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24 de set de 2013

metrô(llando)

Uma volta no metrô revela muitas coisas sobre o ser humano.

crédito das fotos que ilustram esse texto: François Photography


No dia em que fui passear no metrô com um fotógrafo, apenas para tirarmos fotos, houve comoção – como se um ET estivesse entre os passageiros. Houve quem tirasse foto com seu celular, quem filmasse, quem cochichasse, quem balançasse a cabeça reprovando, quem reclamasse... Houve de tudo, até quem chamasse o segurança. Minha reação foi rir e continuar o trabalho e os incomodados que se fodam, afinal estávamos apenas fotografando e escolhemos um horário à noite, próximo da hora que o metrô para de funcionar, para incomodar o mínimo possível.




Da última vez (domingo passado), no vagão que entrei havia uma criatura que estava perturbando a todos: em alguns momentos falava sozinho, em outros gritava com alguém, em alguns se pendurava e ficava balançando enquanto gritava, em outros saía fazendo perguntas esdrúxulas para os passageiros que estavam sentados. Não sei se a criatura estava bêbada, drogada... ou se era só mais um louco ou um sem noção solto no mundo. Fato é que 100% dos passageiros daquele vagão estavam, claramente, incomodados. A ironia: preferiam se abster de fazer qualquer coisa e continuavam incomodados.

Mas eu sou chata. Sou a chata que anda de metrô durante o dia com óculos escuros e fone de ouvido. Este último, desligado. Assim me é possível prestar atenção em tudo e em todos, ouvir tudo, sem que os outros percebam que estão sendo observados. Paranóica? Talvez. Cautelosa e chata, porém. A chata que, sempre que o vagão parava em alguma estação, observava pelas janelas para tentar avistar algum segurança. Até que avistei. Não era a minha estação, mas desci do vagão – apenas para chamar o segurança.

A criatura foi retirada do vagão. Só então me sentei – o metrô estava razoavelmente vazio, mas não me sentaria com uma criatura imprevisível solta, importunando a todos que estavam sentados. Finjo que não estou prestando atenção e nem ouvindo nada até o momento de agir e fim. Já sentada, os passageiros que estavam próximos vieram me agradecer por retirar-lhes o incômodo. Só faltaram bater palmas.

Oi? Então as pessoas preferem ficar viajando incomodadas a tomar alguma atitude? Preferem ter um possível drogado/maluco/imprevisível ao lado do que sair de sua zona de conforto e fazer alguma coisa? Não, apenas não. Até compreendo que as mulheres ali presentes ficassem quietas por medo... mas os homens também? Covardia e conformismo com situações ruins têm limites, sabiam?





Outra coisa... Como assim eu e um fotógrafo, fazendo um trabalho, geramos mais reações do que um drogado/maluco/imprevisível xingando, gritando, correndo, se pendurando? Sociedade hipócrita ridícula: me poupe! Reajam quando tiverem que reagir – não quando alguém, fazendo um trabalho, ferir seu puritanismo e sua moral torta.