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17 de jun de 2013

viva a revolução!

Título alternativo: exercitando a Liberdade de Expressão, o sarcasmo e a crítica


Em 83/84, o povo queria democracia. Em 92, fim da corrupção e sua punição simbólica, o impeachment. Em 2002, queria-se mudança, desejo demonstrado de forma silenciosa, com a eleição de um líder da esquerda. Em 2013, alguém sabe a pauta?

A pergunta é séria.

Passe livre?
Preço das passagens?
Violência policial?
Fim da corrupção?
A direita está se apropriando do movimento?
Redução da maioridade penal?
Violência policial?
Falta de investimentos em transporte público?
Liberdade de imprensa?
Liberdade de expressão?
Direitos Humanos?
Direito de ir e vir?
Melhoria na saúde e na educação?

Essas são as poucas demandas dos manifestantes que vi e fui capaz de lembrar agora. Pensando rapidamente, só (?) isso. Qual é a pauta dessas manifestações? Alguém sabe? Ou fica tudo difuso como a informação disponível na internet, qualitativamente duvidosa, embora em grande número?

Sabe o que me parecem esses gritos no estilo de “Muda Brasil, a tua hora já chegou!”??? Palavras vazias, jogadas ao vento. Nas últimas décadas, em intervalos de aproximadamente 10 anos, o país teve importantes mudanças no cenário político. A julgar pelo número de pautas difusas nas manifestações, parece que isso não se refletiu em mudanças para o país.

Espero estar errada, mas caso meu ceticismo retrate a realidade, em 2014 o país receberá carimbo para continuar sendo esse picadeiro. Os próprios palhaços carimbarão. “Empregos cabide”, “bolsas isso e aquilo”, “vagas em órgãos públicos”... tudo será mais importante do que a mudança. O povo não mudou. Continuam vivendo em um coronelismo moderno, no qual troca-se voto por vantagens pessoais. Continuam desrespeitando leis de trânsito; falsificando carteira de estudante; jogando lixo nas ruas, praias e cachoeiras; depredando escolas; roubando livros de bibliotecas; apresentando atestado falso; furando fila; deixando a bosta (literalmente) do seu cãozinho na calçada; infindáveis exemplos.

O povo brasileiro ainda não desenvolveu o senso de coletividade – e essa é sua maior fraqueza. A falha, no dia a dia, em perceber do que é feita uma coletividade, faz com que essa hora da mudança brasileira esteja sempre no futuro. O voto por vantagens pessoais é só mais uma das coisas que os brasileiros fazem pensando em si, ignorando que se melhorar para o todo, melhorará também para si.

Exemplo idiota, mas ilustra bem. Teoricamente, as quadras comerciais da cidade onde moro deveriam ter duas pistas descendo e duas subindo as ruas. O trânsito fluiria melhor. Existem os aleijados que não podem estacionar dentro das quadras residenciais e andar alguns metros, então eles estacionam em fila dupla. As quatro pistas transformam-se em duas. O trânsito piora para todos, inclusive para aquele aleijado, quando for outro como ele estacionado em fila dupla.

Entendeu ou precisa desenhar? Se a resposta corresponder à segunda opção, favor dirigir-se ao setor de ruminantes. Caso contrário, não seja mais um palhacinho a carimbar o passaporte circense nas próximas eleições. Peço desculpas, antecipadamente, aos otimistas... mas eu não acho que o país esteja manifestando nenhuma consciência política. Aguardemos a resposta do tempo...

Hoje os manifestantes estão ali, na cúpula do poder legislativo, gritando "Ahá, uhu, o Congresso é nosso"??? Quero só ver votando em 2014. Vejamos se a anestesia mental se refletirá, de novo, nas urnas... ou não. Meu ceticismo espera, infelizmente, por nada além do que mais do mesmo nas eleições vindouras. Gostaria que a cética fosse surpreendida...







DICA: O Gigante acordou? Um gigante burro, acordado, não diz muita coisa.

NOTA: se não conseguiu entender que a palavra aleijado estava sendo usada de maneira irônica, lamento... Indico pastos.