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27 de jun de 2013

fique só

Não gosto de escrever sobre sexo. Qualquer coisa relacionada a sexo é feio, é pecado. Mulher bem resolvida nesse quesito então... queime na fogueira! A Santa Inquisição está em todos os lugares, tal como estavam os delatores durante o stalinismo. Porém, senti necessidade de falar sobre algumas coisas que não são propriamente sexuais quando uma conhecida veio desabafar o grande problema que estava tendo com o namorado.

Aí a moça veio, enfurecida, reclamar comigo que o namorado gosta de ver filme pornô à noite para relaxar... Veja bem: reclamar, COMIGO!?!?? Dois erros gravíssimos na mesma sentença! Não gosto de reclamações sobre estes hábitos. Gosto de filmes pornô à noite para relaxar. Dessa forma, reclamar comigo não é o mais indicado.

Sinceramente? Se ele só quer dar uma gozada e fim, é melhor mesmo assistir um pornô e se masturbar. Melhor do que agir como se a parceira fosse uma boneca inflável. Dica: deixar a hipocrisia de lado. Sejamos realistas: todos têm aquele momento, aquele dia, que queremos apenas dar uma gozada. Surgem duas questões.

Por que tratar alguém apenas como uma boneca inflável? Um vibrador? Acho desrespeitoso tratar até as prostitutas como se fossem apenas receptáculos de esperma, com a justificativa de que estão pagando pelo serviço... É desonesto. Por que incluir outra pessoa em um ato solitário? Incluir outra pessoa quando você não quer interagir com ninguém? Admito: já tratei gente apenas como vibrador... e, por isso mesmo, aprendi que até para mim mesma é melhor quando não estou egoísta.

Se for para fazer sexo, casual ou não, sem se preocupar com o(s) outro(s) envolvido(s), é melhor não fazer. Em dias nos quais se está tomado pelo egoísmo e a vontade de estar só, pratique atividades recreativas adultas solitárias. Ninguém ficará decepcionado, ninguém se arrependerá. Bem mais seguro e saudável.

A outra questão é... Por que inventar DRs por causa de filmes e revistas pornôs? Conversas? Uma sociedade na qual os sentimentos de posse (no caso dos homens) e insegurança (no caso das mulheres) são predominantes e estimulados desde cedo... não pode ser uma sociedade saudável. Some-se aos anteriores o medo (no caso de homens e mulheres, embora por diferentes motivos). É esta a sociedade que você acha civilizada?

Eu, pessoalmente, acho meio patológica essa vigilância da vida sexual alheia. Dentro de um relacionamento então... É simples: o acordo de vocês é a monogamia? Basta não trair. Isso é ser fiel ao acordo. Colocar filmes, revistas, conversas em chats, conversas com outras pessoas... Enfim, colocar todas essas coisas no mesmo patamar de uma traição é neurose, não? Querer ser dono do outro e influir na sua vida sexual a este ponto? Não, definitivamente não.


A conclusão é a mesma: compre uma boneca inflável ou um vibrador. No primeiro caso, você não está bem preparado para usufruir o melhor que o ato sexual tem a oferecer. No segundo, quem quer tomar conta do orgasmo alheio é porque não está tendo os seus próprios. Em todos os casos: masturbe-se mais. 

19 de jun de 2013

sem abandono não há mudança

“Eu morreria feliz se eu visse o Brasil cheio, em seu tempo histórico, de marchas. Marcha dos que não tem escolas, marcha dos reprovados, marcha dos que querem amar e não podem, marcha dos que se recusam a uma obediência servil, marcha dos que se rebelam, marcha dos que querem ser e estão proibidos de ser. (…) Eu acho que essas marchas nos afirmam como gente, como sociedade querendo democratizar-se.”
Paulo Freire (1921-1997)

Discordo dele? De forma alguma. Concordo com todas estas palavras, TODAS. Meu problema é outro. Não tenho mais a visão romantizada que eu tinha aos 20 anos – e isso se reflete em minha visão sobre tudo, de amor à política... e ao povo. Não vejo mais a entidade ‘povo’ de maneira romântica, revolucionária. Não vejo mais a entidade ‘elite’ de forma maniqueísta.

Pessimismo. Pragmatismo. Realismo. Ceticismo. Cinismo. Escolha o seu ‘ismo’ e coloque o rótulo de sua preferência. A elite sempre estará ao lado de quem estiver no poder; é assim que ela se mantém elite ao longo do tempo. A elite sempre usará o povo como massa de manobra; é assim que ela se mantém elite, mesmo que esse povo assuma o poder. E quando esse povo assume o poder por meio de sua liderança carismática, o que seu líder geralmente faz? Alia-se com a elite.

Abre parêntese.
Não entenda aqui elite do ponto de vista puramente marxista, mas sim como o enfoque alternativo de Estado proposto por Gramsci:* “Todo o complexo de atividades práticas e teóricas com o qual a classe dominante não somente justifica e mantém seu domínio, mas procura conquistar o consentimento ativo daqueles sobre os quais exerce sua dominação.”
Fecha parêntese.

Escolhido o ‘ismo’ de sua preferência, esclareço que não sou contra manifestações. Porém, penso que elas acabarão em pizza e aguardo, ansiosamente, o resultado das eleições em 2014, como já disse AQUI. Brasileiro é imediatista, individualista (o que é diferente de cultivar sua individualidade) e, podem discordar, mas é educado, desde pequeno, a não ter senso de coletividade. Ou alguém recebeu punição por escrever nas carteiras das escolas? Nas portas dos banheiros? Por chamar o colega de viadinho e aquela menina da saia curta de piranha? Por furar a fila do cinema?

São os exemplos do cotidiano que refletem uma totalidade maior, como naquela velha história de “de grão em grão, a galinha enche o papo” – no qual o que importa não é o todo, mas o eu. Isso é uma falta de senso de coletivo e de respeito à individualidade alheia sem tamanho! Qual a dificuldade de entender que se todas as galinhas quiserem toda a comida, algumas passarão fome e outras, no fim das contas, explodirão? A metáfora não é clara?

Passar a mão na bunda ou segurar pelo braço em uma balada é abuso, embora socialmente não seja visto dessa forma já que existem muitos praticantes desse tipo de assédio nojento. Isso abre as portas para que estupros sejam crimes toleráveis, nos quais se busca culpabilizar a vítima. Ok, essa metáfora está mais difícil. Em resumo: pequenas infrações cotidianas são a base de uma sociedade na qual absurdos como um mensalão sejam crimes toleráveis. A vítima? O povo. Este continuará sendo manipulado e um dos motivos é, exatamente, por achar as pequenas infrações cotidianas algo normal, aceitável e, algumas vezes, desejável.

Outro motivo? A liderança carismática que temos continua sendo o Lula. Acho incrível como as pessoas, em geral, conseguem dissociar Lula dos governos Dilma e Haddad e, até mesmo, do PT e da questão dos gastos com a Copa. Metalúrgico? Homem do povo? Ok, tão revolucionário e defensor de suas causas quanto nossa presidente da luta armada. Ou alguém viu a Dilma se posicionando, firmemente, pelos direitos das mulheres? Então... suas causas, não nossas. Que me desculpem os míopes, mas fomos às ruas e pedimos o impeachment de um presidente por bem menos do que o molusco foi suspeito de participar...




Não acho que ocorrerá nenhuma mudança substantiva no curto prazo. É uma crítica? Talvez. Não necessariamente negativa. E, antes de qualquer outra coisa, é uma observação, apenas. Pessoal e intransferível. Como isso tudo vai acabar? A verdade é que ninguém sabe. Podemos, no máximo, fazer previsões a partir de pontos de vista diversos. Leiam esse texto excelente: O Futuro se escreve nas Ruas.

A festejada Primavera Árabe mostrou, mais uma vez, que em análises políticas sempre devemos ter cautela, além de observar variáveis e conhecer opiniões distintas. Gosto de análises históricas. Gosto de pensar sempre no Ovo da Serpente. Prefiro pensar no que significou ser uma cara pintada... no que mudou, no país, desde 1992 e minhas descobertas simultâneas. Álcool. Cigarro. Vida noturna. Protestos. Política. Os primeiros desrespeitos a regras com as quais não concordava. Não vão nos deixar sair do colégio para ir à passeata? Pulamos cercas e portões. Não vai me deixar sair a noite por que fugi do colégio e fui à passeata? Beijo, tchau.

O que mudou no país nos últimos 20 anos? O que piorou? O que melhorou? Sem maniqueísmo, afinal bem e mal não existem (ou coexistem, segundo algumas crenças). Todas as coisas trazem algo positivo, algo negativo, algo neutro... Na ausência de mudança, a continuidade. Quem não pensa nessas coisas, cotidianamente, é um tolo. O diário faz mais diferença, em médio e longo prazos, do que uma manifestação de vez em quando. A questão é: o brasileiro está preparado para abandonar as pequenas infrações cotidianas? Sem esse abandono, não há mudança.







O brasileiro está preparado para respeitar mulheres, homossexuais, negros? Hoje vi uma pessoa, em rede social, pedindo para pararem com estas marchas de movimentos particulares e defenderem uma causa que é de todos – argumentava-se basicamente parar estes movimentos feministas, LGBTs e negros, pois a causa de todos com o gigante acordado é mais vital (e essa pessoa foi maciçamente apoiada em comentários). Me desculpem, mas um país no qual negros, LGBTs e mulheres NÃO são considerados como TODOS não tem nenhum senso de coletividade MESMO! Só mulheres são aproximadamente 51% da população... some-se negros e LGBTs e teremos quantos? E ainda não são considerados como TODOS e causas vitais? I rest my case.


“Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder.”




*breve resumo sobre o pensamento de Gramsci AQUI.






Exemplo de pequena infração cotidiana que atenta contra a coletividade:
Banheiro coletivo – em clube, bar, shopping, rodoviária, posto de gasolina, repartição pública, os químicos na rua – não seria uma coisa mais agradável e higiênica se todos que o usassem também cuidassem dele? Pensassem que outra pessoa depois vai usá-lo? Pensassem que futuramente podem ser essa pessoa que depois vai usá-lo? O banheiro não melhora para o indivíduo, se melhorar para todos?
Faça um banheiros coletivos tour por aí. Depois me diga se as pessoas pensam que podem ser as próximas a precisar de um banheiro. Pergunto-me sempre se na casa delas é assim que agem, como suínos...






Teoria da Conspiração Reaça:
Vocês, que adoram Teorias da Conspiração, prestem atenção na minha.
Se as manifestações continuarem ocorrendo e aumentando de tamanho, o ex vai cada vez mais posicionar-se de modo a defender aliados políticos municipais (prefeitos, para os ruminantes). Vai silenciar, cada vez mais, sobre o governo central. Resumindo: defesa aos aliados cresce e, na proporção inversa, defesa de Dona Dilma diminui. Quanto mais reverberem as manifestações, mais isso ocorrerá. Pode, em última instância, terminar até em algum rompimento entre Dilma e PT ou Mosluscos se lançando por outro partido.
Por quê? Personalidades messiânico-populistas, como nosso ex, estão, de certa forma, descolados de partidos. A meta final não é o partido, mas o poder. Pessoal. Não duvido nada nosso ex, com sua personalidade carismática, aproveitar a queda de popularidade da nossa atual para, em sua usual fanfarronice, lançar-se candidato em 2014.
Quem viver, verá.
Li por aí (e ri): "em um futuro muito próximo o aspecto messiânico do PT/Lulismo vai se fundir com o neo-pentecostalismo da universal". 







12 de jun de 2013

dia dos namorados

“Às vezes assusto-me com a tenuidade das relações afetivas (e aqui não apenas as conjugais, como também as de pura amizade).
Parece que cada vez menos motivo é capaz de pô-las em xeque, como se fossem plenamente substituíveis. Que tipo de perfeição querer no outro, quando nós mesmos temos muito mais defeitos do que fios de cabelo? [aos carecas, lembrem-se dos que já tiveram um dia]
O verdadeiro elo jamais se deixa ruir por falhas vãs.” *

*copiado do perfil do Raphael Borges, no Facebook.


Roubando a fala – ou melhor, tomando-a emprestada. Para falar das efemeridades. Do quanto até o grande amor da nossa vida pode ser, simplesmente, efêmero. Ainda assim, não sei o que dizer. 

O efêmero talvez não exista como gostaríamos. Talvez seja uma invenção humana, aperfeiçoada na contemporaneidade, para fugir do enfrentamento. Não sejamos inocentes. Quase sempre, o defeito que não toleramos no outro, é nada mais do que um reflexo nosso, do que não toleramos em nós. Estaríamos cada vez mais intolerantes conosco?

A busca pela perfeição estética, transformada em parte intrínseca de nossa sociedade, normatizada, aceita... essa busca não seria, também, uma forma de minimizarmos nossos defeitos? Projetar no outro nossa necessidade de perfeição seria o quê? Começo a pensar que o estético é só a ponta do iceberg de um problema bem maior... lembro das leituras da época da Comunicação, de Edgar Morin.

Estamos, sim, vivendo o fenômeno da multidão solitária. Relações de contigüidade, que não se aprofundam e tornam-se cada vez mais descartáveis. E, se o outro não se encaixar no que espero dele, adeus? Acredito que a questão seja um pouco diferente. Perfeição é uma palavra mentirosa, inexistente. Defeitos estão em tudo, em todos... Quais deles são tranquilos para convivência? Quais são insuportáveis?

Não me preocupo quando vejo pessoas, do alto dos seus 18-20 anos, reclamando da efemeridade das relações... isso é normal! Tudo é mais intenso quando somos mais jovens, as decepções, os amores, as raivas... Felizmente, vários descobrem, com o tempo, que amar é: reconhecer e aceitar os defeitos daquela pessoa tão imperfeita quanto você, e que a aceitação das deficiências é recíproca e existe para crescimento pessoal de ambos.

Via de mão única não é amor. Inclua, aqui, família e amizade. São relações, assim como as conjugais, nas quais é necessário que haja amor, verdadeiro. Via de mão dupla. Cooperação. Aceitação. Respeito. Confiança. Sinceridade.

Então, de repente, olho ao meu redor e vejo, nesta data comercial, muitas pessoas sentindo-se como leprosas, por estarem solteiras... Ao mesmo tempo, vejo casais nos quais os cônjuges estão absolutamente sós.

Acho que o ser humano está tão culturalmente socializado a procurar sua metade que se esquece de que pode (e deve!) ser inteiro. Outra pessoa não vem para completar, vem para somar. E, sinceramente, pelo que vejo por aí, juntos e, ao mesmo tempo, sozinhos... comodismo ou medo de ficar sós?... vivendo uma monogamia de fachada... Sinceramente, esses teatros não são para mim.

Aos que estão juntos porque felizes, inteiros... digo apenas que aproveitem a data comercial como mais uma desculpa para cultivarem o amor. Quando lembrarem de Bukowski, pensem que quando somos nossa melhor forma de entretenimento, inteiros, confortáveis com o que somos... só então alguém se sentirá da mesma forma em relação a nós.


"Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar." Charles Bukowski

10 de jun de 2013

direito à vida

As pessoas, cegas em suas paixões, tratam o assunto como se a vida fosse só o biológico... esquecem-se do humano. E o humano engloba palavras que deveriam ser, idealmente, componentes essenciais da vida em uma sociedade igualitária, que tratasse a todos da mesma forma, dando a todos os mesmos direitos e cobrando de todos os mesmos deveres.

O direito à vida não pode ser resumido à sobrevivência... se assim o for, deixamos nossa humanidade de lado. Além disso, constitucionalmente, o Brasil tem como fundamento a dignidade da pessoa humana – a vida inclui o direito a uma existência digna, tanto sob o aspecto material, quanto espiritual. Por sinal, a garantia do mínimo necessário a uma existência digna é corolário do Estado Social Democrático.

O direito individual à vida tem aspecto duplo: biológico (que se desdobra em direito à saúde, vedação à pena de morte, proibição do aborto, etc) ; condições espirituais e materiais mínimas (educação, cultura, meio ambiente saudável, inviolabilidade da intimidade, etc). A doutrina entende que a vida intra-uterina está inclusa no conceito de direito à vida. Veja bem: intra-uterina, não embrionária. Excluem-se portanto, embriões in-vitro – o legislador original e a doutrina foram mais inteligentes do que os ruminantes que escreveram aquele Estatuto do Nascituro? Queridos fanáticos religiosos desse país: a proteção ao feto já está prevista na nossa carta magna, caso não tenham percebido.

Sobre a legalidade, apesar da religiosidade, que envolve esse assunto... Ouso dizer, filosoficamente, que os casos nos quais o aborto é permitido – estupro, risco de vida da mãe e, mais recentemente, anencéfalos  - o são somente porque a manutenção da gravidez seria um preço muito alto a pagar para os próprios homens.

Ter uma mulher estuprada por perto, grávida, é uma desonra muito grande. Sua namorada/noiva/esposa? Sua filha ou irmã? Pensa-se no risco de vida para a mãe... ou em como a criança será criada sem mãe? Na vida da mulher... ou em “se ela morrer, o feto também morre”? Pensa-se no abalo psicológico de uma grávida de um feto inviável... ou apenas na inviabilidade do feto? A criança que te desonra, a criança que vai te dar trabalho ou nem vai nascer, a criança que nascerá morta. Que homem escolheria alguma dessas crianças como filho? Que mulher escolheria? Pois é, há mulheres que escolhem esses filhos, ainda que nasçam mortos, coloquem sua vida em risco ou as desonrem. 

Queridos que justificam a existência do Estatuto com as desculpas de cuidados com as mulheres: exceto o que apelidaram como “bolsa estupro”, todo o resto já está previsto em nossa legislação. Mas como em toda república democrática com leis para inglês ver, existe apenas no papel. E sim, entendam a última sentença com dubiedade, já que essa nossa democracia de nação deseducada e ignorante é para inglês rir.

Acho que a parcela pró-estatuto da população deveria ocupar seu tempo com coisas mais úteis e menos desnecessárias. Que tal cobrar melhores condições de saúde, educação e segurança para os já nascidos? O feto, dentro do útero, já tem seus direitos constitucionalmente protegidos. Que tal visitar orfanatos antes de decretar que uma mulher deve passar 9 meses grávida e dar o fruto do estupro para adoção? Se não tem empatia pela mulher, tenha pelas crianças amontoadas, sem condições de vida dignas sob nenhum ponto de vista (material e espiritual). Que tal visitar grupos de apoio às vítimas de estupro antes de decretar que é fácil pensar em ter um filho sob estas condições?

Para todos: que tal parar de ser leitores ou jornalistas da Veja? Quanto sensacionalismo! Que tal se guiar menos por paixões e mais por realidades? A realidade é – ou deveria ser – que ninguém pode tirar o direito adquirido por outro. Se resolver lutar, lute para adquirir mais direitos, não para cercear o direito alheio. A realidade é: dificilmente esse estatuto, cheio de equívocos e inconstitucionalidades, será aprovado ao final de todo o processo e, caso seja, dificilmente ficará em vigor. O Supremo já declarou inconstitucionalidades mais leves do que as desse estrume jurídico estatuto.

Fim, apesar de inacabado e inconcluso. Neverending subject.




Lembrete importante: que tal abandonar a necessidade quase patológica de querer controlar a vida alheia, por gentileza? A liberdade alheia ofende tanto que é preciso controlar a vida da outra pessoa? Pragmaticamente falando, o que muda na minha vida se a vizinha fizer um aborto ou tiver um filho? O máximo de mudança que a escolha dela vai interferir na minha vida é ter um bebê berrando de madrugada e atrapalhando meu sono. Por que, então, eu teria o direito de dizer a ela para abortar ou ter um filho? Um pouco de pragmatismo, de vez em quando, faz bem.

reflexões jurídicas: do direito à vida - eu tenho a minha, você tem a sua, ninguém se intromete na alheia. Pode ser?