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15 de abr de 2013

ativistas e pregadores


Paro de seguir blogs e, ultimamente, tenho parado também de seguir pessoas nas redes sociais (e assim continuarei fazendo) pelo mesmo motivo: cansada de pregadores.

Existe uma linha, muitas vezes tênue, entre ATIVISMO x PREGAÇÃO... e o que tenho observado é que, cedo ou tarde, a pregação começa a utilizar todos os subterfúgios que acusa aos outros em favor próprio. Não tenho nenhuma simpatia por hipocrisia, falsidade, desonestidade e palavras correlatas. A pregação anda de mãos dadas com o fanatismo. Além disso, cansada de abrir Facebook, por exemplo, e ver pregação de gente que é, simplesmente, chata mesmo.

Jamais tive qualquer problema com ativistas – estes usam argumentos, expõem opiniões, dialogam. Podemos chegar ao final de uma discussão sem concordarmos, mas continuamos nos entendendo em nossa discordância, sem que haja ofensas, brigas, falsas acusações. A conversa continua, sempre. Aprendemos. Discordamos e questionamos, sem que haja desrespeito. Defendemos nosso direito à divergência.

Pregadores são diferentes. Não sabem o que significa tolerância. Defendem animais e crianças com discursos de ódio e violência. Lutam pelo fim da violência contra as mulheres com discursos islamofóbicos, racistas e misóginos. São esquerdistas (ou direitistas) míopes, incapazes de ver com clareza falhas e defeitos (seus e de sua oposição). Falam de sua crença (ou falta dela) como se fosse uma verdade universal a ser seguida por todos. Esquecem o bom senso, o respeito. Têm aquela postura maniqueísta que só consegue identificar o mal no outro, nunca em si mesmo. Lhes faltam auto-crítica e coerência.

Fico, agora, com este exemplo (mas eu poderia pegar milhões de outros que pipocam o dia inteiro em atualizações do Facebook e do twitter). A violência obstétrica é uma realidade inegável. Porém, querer convencer os outros a optarem pelo parto humanizado utilizando subterfúgios parecidos com aquele dos que coagem mulheres a optar pela cesárea é muito desonesto. Só há gente infeliz e maltratada tendo seus filhos em hospitais? Todos os partos humanizados são felizes e dá tudo sempre certo? É isso que as fotos do link mostram.

Caros pregadores, que tal montar uma argumentação livre de paixões cegas? Seria algo benéfico ao mundo e, não tenho dúvidas, mais pessoas ouviriam e, quiçá, entenderiam sua mensagem.