coisas e fico em dúvidas: devo rir das concepções pseudomoralistas alheias ou da hipocrisia social reinante? Outra dúvida: devo ter pena das mulheres que a apedrejam? Sim, pois todos estes adjetivos do parágrafo anterior também são aplicados a qualquer mulher que assuma publicamente gostar de sexo, nem precisa ser prostituta para isso. Antes de prosseguir, respondam algumas perguntas:

- Quem procura os serviços de uma garota de programa? Por acaso são ETs?
- Quem troca sexo por jóias, jantares, presentes, bebidas em festas, viagens... Não está se vendendo?
- As garotas de programa correm atrás dos seus namorados/noivos/maridos? Ou é o contrário?
- Fala-se mal de atrizes pornôs e prostitutas... mas elas ganham $$$ para fingir. E as puritanas que fingem para manter seu macho?


De acordo com as opiniões hipócritas, outras pessoas não têm o direito de fazer o que bem entenderem de suas próprias vidas. Escolhas não se discutem se não interferem na vida de ninguém além da vida de quem as fez. Ou os hipócritas acham mesmo que os outros devem viver as vidas deles conforme as convicções hipócritas e princípios hipócritas alheios? Chato ver essa palavra o tempo inteiro, mas é isso mesmo: hipocrisia. Socialmente é muito bonito defender a monogamia, a religiosidade, a família, os valores morais e os bons costumes. Balela!


A maioria dos casais que conheço pratica monogamia unilateralmente e quase sempre quem sai perdendo é a mulher. Sim, aquela mulher para casar, cujo companheiro procura serviços de profissionais ou simplesmente transa com qualquer uma mesmo, sem sequer se preocupar com a saúde da sua mulherzinha que ficou em casa esperando. Não esqueçamos dos dignos homens casados, defensores da moral e dos bons costumes, que buscam serviços profissionais para serem penetrados ou apenas gostam de ser passivos com qualquer um por aí. Pornografia é uma desgraça e uma indecência, mas estão todos ligados escondidos em algum redtube da vida ou, no caso de mocinhas de família, lendo 50 Tons de Cinza (afinal, pornô para mulheres travestido de pretensa boa literatura é aceitável).

Respeito às escolhas individuais, cerne de qualquer democracia de verdade, inexiste pelo visto. Todos querem impor uma verdade absoluta aos outros – e isso vai contra a busca por uma sociedade melhor, mais evoluída, mais tolerante, com mais direitos e respeito. Menos boçalidade e ignorância, ok? E, se quiserem falar em Jesus, lembrem-se da passagem com Maria Madalena e atirem pedras os que não tiverem pecados.




[insira aqui sua hipocrisia], [insira aqui seu comentário religioso], [insira aqui texto da Bíblia], [insira aqui sua falsa moral], [insira aqui o que você fez escondido da sua esposa essa semana],[insira aqui seu preconceito]



Mulheres que não conhecem o GP-Guia, leiam esse texto. Mulheres e homens que se julgam superiores, leiam esse texto. Pessoas em geral que jogam pedras em putas, leiam esse texto.


Nota: a foto dessa postagem é meramente ilustrativa do quanto tenho preconceito com prostitutas e com pornografia e foi tirada em uma visita ao camarim, neste dia.