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10 de ago de 2013

militância idiomática

Há por aí uma nova modalidade de cagação de regras, que chamarei de Militância Idiomática. Aquela gente chata que se você não usar “X” ou “@” para neutralizar gêneros, fica mimimizando e reclamando. Aquela gente chata que se não for usado o “cis” para identificação de qual tipo de homem ou mulher se está falando, vem logo vomitar seus mimimis e te qualificar como alguém preconceituoso que exclui as pessoas trans.

O pessoal chato da Militância Idiomática que me desculpe, mas “Todxs xs alunxs”, além de ser inexistente, é impronunciável. O que aconteceu com “Todos(as) os(as) alunos(as)”? A escola mandava bilhetes para meus pais assim, sem a necessidade de assassinato da Língua Portuguesa. Considero politicamente chatas as pessoas que insistem no assassinato da norma culta de qualquer idioma, apenas por causa de sua militância, principalmente se for possível dizer a mesmíssima coisa sem precisar assassinar a gramática.

Concordo que o Português, assim como outras línguas latinas, é machista. Porém, ainda há tantos analfabetos e analfabetos funcionais nesse país, que essa Militância Idiomática acaba soando, também, como uma extrema falta de conexão com a realidade. Ou será possível que haja pleno entendimento do que significam “X” e “@” em um contexto no qual as pessoas sequer têm um bom conhecimento de sua língua nativa e não conseguem interpretar textos simples escritos em linguagem coloquial?

Para expressão escrita, sou a favor de usar a norma culta da Língua Portuguesa e de qualquer outro idioma, na medida do possível, até para escrever em um blog. A não ser que a norma culta mude e inclua "X" e "@", continuarei usando-a. Ou por acaso, no mundo encantado dos contos de fadas, aceitam-se "X" e "@" em concursos, dissertações, textos profissionais ou literários, vestibulares, monografias, etc? Queremos que as pessoas estejam preparadas para uma utopia ou para o mundo real?

Minha utopia é que não haja preconceito de gênero, fim. Um sonho distante, eu sei. Mas enquanto essa realidade não chega, pode-se (e deve-se) preparar as pessoas para o uso que deverão fazer de sua língua nativa em suas vidas escolares, acadêmicas, profissionais. É um incômodo a predominância do masculino no Português? Para muita gente, sim. Só que não há a necessidade de assassinato da gramática e é perfeitamente possível deixar o “X” e a “@” para trás na linguagem neutra de gênero, como dito NESSE excelente texto, escrito a partir de uma perspectiva trans.

Assim como não uso “X” e “@” para protestar pela predominância do masculino até na língua, jamais usarei "cis" e outros termos. Para mim não existem gêneros; o que há são pessoas. Sou libertária demais para ter a obrigação de usar esses rótulos e, convenhamos, é possível passar a mensagem sem isso. Ou há a obrigação de aparentar intelectualidade? De seguir as regras da militância? Mostrar academicismo? Sinceramente, acho que as pessoas andam preocupadas demais com forma e descuidando do conteúdo, como já disse anteriormente ao falar do Politicamente Chato.

Não gosto de cagação de regras, venham de onde vierem. Tenho vontade de “___________” (preencha o espaço com o verbo mal de sua preferência) em esquerdistas autoritários, de qualquer militância. Na verdade, em qualquer autoritário de qualquer direção. Sou libertária demais para ser militante, não o contrário.


Deixo, por fim, o link para o Manual para o Uso Não-Sexista da Linguagem.