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29 de abr de 2013

reencontros de turma


Semana passada aconteceu um reencontro da minha turma de 8ª série para o qual fui convidada - e cujo convite sequer respondi. O que eu iria fazer em um reencontro de turma da época na qual eu estudava em colégio de freiras se, já naquela época, eu não me relacionava bem com a maioria daquelas pessoas?

Eu detestava aquele colégio. Detestava ser obrigada a ter aulas de religião. Detestava os puritanos falando mal da coleguinha que engravidou. Detestava os coleguinhas chamando pessoas com as quais até hoje mantenho contato de viadinhos. Detestava nos colocarem para assistir Christiane F. para nos alertarem sobre o perigo das drogas – como se qualquer experiência fosse transformar alguém em um viciado em drogas pesadas! Detestava ter que assistir palestras sobre aborto nas quais nos eram mostrados slides de fetos estraçalhados – como se aborto fosse aquilo! Detestava a pregação de que iríamos para o inferno se blábláblá. Jamais, em hipótese alguma, colocaria um filho meu em um colégio religioso.

A liberdade veio com o fim da 8ª série e a mudança para uma escola laica. Já, naquela época, houve um corte e continuei mantendo contato com poucas pessoas do colégio de freiras. Novas pessoas, novas experiências, novas visões de mundo. Veio o vestibular e cada um seguiu seu caminho, cada um escolheu um curso diferente, cada um foi para uma faculdade diferente. Foram poucos os amigos do segundo grau (hoje ensino médio) com os quais continuei mantendo contato na universidade.

A conta tem uma pausa na graduação. Não sei se pela idade, ou por estarmos em uma universidade pública, ou por continuarmos nos encontrando profissionalmente... fato é que o corte diminuiu e há mais pessoas do tempo da graduação com as quais ainda mantenho contato do que do 1º e do 2º graus. Fiz pós depois e, da mesma forma, o corte é bem menor do que na fase escolar que vai até meus 18 anos.

Seja como for, não fui nem mesmo ao reencontro da turma da graduação que marcaram ano passado. Não gosto e não participo de reencontros de turma – seja do ensino fundamental, médio ou superior. As pessoas com as quais tenho algo em comum... essas ainda mantenho contato. Me dar ao trabalho de ir, hoje, em um reencontro de turma da 8ª série seria, no mínimo, ficar gastando meu tempo ouvindo as pessoas falando enquanto minha cabeça voasse longe... e me perguntar “por que mesmo estou aqui?”. Acho que tenho coisas melhores a fazer com meu tempo.

É normal o afastamento... Cada pessoa segue um caminho e nem sempre é possível manter a proximidade. Porém, há aquelas pessoas que, por exemplo, se mudam para outro continente, a gente só encontra uma vez por ano... e continuam tendo tudo a ver conosco, continuam sendo pessoas próximas. Outras passam do prazo de validade – ou porque nós mudamos, ou porque elas sempre foram daquele jeito e nós é que não enxergávamos.