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24 de ago de 2013

livro aleatório - gatos

“Ao meio-dia desliguei o telefone para me refugiar num programa especial: a rapsódia para clarineta e orquestra de Wagner, a de saxofone de Debussy e o quinteto de cordas de Bruckner, que é um remanso edênico no cataclismo da sua obra. E de repente me encontrei envolto nas sombras do estúdio. Senti deslizar debaixo da minha mesa algo que não me pareceu um corpo vivo e sim uma presença sobrenatural que roçou meus pés, e saltei com um grito. Era o gato com sua bela causa empenachada, sua lentidão misteriosa e sua estirpe mítica, e não consegui evitar o calafrio de estar sozinho na casa com um ser vivo que não era humano.”
Gabriel García Márquez. Memória de minhas putas tristes.




Coincidências não existem. Fim. Único pensamento a habitar minha mente quando abri este livro, nesta página, neste 24 de agosto... Dia do meu sexto aniversário, dia que resolvi ficar quieta em casa com meu gato... justamente ouvindo música clássica. Um dos vários livros do García Márquez que tenho em casa e, apesar de não ser o meu preferido, foi ele que peguei quando pensei em escrever. Estava ouvindo Wagner... acho até que meu companheiro felino gosta – ele só fica quietinho deitado ao lado quando é alguma música clássica, seja ocidental ou não (e eu AMO as clássicas orientais!). O bichano foge e fica inquieto com rock n’ roll e qualquer outro estilo que gosto, parece não agüentar mais do que meia hora ouvindo qualquer coisa que não sejam as clássicas.




Ao contrário do narrador da história (neste parágrafo citado, ao menos), não tenho calafrios ao estar sozinha em casa ou em qualquer outro local com felinos. Os amo. Amo seu mistério, sua estirpe mítica. São sim, uma presença sobrenatural – boa, porém. Filtram energias ruins. Fazem companhia. Os acho elegantes, lindos e adoro escutar seus ronronares... Acima de tudo, amo o modo como são independentes e só fazem o que querem. Às vezes, tenho a impressão de que eles é que me têm como sua humana de estimação – não me engano mais, achando que sou dona de algum deles, após mais de 20 anos tendo gatos dentro de casa.

Já me perguntaram muitas vezes porque gosto tanto de gatos... Não gosto, amo. Amo, pois não posso controlá-los e muito menos forçá-los a se comportar como eu gostaria – se recusam e fim. Não adianta chamá-los e esperar que venham, eles só vêm quando querem, só fazem o que querem. Continuam exercendo sua liberdade, por mais que tentemos domesticá-los. Há muito desisti de querer que se adaptem – sou eu que me adapto à vida com eles. Amam incondicionalmente, mas querem o mesmo de mim.

De repente, gosto tanto de gatos por ser como eles... E, enquanto meu companheiro felino ainda tem 3 vidas para gastar (só caiu 4 vezes da janela do 3º andar!), eu ainda tenho 6 vidas. Celebramos nossas vidas restantes juntos. Apenas me entristece saber que o tempo dele por aqui está acabando...





*o último livro aleatório AQUI.