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6 de set de 2013

caso new hit

Essa semana o julgamento da banda New Hit foi adiado – DE NOVO. A defesa alegou “insegurança” para os bons moços, integrantes da bandinha. Tadinhos, foram perseguidos na hora do almoço... Mas deixa eu entender uma coisa: se as vítimas são ameaçadas, como foram, elas que sejam isoladas e colocadas em programas de proteção... e se os estupradores são ameaçados, adia-se o julgamento para se sentirem mais seguros?

Esse caso da New Hit é bastante sintomático do quanto a cultura do estupro está arraigada em nossa sociedade. Um artista perde trabalho por se assumir homossexual, mas não perde nada por estuprar garotas. Obrigada por não terem nenhuma vergonha de continuar compactuando com essa cultura nojenta, viu? Assim, com essa falta de vergonha na cara (das fãs, dos contratantes, dos patrocinadores, da mídia), fui estuprada – DE NOVO.

Atenção no roteiro. Duas adolescentes de 16 anos entram em um ônibus para conhecer seus ídolos. Alegam estupro. O corpo de delito mostra que, no mínimo, algo muito estranho (errado?) aconteceu ali. Os testemunhos das moças coincidem. Os acusados são amparados pela opinião pública, pela mídia e pelo judiciário – o julgamento é adiado por um ano e as vítimas, além de serem massacradas por fãs e por simpatizantes dos cidadãos de bem, têm que se esconder. Por um ano. Eles continuam fazendo shows e multidão batendo palmas. Por um ano. Fazem até música com ameaças veladas às vítimas.

Chega a ser grosseiro, agora, alegarem “insegurança”. Deselegante um respeitável membro do judiciário aceitar essa alegação. Na prática, o grupelho foi recompensado pela sua conduta: ganhou exposição (eu mesma não conhecia esta porcaria), lucrou em cima, continua tendo fontes de apoio em todos os níveis. Ninguém os calou. Mesmo se forem condenados, a roda da impunidade girou por um ano. Se condenados, quanto tempo ficarão presos? Continuarão ganhando $$$ em cima de suas “criações artísticas”, durante e após o confinamento? Será que já não fizeram isso com outras meninas por aí, ficaram impunes, repetiram e, dessa vez, as vítimas não se calaram?

Não sejamos iludidos. Essa espiral perversa acontece por aí, em qualquer lugar, com qualquer pessoa, o tempo todo. Nossas amigas, irmãs, mães, filhas... nós mesmas... ad nauseum*. Enquanto elas, as vítimas, continuarem sendo silenciadas por toda a sociedade, nós todas estaremos em risco. Ouso afirmar: quando um ser humano, apenas um ser humano, tem seus direitos violados, toda a humanidade foi violada. A liberdade de uns não é nada sem a liberdade de todos... e a liberdade não é nada sem a igualdade. Em todos os níveis.


*NOTA: "ad nauseum" - expressão roubada do querido @SeuAssis (twitter nele!)



 “Mais perigosa que a força bruta é aquela que brota da indiferença da sociedade ante as violações dos direitos da pessoa humana.” Martin Luther King



Textos bacanas sobre esse caso de estupro:



Eu teria vergonha de continuar sendo fã de (e apoiando, defendendo, como algumas fazem!) qualquer artista que fosse estuprador. Vergonha alheia! Vocês não???