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6 de mai de 2013

Bolsa Família

O Bolsa Família está completando 10 anos e já chega à segunda geração de beneficiados. Antes de prosseguir, esclareço uma coisa: não sou contra este programa e nem contra qualquer outro programa que vise melhorar a vida de pessoas miseráveis. Não acho que esses programas são uma inutilidade ou dinheiro mal gasto dos impostos da pobre classe média que tanto sofre. Também não acho que o Bolsa Família seja um demérito para a democracia por si mesmo, muito menos apenas um programa gerador de curral eleitoral, como muitos dizem.

O Bolsa Família tem, entretanto, um erro gravíssimo e estar já na segunda geração de beneficiados deixa este erro ainda mais claro. Ele não capacita as pessoas para andarem com as próprias pernas e, dessa forma, está criando gerações de dependentes dessas migalhas - sim, esse dinheiro, a médio e longo prazos, se outras medidas não forem adotadas, é nada mais do que migalhas jogadas aos pobres que continuarão pobres. Perpetuação da miséria sim, caso investimentos sérios em outras áreas continuem não sendo feitos.

É simplista dizer que o Bolsa Família é, na verdade, um clientelismo explícito. Acaba sendo isso também, mas não só. Eu, pessoalmente, acho uma crueldade o que o governo faz com o povo e eles não têm condições de compreender isso. Do jeito que as coisas andam, sem investimentos sérios em outras áreas, chegaremos à terceira geração de beneficiários do Bolsa Família. Não seria algum tipo de escravidão ficar preso, dependente de um programa assistencialista desses, por gerações?

Transferência de renda de verdade, a médio e longo prazos, se faz com investimentos sérios em educação, infraestrutura e geração de empregos. Em dez anos, isso já teria provocado muitas mudanças. Porém, neste período viramos penúltimos do mundo em educação, a infraestrutura de produção foi sucateada e a geração de empregos é financiada pelo endividamento da população e aumento da dívida interna, sem nenhuma sustentabilidade.

Palmas para o PT! E palmas para quem acha bonito estarmos já na segunda geração de beneficiados pelo Bolsa Família, sem investimentos sérios e qualitativos no que precisava ser feito, para que não houvesse necessidade de uma segunda e, provavelmente, terceira geração recebendo esse benefício.