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13 de mai de 2013

instinto materno

Quando uma mulher engravida, todas as responsabilidades sobre a gravidez recaem sobre ela. É a mulher que deve cuidar da saúde, se alimentar direito, se comportar como mãe (seja lá o que isso significa!). Se a gravidez acontecer sem planejamento, piora um pouco. As cobranças e os julgamentos da sociedade são todos direcionados a ela.

Discursos comuns: “Engravidou porque quis”, “Devia ter se protegido”, “Vai cuidar como de uma criança?”, “Está dando o golpe da barriga”. Bláblábláblá.

Em todos os casos e, especialmente, naqueles em que não houve planejamento e a gravidez foi fruto de um, digamos, acidente, falta uma peça. Ou será possível uma mulher se auto fecundar? Engravidar do vibrador? Por que nunca é o homem que devia ter se protegido? Por que nunca é o homem que engravidou alguém porque quis? Por que nunca se pergunta como o homem vai cuidar de uma criança?

Mãe solteira é puta. Pai solteiro nem é chamado de pai solteiro. E vejam só, para o homem, é ainda mais fácil evitar filhos do que para a mulher por 2 motivos: ele não vai engravidar MESMO e basta usar uma camisinha. Não usou, a mulher engravidou e ela é que foi irresponsável? O plural foram não seria mais adequado?

A mãe passará 9 meses por mudanças físicas, hormonais, emocionais. Depois usará seu corpo para alimentar os filhos. E passará o resto de sua vida cuidando dos filhos, preocupada com eles. Ainda assim, se não for mãe em um relacionamento monogâmico estável, será “mal dita” (de maledicência mesmo)... enquanto o homem nem precisa ser pai se não quiser, pode servir apenas como doador de esperma mesmo.

Se em geral homens casados que criam seus filhos junto com a mulher ainda deixam a maior parte das funções de cuidar e educar para as mães, imagina os outros! Eles podem não assumir os filhos, abandonar a grávida antes ou depois do nascimento, ser pai de fim de semana, de quinzena ou só de férias.
 
Dessa forma, nada mais justo que seja também a mulher, e somente ela, a decidir sobre a manutenção ou não de uma gravidez. Ainda que soe subversivo para alguns, sou radical nesse assunto: para mim homens simplesmente não devem opinar sobre o assunto aborto enquanto forem incapazes de engravidar.

Essas palavras mal escritas e descoordenadas entre si são apenas para dizer um FELIZ DIA DAS MÃES (propositadamente no dia errado) a todas aquelas que são, de fato, mães. Quiseram ser mães e cabem, perfeitamente, no que já escrevi aqui. E para desejar que, em um futuro não muito distante, aquelas que não quiserem ser mães não precisem ser coagidas a isso. Feliz dia das mães e das não-mães... e que esse dia possa acontecer, com liberdade para as duas, 365 vezes ao ano.