Páginas

7 de abr de 2013

solidariedade homoafetiva


Muita gente me questiona por eu ser solidária à causa gay. Não entendem porque uma caucasiana, classe média alta, heterossexual é solidária aos LGBTT’s. É simples.

Leio uma coisa como ESSA. Não me choca saber de mais um homossexual agredido claramente apenas por sua orientação sexual – isso também acontece com nós, mulheres, diariamente. Agora preste atenção em duas palavrinhas: TAMBÉM e DIARIAMENTE. Deveria ser chocante e não é. Já está tão entranhado em nossa sociedade que, algumas vezes, nem nós, os agredidos, nos espantamos.

Chegamos à segunda parte. Ler o relato. Observar bem as fotos. Ler os comentários. Observar novamente as fotos. Tristeza. Raiva. “Respeitamos sua opção sexual, mas vocês têm que se dar ao respeito” é uma variação do que dizem para nós, mulheres: “Respeitamos sua liberdade, mas vocês têm que se dar ao respeito". Me poupem né... Só fico mais triste do que raivosa em uma única situação: quando vejo homossexuais e mulheres reproduzindo este tipo de discurso.

Quando a vítima não percebe sua condição de vítima, é sinal de que a aculturação (ou a socialização, ou a seja lá o nome que quiserem dar para isso) que legitima essa estrutura patriarcal, machista, ainda vai perdurar por muito tempo. Revolução, talvez?

Enquanto isso, proponho o seguinte: se homossexuais não podem se beijar publicamente, então que seja para todos e heteros também não. Aliás, heteros nem deveriam se beijar, muito menos publicamente, já que as mulheres têm que se dar ao respeito. Ah, e leia também: CALDAS COUNTRY E O ORGULHO HETERO